Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Decisões para 2011

Estas são as decisões que a Patrícia Reis, no seu Vão Combate, enumerou para 2011.
Por me identificar tanto com algumas delas (a maioria delas) pedi-lhe autorização e transpu-las para aqui.

«São várias e muitas incompreensíveis para quem não me conhece bem, mas aqui vão:

ignorar quem me ignora na verdade
dar importância e amor a quem me dá importância e amor
desistir de ajudar ou resolver os males dos outros pela simples razão que sou, muitas vezes, incompreendida e fico na merda
deixar de fazer coisas pelos outros quando claramente não as fariam por mim
[...]
desistir de carregar com o passado como se fosse uma camisola interior
dar-me tempo
escrever apenas porque sim, por necessidade
cuidar da minha saúde de forma consequente
fingir melhor que o crescimento dos meus filhos não me entristece
ficar contente com o crescimento dos meus filhos e as múltiplas coisas que fazem e conquistam
assumir de vez a fama de ser bruta, deixar de lado a hipocrisia social e só fazer o que quero e com quem quero
deixar de ter obrigações idiotas em datas determinadas por um calendário
dar prendas a quem gosto nos dias em que me apetece
festejar os sucessos [cá de casa] com mais alegria
delegar e deixar as coisas andarem, porque não há tempo para nada mas há sempre tempo para
[...]
dizer às pessoas que não estou disponível, apenas por não estar, sem ter de arranjar uma merda de uma desculpa
...
Existem mais umas tantas coisas, poucas, mas essas não se publicam em lado nenhum.

Desejo-vos um excelente 2011»

Último Dia de 2010



Termina hoje 2010.
Branco para entrar o novo Ano
Fitas do Bonfim para a protecção de cada dia
Havaianas porque não há nada melhor que o calor, porque não há nada mais cool para calçar no Verão, porque pés ao léu é o meu lema

Força para acreditar que tudo vai correr bem
Sorrisos para semear sorrisos à minha volta
Trabalho para atingir os meus objectivos
Tempo para dedicar às minhas letras (sem saber se vou conseguir adaptar-me ao Novo Acordo)
Tempo para dedicar aos de cá de casa

Em 2011 quero ser Muito FELIZ!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Singing and Dancing in The Rain

Daqui
O nº 2 foi para casa de uma Amiga. Para ela o ajudar a fazer um trabalho de história. Sobre um filme que viram em três aulas. Sobre um filme que ele me pediu que fosse alugar para vermos hoje ao serão, para depois o ajudar no trabalho.
Aproveitei e aluguei também um filme para os mais novos verem. [Para fazerem uma pausa nos jogos].
O nº 2 telefonou-me agora. Não me queres vir buscar? Sim, posso ir. Onde estás? Na cozinha, a arrumar a máquina da loiça. Ah. E vens já? Sim, posso ir já. Foste alugar o filme? Fui. Boa! Quanto me pagas por te ir buscar? Beijinhos, abracinhos e desculpa por teres de vir...
O facto de haver um operador de telemóveis que tem um tarifário que nos permite falar à borla uns com os outros durante o tempo que quisermos, dá direito a conversas muito parvas, mas adiante.
Desatou a chover torrencialmente e a trovejar e a relampejar. [A nº1 anda na aula de condução em Lisboa!]. Não me apetece nada sair de casa, mas tenho de o ir buscar e de devolver o filme dos pequenos, que é daqueles "novidades" que se paga um balúrdio.
A passagem de ano vai ser em casa. Por força das circunstâncias, que são muitas e variadas. Os mais crescidos têm programas, não comuns. Conversadinho, bem conversadinho, "convidei" o nº2 e dois amigos para jantarem em casa conosco. Saem depois do jantar, pode ser? Aceitaram. Disseram que eu sou querida. Fiquei contente. E apesar de ainda não ter decidido a ementa para amanhã (eu sei...estou um bocadito atrasada, mas daqui a bocado já penso nisso, com os meus livros de receitas ao colo) vou sair para a rua e Singing and Dancing in the Rain!!!
Podem achar estúpido, mas em mim, a companhia dos meus rebentos, opera milagres.

That's my way of Life

Aprender a Escrever



O Natal trouxe à nossa Família três telefones destes. Giros, super fashion, tipo blackberry dos pobres!
Ando completamente à nora para aprender a escrever sms's. Eu que já tinha uma técnica tão boa a escrever no modo inteligente do meu Nokia, agora pareço uma tótó. Primeiro que escreva um sms demoro horas. Para além de que as teclas são mínimas, não há acentos para as palavras...
Gosto dele, mas ainda estou na fase de aprender a conhecê-lo. Com jeito vai.

Debruçada sobre o rio, Lisboa

Daqui
Lisboa tem muitas casas, muitos prédios antigos, muitas fachadas de azulejos, muitos estendais de roupa aparafusados às paredes exteriores. Lisboa tem camisas a baloiçar ao vento de Inverno nesses estendais e tem homens e mulheres que assomam às janelas. Para ver quem passa. Para fumar um cigarro sem poluir o ambiente da casa onde vivem. Para saberem se hão-de sair de gabardine ou de sobretudo. Lisboa também tem homens que usam chapéu, uns à antiga, outros completamente fashion addicts. Lisboa tem sras que saem para ir à mercearia com a carteira das moedas na mão direita e o saco de rodinhas na esquerda. E sras que saem atarefadas, aprumadas e equilibradas em cima dos saltos altos, a caminho de carros modernos e rápidos que as levam a empregos diariamente absorventes. Lisboa tem gente, muita gente. Os que nela residem, os que nela trabalham, os que nela passeiam e namoram, e pedem esmola.
Mas Lisboa tem um tesouro que faz dela a cidade especial, mágica e romântica que é. Tem o rio que a enfeita, que a perfuma, que a ilumina. O rio da ponte sobre o Tejo, o rio que une margens de pessoas diferentes, o rio que deu origem aos cacilheiros e à música da saudade, o rio de onde partiram os que em tempos foram mais corajosos do que todos os outros, o rio que no Bugio se une ao mar. E a cidade ama o seu rio. Deleita-se a mirá-lo. Enfeita-se de locais para [o] poder namorar
Os miradouros

