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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Adolescência, Violência e Género

"Gostaria de iniciar a minha participação neste Seminário agradecendo o convite que me foi dirigido.
Gostaria ainda de felicitar a Câmara Municipal de Cascais por todo o trabalho que tem desenvolvido nas área social, da educação, da juventude e da cultura.
Relativamente ao tema que aqui nos trouxe e que aqui tem sido falado durante a manhã, penso que fará algum sentido referir e realçar as dificuldades sentidas pelas Associações de Pais em comunicar e chamar os Pais/Encarregados de Educação às Escolas.
Todos nós sabemos e sentimos na pele que o tempo nos ultrapassa todos os dias, obrigando-nos a ser uma espécie de máquinas multifunções, mas penso que seria interessante conseguir encontrar e estabelecer um canal de informação eficaz entre Pais/Encarregados de Educação de uma mesma escola e Pais/Encarregados de Educação de todas as escolas do concelho. Isto porque os problemas e questões que a adolescência levanta são comuns a todos os Pais e Adolescentes e porque havendo no Concelho estruturas a funcionar que podem dar resposta e suporte a muitas destas questões de forma gratuita (e, estou a falar, nomeadamente, das Lojas Geração C), não faz sentido que os Pais e Adolescentes não as aproveitem.
A falta de participação dos Pais nas Escolas leva-nos a questionar qual o tipo de comunicação que existe entre os Pais/Encarregados de Educação e os seus Filhos/Educandos.
A comunicação, o diálogo entre Pais e Filhos, é um dos factores determinantes na prevenção e detecção de possíveis comportamentos e atitudes de violência.
A sensação de indiferença com que é visto o “trabalho” das crianças e jovens – a escola – pode ser também um factor desencadeante de atitudes e comportamentos violentos sobre os pares. As crianças e, principalmente, os jovens podem olhar e falar com os seus Pais com alguma “superioridade”, mas inconscientemente está sempre o anseio da aprovação dos progenitores e, nesta medida, demonstrar interesse pelo que se passa no dia a dia é essencial. Os Pais não devem nunca esquecer que um Filho é um projecto de uma vida inteira, é um projecto que será tão bem mais sucedido quanta a capacidade que se tenha de criar um canal de comunicação eficaz. Não se pode ter a pretensão de que os Filhos partilhem 100% do que se passa nas suas vidas, nos seus dias, mas pode-se (e deve-se) ter a certeza de que se algo não estiver a correr bem com os nossos Filhos, eles terão o à vontade suficiente para nos procurar e partilhar as suas preocupações. Aqui, quando vestimos a pele de confidentes dos nossos filhos, também devemos saber dosear as nossas respostas. Não desvalorizar completamente os anseios e preocupações (que aos olhos dos Adolescentes são sempre maiores do que na realidade são!), mas também não os empolgar.
Já muitas vezes se disse que educar é, não só uma tarefa difícil, mas essencialmente, um desafio. Um desafio que implica muito investimento afectivo e de tempo, que implica muita coerência nas regras, muita intimidade.
Temos que perceber que o tempo não passa rapidamente apenas para nós, adultos. A sensação de tempo que voa é comum aos nossos filhos, crianças e jovens. Nós adultos, sejamos Pais ou professores, temos que ter a capacidade de orientar o aproveitamento e rentabilização do tempo para que os nossos jovens não se sintam completamente perdidos.
Em jeito de conclusão, penso que será essencial reforçar a ideia da importância da criação e aproveitamento de redes de suporte e de partilha para Pais e Educadores. Tentar a dinamização de encontros periódicos de Pais, com temas de conversa e discussão de interesse comum a todos, em grupos pequenos para que se proporcione o ambiente de partilha e se diminua a sensação de constrangimento em falar perante um grande número de pessoas desconhecidas. Para os Pais, treinar a partilha entre os seus pares, será também uma forma de atingirem o know-how de que necessitam para estender o hábito da partilha às suas Famílias, aos seus Filhos."

Foi mais ou menos isto que eu disse esta manhã no Centro Cultural de Cascais. Consegui falar calmamente, mas o meu coração estava completamente parvo. Mais um bocadinho e saltaria pela boca fora!
Foi uma boa manhã!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Educar em Rede

Foi a ouvir falar sobre este Projecto que passei toda a manhã, num dos locais municipais mais bonitos do Concelho - o Centro de Interpretação Ambiental da Ponta do Sal.
Este projecto, nascido a pensar em todas as dúvidas e preocupações que os Pais enfrentam, foi crescendo e já ganhou novas vertentes e o seu lugar, por mérito próprio, na rede da educação concelhia.
O que se pretende é juntar os Pais e oferecer-lhes um espaço e um tempo de partilha. As crianças/adolescentes partilham comportamentos, atitudes, gostos que os Pais nem sempre conseguem compreender e até aceitar. Estas sessões em que todos conversam sobre situações que até ali eram um problema para cada um revelam-se momentos em que, de repente, cada um dos Pais/Educadores não está só, a braços com todas as características que identificam um ou mais Filhos adolescentes. De repente os Pais conseguem transformar o que até ali lhes parecia um "bicho de sete cabeças" numa situação que os une a todos os seus pares.
O trabalho feito até se chegar ao Coisas de Todos Nós foi longo e continua a ser um caminho que todos queremos percorrer e melhorar, porque todos os que estamos envolvidos acreditamos que Educar em Rede é a opção mais correcta.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Eu, "Intelectual" & ET


