Recordo. Não muito claramente, mas recordo. O tempo em que não gostava de ficar só. De estar só. Em que pensava que não conseguiria sobreviver e que não saberia o que fazer com o silêncio e a solidão em que ficava.
Dou por mim a desejar a solidão e o silêncio. A desejar não ter que partilhar palavras que quero só minhas. A desejar poder não estar, porque estar é violento, é algo que me imponho. E no não estar, viajo.
Atravesso o silêncio murmurado do oceano e entrego-me. Ao seu azul feito de reflexos do céu. Ao seu branco da espuma das ondas. Ao seu azul escuro das manchas das rochas. E alcanço.
Alcanço o Universo das gentes e das palavras. Por onde, por todo o lado, me rodeiam vozes, corpos, caras, pessoas. Não páram. Andam. Correm. E dão voz. Vozes.
À minha solidão desejada, a de estar só sem perder o som das palavras de outros. Sem perder de vista pessoas.
Que me povoam a solidão...
Post escrito de frente para o Mar. Com o Sol a aquecer corpo e alma. Com o Mar a tocar a música de fundo.