Torre de Pisa

Da Net
Quando, ontem, consegui finalmente sentar-me no meu sofá da sala os meus Filhos 1, 3 e 4 jogavam animadamente Mario na Wii. Se por um lado isso foi bom, porque não havendo televisão, também não havia desculpa para não pegar no Livro e terminá-lo, por outro lado, parecia que estava metida num verdadeiro salão de jogos público tal era o "cagaçal" que eles faziam.
Fui buscar o Livro. Eram poucas as páginas que me separavam do final e, tentando alhear-me do barulho da jogatana, lá consegui chegar ao último ponto final deste romance. Bom. Terminada a leitura de mais um livro da minha vida, fiz o que faço sempre que fecho um livro pela última vez. Acaricio-lhe a capa, certifico-me que nem as páginas nem as capa e contracapa ficaram dobradas, olho-o mais uma vez e guardo-o no móvel dos livros. No lado dos "já lidos". Estava precisamente a colocá-lo no sítio quando a prateleira, cedendo ao excesso de peso, tombou para o lado direito ficando apoiada no que está por baixo dela...mais livros, recortes de jornais e outros tesourinhos meus. O meu móvel antigo guardador de páginas está, neste momento, em formato Torre de Pisa.
Do lado esquerdo, o do monte dos "a ler", saíu Marina. Sempre quero ver durante quantos meses me acompanhará este livro...e quanto tempo demorará a voltar à sua posição normal a prateleira que agora se inclina para o lado direito!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Nice Holiday For U All

Daqui
Apetece-me falar de tanta coisa, mas não falo. Parece-me que já deixei para trás, na história deste blogue, as palavras ditas e escritas sobre mim. Não me tem sobrado o tempo necessário à escrita a que estava a começar a habituar-me. Na realidade ser Mulher é complicado e ser Mulher da maneira que eu sou não é tarefa simples nem é para todas as mulheres. [que me perdoem a imodéstia, mas estou já um pouco cansada de não ser reconhecido todo o meu trabalho, de não ser elogiado tudo o que faço, de tudo ser considerado não algo elogiável mas uma das muitas obrigações que tenho para com a Família].
Estas férias de Natal, que costumam ser de preguiça e muita calam, têm sido dias como todos os outros, com a diferença de que todos estão em casa, menos o Pai. Tenho saído cedo da cama e cedo começado os meus dias. Com a cabeça preocupada com muitas coisas e as tarefas domésticas a sobreporem-se às minhas vontades próprias, não tenho conseguido ter sequer tempo para terminar o Livro que anda comigo há meses. Não tenho tido capacidade para escrever. [salva-me sempre o autor destas fotografias que com a sua inspiração acaba por me contagiar. umas vezes melhor outras vezes menos bem, mas é a partir das imagens dele que me sinto com vontade de juntar letras].
Sinto que precisava de ajuda sobre como fazer prevalecer a minha vontade, sobre como saber lidar com o deixar os outros para segundo plano, de vez em quando. Não sei como o fazer e acabo por me perder.
Agora, por exemplo, tenho de me levantar do chão onde escrevo estas linhas e voltar para a cozinha onde estive enfiada todo o dia. Já fui questionada sobre o jantar.
Que fazer?
Fugir talvez!
Entretanto, aceitem os meus desejos de Festas Felizes!!!!

Jóia

Daqui
O coração fechou-se. para obras.
Disse que precisava de reflectir, que os corações também reflectem e quando o fazem precisam de estar fechados ao mundo.
O coração sente-se um pouco cansado e não sabe se se recorda de qual é a sensação de amar. a sensação que a ele está sempre ligada e que ele não encontra, faz tempo.
O coração está com vontade de bater forte, de fazer subir o sangue à face, de fazer descer as tremuras às pernas. mas não se lembra como se fazem estes truques.
O coração pensa, de tempos a tempos, que já não tem idade para estes sentires. mas rapidamente enxota os pensamentos e volta ao princípio.
O coração fechou-se. para obras. mas quer reabrir rapidamente. transformar-se em jóia rara no peito de alguém que sorrirá apenas porque sim.

Imortalidade


Li esta frase e senti-me alvo da pontaria certeira de um qualquer archeiro profissional. A frase trouxe à tona fragmentos de conversas à mesa do jantar de Dia de Natal. Não conversas mórbidas e agoirentas determinando o final próximo da vida de qualquer um dos membros da Família, mas conversas que nos transportam para os laços que unem todos os que se amam. A certeza de que nenhum de nós morrerá nunca se todos os que nos sobreviverem nos recordarem sempre. A presença física é tão apenas isso. O físico. Ao passo que a imortalidade é o que deixamos no que semeamos em cada dia. Os sorrisos ou as lágrimas, as palavras ou os silêncios, os gestos de ternura ou a ausência deles. A imortalidade é determinada por cada um de nós nas sementes que semeamos em cada um dos que nos rodeia.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Quantos Meses Faltam para o Verão?