Daqui

Este Verão fui acusada de só ler "jornais intelectuais"
Paciência. Lamento. Ou melhor, lamento por aqueles que não os leêm e preferem os jornais onde as mortes e as desgraças fazem vender muitos e muitos milhares de exemplares.
O Jornal de Letras faz-me feliz. É um jornal que leio de uma ponta a outra e que guardo religiosamente durante 15 dias, o tempo necessário para que outro número novinho em folha chegue às bancas.
Às bancas, mas não a todas. Encontrar o JL pode revestir-se de carácter de missão impossível. A forma como olham os donos de tabacarias/quiosques quando se pergunta por este jornal é como se estivessem perante um ET do mais estranho e ousado filme de ficção científica. Respostas do género "Deixámos de ter, ninguém o comprava", são frequentes.
O tempo que páro para ler este jornal é um tempo que considero uma dádiva. Gosto de ler as crónicas do José Luís Peixoto e do Gonçalo M. Tavares. São as primeiras páginas que procuro. Ler e pensar que parece tão fácil escrever tão bem! Gosto de ler as páginas dos lançamentos, descobrir quem publicou o quê e sobre quê. Gosto de ler as páginas centrais, especialmente quando o tema é a Educação. Vendo bem, gosto de o ler todo e por momentos de me sentir parte do todo que é este jornal "intelectual".
Que me desculpem os jornais generalistas. Não aguento mais crise, futebol, crimes e acidentes naturais. Preciso do oxigénio que me vem daqueles que tendo conhecimentos, fazem das suas vidas, a forma de dar mais cor e alegria às vidas de todos nós. A cultura é um bem precioso em qualquer sociedade, sendo que nos dias que correm, cinzentos e depressivos, é ela a minha salvação.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Só um Bocadinho de Política...

Da Net
I.
Ouvi esta manhã, nas notícias, que no caso do Orçamento de Estado não ser aprovado na próxima sexta feira na AR, o PR já tem um plano B - convidar Jaime Gama a formar governo. Sinceramente, acho que alguma coisa tem de acontecer e rapidamente. Não sei se esta sensação é só minha, mas há um tecto pesado sobre as nossas cabeças. Há um peso que nos impede de respirar mais fundo do que o estritamente necessário. Há uma sensação colectiva de desacreditamento (não sei se esta palavra existe!) que nos faz sentir deprimidos, cada dia mais, cada dia mais. Alguma coisa tem de acontecer. Por favor, que aconteça rápido. Estou à beira de um ataque de nervos!

Da Net

II.
Presumo que esta hipótese de formação de novo governo seja uma solução transitória até que seja marcado novo acto eleitoral. A ser assim, seria bom que cada um de nós pensasse bem no que Não quer que continue a acontecer e no que Quer que passe a acontecer. Seria bom que em vez de cada um de nós pensar que a política é uma M.... e que quem vai para o poder pouco ou nada muda em relação a quem o antecede, pensássemos que é a cruzinha que desenhamos dentro de um quadradinho que decide tudo o que vai acontecer nas nossas vidas daí para a frente. Seria bom que as contagens não dessem quase maioria a brancos, nulos e abstenções e revelassem uma verdadeira escolha, um caminho que todos quisessemos seguir.
Como estamos, não podemos continuar. Isso é garantido!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Comemorações e Inaugurações em Dia de Aniversário da República

Da Net,
Fundação Champalimaud
Discursos.
Palavras e palavras.
Um governo que mal se equillibra numa corda bamba
Um PR que vai preparando o terreno para a re candidatura
Um governo que precisa de se apoiar em obra feita para limpar um pouco da má imagem na opinião pública
Escolas novas
A Educação deveria ser a pedra de base de qualquer sociedade
Nas Escolas Novas hão-de existir computadores e quadros interactivos
Nas Escolas Novas hão-de faltar assistentes operacionais (vulgo, contínuos)
Um PR que faz discurso a Pais e Alunos de uma Escola em Lisboa (o meu Liceu)
Um particular que morre e deixa em herança a criação de um projecto inovador e ambicioso
Um projecto que em menos de dois anos se transforma em realidade
Investigadores, Premiados pelo Nobel, cientistas e muitas pessoas anónimas
Dão corpo à herança do particular
Nascem esperanças
Nos que sofrem de doença oncológica
Em todos nós
A humanidade

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A Crise A Austeridade As Caras Fechadas no sol(o) português

Daqui
De que vale esconder a cabeça, a cara entre as mãos?
A austeridade vai cair-nos em cima de qualquer modo.
Vivemos num país inundado de sol e coberto por uma população maioritariamente infeliz, carrancuda e desanimada. Abafados pela palavra crise que nos esmaga há tempo suficiente, fomos agora "premiados" com decisões que nos indicam caminhos de mais austeridade e dificuldades. Só não percebo onde poderemos "cortar" mais e poupar mais.

Talvez deixando de comer, uma vez que o IVA vai subir 2%.
Talvez deixando de comprar livros e jornais.
Talvez acreditando que cinema e teatro e espectáculos não passam de conceitos aos quais não corresponde nenhuma realidade física.
Talvez deixando de nos mexer, porque o movimento causa gastos de energia.

