quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
20 Anos de Liberdade (depois de 27 de reclusão)
Expedito

Quem me Dera...

Afeições e Dores de Coração
Estranha característica esta do ser humano. A afeição. A capacidade que temos de desenvolver sentimentos de amizade, de carinho, de afecto, por pessoas, coisas e lugares que por qualquer motivo desenvolvem um papel especial nas nossas vidas, sendo que existem pessoas mais dadas a estes sentimentos afectuosos do que outras.
Ao estacionar à porta da tabacaria perto de casa onde compro o jornal, vou aos correios, compro qualquer material escolar numa aflição, dei com uma série de papéis colados na montra "Liquidação Total". Ainda dentro do carro e já tinha o coração apertado. O que é que se estava a passar ali? Será que uma das senhoras está doente? Será que tudo não passa de uma manobra publicitária para atrair clientes em tempo de crise? Deixei o carro, entrei na loja. Na verdade não ia comprar nada em particular, apenas ver a lista dos livros que começam hoje a sair com o Público (20 Livros que Mudaram o Mundo), mas disparei de rompante um "O que é que se está a passar aqui?". A resposta não se fez esperar, saíu pronta a confirmar o que eu não queria ouvir "Vamos fechar. Já são muitos anos neste horário, muito cansaço, a idade não perdoa." Fiquei pregada ao chão e ao balcão. Como se fosse perder alguém muito querido. Que estupidez! ... "Mas não fique assim...só vamos fechar a porta e entregar a loja em Abril." Que me importa. Estava habituada a ir ali e ver aquelas caras. E a partir de Abril? Mais uma porta de loja fechada naquela correnteza de prédios. Mais uma tabuleta de uma qualquer agência imobiliária com um Vende-se ou Aluga-se ou Trespassa-se. Não!
Tem razão o meu filho Manel quando diz "Vês Mãe, porque é que somos tão piegas? Porque saímos a ti!..."
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Grilo Falante
Gestora (sem canudo, mas muita experiência!)