Eu e a minha Máquina,
Algarve
Agosto 2010
I.
Ontem acordei pesada. Não pesada de peso mensurável na balança, mas de peso psicológico. Acordei sem vontade de acordar. Contrariada arranjei-me para sair e cumprir a obrigação (na maior parte das vezes um prazer) de reunir nas manhãs de segunda feira. Lá fui, sem vontade. Lá estive, sem vontade. Ouvi partilhas e experiências. Aplaudi feitos e conquistas. Aplaudi as minhas próprias conquistas e corri para casa assim que acabou. Almocei com as crianças, de férias. Voltei a sair. Programa entediante mas necessário, repartição de Finanças. Tirei o Livro da mochila e tentei terminar as páginas que me separam da palavra Fim. Não consegui. Tinha de estar atenta à passagem dos números no écran electrónico, não me conseguia isolar das conversas de muitas pessoas sentadas nas cadeiras da sala de espera, dos toques de telemóvel de um e de outro, da conversa telefónica de uma Mãe, ao meu lado direito, que queria partir para Braga antes que se fizesse de noite, da conversa telefónica de um senhor, ao meu lado esquerdo, que calmamente se mostrava indignado com acusações de dívidas que lhe eram feitas do outro lado da linha, ia olhando para mim (eu sentia-o apesar de não olhar para ele e fingir que estava presa às linhas de uma Cais por ali abandonada) em busca de compreensão, de um aceno de cabeça simpático...
Chegou a minha vez. Fui atendida simpaticamente por uma cara já conhecida, de maneira simpática! Assim se passou um dia.

II.
O dia hoje amanheceu diferente.
Estou com um espírito mais positivo e com mais energia. [A minha energia, às vezes, abandona-me e deixa-me sem vontade de fazer nada. Ora eu não posso dar-me a esse luxo de não fazer nada!]
Já fiz muitas coisas e estou agora dedicada "aquela" tarefa.
Os rapazes mais novos jogam Wii (presente de Natal do Pai). Saltam, gritam e discutem um com o outro.
O mais velho foi aos saldos. A mais velha foi aos saldos.

III.
Aproxima-se o fim. Do ano 2010.
Confesso-me muito pouco adepta das festas de fim de ano. Quase todas me soam a forçadas, a alegria encomendada, a sorrisos obrigatórios. Mal comparada, a alegria do reveillon soa-me quase tão falsa como a do Carnaval. Festa é quando nos apetece mesmo festejar e não quando a sociedade acha que é tempo de festejar! Ainda não sei o que vamos fazer...mas por casa vamos ficar, de certeza.

IV.
A fotografia deste post representa as saudades que sinto do Verão.

domingo, 26 de dezembro de 2010


Eu e a Minha Máquina
Jantar de Dia de Natal
Neste Natal não recebi um único livro.
Também não recebi um swatch.
Neste Natal recebi um vestido de cerimónia, preto, comprido, para usar daqui a duas semanas.
Neste Natal, uma das minhas sobrinhas falou-me dum livro de poesia. O nome do livro não me é estranho...tenho de investigar. Aconselhei outra sobrinha a comprar o Livro antes de regressar a França, onde vive e trabalha já há uns anos. [uma espécie de Prof. Marcelo em edição familiar...].
Recebi um acessório de porta chaves fantástico - uma miniatura de máquina fotográfica Diana F+. Do meu Mano fotógrafo. Estive a ver trabalhos dele. Fiquei curiosa relativamente a um livro de Herberto Helder cujas palavras ele utilizou. Tenho de ir pesquisar.

P'ro Ano Há Mais


Eu e a Minha Máquina
Jantar de Dia de Natal



Ontem foi o ponto final.
Dois dias que se resumem a três encontros familiares. Dum lado, doutro lado, dum lado novamente.
São dois dias em que as noites são longas, quentes, embaladas por sons de risos e gargalhadas.
São dois dias em que os abraços se multiplicam, em que as semelhanças se acentuam, em que as diferenças quase passam despercebidas.

Foram.
P'ro Ano Há Mais


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

«Se Eu Podia Viver Sem as Minhas Bimbys?»








Poder 
podia,
mas não era
a mesma coisa!!!!


Christmas Eve

I.
Chegou. É hoje. O Dia dos dias. Para muitas crianças do planeta, para alguns adultos que conseguem manter em si a magia e a ansiedade próprias das idades tenras da infância na véspera de Natal.
Lembro-me. Da excitação deste dia há muitas, muitas vidas atrás. A excitação era tanta que acabava sempre em ralhetes. Os meus Pais, atarefados com os mil e um preparativos e nós, três, em alta excitação e confusão (mais ou menos o que acontece agora cá em casa).
Difícil gerir estes dias. Véspera com uns, almoço com outros, jantar de Natal com outros. Entre casas nos vamos dividindo, tentando viver a magia, tentando não desiludir ninguém, cheios de boa vontade e ternura e alegria para repartir.
São já poucas as crianças. Cá em casa, só um anseia verdadeiramente por este dia, por logo À noite. Fica numa ansiedade que quase lhe tira o sono. E não, não é o mais novo. É o penúltimo!
A todos os que aqui deixaram umas linhas em jeito de comentário do post anterior e de Feliz Natal, agradeço. À Joana um beijo especial. A todos os outros que vieram em silêncio, mil beijos especiais. Por continuarem a vir. Por não me abandonarem e não me fazerem sentir só, também aqui na virtualidade da existência.
II.
É para a cozinha que sigo. Em modo zen, interior, para preparar pratos que serão o almoço de Natal de uma outra Família. Uma responsabilidade que me apeteceu assumir. Um desafio que me apeteceu aceitar. O final de 2010 revela-se-me rico em desafios, revela-se-me o ponto de partida para uma outra vida.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Navidad