Vamos ser um país de gente parada, ainda mais parada. Queixamo-nos de que pouco ou nada evoluímos, de que pouco fazemos, mas como sobreviver a tanta dificuldade?
Preciso de acreditar que os tempos de sacrifícios que temos vivido irão terminar um dia. Um dia respiraremos fundo e poderemos dar pausa ao cálculo mental permanente em que vivemos.
Precisava de acreditar (mesmo sabendo inconscientemente que seria mentira) que os que ganham muito mais do que aquilo que qualquer um de nós consegue imaginar, também vão aderir a este plano de austeridade de forma real. Cortes reais em salários que se assemelham a pequenas heranças mensais talvez poupassem mais dinheiro ao Estado. Proibição, punida com penas reais, de gastos supérfluos como viagens, despesas de representação, carros e combustíveis. O pior é que neste campo, a crise não passa de um cenário onde se movem personagens pequeninos de quem ninguém conhece os nomes...nós, os que pagamos impostos, taxas, etc.

"No próximo ano lectivo todos os alunos vão ter direito a manuais escolares gratuitos graças a bolsas de livros usados nas escolas", ouvi esta manhã na rádio. Interessante. Algo que muitas escolas e grupos de Pais/Encarregados de Educação andam a tentar há muito tempo e não conseguem dinamizar. Como é que se vai conseguir pôr essa medida em funcionamento? Vamos deixar, finalmente, de ter livros a mudar de ano para ano só porque "sim", quando as mudanças reais são de quatro em quatro anos?

Escondo a cabeça e a cara entre as mãos. Respiro fundo porque preciso que o ar (que ainda não pago para respirar) me entre nos pulmões, me renove por dentro, me refresque o cérebro. Fecho os olhos, porque o Sol, apanágio do nosso belo país banhado pelo belo mar, me fere os olhos. A escuridão é o que nos rodeia.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Novo Ano Lectivo - Materiais, Livros e Contas...[muitas contas]


Este ano, numa lógica de economia familiar, decidi que não iria comprar manuais, a menos que não os conseguisse via empréstimo. Para além de poupar (muito) dinheiro, estou também a contribuir para a sustentabilidade do planeta, não contribuindo para o desperdício de mais papel no final do ano lectivo.
Pus-me em campo e, contacto a contacto, lá fui conseguindo reunir os manuais de que iríamos precisar cá em casa para enfrentar mais um ano de escola. 7º e 10º anos. Consegui todos os manuais e cadernos de actividades. Que bom, pensei. A vida não está mesmo fácil e uma conta de água relativa a uma fuga no quintal arrasou com todo o nosso orçamento no regresso de férias.

"Mãe, o meu livro de Matemática é diferente do dos outros. O que vale é que o da Profª é igual ao meu.", discurso do Manel (10º ano);
"Mãe, o livro de Matemática que eu tenho não é igual ao dos meus colegas.", discurso do Martim (7º ano)

Ouço estas frases quase gémeas, ditas com uma diferença de 24 horas, quase com indiferença. Se existe alguém a quem se aplica a célebre frase "Um almoço nunca é de graça", esse alguém sou eu. Estava a considerar a hipótese de ser mesmo muito sortuda, por não ter de comprar livros. Aborrece-me esta política dos livros. Mantêm-se capas, mantêm-se autores e nome do manual, muda a ordem das páginas, razão suficiente para que os professores aconselhem a compra do livro deste ano. Já me aconteceu uma vez, também com matemática.
Não sendo nem tendo sido nunca beneficiária da Acção Social Escolar, debato-me, ano após ano, com a exorbitância de preços de manuais e material escolar que se acumula em listas completamente impossíveis de compreender (este ano, para o 4º ano, foram pedidas três resmas de papel e quatro cartolinas grandes...). Diz-se que o ensino obrigatório é gratuito. Se o compararmos com o particular, poderemos considerá-lo gratuito visto ñão sermos obrigados ao pagamento de mensalidades, mas se pegarmos na definição de gratuito e a aplicarmos ipsis verbis, teremos tudo menos um ensino sem custos. Não consigo compreender que num país em crise, todos os anos, se alterem interiores de manuais escolares para que os Pais/Encarregados de Educação tenham de comprar novos exemplares quando os poderiam reciclar de amigos, irmãos, primos.
Compreendo que as escolas públicas não tenham orçamentos que lhes permitam fornecer o material básico aos seus alunos, o papel. Já não compreendo porquê.
No meu caso, somos uma Família Numerosa, com um só vencimento, com despesas com habitação, alimentação, saúde, educação. O único vencimento é declarado na totalidade e, assim sendo, é decidido, por quem de direito, não haver lugar a acção social escolar. No entanto, casos há, em que havendo a hipótese de não se declarar a totalidade do que se aufere, há também lugar à concessão do dito apoio.  Por mais vigilância e controle que existam por parte das Finanças, estas situações vão sempre acontecer, porque vão sempre existir formas de "fugir" e, assim sendo, o sistema nunca será justo. Por mais que se acabe com subsídios por um lado e se tente tornar mais justos os que subsistem, nunca existirá essa justiça.
É discurso unânime em todos os quadrantes políticos que as famílias vivem momentos de grandes dificuldades, resultantes da situação económica e financeira difícil que se vive nas sociedades mundiais actuais. Então, porque não se criam medidas que possam aliviar algumas dificuldades? Porque não se dão orientações para que os manuais sejam reutilizados? Porque não se dão orientações para que o material pedido no início de cada ano lectivo seja o minimamente indispensável e não o que presumivelmente se irá utilizar durante um ano lectivo inteiro?

