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A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.
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terça-feira, 17 de abril de 2012

Pormenores...

Daqui

I. ...De Casa

Casa. Há bem pouco tempo, o meu Universo.
Agora, a minha casa. O porto onde regresso após cada viagem, o destino desejado, o ponto final de cada dia.
Casa. O lugar por onde viajo hoje.
A mesa da casa de jantar pejada de papéis e dossiers. Os telefones. A minha agenda. O dia de hoje vai ser dedicado aos contactos. Iniciar novos e consolidar mais antigos. A conversa, o sorriso, as palavras. Os resultados vão surgindo e a lapiseira, fina, vai transformando em manchas escuras os espaços brancos da minha agenda. Aqui sorrio eu. A agenda em branco angustia-me. Gosto de a ver carregada de nomes de quem não conheço mais do que a voz ao telefone. Cada voz uma surpresa. Cada saída de casa uma nova Família que visito, vou conhecendo aos poucos, vou adicionando ao meu registo de memórias. [mais material para "aquele" livro que um dia vai acontecer].
A rotina da casa alterou. A rotina da Família alterou. A casa sente a minha falta, sinto-o, vejo-o nos pequenos pormenores que só eu detecto.

II. ...Dos Filhos

Os filhos. Neles também muita coisa mudou.
Estão mais crescidos e soltos. A alteração na minha vida tem feito com que se alterem também as rotinas deles. De repente parece que cresceram. De repente há namorado/namorada nos mais velhos. Há mais ausências na mesa de refeições, há mais presenças. Podemos ser só quatro, mas também podemos passar a oito. A flutuação. O movimento da Família. Cada um de nós é um Mundo, uma realidade, sonhos, pensamentos e palavras que se junta a outros Mundos e cria um Atlas de conversas, de dúvidas, de desejos e planos. Um Atlas onde os Países também têm cores diferentes, onde uns têm mais terra e outros mais água, onde uns sonham e outros estão bem presos à Terra.
Medo. Perda. Duas palavras que me ensombram volta não volta.
Orgulho. Palavra que define o meu Mundo de Mãe.
O meu Mundo, agora transformado em dois, divide-se por estas três palavras. Porque é enorme o sentimento de orgulho que tenho nos meus Filhos, mas enormérrimo o medo de os perder.

III. ...De mim

À cabeça vêm-me memórias de outros dias.
De determinados dias.
Dias. Lá ao longe.
Sinto-lhes o cheiro, a textura, a macieza do clima morno, os sorrisos que por lá andavam.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Agradecimento [Só Porque me Apetece]

Hoje apetece-me agradecer.
O blogue não faz anos e eu também não, mas há dias em que o Lado Lunar se sobrepõe a tudo, nos invade, nos deixa de rastos, nos faz sentir como se os dias estivessem a terminar. Muitas vezes sem motivo aparente, algumas vezes por coisas que não valem mesmo nada perante tantas situações arrasadoras que nos rodeiam. Apenas o clima que se vive. Como se todos estivessemos enfiados num local fechado de onde não nnos podemos mexer para lado nenhum, sob pena de sermos castigados. Sabemos que algo está mal, ou tudo está mal, mas não sabemos como mudar, não sabemos se podemos mudar.
O blogue nasceu. Uma brincadeira. Um desafio. Uma terapia.
Os comentários começaram a surgir. Entusiasmo e maior desafio.
"Parcerias" com imagens deram origem a comentários dos melhores que por aqui têm sido registados.
E a terapia foi andando e desafiando cada vez mais. Com direito a sofrimento de cada vez que as palavras não correspondem às perspectivas de quem as escreve. E mais desafio. E mais terapia. E o número de visitas diárias a passar dos dois algarismos para os três e dos três da centena para os três das duas centenas. Poucos comentários. Raríssimos, diria até, mas visitas a manterem-se. Há quem me leia todos os dias. Não sei onde. Não sei porquê. Não sei o que lhes dizem as minhas palavras, mas sei que há quem me leia e isso é tão bom!
Os últimos posts têm sido pouco inspirados e um pouco "baixo astral". São fases e reconheço que ando em baixo. Pode ser apenas a astenia própria do Outono, pode ser a aproximação do aniversário e da mudança de 2º algarismo a seguir ao 4 que marca! Os comentários que têm chegado são motivo de sorrisos. Uns de amigos que sei que estão sempre cá, mas outros, de pessoas que nem desconfio quem são, a oferecerem a sua companhia, os seus ouvidos para a minha conversa, a sua amizade para além da virtual. E isso é bom.
Os agradecimentos são, hoje, para os que me visitam. O número de visitas é o meu maior incentivo à escrita. Ao cuidado na escrita. À atenção nos temas e imagens. Os agradecimentos são, hoje, para o Diário de Lisboa que me tem inspirado com as suas fotografias e quem tem ilustrado posts meus. Os agradecimentos são, hoje, para quem deixa na minha caixa de comentários palavras de amizade.
Obrigada a todos.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Ando Estúpida!

Daqui
É sabido que penso. A questão, hoje, é se penso bem ou se mais valia não me dar a esse trabalho. Ultimamente dou por mim a analisar cada comportamento que tenho, cada frase que digo e como digo, a analisar os comportamentos de quem está à minha volta, pensando em como seria se tivessem sido ou fossem diferentes. Convenhamos que esta é uma grande "panca" e que me cansa um bocado. Frequentemente sinto vontade de ir a um qualquer botão que o meu cérebro deve ter e virá-lo para a posição off para que me deixe descansar um bocado. A minha convivência com outros elementos do sexo feminino não me leva a perguntar-lhes se também têm este tipo de pensamentos e outros ainda mais aborrecidos. Do género, mas porque raio tenho eu esta vida monótona? Claro que no meu caso, o meu estilo de vida foi opção minha, mas isso não é razão para que não me pergunte, não me analise, não me apeteça outra coisa qualquer. Não deve ser um sentimento apenas característico das donas de casa, pois não?
O que se passa. Ando um bocadito farta de passar dias e dias fechada em casa, tendo por única companhia ruidosa os periquitos e a televisão. Claro que também tenho rádio. Claro que também tenho CD's, e internet, e telemóvel, e telefone, mas não é a mesma coisa. Sinto falta de ter alguém com quem conversar. Pode ser só sobre o tempo, mas se puder ser sobre outros assuntos mais interessantes, melhor!
Depois, ao fim do dia, quando todos chegam a casa, todos têm coisas para contar, menos eu. Vou falar sobre o quê? Sobre a roupa que não deixa de existir para ser lavada estendida e engomada? Sobre a comida que tão depressa enche o frigorífico como desaparece de seguida? Sobre o pó que ainda agora limpei e já cobre de novo os móveis parecendo provocar-me? Que raio de temas de conversa!
Será pecado que me apeteça uma boa conversa, uma roda de amigas, sem preocupações com o jantar por fazer, os banhos por tomar, as tarefas domésticas que estão sempre lá à espera que lhes pegue?
Não há dúvida. Tenho de me educar.
Ou vou "endoidar"!
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