Daqui
O Natal tinha aura naquele tempo.
Um tempo longínquo, muito lá atrás no tempo, tão atrás que até parece impossível que tenha existido.
Afinal de contas os anos passam e as recordações têm tendência a ser empolgadas, como se tudo o que aconteceu fosse muitas vezes melhor do que aquilo que acontece.
Os cheiros são a memória mais forte desses dias. A lufa lufa diferente da de agora.
A importância da ida "à praça" comprar a abóbora para os sonhos.
A antecedência com que se comprava o bacalhau, retirando do exposto pequenas lascas salgadas para confirmar a cura, dando instruções ao senhor da guilhotina quanto ao corte das postas, os rabos que ninguém gostava.
A importância da compra do perú. De um tamanho considerável, mas sem esquecer a capacidade do forno. O tempero. Deixar de molho em água com limão e laranja para que a carne ficasse macia e saborosa. Fazer uma mistura de vinhos e licores para ir regando a assadura. O cheiro a espalhar-se por toda a casa, o verdadeiro cheiro do Natal.
Em casa da Avó os cheiros eram os dos fritos. Das mãos dela e completamente a olho, sem receita escrita, saíam os sonhos de abóbora, os coscorões e as fatias douradas.
Eram dias de muito trabalho que aos meus olhos eram dias mágicos. Agora que sei dar o valor ao trabalho que o Natal significa para quem o organiza, sei que eram dias estafantes apesar de em número de comensais não sermos muitos.
E afinal, o Natal dura apenas dois dias por ano. Dois dias em que todos queremos ser amigos, solidários, felizes. Dois dias para os quais trabalhamos, por vezes, um mês inteiro. Em 48 horas tudo termina. Em 48 horas a vida volta a ter o seu ritmo.
Amanhã é Natal, mas os cheiros são diferentes. Não há azevinho em jarras espalhadas pela casa, nem um alguidar enorme de barro na cozinha onde o perú amacia. Amanhã é Natal e ainda há presentes por comprar, embrulhar, e cartões por escrever.
Amanhã é Natal e não me apetece.


Vi isto publicado no Dias Úteis, do Pedro Ribeiro.
Trouxe-o comigo porque é mais ou menos o resumo do que sinto.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Lufa Lufa


Casa - Algés.
Moedas no parquímetro. Moedas engolidas e ticket népia. Mudança de parquímetro.
Elevador [odeio elevadores], 16º andar. Tranquilo.
Destino atingido, claustrofobia superada.
Preparação. Trabalho. A meio rebentam os fusíveis. Recuperar a energia. Voltar ao trabalho.
Algo corre mal. Não solucionável ali, naquele momento.
Algés - Lagoas Park. Resolvido o problema.
Lagoas -Casa.
Camas.
Aspirador.
Tábua de engomar e ferro.
Turcos. Lençóis.
Casa - Algés.
Fila na Marginal. Acesso à A5 cortado. Fila e mais fila. Sono.
Algés. Elevador. 16º andar.
Experiência. Tudo nos trinques.
Regresso ao carro. Chuva e mais chuva. Vidros embaciados. Fila e mais fila. Sono.
Enfim em casa!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Not Wishing List

Sinceramente, não sei se parece bem ou mal não ter um único desejo nem uma lista de Natal.
Serei demasiadamente consciente da crise para me atrever a sonhar com um presente surpresa no sapatinho ou tão desligada desta loucura de consumo que "não estou nem aí" para listas ou compras?
Quase me sinto mal se disser que tenho tudo o que preciso, mas essa é a verdade.
O que para mim é mais importante é o que não se pode comprar e que espero ter sempre, durante o próximo ano - pessoas à minha volta, com vontade de estarem à minha volta. Não por egocentrismo, mas por puro prazer de ter pessoas com quem conversar, com quem trocar ideias, com quem aprender, de quem gostar, que gostem de mim. Amizade.
De seguida, intimamente e agora publicamente, desejo-me sucesso. Quero-o imenso.
Ao Pai Natal digo-lhe que o que mais me faz feliz é aquilo que ele já sabe, páginas e páginas cheias de palavras e frases de outros. Não importa o tempo que demorarão a ser lidas, importa que existam para que eu me sinta sempre acompanhada.
E é só!

Messed Room


Já tinha avisado.
Uma das tarefas urgentes destas férias de Natal - limpeza/arrumação a fundo ao quarto dos mais novos.
Hoje está a ser o Dia.
Uma forma de descarregar a energia negativa acumulada por não ter conseguido marcar demonstrações para esta semana, por não conseguir atingir o objectivo que me propus a mim mesma para o mês de Dezembro.
Tirei para fora do quarto cadeiras de secretária, blocos de gavetas, brinquedos. Enchi um saco IKEA de brinquedos para dar. Enchi um saco IKEA de roupa para dar. Casacos. Os meus filhos são alérgicos a casacos e por isso os que têm vão ficando curtos e apertados apesar de quase novos.
Lavei vidros (por dentro), aspirei, limpei pó e passei esfregona. Tirei roupa das camas e fiz uma pilha que há-de encher umas duas máquinas.
Estou a fazer uma pausa. Curta. Vou retomar o trabalho!
Quanto às demonstrações...que alguém queira surpreender um ente querido com um belo presente na próxima sexta feira é o único desejo que tenho para o meu Natal!

A Passo e Passo Vamos Chegando....

...ao dia.
Este ano tem-me custado um bocado a entrar no espírito de Natal. Cumpri a data de montar a árvore de Natal e os presépios. Aos poucos fui juntando presentes. Os cartões de Natal que são um dos meus clássicos e que os meus destinatários já reclamaram ainda não ter recebido, continuam em stand by mas até ao Dia de Reis ainda estou a tempo e espero conseguir enviá-los. Já fui comprar cartolinas para fazer os cartões para os presentes. Ainda tenho presentes para embrulhar e um por comprar. O mais difícil. O de quem não liga a presentes...
Queria ter trabalho esta semana e não tenho.
Aceitei um extra e espero sinceramente que corra muito bem! É uma responsabilidade grande. Afinal de contas é Natal.
O meu blogue ressente-se. Em cada dia que passa o dia passa e eu sem saber o que escrever.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Férias

Hoje foi o último dia. De aulas.
Discutiram notas e fizeram auto-avaliações. Para casa, vieram os comentários ao que foi dito pelos professores, ao que foi argumentado pelos alunos, às situações que consideraram injustas. O comportamento e a conversa na sala de aula penalizam. Os meus filhos são fortes na conversa.
As férias do Natal são as minhas preferidas, apesar de ser nas do Verão que me sinto mais de férias. Estes quinze dias são os dias da Família, por excelência. Gosto do quentinho de casa e de não ter que sair para pôr e buscar.
Hoje também houve um acontecimento especial que pontuou o meu dia. Gostei de me ter oferecido, gostei que o meu oferecimento tivesse sido aproveitado. Mais duas pessoas a juntar ao meu album de pessoas. Queridas. Gostei de as ter conhecido.
Sigo agora para um jantar de equipa Bimby depois de muito stress para gerir jantares, jogo de corfebol, crianças.
Vou