No final do mês de Setembro, tratarei de comprar os livros cujas páginas mudaram de sítio.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Breves [da minha pequenina terra]

Chalet Elvira,
em S. Pedro do Estoril,
trazido do

S. Pedro do Estoril tem estado em obras. Já são tantos os meses de ruas cortadas, passeios desfeitos e alcatrão esburacado que nem sei precisar quanto tempo terá decorrido desde que máquinas e homens iniciaram o seu trabalho.
Regresso de férias. Durante 22 dias não tive o prazer de pegar no volante. Houve quem o fizesse por mim e, apesar do meu gosto pela condução, não me causa ansiedade uma pausa na profissão de condutora.
A minha rotina devolve-me à minha carrinha, ao meu volante, aos meus percursos.
S. Pedro do Estoril faz parte, diaria e obrigatoriamente, do meu percurso. Encontro sentidos proibidos, ruas de sentido único, sentidos invertidos. Sinto-me uma estrangeira nesta terra pequenina que conheço há tantos anos, de cor. Sinto que vou ter de fazer o treino do percurso com a nova sinalização a uma hora em que poucos carros circulem, sob pena de, quando retomar o vai e vem de pôr e recolher filhos, entrar por ruas de sentido único ou de virar em ruas para as quais não posso virar.
...

quinta-feira, 3 de junho de 2010


Estou um pouco perdida. Na minha cabeça atrapalham-se as ideias que venho pensando, as dúvidas para as quais gostava de encontrar certezas. Esta manhã, ao ler o JL desta semana, surgiram palavras que não apontei. Agora, depois de umas míseras três horas de praia, a moleza instalou-se e o cérebro recusa-se a comunicar com as minhas mãos. Visito os Diários e trago uma parede onde o estuque se esboroa como miolo de pão e constrói uma forma que se assemelha a um mapa. Da Europa.
Talvez se inventariar o que li e me despertou a atenção consiga ir aos poucos chegando ao que queria ter escrito e não escrevi.

I. Um artigo escrito por Viriato Soromenho-Marques (meu Professor Assistente na cadeira de Filosofia do Conhecimento na Faculdade de Letras de LIsboa) sobre Saldanha Sanches;
II. Um texto da autoria de António Carlos Cortez, Professor no Colégio Moderno, dedicado aos seus alunos e onde se lê, a determinada altura "Na verdade, tenho aprendido imenso com eles, [...] ter cuidado com o aluno, isto é, cuidar dele, fazendo das aulas um lugar onde ordem em liberdade se aprendem com o estudo, o mais aprofundado possível, dos textos.[...]";
III. A entrevista a Manuel António Pina e os diversos excertos de outras entrevistas a outros jornais e revistas, em outras datas;
IV. Um artigo escrito por João Santos sobre a "Cidadania Incerta, Socialização política e crise da escola";...

Sinceramente, a concentração (ou a falta dela) não me permitem escrever, agora, tudo o que me tem passado pela cabeça e que diz respeito à Educação, aos Pais, às Escolas, aos Programas, ao passar dos dias sem que nada seja feito. Nada que mereça a pena ser enaltecido. Nada que mereça a pena ser registado na História.
Porque cada vez mais penso que o "Sistema" (seja isso o que fôr) nos anda a enganar e nós deixamos. Porque cada vez mais penso que o "Sistema" anda a fazer dos nossos Filhos meros competidores numa competição que nem eles sabem bem se querem entrar. Porque cada vez mais penso que os Pais (da minha geração) andam completamente "fora", embrenhados em vidas profissionais que lhes absorvem toda a energia e os devolvem às famílias em pedaços, em restos, em sombras despidas de tempo para conjugar os verbos amar, dedicar, proteger, cuidar.

Os nossos dias matam-nos e, nós, vivemos na ilusão de que vivemos e trabalhamos para dar aos nossos Filhos um futuro melhor. Estamos todos enganados. Os nossos Filhos terão um futuro melhor se tivermos tempo para eles. Se lhes dermos tempo do nosso pouco tempo. Para brincarem, para chorarem, para fazerem birras, para crescerem. Os nossos Filhos terão um futuro melhor se lhes soubermos transmitir responsabilização e confiança em verdade, fazendo-os perceber que a verdade, por mais custosa que seja a sua assumpção, é sempre o caminho correcto. Nós, Pais, temos o dever de educar, de orientar, de dizer o que está certo e o que está errado dentro dos padrões de educação que queremos para os nossos Filhos. Os nossos Filhos, (tal como nós também fizemos), têm em si a vontade de experimentar para lá do limite. Saber assumir essa "infracção" sem medo, sem mentira, mas com responsabilidade, é um sinal de uma educação assente em pilares estáveis, em princípios que são claros para eles, e para nós.

Há muito, mesmo muito para dizer sobre Educação nos dias que correm. Dentro de muros escolares, dentro de muros familiares. Há muito a ser feito, mas para que seja feito é preciso que todos os Pais declarem a necessidade urgente da renovação, da mudança, do começar do ponto zero. Ou então, seremos sempre "dois ou três carolas, com tempo", a tentar mudar o Mundo!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Dia Internacional dos Vizinhos


«A Festa dos Vizinhos surgiu em Portugal há cinco anos, mas nasceu em 1999 em Paris (França), quando foi criado um grupo de amigos, a associação "Amigos de Paris", para mobilizar as pessoas no combate contra o isolamento, estendendo-se a 15 países da União Europeia.», fonte: TSF Online

