Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.
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quinta-feira, 28 de abril de 2011

Bronzaline

Daqui
Há coisas que permanecem gravadas na memória, por muitos anos que passem. O cheiro do Bronzaline é uma das minhas memórias mais fortes. Produto já há muito desaparecido, o bronzaline era uma espécie de graxa para espalhar no corpo em dias de praia. Nos tempos em que não eramos massacrados com informações sobre o cancro da pele, os raios ultravioleta e as horas em que devíamos estar em casa a fazer a sesta e a ler um livro e nunca na praia, esparramados ao sol. Nesses tempos de inconsciência, o protector solar também não era produto muito vendido e era frequente que cada sol-dependente inventasse o seu próprio bronzeador sem qualquer prurido em espalhar na pele óleo johnson misturado com manteiga de cacau, umas gostas de tintura de iodo, coca-cola e sei lá mais que mixórdias. Tudo servia para ficar com um belo tom castanhinho!
Na minha Família, o Bronzaline era Rei do Verão. O meu nariz que o diga. Enquanto o verão durava, a pele do meu nariz formava uma espécie de uma crosta, tal era o efeito do dito bronzeador na pele. A roupa também não escapava ilesa a este belo produto. Era normal que as t-shirts e outros adereços de praia terminassem o dia manchados de um tom alaranjado, sinal de que uma pele bronzeada à custa de muitos quilos de bronzaline tinha passado por ali.
Nós compravamos esta bomba bronzeadora numa drogaria conhecida aqui para os lados da Marginal, perto de S. João do Estoril. Ora, um produto para usar na pele, que se compra numa drogaria, é, de certeza, um produto altamente testado clinicamente.
A verdade é que não passavamos sem ele e hoje, quando vi esta fotografia do Artur, não pude deixar de pensar em como eram bons esses tempos de três meses consecutivos de praia, de manhã à noite, numa das praias da Linha mais conotada com a palavra "poluição", mas que era também a mais "in".
Saudades. Mais uma vez.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Soltas, de Sexta feira


Solta, I
Ontem, quando assistia ao epísódio d' Anatomia de Grey, adivinhei a fala seguinte de uma das personagens. Será este um sinal de que possuo capacidades extra sensoriais?

Solta II
09:30-12:00, período de exposição solar para tentar queimar o que ontem não conseguiu ficar escaldado. Praia cheia de gente. De várias idades. De vários aspectos. De vários tons de bronzeado/escaldado. Conclusão, o desemprego está mesmo em Alta!

Solta III
Estou a fazer o bolo de anos do Martim (é já amanhã). É de chocolate. Apetece-me comer a massa toda à colher, como se comesse mousse de chocolate.

Solta IV
A Charlotte diz que eu estou a ficar doente. Daquele tipo que de cada vez que se olha ao espelho se acha mais e mais gorda mesmo que até esteja mais magra. Eu é que sei. E eu sei que queria mesmo perder uns kgs. :-(

Solta V
«Vais ver que te vais divertir e a C. também. Depois contas-me, e danças uma musiquinha por mim, ok? Só tens de me dizer qual foi a que escolheste.»
Hoje é dia de Rock in Rio. Está calor, mas tenho de ir de calças de ganga. E ténis. E não me apetece. Está tanto calor. Já falta pouco.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Há Bocado...

Daqui

...ia falar de Felicidade e não falei.
Mas porque não falar da felicidade?
Conceito. Palavra. Estado. Sentimento.
De que é feita?
Como se inscreve no ser de cada um de nós?
Que outro conceito, palavra, estado ou sentimento, a fazem rebentar, sair de nós?
Hoje senti-a.
Nasceu em mim pela razão mais banal.
E permaneceu.
E durante momentos sei que fui realmente feliz...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Recordações


