Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Imenso Azul (onde me escondo, de mim)

Eu e a minha Máquina,
Carcavelos,
Setembro 2007

Olho-te. Pergunto-me porque nunca me olhaste. Porque nunca foste capaz de me desafiar, de me mostrar coisas novas. Quando te olho vejo-te agora. Já me esqueci se algum dia existimos antes de agora. Se já nos conhecíamos. Lembras-te do que falávamos? O que nos unia? Sabes o que penso quando penso? Não, não me atormenta apenas a desarrumação que nos envolve, a solidão que se instala indiferente à fúria barulhenta dos dias. Nada me atormenta mais. Sonho apenas com o que teria sido se não tivesse sido esta forma de vida que construímos. Teríamos deixado de existir ou teríamos apenas tomado nas mãos um destino diverso? Não me entendes. Sei-o. Sinto-o. Atormenta-te a pessoa em que cresci? Há demasiado silêncio em mim. Silêncio exterior, porque cá dentro as vozes de mim não se calam. As palavras que me rodeiam, que me ocultam como se fossem um escudo invisível de um qualquer guerreiro do futuro, são-te estranhas. Para mim são entranhas. Não as compreendes e não sabes como atravessá-las. E quererás tu atravessá-las? Olha...há uma palmeira aqui. Faz uma meia sombra sobre o caderno onde escrevo. Uma sombra que se agita e vai alternando o escuro e o luminoso. À minha frente o imenso Azul onde me escondo sempre que preciso fugir de mim. E de ti. Aqui sinto-me eu apenas. Nada mais existe. Eu. Isso agrada-me. Sabes, estou cansada de ser uma espécie de boneco multifunções cujas peças se vão encaixando e desencaixando consoante as necessidades da pessoa que tenho à frente, que se acumulam todas quando lido com muitos ao mesmo tempo. Já pensaste quantas pessoas guardo e faço sair de dentro de mim durante cada dia que passa? Deve ser por isso que não consigo inventar pessoas...eu já sou muitas, muitas e, no entanto, apenas Uma. Gostava que Uma de mim não me atormentasse com os pensamentos que fazem com que a outra de mim se prenda ao que não existe. Mas o Um insiste em perseguir-me. Em querer puxar-me para ele. E se eu já não souber ser Um. Eu sou muitos. Diferentes. Ganha o da Liberdade, o da Vontade de arriscar, o que se continua a sentir maravilhado com o imenso Azul. E a vontade de me deixar ir, sabendo que fico. Sem saber para onde, onde fico.
(ao som de Simon&Garfunkel, ao vivo no Central Park)

Irreal

Estou sentada em frente a dois computadores.

Num, o blogue (já tinha saudades de escrever no meu computador velhinho...com teclas gastas e écran maior), a passagem de fotografias de uma Festa de Aniversário no fim de semana, e a escolha de uma fotografia para o próximo post escrito durante a Hora Sagrada.

Noutro o gmail pessoal. Aberto. Para ver o que por lá caíu hoje e ajudar uma Amiga na escrita a enviar para os Pais/Encarregados de Educação da turma de uma das Filhas.

À minha volta, a casa. Quieta. À espera que lhe dê a atenção que merece!

Durante uma Hora (sagrada!)

O Local

A Leitura


A Banda Sonora

terça-feira, 3 de novembro de 2009

TPCs


Sou a favor dos TPC. Trazer trabalhos para casa incute nos miúdos a responsabilidade e acaba por ser uma revisão da matéria dada na escola.

Cá em casa, a chegada da casa tem um ritual que se cumpre diariamente. Lavar as mãos, lanchar e fazer trabalhos de casa. Tomar banho e jantar. Os trabalhos de casa são feitos na mesa da cozinha para eu poder tirar as dúvidas enquanto faço o jantar. Há dias em que os TPC são pacíficos e a ajuda é mínima, mas há outros que me "tiram do sério". Hoje é um desses dias. São sete e um quarto e ainda estamos de volta dos TPC. Claro que já houve uma pausa para o banho e já se come a sopa, mas tabuadas são um caso sério!

