Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.
Mostrar mensagens com a etiqueta Verão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Verão. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Manhãs

Daqui
"A fotografia foi tirada da Rua Ferreira da Silva e as ruas que se deixam perceber são:
Rua Carlos Mardel, Rua José Ricardo, Rua Ângela Pinto, Rua Actor Vale.
No canto inferior esquerdo percebe-se também o Mercado de Arroios."
As manhãs são boas, mas ingratas.
Acordam-me cedo demais e logo aí fico com vontade de lhes bater. Há dias em que os sonhos estão tão bons que até parece mal acordar, há outros dias em que a maciez dos lençóis me pede que não a abandone. Estando acordada, gosto das manhãs. Da frescura, da sensação de estar a viver um novo dia, de que coisas boas e diferentes podem acontecer, de que algo vai mudar. As manhãs são o princípio, o ponto zero, o novo e diferente. Gosto delas por isso. Respiram mudança, uma das minhas palavras. Depois os ponteiros começam a avançar no mostrador do relógio e, num ápice, as manhãs transformam-se em horas de almoço, em proximidade da tarde, em correrias de fim de dia. Rápidas, as manhãs, quase não me dão tempo de as saborear convenientemente. Parecem-se com os "gelados de água". Frescos, saborosos, refrescantes, mas tão rapidamente desfeitos pelo calor se não os soubermos comer a correr!
Na verdade, nunca passo a manhã a correr. Não gosto. É de manhã que tenho mais tempo para dedicar à escrita e não gosto de correr enquanto escrevo. As ideias não saem a correr, precisam de tempo e de de certeza no que dizem.
Hoje tem de ser diferente. A tarde vai ser atribulada, a manhã tem de render mais do que 100%. Sento-me sem saber muito bem sobre que escrever, o que dizer. Depois de ter tido o FB invadido pela mensagem de "cuidado com o que postas", fico um pouco insegura sobre o que escrever quando escrevo. Dou uma volta pelos blogues que leio. Dou de caras com a fotografia que inicia estas linhas. Como se fosse um click. O meu cérebro diz-me que conheço aqueles prédios, aqueles telhados. Ando para baixo e leio. Claro que conheço. A zona onde nasci e vivi durante 22 anos. E cai a nostalgia sobre os telhados luminosos da fotografia e sobre a minha cabeça. Há Sol lá fora apresar das previsões que dizem que vai chover e ficar cinzento.
Hoje tenho de ir a Lisboa. Não irei à minha "zona", ficarei pela entrada da cidade, mas isso não impede a saudade, a vontade dos passeios a pé, a imensa saudade. De quem já não pode voltar a passear comigo. De quem já não me pode ouvir enquanto converso. De quem me faz uma falta imensa. Cada dia mais.

A manhã.
Fresca.
Meia iluminada por um Sol que me lembra que o Outono está a chegar. Que d'hoje a um mês faço anos. Que se passou um ano sem que desse por isso. Que nada mudou.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O Ciclo

Eu e a minha Máquina,
Tavira,
Agosto 2010
I.
Talvez saiam hoje os horários. E as turmas.
Um problema informático atrasou tudo isto.
Os miúdos estão em pulgas. Eu também, verdade seja dita.
As compras de material escolar ainda não foram feitas.
Cumpre-se a máxima de que os portugueses deixam tudo para a "última hora".
Começam hoje as recepções aos alunos e encarregados de educação. À hora do lanche, para os de 10º ano. Amanhã para os de 7º. Vou estar presente nas duas.
Discurso de Director, apresentação de DT's, eleição de Representantes de Turma.
O ciclo.

II.
Ontem, no Tamariz, a CMC deu uma festa para todos os jovens que, durante o Verão, estiveram envolvidos em actividades da Câmara. Com entrada gratuita e direito a levarem um acompanhante que não tivesse estado envolvido nos programas sazonais da CMC, esta festa, que oferecia um cocktail não alcoólico, foi o fechar de portas da temporada de férias 2010.
Gostei de ver o meu rapaz mais velho a preparar-se para sair. "Mãe, levo pólo ou camisa? Levo a camisa só ou com uma T-Shirt por baixo?" Chega o amigo que convidou. Sobem. O amigo muda de roupa e veste também uma camisa. O grupo é grande, vão de comboio. "Só preciso de dinheiro para o comboio". Marca-se a hora de regresso a casa. Ainda estamos de férias, acorda-se que a hora de regresso pode ser a do final da festa. O Pai vai buscá-los. Despertador para a hora marcada. Dormimos até lá. Estão no ponto de encontro à hora certa. Dormem, agora.
É bom vê-lo crescer. Bem.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Today Schedule