Christmas

O Silêncio da Paz [Interior]


Daqui

Alturas há em que o chão parece me querer fugir dos pés. Escorrego, sinto-me em desequilíbrio constante, amparo-me, mantenho-me direita e sigo em frente.
A escrita é o meu centro gravítico quando a vida parece querer atirar-me borda fora. É na escrita que faço a minha terapia, como se falasse de mim para mim, como se eu fosse as duas parte de uma sessão. Eu e a terapeuta de mim.
No momento em que a vida decide parar de me balouçar nos seus ramos, o chão mantém-se plano e fácil de palmilhar. As palavras deixam de rodar incessantemente a pedir que as liberte. Aninham-se umas nas outras no conforto do sossego e pedem que as deixe repousar. E eu, que amo as palavras, aconchego-as em mim. Pego-lhes ao colo e embalo-as como se de um filho se tratasse. Deixo-as descansar de tantos dias de exigência. Deixo-as esconderem-se na parte de mim que descobriu que há mais para lá de mim mesma. Na parte de mim que, escondida também, me fazia igonorar-me.
Sigo o caminho.
Gosto de mim por isso.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Assim Acontece...

Daqui
...mas não devia acontecer!
Resta-me pensar em explicações transcendentais para justificar a tristeza que estou a sentir.
Os seres alados que moram lá pelo céu azul precisavam mesmo de alguém cuja voz os fizesse sorrir, cujo sorriso e calma os fizesse acreditar, cujas palavras os inspirassem.
Sim, foi isso, de certeza que aconteceu quando enviaram à Terra, ao corpo deste Senhor, um raio que lhe fez parar o coração.
Sinto-me mais pobre. Há pessoas que fazem parte de mim, da minha vida, das minhas recordações e que não compreendo vê-las desaparecer.
Tive a sorte de trocar comentários de blogue com ele. Tive a sorte de me aceitar no seu grupo de "facebookianos". Sinto-me, por isto, um bocadinho especial. Sinto que com ele vai um bocadinho de mim, o bocadinho de quem o admirava como profissional.
Estou triste. Por mero acaso vesti-me de preto. Com uma echarpe vermelha. Acho que se ele me vê, está a sorrir.
Até logo Carlos!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Hoje já é Dia 15!!!!


Se nada mudou no calendário, a véspera de Natal é a 24 de Dezembro. Hoje é dia 15. Se os meus neurónios não me deixam ficar mal vista, faltam precisamente nove dias para a véspera de Natal. Estou em pânico!!!!
Ainda não escrevi os meus postais. Hoje fui a correr, logo pela manhã, ao sítio onde os comprei no ano passado e não havia nem um para amostra.
Ainda não pensei como vou fazer os cartões para identificar os presentes.
Presentes? Ah, pois...aquelas compras que se fazem nesta altura do ano e que se pede ao Pai Natal que transporte de um lado para o outro no seu mega saco vermelho. Pois...tenho os dos M.M.'s mais novos.
O M.M mais velho dispensa presentes. Precisa de uma prancha nova que isto de crescer não dá tréguas e as pranchas também deixam de servir, como a roupa. Prefere receber cash para ir amealhando até ter o suficiente para mandar fazer uma prancha nova, à medida.
A Catarina também não pediu nada de especial e deu-me uma listinha só para eu não ficar muito triste...
O Pai das crianças também nunca quer nada...
...mas depois temos uma resma de sobrinhos, cunhados e cunhadas, pais e sogros.
E depois ficamos encurralados naquela loucura das compras de última hora, em centros comerciais apinhados de gente, de barulho, de desarrumação, de cheiro a saldos no dia 26. E depois eu fico com aquele mau feitio próprio de Grinch....
Vale-me o Natal não ser cá em casa este ano. Pelo menos estou livre de pensar em marcadores de mesa, em toalhas, loiça, talheres, copos e travessas. Passaremos os dias 24 e 25 a saltitar de uma casa para outra, de uma Família para outra.
Ah, é verdade, talvez fosse bom fazer pelo menos uma listinha de hipóteses, não?
Vou pensar nisso. Afinal ainda faltam nove dias para a Véspera de Natal!

Eterna Questão, Eterno Dilema

Daqui

A Humanidade evoluíu.
Os homens, descontentes com a ineficácia da sua humanidade, estudaram. Investigaram. Testaram. Inventaram.
Os homens conseguiram encontrar forma de evitar doenças, de prolongar a resistência humana, de prolongar a vida.
A Humanidade vive mais. Durante mais tempo. Com mais resistência ao meio ambiente, aos bichinhos pequeninos que por aí pululam e se instalam e nos põem doentes.
Os homens ficaram contentes. Grande avanço no combate às doenças. Melhor alimentação, melhores condições de trabalho.
A Humanidade vê-se rodeada de máquinas. Que lhe facilitam o trabalho. Nas fábricas. Nos campos. Nos escritórios. Nas cozinhas. Nos lares.
Os homens sorriem. Os seus cérebros, trabalhadores incansáveis, sentem-se felizes por serem capazes de simplificar tarefas que tradicionalmente eram duras, exaustivas, perigosas, rotineiras.
A Humanidade dispersa os interesses. Os auxiliares mecanizados permitem que os cérebros se ocupem com mais, com outras tarefas.
Os homens veêm-se rodeados de compromissos, de marcações, de dispositivos que os relembram disto ou daquilo, de entrepostos virtuais que necessitam a sua atenção. os homens desesperam.
O tempo, o tempo, a corrida contra o tempo.
A Humanidade começa a olhar para trás. A sentir as saudades do tempo em que o tempo sobrava. Agarra-se às recordações e relembra-as, cultiva-as. Surgem os gostos retro, os objectos retro, a roupa retro.
Os homens, rodeados de máquinas que fazem tudo rapidamente, que resolvem questões aborrecidas num simples carregar de botão, estão desesperados pela simplicidade dos dias em que as tarefas eram complicadas.
A Humanidade questiona o seu cérebro produtivo.
Os homens pedem mais tempo para ter tempo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

