Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Leituras

Sábado de muita chuva e tempestade. Mesmo apetecível para pôr a leitura em dia. Terminei a leitura deste livro e adorei-o. Agradeço ao Brunorix que trouxe este livro para a Blogosfera no seu Clube de Leitura! Agora vou até lá escrever o que cá dentro ficou depois de ter lido a palavra F I M.

"Este livro mostra-nos como a amizade pode mudar a vida quer dos mais carenciados, quer dos que tentam ajudá-los. Relembra-nos que não há vidas sem significado."

Banco de Jardim



A minha Máquina noutras mãos, Janeiro 2009, Lisboa

Conheces este banco de cidade? Todos os dias te espero aqui. Sentada. Absorta em pensamentos que me levam ao início do tempo. Quando os cabelos brancos ainda não enchiam a minha cabeça de uma mancha branca. Quando as minhas pernas ainda não pediam descanso antes de chegarmos ao destino. Sento-me. Chapéu de chuva dum lado, saco com o crochet de outro. Espero-te. Na verdade já não me apetece o crochet...os olhos já falham e as mãos doem-me. Sabes, este frio, esta humidade invernosos...a minha artrite. Acho que o trago só para me fazer companhia. Para me sentir segura. Como se este trabalho manual que me entretém dias, semanas e meses de solidão, fosse também a minha defesa. Se o trouxer comigo está tudo bem.

Sento-me. Vejo quem passa. Aprecio caras, roupas e posturas. Vejo o tempo a passar. Enquanto espero. Te. No teu casaco de fazenda aos quadradinhos. Sobretudo. Boné de fazenda, que te protege a cabeça do frio. Espero a calma dos teus olhos verdes. Quando chegares, dás-me um beijo e caminharemos de mãos dadas. De volta a casa. Conversaremos, veremos as montras. Pararemos a meio do caminho para beber o cafézinho da tarde, para fazer umas compras de fruta que já falta....

Está frio. O céu escurece de repente quando é Inverno. Abandono o banco de jardim. Chapéu de chuva numa mão, saco de crochet noutra. Caminho. A cabeça erguida. O passo lento. O caminho para casa. Sem ti. Ainda me custa perceber que não virás ter comigo ao banco de jardim, simplesmente porque já não estás cá. Estás noutro sítio, melhor dizem, para me animar um pouco. A verdade é que os dias, as semanas, os meses são cada vez maiores. As mãos doem-me cada vez mais e o crochet já não me entretém. Volto para uma casa que me espera. Vazia e sozinha. Amanhã estarei novamente no banco de jardim. Desejando que voltes, desse sítio onde estás, melhor, para me vires buscar...

Até amanhã, meu Amor.


PS - Este texto foi escrito a pensar na minha Avó, nos meus Avós maternos. Todos os dias, ao final do dia, saía ao encontro do meu Avô que regressava a pé do trabalho. Era mais ou menos esta a rotina do final de dia. A última frase está na renda, feita por ela em crochet, de um lençol que vive cá em casa. Tenho saudades destes fins de tarde...

Vale a pena ir ver :)

As coisas que, todas nós Mães, dizemos vezes sem conta durante a nossa vida!!!!

Pablo Casals, Song of the Birds

"[Pareceu-me adequado já que tu és uma espécie de ave errante.]",
O Solista, Steve Lopez, Págª 142


Cansaço

Daqui

É sempre ao fechar do dia que passo as portas deste bar. A princípio vinha em grupo, a confraternização de final de dia de trabalho antes do regresso a casa. Aos poucos foi-se desfazendo o grupo. Sobrei eu. Mantive o ritual. Entro e sento-me no meu banco. Suficientemente distante da porta para que não apanhe o frio, mas numa posição que me permite sempre controlar quem entra.

Irish Coffee. Quente e com uma camada generosa de natas polvilhada com grãos de café. O calor da caneca aquece-me as mãos, geladas do frio da rua. O cabelo pinga e sinto-me molhado até aos ossos. Golo a golo o corpo vai aquecendo e a mente adormecendo. Quebra-se o stress do final do dia, baixa a adrenalina e permito-me acalmar.

Música de fundo. Sinto-me embalado. Oiço-a tocar mas não me concentro o necessário para saber o que oiço. Oiço-a como se estivesse fora do Mundo a observar, a ouvir, tudo e todos. Sinto-me a pairar, dentro de uma bolha de ar que me suporta, que me transporta, que me protege.

Voz sussurrada. Palavras no meu ouvido. Que me prometem a dedicação e protecção eternas. Sei que estou a sonhar mas não me incomodo em acordar-me. Quero prolongar este calor, esta sensação de leveza e de ternura que me aconchegam.