Sem nunca ter estudado para tal, considero-me uma gestora. De stocks, de economato, de recursos humanos. São duras todas as áreas que giro, porque me obrigam a uma atenção e disciplina que nem sempre me apetece ter, mas este é o meu trabalho, a minha profissão, a minha responsabilidade, e eu sou uma pessoa cheia de brio profissional. Não gosto de fazer mal feito, não gosto que apontem o dedo às coisas que faço. Gosto de elogios e dispenso as recompensas. Uma frase, um sorriso, uma carícia chegam perfeitamente para me compensar. De todas elas, a que mais me dá água pela barba é a gestão de recursos humanos. Sei o quanto é difícil gerir pessoas, porque cada pessoa é um Mundo de questões, de sentimentos, de reacções diferentes a uma mesma situação do dia a dia. Os meus Meninos não são excepção e apesar do código genético que os une e da educação que se quer igual, vejo-me muitas vezes a braços com atitudes completamente dispensáveis segundo o meu código de conduta e segundo as regras que lhes determino como regra de conduta deles, dentro e fora de casa.
Presente
Presente de uma AMIGA
Durante o dia são poucos momentos que tenho disponíveis para fazer outras coisas que não as que a gestão de uma casa e de uma Família exigem de mim, no entanto a cabeça não pára. Pensa em tudo e em todos. Os que estão longe, os que estão perto. Os que são Amigos e os que se dizem ser. E enquanto penso em tudo isto concluo que na categoria de Amigos se encaixam muito poucos.
Tempo para os Outros
08:45. A caminho da escola do Mateus. Chuva a potes. Estrada cheia de água, perigosamente próxima do passeio onde alguns (poucos) peões circulam. Uma Mãe, uma criança ao colo, uma mochila às costas, um chapéu de chuva na mão que não segura a criança. Uma fila de carros atrás de mim. Quatro piscas. Mão no botão que abre o vidro do pendura. Quer boleia? Para onde vai? O destino é próximo do meu. Mão no botão que fecha o vidro do pendura. Mãe e Filha entram no meu carro. Parado com uma fila de outros carros atrás. Quatro piscas ligados. Criança no banco de trás. O cinto posto. Retomamos a marcha. Ninguém buzinou. Uma Mãe e uma Filha pequenina entregues no destino. Mais secas!Ainda as Mãos...e outros Sentidos!
Este post surgiu-me após ter lido e comentado um post da Gigi a propósito de gostos e paladares, que se educam.
Não me consigo lembrar com que idade tive autorização para beber alcool. Sei que as minhas raízes familiares estão ligadas a terras de bom vinho e como tal sou uma bebedora controlada mas apaixonada pelo que bebo. [A minha Avó dizia que eu era "filha da cepa" (1. Pé de videira.).] As minhas bebidas preferidas, dentro da categoria alcool, eram a cerveja, o vinho branco e a amarguinha.
O tempo foi passando e o vinho branco começou a fazer-me mal. Deixava-me com azia e indisposta. Até aí sempre tinha sido anti vinho tinto, mas tive que dar a mão à palmatória e experimentá-lo, em alternativa ao branco. Aos poucos fui percebendo aquilo que um bom apreciador/conhecedor de vinhos sabe de trás para a frente - não há nada como um bom vinho vermelho escuro! Aquele que deixa a marca no vidro interior do copo quando, de copo largo e de pé, na mão, o inclinamos e rodamos. A cor vermelha escura que faz lembrar o sangue. A paixão. A espessura que se sente quando nos toca o interior da boca e aí o deixamos ficar durante um pouco para o saborearmos. O sabor. Rendi-me ao vinho tinto. Não o bebo diariamente, mas é o meu eleito sempre que a ocasião o pede.
Sim Gigi. O paladar educa-se!
Mãos
onde a aliança de casamento ainda é a original. a que entrou no meu dedo anelar aos 22 anos e não voltou a sair. onde os dedos se foram deformando à conta de tanto trabalho manual e pesado. onde estão escritas todas as linhas da vida. do amor.
Para quem as souber Ler
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Inventa um segredo qualquer e conta-mo. Devagar para que eu possa reter na minha memória todas as palavras que só a mim irei contar. Em voz baixa, porque é em voz baixa que se devem contar os segredos. Sim, pode ser aqui, perto deste curso de água que depressa se diluirá no mar imenso. O mar será nosso cúmplice, engolirá as palavras levando-as bem para o fundo, para perto de estrelas, algas e rochas, onde ninguém as encontrará. Conta-me um segredo. Enroscamo-nos como algas que se enleiam umas nas outras quando o mar revolto as empurra para a praia. Sussuraremos aos ouvidos mutuamente. A tua pele na minha e os cheiros a misturarem-se. Perderemos a identidade individual e construiremos a identidade comum. Não me abandones. Não te assustes com este meu desejo de fusão. Deixar-te-ei partir sempre que o teu ar se estiver a evaporar, mas volta sempre. Inventa outro segredo e volta. Em cada partida, em cada regresso, haverá sempre mais um pouco de Nós. Seremos uma construção nunca acabada. Precisaremos sempre da energia que geramos quando nos tocamos ao de leve, quando nos olhamos bem no fundo de cada olhar. Nunca nos cansaremos e dos nossos segredos faremos muitas palavras, muitas linhas, uma história. Com pessoas e com o Mar.
O Leitor
Muito mais do que um simples livro fininho e de leitura fácil.
Muito mais do que mais um filme sobre as marcas da II Guerra Mundial nas pessoas que por ela passaram.
Muito mais do que mais um filme contador de um romance.
Quando as palavras são o elemento de união de duas pessoas. Quando o desconhecimento das palavras constitui o segredo máximo de uma vida. Que se perde.

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