Esta estação de comboio bem como as ruas que a rodeiam estão em obras. Há já um tempo...
Hoje de manhã, quando por lá passei, a gare estava cheia de pessoas! Tantas, mas tantas, como eu já não via há muito tempo.
Soube, depois, que a CP tinha posto a circular autocarros como transporte alternativo e que a Marginal estava também cheia de pessoas, à espera.
Vieram-me à memória os meus dias de adolescente. Quando chegava a altura de deixar Lisboa e vir para a Linha e não nos apetecia vir de comboio, íamos até ao Campo Grande onde apanhavamos o Praia Mar Expresso. Mais tarde, já a viver aqui, quando havia greve de comboios, era também o Praia Mar que me transportava.
Hoje, aliada à saudade da Primavera lisboeta chegou a saudade das viagens de autocarro, Lisboa-S.Pedro do Estoril!

domingo, 25 de abril de 2010

25 de A B R I L


Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo.“
Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dedos Manchados de Tinta


Fui obrigada a pensar para trás, para publicar no Livros de Graça o meu testemunho sobre o 25 de Abril. A escassez de memórias de infância é trágica. Não sei se existirá um significado psicanalítico para isto, mas o que é verdade é que só com muito esforço consigo andar para trás no tempo e chegar à infância. Depois, quando lá chego, encontro imagens desligadas entre si. Lembro-me de alturas muito díspares da minha vida não conseguindo encontrar o fio que as deveria unir umas às outras.
Mas se há memória presente em mim, a caneta de tinta permanente é uma delas. Tive uma Parker azul escura e com ela escrevia na sala de aula, principalmente em dias de prova. A prova que se fazia em papel de 25 linhas, azuis, com uma dobra na margem esquerda, onde a professora poria a classificação, a sua assinatura e as observações que considerasse dever fazer. A minha maneira de pegar na caneta nunca me causou calos em qualquer dos dedos da mão direita, mas ofereceu-me sempre uma mancha de tinta permanente no dedo do meio (o dedo da asneira, como diz o Mateus).
A evolução dos materiais acabou por impôr a esferográfica à tinta permanente. As manchas no dedo desapareceram. Mais tarde, já crescidinha, tive imensas canetas de tinta permanente, daquelas baratuchas, de várias cores, que eu carregava com cartuchos de tinta também de cores variadas.
Tenho saudades da minha Parker azul escura e do dedo manchado de tinta. Tenho saudades das provas da primária em papel de 25 linhas azuis. Tenho saudades da minha Professora, a D. Rosa. Tenho saudades dos dias dos quais não tenho memórias!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A B R I L


Abril chegou finalmente.
Com Abril chegam-me à memória os dias dos cravos vermelhos.
O cheiro dos cravos vermelhos em jarras dentro de casa, nos tabuleiros de quem os vendia em padiolas nas ruas alfacinhas.
Chegam-me memórias tantas vezes já ditas de pessoas tão queridas já desaparecidas.
Chega-me a nostalgia da celebração. A perda. A dor. A saudade.
Abril chegou finalmente.
Com Abril chega-me a vontade de ler as palavras escritas para Abril.
De cantar as palavras escritas para serem cantadas por/para Abril.
No meu coração há lugar para um Abril especial.
Que viverá enquanto eu viver.
Em festa.
Em cravos.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Tia Loja