Nem desconfio como será actualmente a vizinhança dentro de um prédio e nas ruas envolventes.
 A minha infância e juventude foi passada num prédio de 3 andares. Conhecia todos os vizinhos, da cave ao 3º andar. Todos me tratavam pelo nome, todos me perguntavam "pelos papás e pelos manos". Com um ou outro existia uma relação de proximidade maior que passava pelo bater à porta se precisássemos de alguma coisa à última da hora. No meu prédio não havia crianças com quem brincar mas havia nos prédios vizinhos miúdos da minha idade que frequentavam o mesmo Liceu e com quem ia e voltava da escola, com quem estudava. Conhecíamos os vizinhos dos prédios da nossa rua, dizíamos bom dia e boa tarde quando nos cruzávamos. Conhecíamos os lojistas e sabíamos os seus nomes. O Sr. Albano da padaria, a D. Graça do cabeleireiro, a D. Rosa do oculista, a Drª Leonilde da farmácia, etc.
Já saí de Lisboa há quase 22 anos e o local onde moro actualmente é um local basicamente residencial e não o típico bairro lisboeta. Não sentido uma saudade diária de viver em Lisboa ou uma vontade de regressar, sinto, volta não volta, a nostalgia do sentimento de pertença a uma comunidade mais alargada do que a meramente familiar ou afectiva.
O Dia Internacional dos Vizinhos, que pode à partida parecer uma ideia disparatada de mais um dia especial, poderia ser o ponto de partida para a criação dessas comunidades se não fossemos tão individualistas, tão fechados sobre nós próprios, tão pouco solidários e detentores de tão pouco sentido cívico.
Ser vizinho, principalmente, dentro de um prédio, obriga a determinadas regras e formas de conduta que ao não serem cumpridas, facilmente levarão a quezílias, a desentendimentos e até a processos judiciais (o barulho a horas menos próprias, os grelhadores nas varandas, o que se sacode janela fora sem se ter atenção à roupa estendida no estendal do andar de baixo, o lixo, a limpeza da escada, o pagamento dos condomínios, a preservação dos espaços comuns, ...).
Sonho com a visão cinematográfica de bairros onde os vizinhos se organizam para resolver problemas que a todos afectam, se organizam para auxiliar outros vizinhos em dificuldades, preparam recepções de boas vindas a novos habitantes.
Seria bom que este Dia fosse um ponto de partida para saírmos do casulo e iniciarmos projectos de boas práticas de vizinhança!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Boas Práticas, o Ponto de Partida


Acelerei o dia todo. Do plano que tinha traçado para o dia de hoje só não consegui cumprir uma alínea. Desmarquei-a, troquei-a para amanhã.
À hora marcada lá estava eu. Na biblioteca da Escola.
O painel sobre Boas Práticas na Escola está integrado numa série de outros painéis que têm vindo a ser feitos no âmbito da avaliação da escola.
Fomos nove pessoas na mesa, frente ao auditório. Professores que foram, este ano lectivo, pela primeira vez colocados na ESFLG, um representante da CMC, o Director da Escola, uma Professora que secretariou o painel e eu.
Na assistência, professores.
Após os agradecimentos e apresentações iniciais, cada um de nós falou sobre o que lhe agradava e desagradava na Escola.
Foi muito bom ouvir o que os Professores, novos na Escola, tiveram para dizer. Foi bom ouvir uma opinião generalizada segundo a qual a Escola é um espaço simpático de trabalho, com boa relação entre os Professores, com boa relação com o Conselho Executivo. Foi muito bom ouvir tudo isto, porque não era isto que eu estava habituada a ouvir até chegar a esta Escola. É claro que existem pontos a melhorar na Escola, mas também é muito claro que este espírito que se vive na ESFLG não é o espírito que se vive, actualmente, nas Escolas em geral.
Foi bom fazer parte de uma reunião/debate deste género, porque para que as coisas melhorem é necessário que as pessoas se juntem e conversem. Sobre o que está bem e deve ser mantido, sobre o que está mal e deve ser alterado, sobre o que se pode incluir de novo. O primeiro passo foi dado!
Agradeço à Escola o convite e a todos a participação.