Quando eu era miúda, a minha avó sentava-se num sofá da salinha dela com uma colher de pau na mão enquanto eu dava voltas à sala a "cantar" a tabuada. Cada falha dava direito a uma "reguada" com a colher de pau. Aprendi a tabuada e até hoje sei-a de cor e salteada.

Claro que não faço isso aos meus filhos, mas às vezes apetece-me. Estou numa luta com o Mateus e ele numa luta com as tabuadas...

Fita Métrica


Tenho uma Filha com mais 1cm de altura do que eu;
Tenho um Filho com menos 1cm de altura do que eu;

Conclusão: estou a ficar pequenina!

Home Alone?


Desde que os miúdos saem para a Escola, de manhã cedo, até à hora de começar a recolhê-los a casa fica por minha conta. Eu, os cães e os periquitos. Não tenho medo. Nenhum. Ontem, andava aqui nas minhas arrumações e trabalhos domésticos e ouvi grande estardalhaço lá em cima. Apanhei um susto daqueles e convenci-me que não estava sozinha em casa. Andei aqui dum lado para o outro, a olhar por cima do ombro de cada vez que tinha de virar costas a uma porta, completamente assustada. A minha casa é MUITO grande...fui ver todas as janelas e portas cá de baixo para ter a certeza que tinha deixado tudo trancado da última vez que tinha saído para a distribuição. Tudo nos conformes. Comecei a pensar que alguém tinha trepado e entrado pelo primeiro andar. Descalcei as socas, calcei as minhas meias de andar por casa e toca a subir. Revistei o 1º andar todo. Tudo normal e ninguém escondido. Subi ao sótão. Tudo normal e ninguém escondido. Ok. Devo estar a sonhar com ladrões. Esqueci-os e o resto do dia passou sem mais sustos nem olhares por cima do ombro!

Preces

Local, tempo e personagens - Dentro do carro, a caminho de casa depois da escola, ontem, eu e o Mateus.

- Mãe, tive excelent na leitura de Inglês!
- Boa!!!! O que disseste quando a Professora disse a tua nota?
- Não disse nada...estava a fazer figas para ter excelent!

CLOSET

Ando com dificuldade em escolher o que vestir. Esta manhã decidi ousar e experimentar peças que já não uso há uns bons tempos. Saias compridas. Mirei-me e remirei-me. Nã... Arrumei as saias. Fui às calças. Pffff... O tempo de prova estava a esgotar-se. Acabei por vestir umas destas calças. Fui até à mesa do pequeno almoço onde os rapazes comiam e perguntei a opinião.

- Estás linda Mãe, disse o terceiro.
- Estás bem, disse o segundo.
- Chega-te aqui...está estranho esse cinto aí, disse o primeiro

Assim que voltei da ronda das escolas, e depois de ter passado pela minha praia (para ver o Mar, quem o surfava e terminar o "Para Sempre" de Vergílio Ferreira), mudei-me para o quarto da Catarina para descobrir como mudar a toillette. Consegui!
De qualquer forma, tanto eu como ela, agradeceríamos se pudessemos ter um closet idêntico ao da Carrie Bradshaw!

Olha...perdi um seguidor...onde é que ele/a foi parar?

Sou só eu que sinto isto # [1]

A H&M tem uma nova campanha publicitária nos outdoors espalhados pela via pública. Independentemente do facto de a roupa ser gira, agrada-me sobremaneira o modelo masculino que me deita um olhar capaz de me fazer esquecer o volante e o caminho e de me estatelar de encontro ao "mobiliário urbano" onde ele está preso...
Espreitem lá e digam-me se a moda masculina H&M não está mesmo bonita!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Sonho de Noite de Outono

A manhã ia já a meio. Os olhos presos ao écran. Os dedos a correrem teclas. Os textos para a edição dessa semana a comporem-se. Lentamente. Estava desconcentrada. Não conseguia afastar aqueles olhos, aquele sorriso, aquele ar desmazelado chique da cabeça. Liga-lhe. Combina um almoço. Marca o local e a hora. Ele hesitante do outro lado. A escorrer vontade. As palavras a dizerem o contrário do que sente. Ela sente-o.