Esta imagem levou-me a mim quando era pequena. À minha infância onde houve uma aldeia. Era uma aldeia bem pequenina, daquelas que têm um nome estranho e cuja localização no mapa não era muito preceptível num tempo em que auto-estradas eram coisa nunca vista e o GPS uma maquineta própria do "Espaço 1999". Nesta aldeia havia carroças e motoretas. Os que tinham carro eram os que tinham vindo para a cidade e estavam "bem" na vida. Havia um grupo de ciganos que todos os Verões se instalava numa casa de pedra que é agora pertença de familiares meus. Havia a romaria de grupos de homens e mulheres contratados sazonalmente para a apanha dos figos, do tomate e das uvas. Não havia água canalizada mas havia uma fonte onde se ia buscar água, com jarros ou vasilhas de barro transportadas à cabeça num equilíbrio perfeito assente em rodilhas feitas de bocados de trapos (sogras). Havia pessoas capazes de "deitar o mau olhado" e outras que faziam umas rezas com água e azeite para desfazer o dito. Na minha memória são felizes os dias nesta aldeia. Onde não existiam mini-mercados. O pão era amassado e cozido nas casas que tinham forno ou então vendido pelo padeiro que vinha numa carrinha que parava no centro da aldeia, buzinando para avisar da sua chegada. Tal como o senhor do peixe. Não havia ASAE e as carrinhas eram vulgares. Ovos, galinhas, coelhos e outras carnes eram produto de criação individual/familiar. Na minha família havia uma loja. A parte de baixo de uma casa desabitada. Um espaço enorme, amplo, escuro e fresco nas tardes de Verão que ali passavamos a brincar. Era uma loja mista onde se acumulavam amendoins, tremoços, pevides, rebuçados, leguminosas em grandes tulhas de madeira com medidas também de madeira, gasosas e laranjadas, bolachas de baunilha vendidas em pacotinhos individuais. Não havia máquina de café, mas havia enormes pipas de vinho e copos de três que os homens engoliam como se bebessem copos de água. E nós, meninos da cidade onde as lojas eram distintas consoante o género que vendiam, deslumbravamo-nos na loja da Tia Teresa (a "Tia Loja"). Em mesas de madeira já muito gastas e bancos de furo no meio do tampo. E brincavamos às casinhas, às mães e filhos, às lojas. Na rua principal daquela aldeia os dias eram quentes mas enormes. Eram dias cheios de brincadeira e de tempo de sesta durante as horas de maior calor. Eram dias que terminavam em espreguiçadeiras na rua a olhar as estrelas que transformavam o escuro do céu num manto de luzes prateadas. Hoje tive saudade da aldeia, da loja, das tardes, das noites e das pessoas que existiram comigo nesse tempo.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Renda

Eu e a minha Máquina,
Cortinas feitas pela minha Avó,
S. João Estoril
Novembro 2008

Os dias ensolarados transportam-me a muitos locais de mim, do que vivi.
Transportam-me, inevitavelmente, a tardes de Lisboa. Com a minha Avó Materna.  A passeios a pé pelas ruas circundantes aquela onde vivi durante 22 anos. À eterna e feminina tarefa de dar dois passos e parar o tempo equivalente a muitos mais defronte de montras, comentando, criticando, desejando. À agradável sensação de andar de braço dado com quem nos é querido, à conversa. À compra de fruta na rua, nos vendedores ambulantes, de lambreta com o atrelado onde havia uma balança que pesava sempre mal. À compra de linhas âncora brancas, nas lojas Ferrador, para transformar em naperons, colchas, renda de lençóis, sacos de guardanapo.
Transportam-me, inevitavelmente, a memórias de férias da Páscoa na adolescência. Quando o Sol começava a ser quente e nós só queríamos "pisgar-nos" para S. João, onde ficavamos sozinhos, desarrumando semanalmente uma casa que à sexta feira era composta a preceito para receber os nossos Pais. Tardes de areia e mar, em meses de Primavera.
Transportam-me, inevitavelmente, a tempos em que o tempo me dava mais tempo a mim.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Citadina(saudosa)mente Campestre

Eu e a minha Máquina
à janela dA Cozinha
Póvoa de Cima, Estarreja
Junho 2009

Eu sou uma rapariga da Cidade.
Nascida, Crescida e Criada no meio da urbe. Da capital do país. Entre carros, gente e barulho. Manifestações antigas de 1ºs de Maio de outros tempos mesmo à porta de casa. Multidões a pé pelo meio de Alfama, a caminho do Castelo em noites de Stº António. Bares de música ao vivo em ruas da cidade. Autocarros, eléctricos e metropolitano fazem parte do meu imaginário. Pelo meio, entre final de aulas e reinício de aulas, havia viagens à província. Às terras de uma Avó e de outra. Aí eram tempos de carroça, de pés na terra, de noites debaixo de céus cheios de estrelas brancas, brilhantes e reluzentes.
Eu sou uma rapariga da Cidade.
Gosto do que é típico nas cidades. Do lado cosmopolita de mim quando ponho os pés na Lisboa que adoro. Gosto de estar aqui. Perto do Mar. Senti-lo tão perto. Vê-lo do terraço do sótão. Sentir-lhe o cheiro em dias de maresia. Saber que é ele que me humidifica o ar que gosto de respirar. Nunca poderia viver sem o ter por perto. Não consigo sequer imaginar-me sem o ter. Mesmo que passe dias sem o ir visitar. (há tantas coisas assim...).
Eu sou uma rapariga da Cidade.
Ontem, ao ver num jornal da noite uma entrevista feita algures no campo português, deu-me uma saudade enorme do campo que agora sinto meu. O que se vê da janela dA Cozinha. Porque o verde que se vê daquela janela é como um mar. Feito de vegetação e não de água. Era lá que queria agora estar.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Fim de Dia