segunda-feira, 29 de março de 2010

As Regras, Nós e os nossos Filhos


Posted by PicasaColagem de fotografias da minha autoria, Março 2010

Na sexta feira passada o Coisas de Todos Nós foi dedicado às Regras. Normas de comportamento/funcionamento em Família, na Escola, em Sociedade. As regras das quais não podemos de forma alguma abdicar, as regras que podemos negociar, as regras que se adaptam a situações e contextos diversos.
Estes Encontros de Pais não pretendem ser um manual de instruções que ouvimos, apontamos e seguimos cegamente. Pretendem sim, ser um ponto de partida para a partilha de experiências, para o debate de ideias, para o apontar de caminhos. Cada um de nós com a sua experiência de parentalidade, poderá fornecer ao outro dicas que tenha já utilizado e que tenham funcionado com sucesso.
Confesso que neste Encontro sobre regras me senti um pouco "allien".
Não me lembro que cá em casa tenha tido alguma vez de utilizar estratagemas como alguns que ouvi para que as regras fossem cumpridas. Reconheço que há algumas (o largar de livros/cadernos em cima de uma cadeira da sala em vez de os levar para o quarto) que têm de ser relembradas diariamente, mas quando me ponho a analisar os comportamentos dos meus quatro filhos não consigo detectar problemas graves com as regras. O que é que fizemos para que tenhamos conseguido atingir este ponto quando as idades variam entre os 8 e os 18 é uma pergunta que se impõe. Parece-me que, basicamente, instituímos as regras com o nascimento da primeira e fomos adaptando-as a cada momento, a cada novo elemento da Família. Basicamente, conseguimos incutir neles o significado do "não" e a aceitação de determinadas situações que para nós são ponto assente da educação que lhes damos.
Não pretendo mostrar-me melhor do que qualquer outro Pai/Mãe, mas tenho necessariamente de me congratular com a educação que temos dado aos nossos Filhos. Não pretendo fingir que não existam, pontualmente, situações de tensão, mas analisando globalmente o nosso funcionamento em Família, tenho a dizer que funcionamos mesmo muito bem. Sem confrontos, sem desafios à auoridade imposta e reconhecida, com dois Filhos crescidos (18 e 15) responsáveis e educados, com dois Filhos pequenos (12 e 8) que, espero, seguem os passos dos irmãos.
Não, não posso queixar-me de falta de cumprimento de regras básicas em casa, em Família, em Sociedade.
Quanto ao comportamento em grupo, na Escola, continuo a acreditar que nenhum de nós pode pôr as mãos no fogo pelos seus Filhos, independentemente da forma como sabe que eles se comportam em casa. O um que cada um deles é, transforma-se ao fazer parte do todo que se forma quando se junta a outros. Nessas situações os comportamentos alteram-se e as regras básicas que estão interiorizadas acabam por se desvanecer um pouco. É neste sentido que creio que a Escola tem também um papel importante. Estabelecer as suas regras e ser firme na obrigatoriedade do seu cumprimento, penalizando e castigando os prevaricadores. As crianças e os jovens precisam de ter regras e precisam de sentir que quem as dita, o faz com segurança não abdicando delas. Se a Família e a Escola souberem, e quiserem, funcionar em conjunto, as Regras que consideramos Fundamentais, vão ser, indubitavelmente, cumpridas!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Nós, Doentes Mentais


Ouvi hoje. Portugal é o país da Europa onde mais se consomem medicamentos associados à Doença Mental. Com receita médica adequada ou não, os medicamentos utilizados para minimizar depressões e outras patologias do foro psicológico e psiquiátrico, são vendidos nas nossas farmácias em grandes quantidades.
Perguntam-se as razões, tentam alvitrar-se soluções.
Começo por pensar, eu, uma leiga neste assunto, que será muito mais fácil pedir a um médico amigo/conhecido/familiar a receita de um medicamento deste tipo do que assumir perante si e os outros que se necessita de ajuda especializada, que é como quem diz, de um psicólogo ou mesmo de um psiquiatra.
São inúmeros os casos de pessoas que consideram estas duas especialidades como uma "imposturice". A começar pelas companhias de seguros que não disponibilizam nos seus convénios a mesma quantidade de especialistas nestas áreas do que em outras áreas da saúde. A começar pelas Escolas onde ter um psicólogo disponível é um luxo a que nem todos têm acesso. A começar pelo conceito de saúde que tem o nosso Sistema Nacional de Saúde. Assistimos frequentemente a campanhas "pelo coração", "medição de níveis de diabetes", "osteoporose", etc, etc. Nunca vi, ou pelo menos não me lembro de ter visto, uma campanha de saúde mental.
Aprendemos na escola que o cérebro é o centro de tudo o que sucede no nosso corpo. Ouvimos o senso comum afirmar que uma pessoa que sofra de doença grave terá muitas mais hipóteses de cura se tiver desde o princípio uma atitude positiva perante a doença. Então? Em que é que ficamos? A cabeça interessa ou não? Serão as doenças mentais um mero estigma social ou algo a que devemos prestar atenção desde cedo?
Toda a nossa vida é um desafio à resilência que cada um possui nas suas características genéticas. Desde os primeiros anos, passando pela fase crítica da adolescência, a nossa cabeça gera milhares de pensamentos, milhares de informações transmitidas ao resto do organismo. Umas vezes melhor, outras pior, lá nos vamos "aguentando". No entanto, fazemo-lo sem qualquer tipo de ajuda especializada. Contrasenso.
Não sou médica, muito menos autoridade na matéria sobre a qual escrevo estas linhas, mas acredito que a saúde mental é o principal factor de saúde total de cada indivíduo e, assim  sendo, está muito maltratada!