Larga o computador. Passa na casa de banho. Solta o cabelo. Passa um gloss nos lábios. Vê-se no espelho. Atraente ainda, mas durante quanto mais tempo? Isso assusta-a. Não está preparada para a indiferença dos olhares, para a inexistência de paixão na sua vida. Pensa em tudo isto enquanto se dirige para o local do almoço. Um sítio recatado mas aconchegante e simpático. Uma casa de chá com uma sala/varanda par um court de ténis. Ele ainda não chegou. Ainda bem. Precisa de tempo para respirar fundo. O coração vai bater demasiado quando ele chegar. Não quer que ele o sinta...

Ouve a voz dele. Juvenil, algo incerta, nervosa. Ela sabe-o nervoso. Aí está ele. Maravilhoso. Cumprimenta-a. Um só beijo, na face, demorado. Ela afaga-lhe o cabelo e sorri. Ele senta-se, escolhem o que almoçar, o que beber e mergulham um no outro. Olhos dentro de outros olhos, presos nos lábios que falam, que significam o que quereriam dizer um ao outro. Falam de banalidades. Do dia a dia. Os trabalhos que ambos têm entre mãos e as cabeças que andam "no ar". Falam de tudo menos deles, dois. As palavras que têm para dizer sobre eles, dois individuais, são pertença de um mundo de sonhos, que não querem dizer para que ninguém lance um mau olhado. Eles dois só existem, cada um dentro dos sonhos do outro. Ela provoca-o, fá-lo rir. Ele não tira os olhos dela. Diz-lhe que ela é "tonta", mas ri. O pouco que se conhecem é o que mais os atrai, o que mais os faz quererem estar juntos, rir juntos. E riem como duas crianças que fazem travessuras. Ele faz-se sério e anuncia,

- Vou para LA uma semana. Aquela cidade é a tua cara!
- Leva-me contigo...
- Quem sabe...um dia...vás comigo...

Estamos em Novembro

Terminou o meu mês. Fica alguma nostalgia e alguma perplexidade pela rapidez com que se devoraram 31 dias repletos de aniversários e ocasiões especiais. Fica o meu mês marcado por mais uma ocasião especial e triste, o silêncio definitivo de uma voz que era A Voz da Rádio.


O novo mês abriu a sua página do calendário com muita chuva ao final do dia, a cair dum céu cor de violeta. A minha falta de cumplicidade com o Inverno, o frio e a chuva não me deixa, no entanto, insensível e parece-me, até, que as minhas hormonas pedem dias frios. De meias de lã enroladas nos tornozelos a servirem de pantufas. De aquecimento ligado e vidros a embaciarem nas diferenças de temperatura de dentro para fora. Eis que hoje de manhã o sol já cá estava de novo e, ao segundo dia do mês de Novembro, saio de casa às 08:15 da manhã de manga curta. Estamos em Novembro. O mês do S. Martinho. Do Verão!

Os Laços e os nós


Triste.
Dura realidade de muitas crianças/jovens.

Jorge Luís Borges & Eu

"Há aqueles que não podem imaginar um mundo sem pássaros; há aqueles que não podem imaginar um mundo sem água; ao que me refere, sou incapaz de imaginar um mundo sem livros."

Quando os Meus Olhos se Fecharem e o Meu Coração Parar, é no Mar que Quero (re)Viver

O meu Mar. Tem vestido o cinzento da prata e o branco da renda. O meu Mar é o espelho onde me quero mirar sob a luz ténue do sol de Novembro ainda a despontar. E nas ondas. Os corpos que se alinham, que dançam, que se equilibram, que deslizam. O meu Mar é rodeado de falésias que o ocultam, que o protegem. O meu Mar vê as salgadeiras a crescerem entre pedras e ervas daninhas. O meu Mar chama-me. Sossega-me.Enche-me de água salgada os olhos que não se cansam de o olhar. Enche-me de maresia o peito que se ondula no soluçar. O meu Mar. Onde quero viver depois de parar. De respirar.

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