A bebida a chegar ao fim. O meu corpo adormecido sobre o balcão. Os copos que se encostam e tilintam. O pano húmido que limpa. E eu sobre o balcão. Lutando para me levantar. Pedindo-me força para ir. E eu a ser levado. Cansado. arrasado. final de mais uma semana. cansado. arrasado...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

New Look...desejado...

O mau tempo continua.
Não há vestígios do Sol que costuma ser o cartão de visita de Portugal, seja Verão ou Inverno.
A chuva, o frio e o vento não me dão tréguas.
A Proteccção Civil informa a manutenção do Alerta Amarelo para o fim de semana que se aproxima (eu gosto de amarelo e de laranja, mas depois deste Inverno acho que vou ficar enjoada deles!).
Como não posso pegar em mim e mudar-me de armas e bagagens para um qualquer país onde o Sol esteja a brilhar, decidi mudar, novamente, o aspecto do meu caderno virtual.
Côr, flores e fashion look!

Telemóveis e Crianças

5º Ano de escolaridade. Turma de 20 e tal alunos entre os 10 e os 11 anos. Aula de Área Projecto.

- Stôra, posso tirar o telemóvel da mochila, só para o desligar?

Autorização concedida. Pergunta sobre quantos, naquela turma, têm telemóvel. Todos os dedos no ar à excepção de três alunos. A professora deu os parabéns a estes três.

Isto aconteceu, ontem, na turma do M.M.2. Um dos que não tem telemóvel. Não pretendo apontar o dedo a todos os Pais/Encarregados de Educação daquela turma. Cada Família funciona dentro da sua organização e das suas regras. A minha opção de não dar telemóvel aos 10 anos prende-se com uma questão de economia familiar mas também de alguma racionalidade. Que necessidade de telemóvel tem uma criança desta idade? Aceitação social pelos outros colegas? Estar sempre contactável?

Sou da opinião de que a aceitação social não deve ser feita com base no que cada um tem, mas sim no que cada um é. Quanto à contactabilidade dos nossos filhos, a Escola tem um PBX que eles podem utilizar e para o qual nós podemos ligar se houver algo de urgente a comunicar-lhes (a Escola tem 300 e poucos alunos).

Posso ser considerada antiquada, cota, mas a forma como é feita a gestão da minha Família nada tem a ver com modelos de consumismo e de facilitismo. Somos uma Família Numerosa, temos uma boa casa, despensa e frigorífico abastecidos. Tudo o resto é supérfluo. Não sinto peso na consciência por não dar aos meus Filhos determinados luxos que outros Meninos/Jovens das idades deles têm. Não sinto peso na consciência por não alimentar caprichos. Não sou melhor do que ninguém. Sinto que estou a criar quatro pessoas que devem viver no mundo real e não na ilusão de que tudo é fácil e aparece com um estalar de dedos. A vida não é fácil e o estalar de dedos só funciona nos filmes. Sinto orgulho quando, em pequenas situações do dia-a-dia, percebo que estes ensinamentos funcionam e que os meus Filhos se revelam pessoas sensatas.

Por tudo isto, há quem continue sem telemóvel...

Sei que estou a fazer bem o meu trabalho quando...# [1]


"O que é para ti a Amizade?
Para mim, a Amizade é a segunda coisa melhor no Mundo a seguir à Família"., M.M. 2 em trabalho de Formação Cívica

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Pedaços de Mim


descoberta aqui

Se a minha pele fosse castanha em vez de branca.

Se usasse vestidos coloridos e compridos até aos pés feitos de capulanas.

Se carregasse os meus Filhos em panos atados a mim.

Se vivesse numa pequena aldeia com chão vermelho, de terra.

Eu seria a "Mãe" dessa Aldeia.

Eu ensinaria como tratar de um bébé recém-nascido.

Eu ensinaria todos os preceitos do dia a dia de uma Mãe e Chefe de Família...

Porque a minha pele é branca.

Porque visto calças da ganga.

Porque carrego os meus Filhos sempre comigo, mãos nas mãos.

Porque vivo numa terra onde conheço tanta, tanta, mas tanta gente...

Pedem-me conselhos sobre Escolas.

Pedem-me ajudas pontuais.

Pedem-me conselhos.

E eu, não fico vaidosa, cheia de imodéstia ou convencida de que sou A Maior...

Eu percebo que já estou a caminho da idade da sabedoria.