Dia do Estudante


Quatro Estudantes cá em casa.
Os mesmos Pais, as mesmas condições de estudo para cada um, o acesso aos mesmos materiais, às mesmas fontes de informação.
Cada um deles com as suas características próprias, enquanto estudante, com resultados díspares.
Seguindo o dia a dia destes estudantes, como sigo, é-me impossível não estabelecer comparações com o meu tempo de estudante. Não pretendo ser "bota-de-elástico" e afirmar que "no meu tempo é que era", até porque o meu tempo é este em que vivo, contemporaneamente aos meus Filhos, mas são muitas as diferenças que contribuem para a alteração de costumes e valores dentro das Escolas.
Apesar de eu já ter estudado após o 25 de Abril, o número de estudantes da altura em nada se pode comparar ao da actualidade. Por outro lado, em termos comportamentais e de atitudes, os Alunos mantinham (em termos gerais) pelo Professor um respeito e uma consideração que não existem nas Escolas dos dias de hoje.
Os nossos Estudantes, enquanto estudantes, têm as suas vidas muito mais facilitadas. Para fazerem qualquer trabalho têm o acesso directo a milhares de páginas de informação que nem têm de se dar ao trabalho de traduzir, uma vez que essa é também uma função do computador. Têm uma facilidade de comunicação entre uns e outros que lhes permite rapidamente trocar impressões, tirar dúvidas, compilar ideias e assuntos.
Seria de esperar que toda esta panóplia de recursos fizesse deles melhores estudantes, pessoas mais cultas, o que na verdade (na maioria dos casos) não acontece.
Os hábitos de leitura vão-se perdendo, a Internet vai ganhando. Esta é uma das frases que mais vezes ouço os Pais (como eu) proferirem. Não posso deixar de a subscrever porque sei que é um facto, mas se me detiver sobre ela, poderei eu atirar pedras aos meus Filhos e a todos os jovens desta geração? Verdadeiramente, não. Parece-me que o aparecimento da Internet foi um acontecimento maravilhoso para todos. Muitas são as pessoas da minha geração que a utilizam como ferramenta indispensável, como passatempo, como vício, até. Eu própria já não sei viver sem ela. Poderemos então deitar todas as culpas para cima dos avanços tecnológicos, telemóveis, televisão 24 horas por dia, internet non stop? Não me parece. Parece-me, sim, que também nós não estavamos preparados para ser Pais de uma geração high tech. Podemos ter tido educações rigorosas e comportamentalmente exigentes, mas não fomos educados para lidar com a informação excessiva, precisamente porque ela não existia "no nosso tempo".
Como fazer então a mudança? Como poderemos encontrar um ponto de equilíbrio entre o que foi o nosso tempo de estudantes e o que é agora o dos nossos Filhos? Como ultrapassar/resolucionar questões dramáticas do nosso ensino actual - violência, desrespeito pela autoridade do Professor, facilitismo - contribuindo para uma Escola melhor?
Leio o que escrevem os especialistas na matéria, assisto a programas televisivos em que se debate o estado da Educação em Portugal, envolvo-me em acções nas Escolas, nas Associações de Pais, na Comunidade em geral e concluo que chegámos a um ponto em que tudo deveria ser alterado. Tudo deveria ser mudado. Tudo deveria ser retomado a partir do ponto zero. A nossa geração precisaria de, mantendo os princípios que lhe foram transmitidos pela geração anterior, conseguir entrar na pele desta geração; esta geração precisaria de sentir o "travão" que a nós nos era imposto.
No fundo, as questões geracionais são uma eterna realidade e sempre existirão e a solução a utilizar deverá ser a do informático - CTRL+ALT+DEL - e começar tudo de novo!

terça-feira, 23 de março de 2010

Em Dia de Greve dos Comboios...


... a alvorada foi ainda mais madrugadora do que nos outros dias em que os comboios funcionam e milhares de carros entopem a A5 e a Marginal. Levantámo-nos às seis, tomámos o pequeno almoço às sete. Pai, Mãe, Filha mais velha e uma Amiga que veio cá ter para apanhar a boleia para a cidade.
É bom despachar toda a gente bem cedo. Os que foram para Lisboa saíram e eu fiquei com tempo para me arranjar com calma, para acordar os que ficaram. Pude passar na porta da Escola do Manel e receber um folheto de divulgação do Coisas de Todos Nós que estamos a organizar para a próxima sexta feira, pude deixar o Martim a horas sem apanhar a movimentação maluca que se gera à porta daquela escola às 08:30, pude fazer a vontade ao Mateus e ir para a escola dele utilizando a Marginal, "para vermos o Mar".
À minha espera, em casa, estavam as camas para fazer, a mesa de pequeno almoço para arrumar, um monte de roupa para engomar e...maravilha das maravilhas, o fogão para limpar!
Costumo dizer que gosto de todas as tarefas domésticas. Não fujo à verdade, mas há algumas destas tarefas que me aborrecem à séria. Limpar o fogão é uma delas. Detesto o cheiro do detergente desengordurante que utilizo, detesto ficar com as mãos ainda mais ásperas do que já são habitualmente (não, não consigo usar luvas!), detesto limpar o fogão!!!!
É quase meio dia e já fiz uma data de coisas. Preparo-me agora para sair em direcção ao Centro de Recursos da ESFLG onde estou a "trabalhar" na criação de um blogue.
Por cá ficarão os periquitos a namorar à janela da cozinha, os cães a namorar no quintal e a ladrar a quem passa. O ferro de engomar aguardará, ansiosamente, o meu regresso.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Desporto? Rei?