Eu e a minha Máquina
Agosto 2009
Salgados, Algarve

Partilho
Final de dia
Frio lá fora
Saudade de dias quentes
Saudade de pessoas que há muito não vejo
Constatação de que nem todos os que amo se lembram
De mim

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Domingo

Obrigada Belita, por este blog

Estranha aventura de sermos só dois. No carro mais pequeno. A caminho de um almoço com Amigos do tempo em que efectivamente eramos só dois. A alegria de nos revermos, de estarmos os quatro como quando íamos beber café à noite, a seguir ao jantar, num qualquer sítio da moda para os lados da Avenida de Roma ou Praça de Londres. O passado comum a aproximar-nos, a fazer-nos esquecer que os anos passaram sobre nós, que tanto já ficou para trás, num álbum de recordações que nem sempre o tempo actual nos deixa revisitar. Éramos quatro, dois casais de namorados. Hoje somos dez. Dois casais com descendência...
À mesa do almoço tipicamente português (cozido) num restaurante de campo tipicamente popular juntaram-se mais dois casais. Mais três descendentes. Nós, os de maior descendência, estavamos apenas dois. Lugares distribuídos. Miúdos numa ponta. Mães a seguir. Homens noutra ponta. E a conversa fluíu. Mães de dois Filhos. Mãe de uma Filha. Mãe de quatro Filhos. Mulheres. A idade e a mudança. O olhar para trás e a nostalgia. A tristeza pelo que mudou e não volta. E eu. Diferente. Porque na verdade pouco me afecta o número que diz há quantos anos foi o dia em que nasci. Porque na verdade pouco me afecta que o meu rosto já não seja liso e que o meu corpo se tenha alterado. Vivo sem que sejam esses os pesos que fazem pender os pratos da minha balança, pronta para seguir em frente com o trabalho que todos os dias me espera, pronta para encarar os desafios que ainda me vão surgindo e espero me surjam durante muitos anos, sem pensar que a minha cara não é aquela que vejo mentalmente, sem pensar que o meu corpo não é aquele que eu gostaria de ter. Do passado raramente tenho saudades, mas do Futuro (sem querer roubar o título do blogue ao João...), desse sinto Eternas Saudades!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

... Horas ...

O que poderá interessar aos outros aquilo que faço? Não sei se este blogue é a minha faceta exibicionista ou se todos nós nos transformámos, dentro das nossas solidões privadas, em Big Brothers que espiolham o que se passa por todo o lado onde essa invenção maravilhosa chamada Internet consegue chegar. A minha condição é igual à de tantas outras mulheres por esse Mundo fora. As que durante anos tiveram esta condição por obrigação e as que a têm nos nossos dias por razões que vão da obrigação pelo desemprego à opção de vida consciente. Eu própria, na maior parte das vezes, quando começo a escrever, penso que não deveria expôr determinadas coisas, mas depois solto os dedos e as coisas aparecem e eu deixo-as ficar (não gosto da Censura!).

O dia de hoje foi dedicado à roupa. Desde manhã até agora dei cabo da pilha de roupa de casa e de roupa de cada um que havia para engomar. Apesar de ter já outra pilha seca e dobrada pronta para vir receber o mesmo tratamento, decidi guardar todas as ferramentas e dar por terminado, por hoje, esta tarefa doméstica.