O Solista

[...]"Foi Napoleão Bonaparte que serviu de inspiração a Beethoven para compor a Terceira Sinfonia, mas reza a lenda que a opinião do compositor sobre ele mudou quando viu que o libertador se tornara um tirano. Intitulou a sinfonia de Eroica, que significa heróica, e quis que ela fosse uma homenagem à coragem e não a um único homem. [...] A Eroica começa com duas pequenas explosões que nos atiram contra o assento da cadeira. Depois de conquistar a nossa atenção, Beethoven inicia uma conversa na secção de cordas, que ora parece desfalecer, ora ribombar. A peça tem um misto de romance e suspense, como que antecipando uma afirmação ousada e marcante. Mas, para mim, a melhor parte do espectáculo é Nathaniel, que está sentado na borda da cadeira, seguindo a pauta que tem na cabeça. De queixo descaído, absorto, emancipado, pega numa batuta imaginária, ri-se e balança o corpo. Houve alguém que descreveu a Terceira Sinfonia como uma composição em que um manto de nuvens escuras se dissolve num dia de sol. Não sei se será por isto que Beethoven é o deus da criação para Nathaniel. O segundo andamento entra na sala em bicos de pés, como se fosse um rumor da morte, e Nathaniel encosta o ombro ao meu e põe a mão em concha junto do meu ouvido. [...]"

O Solista, Steve Lopez, págª 106

Karajan - Beethoven Symphony No. 3 'Eroica' - Part 1

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

S C A R E D


Trazida daqui
E se a minha voz não tremer?
E se as palavras não saírem baralhadas, como se eu não soubesse falar?
E se os meus lábios não sentirem o sabor de um beijo apaixonado?
E se o meu corpo não sentir a pressão de um abraço?
E se o desejo não me queimar, não me desinquietar?
E se as minhas pernas não ficarem moles, sem me sustentarem o corpo?
E se a Paixão não surgir?
I'll be so scared...that I rather die...

C R I S E

Recebi esta fotografia agora mesmo. Pela mensagem que traz com ela, achei que tinha mesmo de partilhá-la com todos os que me leêm!

Back to Reality

Trazida daqui

E agora vou tratar da "faxina"!

Volto mais tarde...

Filhos e Cadilhos


Esta semana tenho companhia em casa. O M.M.3. A Filha da Professora dele está doente e eu optei por o manter em casa em alternativa a ir à Escola e ficar noutra sala, noutra turma, a fazer fichas ou a desenhar o dia inteiro. A rotina altera-se. Tendo um deles em casa fico mais "relaxed". É estranha a sensação, mas é verdadeira. Parece que não ando a correr tanto de um lado para o outro. Sabe-me bem esta companhia e a única alteração que a minha rotina sofre é a de fazer almoço. Também é verdade que na idade em que eles estão já não me dão aquele afazer de ter que estar constantemente atenta à invenção seguinte (não é Filoxera?). Já houve tempo em que isso acontecia! O M.M. 3 foi para a Escola com dois anos, depois de eu o ter apanhado a trepar uma estante do quarto dos rapazes...

O outro lado desta questão surge quando me ponho na pele da Professora dele. Já fui Mãe-Trabalhadora e sei bem o que custa, à nossa consciência, decidir o que fazer quando um filho adoece. Ter que optar entre ir trabalhar e deixar a criança com alguém e ficar em casa faltando ao trabalho e às responsabilidades profissionais não é pêra doce.

Não sei se esta "luta" é característica apenas do nosso País onde a protecção à maternidade é muito frágil ou se se passa com todas as Mães trabalhadoras do Mundo dito civilizado.

Sei, que no meu caso, foi uma das razões que pesei na altura em que tomei consciência de que não queria continuar a ter que optar entre os meus Filhos e o trabalho - era olhada de lado por sair às 16:30, mesmo entrando às 08:00; era olhada de lado e comentada por faltar de cada vez que um deles ficava doente (e o M.M.2 foi bem complicado com faltas de ar e afins), sentia quase vergonha de telefonar a informar que alguém estava doente e que eu não iria trabalhar...(Nunca tive ninguém que ficasse com eles).

Só espero que a nossa sociedade evolua e consiga criar os apoios reais que as Mães precisam, porque ninguém pode continuar a ser despedido só porque engravida ou amamenta, ninguém pode ser preterido numa candidatura de emprego só porque é Mulher em idade de ter Filhos, ninguém pode ser penalizado só porque é Mãe e tem que se ausentar para assistência aos Filhos.

E porque ter Filhos não tem necessariamente que significar Ter cadilhos!

Evidências...banalidades...hum(an)idades...

Continua o Inverno. Continua a Chuva. Tento não dar importância a estes pormenores que me desagradam imensamente, mas há dias em que não consigo... É superior a mim ...

O cinzento do céu cola-se ao cinzento do meu cérebro. A humidade cola-se ao corpo, ao cabelo, que fica encaracolado até não poder mais e só apanhado se deixa dominar.

Tudo fica mais difícil. Até eu. E eu não gosto de me sentir difícil...
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