No Escuro da Noite [Lisboeta]

Daqui
O que faz dela tão especial?
As ruas inclinadas?
O cheiro do rio?
A maresia que se espalha e deixa as pedras da calçada escorregadias aos passos?
A cidade não me deixa indiferente de cada vez que a visito, mesmo que seja uma visita de corrida.
Sábado. Lisboa envolta no branco cinzento da chuva miúda e da humidade. O GPS a guiar-me os passos. O destino era-me familiar. O destino revelou-se-me estranho. As ruas tornaram-se avenidas. Os prédios cresceram dum lado e doutro, ao fundo o cemitério que dantes era tão longe. As lágrimas a saltarem-me aos olhos ao avistá-lo ali tão perto, morada de quem já não está comigo.
Hoje. Lisboa mergulhada na escuridão da noite. Em alguns pontos iluminações especiais que lembram a quadra da amizade e dos presentes. Mergulho num ponto desconhecido da cidade. Descubro mercearias de bairro, prédios cobertos de azulejos maravilhosos, varandas antigas de prédios restaurados, ostentando anúncios de aluguer e de venda. Penso que era capaz de ser feliz num deles, numa daquelas casas, por detrás daquelas vidraças. E perco-me. Apesar do GPS. Perco-me porque me quero perder, de propósito. Estou sozinha, dentro do meu carro completamente emporcalhado, cheio de areia de praia, skates e rip sticks, já fiz o que tinha a fazer em Lisboa. Tenho um GPS, estou em Lisboa, num dos seus bairros mais "in" e apetece-me baralhar o sistema de navegação que me devia pôr no caminho certo para casa. Subo e desço, enfiada no trânsito lento de final de dia. De dentro do meu carro, de vidros sujos e embaciados, vejo as montras das lojas, lindas, de Lisboa antiga. E sinto-me como se estivesse a fazer a melhor terapia do mundo, num final de segunda feira. Estou em Lisboa caótica, iluminada, festiva, envelhecida, mas linda. Sempre linda, a minha cidade.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Colher, Colher, Colher


Colher, Colher, Colher.
Um verbo, um foco.
Foi com esta palavra repetidamente dita que a Directora Comercial da empresa onde estou agora inserida incutiu a mensagem de incentivo em cada um de nós na passada segunda feira, na nossa reunião semanal.
Esta palavra, este verbo,este foco, tem estado presente na minha cabeça desde então. Sobre ele tenho reflectido muito.
Na vida, como no campo, para que possamos colher temos de semear, mas semear todos os dias, porque ao contrário da agricultura, a nossa vida não tem épocas certas para semear e para colher. A forma como nos relacionamos com os outros, os que nos são próximos e aqueles com que nos vamos cruzando social ou profissionalmente, é absolutamente decisiva para definir a forma como somos tratados por esses outros.
Têm sido de sucesso os meus dias nesta actividade? Sim, de imenso sucesso. Sorte de principiante? Acredito sinceramente que tenho colhido tudo o que tenho vindo a semear. Um dos princípios fundamentais da minha vida tem sido, sempre, tratar de igual modo todas as pessoas com que me cruzo, com que me dou. Brancos, pretos, amarelos, ricos e pobres. Preconceito é algo que não tenho, nem nunca tive. Há pessoas que vão ficando próximas, há outras que a vida afasta, mas no essencial, a semente está lá. Quando chegar a altura de colher, existirá fruto, sempre.
Será imodéstia da minha parte, mas tenho de o dizer. Quem não souber semear este tipo de sementes, também não poderá ter colheita para fazer neste campo.
As pessoas e as relações entre pessoas são dos temas mais complexos, das situações mais difíceis de gerir. A partir daqui, tudo deve ser feito com naturalidade e não com esforço. Se as pessoas se esforçam por ter uma relação, então não devem insistir nela. As relações devem basear-se na empatia, na vontade de partilhar algo.
Estou feliz com este novo foco na minha vida.
Estou feliz por ter sabido semear, sempre.

Postais de Natal

Postais de Natal dos
Gambozinos
(cliquem na palavra Gambozinos,
visitem o site,
encomendem postais de Natal)
Já tinha o post todo escrito.
De tanto saltar entre o endereço de gmail pessoal e o endereço de gmail do blogue, perdi tudo o que escrevi. Que raiva!!! Só me apetece deitar o computador pela janela fora.
Vou tentar reescrever.
Dizia eu no post perdido que depois de enfeitar a casa, fazer a árvore de Natal e espalhar presépios pela casa fora, há outro ritual que não dispenso.
Escrever Postais de Natal
É verdade. Desejar Bom Natal por mail ou sms não me encanta. Fosse eu qualquer coisa como milionária e gostaria de dar um presente a cada uma das pessoas de quem gosto, a cada uma das pessoas com quem me dou. Infelizmente não me posso dar a esse prazer de dar que me enche as medidas e o acto de escrever um postal para cada um daqueles que fazem parte da lista substitui um pouco o prazer de dar. No fundo, escrever postais personalizados é uma forma de dar um bocadinho de mim. Não escrevo dois postais iguais e não me limito ao Feliz Natal, Bom Ano Novo, da praxe.
Quando a minha carteira era mais recheada, juntava o útil ao agradável e eram postais da UNICEF os que enviava. Agora que a crise vem emagrecendo a carteira, tenho tido que optar por soluções menos dispendiosas e sem cariz humanitário...shame on me.
Todos os anos me sobram cartões que vou guardando religiosamente e que reciclo no ano seguinte. Já corri todos os sítios onde poderia ter guardado as sobras do ano passado e não dou com elas (as sobras!). Está-me a dar uma raiva...estou a ficar senil?...ou com Alzheimer?...não sei! O que sei é que já aqui tenho uma lista de 36 destinatários e postais, nicles!
Vou fazer mais uma pesquisa. De gaveta em gaveta, de móvel em móvel, de prateleira em prateleira. Se esta pesquisa manual e sem qualquer ajuda electrónica não der frutos, que remédio terei senão investir em novos cartões.
Que escreverei, envoloparei, selarei e enviarei pelo correio!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Da Matéria de Que Foram Feitos [e ainda são] os Meus Sonhos