O Futebol não entra na lista das minhas preferências. Cá em casa ninguém pára para "ver a bola". Nomes de jogadores, resultados e afins são tema sobre o qual não se conversa. Apesar de haver três rapazes. Nenhum deles gosta especialmente de futebol ou lhe liga mais importância do que uns chutos na bola nos intervalos da escola. Resumindo, não vemos futebol!
Ontem, porque estávamos em casa alheia à hora em que a SIC Notícias transmitiu em directo os desacatos entre benfiquistas, portistas e polícia, acabámos por parar em frente ao écran e assistir em tempo real ao degradante espectáculo...
Belos exemplos educacionais transmitimos aos nossos Filhos quando permitimos que assistam a cenas como as que se passaram ontem. Palavrões gritados alto e bom som, gestos obscenos feitos directamente para as câmeras como se fossem gloriosos, vidros de autocarros partidos, pessoas sentadas em cima de tejadilhos de autocarros...estas pessoas terão filhos? Que modelo pensam ser para esses Filhos? Arruaceiros? Pessoas que não conseguem respeitar a diferença de opinião? São, de certeza, filhos de alguém. Que, com estas atitudes, envergonham, de certeza, também!
Dizem que o Futebol é o Desporto Rei. É, sem sombra de dúvida, o desporto que mais dinheiro arrasta consigo. Nos valores de ordenados que paga a jogadores, a treinadores e a dirigentes. Realmente, só um Rei poderá afirmar ter as mordomias e os baús de ouro que têm os profissionais "da bola".
Revolto-me com esta realidade. Existem milhares de desportos. Maravilhosos. Sem apoios de qualquer espécie. Daqueles que andam para a frente porque  associações, colectividades, entidades desportivas os mantêm vivos - voleibol, basquet, andebol, hoquei em patins, patinagem artística, ténis, ginástica desportiva, ginástica rítmica, ginástica representativa, mini-trampolim, ténis, esgrima, equitação, surf, bodyboard, mergulho, vela, canoagem, etc, etc, etc. A estes não são dados tempos de antena na televisão, não são dados grandes patrocínios, não são chamados de Reis, nem tão pouco príncipes. No entanto, não ouvimos dizer que os adeptos destes desportos fazem as figuras que os do "Desporto Rei" protagonizam.
Mais uma vez digo - há muito a fazer na nossa sociedade. Há muito a rever. Há muito a modificar. Quem é Pai/Mãe tem nas mãos o leme da mudança. Para que nunca os nossos Filhos façam parte de imagens como as que vi ontem.

Escolhas[/Decisões] de[/para] Futuro

Este senhor, Agostinho Miranda, advogado, está na SIC Notícias a comentar algumas das notícias publicadas nos jornais diários do dia de hoje.
Uma das notícias que escolheu prende-se com o que pensam os estudantes de 14/15 anos ao se verem "obrigados" a escolher o que será o seu futuro, na passagem do 9º para o 10º ano de escolaridade.
Gostei de o ouvir dizer aquilo que eu, simples Mãe, penso sobre esta temática. Aos 14/15 anos, o que sabem os nossos jovens sobre o que gostarão de fazer na sua vida adulta? Poderão ter uma vaga ideia sobre quais as profissões que lhes agradariam e quais as que não se conseguem imaginar a desempenhar para sempre, mas ter a certeza? Muitos de nós, nas quatro décadas de vida, ainda pergunta se o caminho que escolheu terá sido o correcto, se não teria sido mais feliz se tivesse podido optar, na altura, por outro caminho. Então, como podemos ter a veleidade de pensar que os nossos adolescentes, preocupados com borbulhas, namoros, e outras questões tão sensíveis nestas idades, serão capazes de decidir em consciência o seu futuro?
Disse este advogado que o que seria correcto, no nosso sistema de ensino, [que deveria preparar pessoas cada vez mais capazes de enfrentar desafios cada vez mais globais], seria uma escolaridade até ao 12º ano assente numa base de disciplinas comuns. A ideia seria construir verdadeiras bases e alicerces de uma cultura geral que permitisse uma escolha mais adulta do caminho a seguir.
Gostei de ouvir. Porque é o que penso. Há muito...

terça-feira, 16 de março de 2010

Projecto Novo, Dia Zero


Na minha vida sempre houve livros. Não o digo por fanfarronice ou por tentar ser melhor do que outras pessoas, mas apenas porque é a realidade. Cresci numa casa em que os espaços para os livros estavam constantemente a ser criados e recriados. Deste crescimento rodeado de páginas e letras vem o sentimento especial que tenho por cada um dos volumes que compro, que me oferecem. São pessoas que estão representadas por aquele monte de palavras concentradas.

A livraria com que sonho...não sei se irá surgir em algum momento da minha vida futura. Gostaria de pensar que sim. Para já, iniciarei hoje um projecto (não remunerado) relacionado com os livros. Mais uma vez, em espaço escolar. Sei que será um projecto de onde retirarei imenso prazer, ou não implicasse ele livros, as minhas palavras e a informática. Procurarei estabelecer parcerias com os contactos interessantes que tenho acumulado desde que iniciei o blogue e espero obter resultados de excelência.

Estou entusiasmada com este novo desafio!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Encontros Poéticos

Eu e a minha Máquina
Encontros Poéticos ESFLG,
Março 2010

Professores, Alunos, Familiares de Alunos, todos reunidos em torno de uma ideia - "Encontros Poéticos". Num espaço que é casa de livros (o Centro de Recursos/Biblioteca da Escola) criou-se um clima aconchegante para ir recebendo quem se ia juntando. Feitas as apresentações percebeu-se uma percentagem grande de professores de Filosofia, para quem a poesia é uma forma de calar a voz racional de quem fala sobre o pensamento de outros, em outros tempos e também no nosso. Ouviram-se poemas de autores conhecidos (O'Neill, Drumond de Andrade, Pessoa, Gonçalo Tavares, José Fanha, ...) e de autores presentes entre o público (Professores e Alunos). Houve poemas projectados na parede. Houve poemas pendurados num estendal improvisado, presos com molas de roupa. Houve poemas acompanhados por um trio executante de guitarra clássica, houve pausas na poesia para se dar apenas lugar à música.

No final, o convívio entre todos. De igual para igual, porque ali, naquele momento, se diluía a relação Professor-Aluno-Encarregado de Educação e se dava primazia a um gosto comum. O gosto pelas palavras escritas em poesia. Que não têm necessariamente de rimar, mas têm necessariamente de nos tocar.

Mais uns pontos na classificação desta Escola que prima pela dinâmica, pelo desafio à intervenção da Comunidade. Os Encontros Poéticos vão continuar e nós, vamos lá estar!
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