Enquanto engomo tenho a televisão ligada (SIC Notícias) para ir ouvindo vozes. Não é bem a mesma coisa que ter companhia humana, da que se proporciona à conversa, mas à falta de melhor, serve. Há dias em que até consigo dar atenção às palavras televisivas, mas há outros, como hoje, em que pouco mais sei do Mundo do que o "Caso Mário Crespo" e o "Início do Julgamento do Concorde". A minha cabeça esteve hoje em sintonia com a minha Avó. Como eu gostava que ela ainda pudesse fazer-me companhia, porque agora é que eu a entendo bem. A minha Avó era muito comunicativa, adorava conversar e ter gente por perto. Em determinada altura da vida dela, ficou sozinha e era sozinha que passava os dias. A única distracção que tinha era, ao final do dia, mais ou menos por esta hora, sair e ir até à loja duma senhora (oculista) com quem adorava conversar. Ali ficava, dava dois dedos de conversa, para voltar a casa, de língua desenferrujada, de novo sozinha. Bem sei que a minha situação não é tão dramática, mas há dias em que me sinto tão a minha Avó. São muitas horas...

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Tradição Maternal

É dia de Nossa Senhora da Conceição.
Antigamente o Dia da Mãe.
Apesar de pela cultura escolar só comemorarmos o Dia da Mãe em Maio, este dia tem sempre para mim o seu significado primeiro.
Lembro-me tanto da minha Avó...
Tenho saudades da minha barriga grande de cada vez que estive grávida. Tenho saudades de estar grávida.
Feliz Dia da Mãe!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Revisão

Deu-me vontade.
De ir ao meu passado ver o que por lá se passou.
Com o premir de uma única tecla voltei um ano atrás.
Reli as palavras escritas durante o mês de Novembro.
Impressionei-me com algumas delas e perguntei-me onde as perdi.
Revi as imagens que a minha Máquina e eu guardámos para a eternidade.
Abri as caixas de comentários e reli as palavras que outros me deixaram.
Passado um ano. Pouco ou nada mudou em mim, mas muito mudou em meu redor.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Busca

Se há coisa que me incomoda é não ter memórias. Não sei se isto é bom ou mau, mas sei que não gosto que assim seja. Gostava de nos meus períodos de silêncio, mergulhar em mim e conseguir trazer lá do fundo imagens, cenas e pessoas que me devolvessem um outro Mundo. O Mundo mágico que tanta gente consegue evocar quando escreve e que eu não encontro. As memórias que a custo trago à superfície são difusas. Algumas delas não necessariamente boas, preferiria não as encontrar. E a minha memória leva-me, invariavelmente, a dois destinos. O Mar das férias de Verão. A casa dos meus Avós Maternos. Nestes dois destinos encontro aquilo a que hoje poderia facilmente chamar Dias Felizes, De Gente Feliz Sem Lágrimas.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Cores de Outono

Um Outono que insiste em manter-se estio. Dias soalheiros e quentes. A casa dourada pelo Sol que entra filtrado nas frestas dos estores, no tecido dos cortinados. À memória chegam outros dias, noutra casa cheia de luz onde as tardes e os serões eram passados com uma agulha de crochet na mão direita e a linha ou a lã passada no indicador da mão esquerda. As mãos da minha Avó. Delas saíram inúmeros trabalhos agora guardados em gavetas e arcas. Invocando saudades de dias frios ou apenas as eternas saudades da minha Avó, ontem esta colcha saíu da arca onde estava guardada para a minha cama. Uma colcha que tem o duplo valor de ter sido feita pela minha Avó mas também pelo meu Avô!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Xutos e Pontapés, 30 Anos

Os Xutos comemoram este ano 30 anos de carreira.

Hoje apeteceu-me recordá-los na Casinha. O som desta música leva-me a um passado muito bom. Ao tempo durante o qual frequentei um Curso Profissional, em Lisboa, que me fez conhecer pessoas que nunca esquecerei, a pessoa que considero a minha melhor Amiga. Ao tempo em que organizámos uma viagem à Figueira da Foz e em que cantámos esta música aos berros e dançámos até não podermos mais.

Parabéns aos Xutos! Saudades deste tempo, em 80 e tal...

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