Daqui
(blogue que acabei de descobrir e do qual já sou fã.
pelas imagens...e não só!)
Esta fotografia transportou-me, rápida e magicamente, para uma conversa que tive na passada terça feira com o meu MM nº1.
Falavamos sobre o futuro, sobre o que uma profissão pode ser, sobre de que pode ser feita uma profissão para que nunca deixemos de a amar com a paixão com que se deve amar tudo o que fazemos na vida.
Falavamos sobre a comunicação social e sobre todos os campos que pode abranger, sobre as várias perspectivas interessantes que pode ter.
Quando eu era jovem, tão jovem como este meu Filho nº2, sonhei ser médica. Não uma médica qualquer, vulgar de lineu, de consultório limpino, arrumadinho e bonito, ou mesmo de hospital, mas uma médica que atravessaria fronteiras, que viajaria para países onde a saúde não existe como um direito mas como um luxo de alguns. O meu sonho, aos 15 anos, era ser Médica sem Fronteiras. Queria sair do conforto e mergulhar de cabeça nos países pobres, no meio de pessoas carenciadas, ajudar, ajudar, ajudar. Era o sonho dos meus dias de estudante adolescente. Depois, as minhas falhas no saber matemático obrigaram-me a repensar o percurso académico e virar as agulhas do meu caminho.
A medicina de ajuda transformou-se em jornalismo de guerra. O mesmo pensamento - ir para locais de crise, de necessidade de ajuda -, porque as letras, as palavras, as frases, podem ter um impacto muito forte, podem ajudar a mudar o Mundo. Isto pensava eu na glória ingénua dos 16 anos.´
Educar Filhos é muito. Partilhar é um dos pedacinhos de educar e eu gosto de partilhar com eles. Gosto que eles saibam que eu também tive dúvidas, também tive incertezas, também andei baralhada até encontrar um caminho, apesar de não o ter percorrido até ao fim. Gosto que eles saibam que também tive sonhos e que, muitos deles, continuam a existir dentro de mim e a fazer-me lutar por eles. Gosto de lhes transmitir a ideia de que sonhar não é parvo, de que viver não é só difícil mas também é maravilhoso, de que a vida não é um caminho em linha recta e por isso os nossos sonhos podem transformar-se de um dia para o outro e o nosso percurso pode mudar de sentido, sem que precisemos de nos culpabilizar, de nos sentir estranhos.
Esta fotografia acordou em mim o sonho de poder contribuir para a mudança do Mundo. Um sonho que nunca abandonei e que tento realizar diariamente. Um bocadinho aqui, um bocadinho ali. Ajudar não custa nada. Transformar é possível!

Feel I Wanna Dance...Would You Dance With Me?

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Estrela da Tarde [num rádio sem válvulas]

Daqui
Na minha casa há um rádio antigo. Já não toca há muito. Tem um problema de saúde próprio de rádios antigos, um problema de válvulas. Lembro-me quando o meu avô trocava válvulas da televisão a preto e branco. Agora já não tenho avô nem televisão a preto e branco. Tenho este rádio, que não toca e que não serve para muito mais do que para enfeitar a pedra de mármore da consola onde repousa. Digno, cheio de vontade de se mostrar melhor do que qualquer estereofonia comprada numa loja de electrodomésticos de massas.
Acaricio-lhe a caixa de madeira enquanto lhe limpo a poeira que sobre ele cai dia após dia. Penso-o capaz de me contar o que já passou, de me lembrar o que a minha memória já apagou por falta de espaço.
O meu rádio serve de serra livros, faz companhia a uma velha jarra de loiça onde os cravos nunca faltam e nunca perde a sua vontade de voltar a tocar...
...músicas de um tempo que de longínquo por tudo o que já aconteceu depois dele, me parece sempre ter sido perto de hoje.

8 de Dezembro

Eu e a minha Máquina,
Natal
Dezembro 2008

Dia de acordar cedo.
Dia de ir entregar uma máquina.
Dia de ir comprar um pinheiro para a árvore de Natal.
[tentativa frustrada de comprar uma artificial...passada a promoção dos 50% no leroy merlin, uma saltada ao ikea...desilusão com o tamanho das árvores que eram anunciadas no site por um preço fantástico...regresso à ideia do pinheiro não ecológico, o natural]
Dia de chegar a casa e dar uma geral rápida. Aspirar o chão, fazer as camas. Almoçar o resto do jantar de ontem [uma bimbice inventada, feita em tempo record, antes de sair para o corfebol]
Dia de pensar, por alto, nos presentes de Natal. O que dar a quem numa extensa lista de irmãos, cunhados, sobrinhos solteiros, sobrinhos casados, sobrinhos pequenos, sobrinhos mini. [tarefa mais ou menos cumprida, o delinear de quê a quem]
Dia de virar as salas do avesso para as enfeitar de Natal. Tirar da arca os enfeites, os presépios, os candeeiros de estrelinhas, os tapetes de estrelinhas, um sem número de jingle bells para dar à casa um ar natalício.
Dia de fazer um jantar rápido.
Dia de ser feriado. E véspera de dia de trabalho. E quase fim-de-semana.
Dia de, há uns anos atrás, se comemorar o Dia da Mãe. [hoje ninguém se lembrou disso...só eu...e não disse nada a ninguém].

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Descendência...

Eu e a minha Máquina,
Agosto 2008
Alentejo
I.
Não sei o que vai ser o futuro de cada um dos meus Filhos. Demasiadamente novos para definirem com certeza o que farão nos dias que os esperam, são felizes. Sorriem, riem, gritam e brincam uns com os outros. Com a atitude própria de quem está habituado a viver no meio de muitos outros, socializam. Riem e conversam com outros, da mesma forma que o fazem com os que lhes estão sempre próximos, os Irmãos e os Pais. O estado de felicidade que transmitem, sempre, nem sempre é bem entendido por quem lhes não é íntimo, já tendo sido admoestados pelo sorriso permanente. Estranha reacção, mas verdadeira. Que me põe a pensar na sociedade em que vivemos, no sentir das pessoas. ser-se feliz sempre, é estranho.
II.
Dos quatro, há um que é particularmente sensível e particularmente paciente com crianças. Os olhos dele sorriem quando os pequeninos o rodeiam e lhe pedem atenção. É com gosto que lhes faz as vontades e que pára o que estiver a fazer para se dedicar à brincadeira. Fico deliciada a olhar para ele.
III.
Os meus Filhos são especiais. Em muitas coisas. Orgulho-me deles por todas elas.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Carta Ao Blogue

Querido Blogue,

calculo que estejas um pouco triste comigo. Desiludido até. Tu, que tens sido um companheiro fiel ao longo destes dois últimos anos, quase três. Sinto-te triste pela minha ausência, mas não tenho conseguido ter disponibilidade para me sentar a escrever. Não me abandones! Tu sabes que tenho andado numa roda viva...este fim de semana passou sem que tivesse dado por ele. Foram mais as horas em que estive fora de casa do que as que estive dentro. Ontem, era quase meia noite quando me sentei a jantar e a olhar um bocadinho para "o boneco". Também sabes o quanto me sinto feliz, não sabes? De repente, o meu Eu interior pacificou-se. Deixou de me atormentar com questões para as quais eu não consegui ter uma resposta que o contentasse. Existe paz nesta minha aceleração. Não penses que todas as outras tarefas que tenho foram desleixadas. Não, só tu tens sofrido com a minha nova actividade. Tudo o resto se mantém. As horas passadas na tábua, as horas passadas no vai e vem de pôr Filhos e recolher Filhos, as horas passadas no apoio ao estudo e TPC, as horas passadas na cozinha onde as minhas "ajudantes robotizadas" não têm direito a descanso...sim, consigo fazer tudo e dar conta de tudo...menos de ti meu querido confesor, meu seguidor fiel.
Não te zangues. Fica sempre por perto. Sabes que em qualquer bocadinho livre, é para ti que os meus dedos correm, é em ti que a minha cabeça pensa.
Um post por dia, pelo menos, sei que consigo garantir-te.
Um beijo.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Cartas


Daqui

Não me obrigues a escrever-te.
Não hoje.
Não tenho nada para te contar e tudo o que te pudesse dizer poderia parecer estranho se o dissesse por palavras escritas e inscritas num papel que em qualquer altura poderás rasgar, fazer desaparecer, queimar e transformar em cinzas que o vento, por mais fraco que sopre, poderá levar para muito longe.
Não, escrever-te deixou de fazer sentido.
Duvido até que leias qualquer uma das palavras que quase sem querer deixo escritas pelo meu caminho.
Não há sinais.
Não há comunicação.
Acabou.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Pensamentos Esquizofrénicos (ou, sem pés nem cabeça...)

Daqui
Porque ultimamente nada se tem passado.
De significativo que mereça a minha reflexão e palavras.
De maravilhoso que mereça linhas cheias de adjectivos e substantivos e vírgulas e pontuações inspiradas.
O que se tem passado de diferente de outros dias, semanas e meses da minha vida, não quero que seja dito aqui, no espaço que é o meu caderno de escritas. Umas criativas, outras menos.
Para além do que se tem passado e que não quero escrever aqui, porque transformaria este espaço num outro, têm-se passado também outras coisas que não quero contar.
Porque ninguém tem que saber tanto da minha vida quanto eu.
Pudesse eu ser duas. 
Ficaria aqui uma. 
Doméstica e bem comportada.
Largaria a outra.
Deixá-la-ia atravessar os espaços que a imaginação lhe pedisse que fossem atravessados.
Cruzando lugares, somando nomes de pessoas num outro caderno, fino, de páginas amareladas e de capa azul escura. Lugares e nomes que se entrelaçariam e dariam origem a palavras inventadas. Sentimentos retirados de experiências não vividas, sentimentos avassaladores.

Não, por aqui não acontece nada.
Apenas mais um dia que termina, depois de outro e de outro. Apenas mais um dia.
Acaricio a madeira da minha cadeira antiga, estofada por mãos hábeis de quem conheceu a moda de dias idos. Está quente neste canto da casa. Puxo a manta para as pernas. Aconchego-me e deixo-me viajar. Pelas páginas de um qualquer livro que não interessa se está no meu colo ou apenas na imaginação do meu olhar.

Um Problema de Bateria


A minha carrinha anda cansada, a precisar de férias.
O frio que tem estado e a humidade que durante a noite se acumula por cima e dentro dela, também não ajudam.
Não morasse eu em frente a uma bomba de gasolina com estação de serviço incorporada e estava bem tramadinha. Eu e os meus Filhos que dependem da boleia.
Quase todos os dias temos de ir pedir ao sr. da bomba que nos venha dar um bocadinho de carga à bateria para podermos arrancar do lugar.
Não deixa de ser engraçado, mas se calhar vou ter de pedir ao Menino Jesus ou ao Pai Natal que me ofereçam uma bateria nova!
Blog Widget by LinkWithin