Há Sol, de novo.
São nove horas. Está feita a ronda dos blogues (com tão pouca coisa nova para ler), do FB (que anda a "roubar" os autores aos blogues, para grande pena minha), do mail.
De manhã tenho de ir à Escola. Fotocopiar folhetos da AP para serem distribuídos nas sessões de recepção a novos alunos/encarregados de educação.
Logo a seguir ao almoço tenho de ir entregar as três cadelas bébés à Fundação S. Francisco de Assis, que ainda nem sei bem onde é. Vou ter de levar uma das crianças (grandes) comigo e já sei que vai ser um drama...
A juntar a tudo isto, o Mateus continua com a barriga "às voltas". Começo a assustar-me com tanta queixa de dores, com vómitos e sessões de vomitado. Com um bocadinho de sorte ainda largo as cadelas e rumo ao Hospital de Cascais.
Let's get started!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Ciclo [da vida escolar]

Eu e a minha Máquina,
Praia dos Tomates,
Agosto 2010

Na contagem decrescente dos dias.
Precisamente daqui a uma semana.
No dia 13.
Haverá nós nos estômagos.
Cadernos novos fechados dentro de mochilas.
Livros reciclados.
A roupa será ainda de Verão e os cabelos chegarão a casa suados. [Lembro-me de quando era eu a regressar à escola depois das férias grandes. Podiam estar ainda dias dignos de praia, mas a vontade era usar a roupa de Outono.]
Haverá muitas conversas cruzadas e novidades para contar. Comentários sobre os professores e os colegas. Queixas sobre a fila no refeitório e a qualidade do almoço.
O primeiro dia de aulas.
O ciclo que recomeça.
Até que em Julho se encerre para dar início a novos dias de Verão.

É o Tempo a Outonar

A minha Máquina
nas mãos da Catarina
Montargil
Setembro 2010


O amanhecer é feito de uma luz ténue. Com os olhos ainda semicerrados pelo sono que pesa não se descortina, pelas frestas de uma persiana não completamente corrida numa janela sem cortina, se o céu está azul claro e brilhante ou nublado. Faz-se de conta que ainda não é Setembro e continua-se a ceder ao peso do sono, tentando retomar o último sonho que, consciente de que o tempo de lazer terminou, desaparece. Roda-se o corpo, enrola-se o lençol. As pernas são as primeiras a sair do espaço confortável, os pés procuram sozinhos as havaianas por ali largadas na noite anterior. Abrem-se os olhos. Franzem-se de seguida. Há sol a espalhar o seu brilho pela folhagem do jardim. Suspiro. Sentimentos opostos. Que o Verão não termine. Vontade de um dia menos brilhante e quente. A indecisão. A incoerência. Olha-se em redor. Não há nada que seja um incentivo ao movimento. Tudo o que está para ser feito é tudo o que não apetece fazer. E o dia vai crescendo. Pede que se abram janelas e se corram estores para que o fresco se mantenha por casa. Lá fora calor. Dolência. Vontade de sempre dormir. Vontade de nada fazer. Cumprem-se tarefas obrigatórias. Com o sol a escaldar na pele ainda escurecida dos dias de mar. A roupa ainda denuncia calor. Há braços, pernas e pés ao léu. A tarde invade o dia. Lembra que se inicia agora o movimento contrário dos dias. Já não crescem até à noite. Correm para ela, na ânsia de que chegue, de que apague o sol que ainda queima a pele. O céu começa a escurecer. Não é ainda a noite mas são nuvens que de repente vestiram o céu de cinzento e esconderam o sol brilhante, orgulhoso do seu calor. De outras vozes chega notícia de que o céu vestido de cinzento se entristeceu e deitou lágrimas grossas de chuva por cima da terra e dos seres. A indecisão. A incoerência do ser. Cansaço de dias de Verão, de praia e de mar. Desejo de que não terminem de repente. Em braços, pernas e pés tapados. Por roupas fechadas. Os dias começam a outonar e eu outono com eles.

sábado, 4 de setembro de 2010

Parabéns Pai # [1]

Eu e a minha Máquina,
O Pai com os Rapazes,
Praia de S. Rafael,
Agosto 2010

O Pai cá de casa faz hoje anos.
Para ele, fazer anos, não é motivo de alarde. Fazer festa, nem pensar. Quando muito um jantar mais alargado e já é uma cedência que nos faz, a nós, Família, que adoramos a preparação de festas e a própria FESTA.
Propusemos um programa fora de portas e foi aceite. Ainda bem!
Vai meter amigos e filhos de amigos. Água, Sol, Barco e Diversão.
Até logo!!!!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Refúgio [de Segurança]

Livraria ''Le Bal des Ardents''

Da infância recordo dias de nariz enfiado nos livros de capa azul da Condessa de Ségur.
Da juventude recordo dias de leitura, de corpo enfiado em grande sofá de cabedal, de orelhas, devorando frases e frases de todos os autores disponíveis pelas estantes de casa.
Da idade adulta, e do período em que todos os dias eram dias de transportes públicos entre S. Pedro do Estoril e Picoas ou Marquês de Pombal, não recordo cenas de comboio ou de metro. Não me perdia na observação dos meus companheiros de viagem, porque havia sempre um livro na mão. Muitas páginas acompanhavam duas ou três viagens. Poucas páginas apenas duravam um trajecto. Há poucos dias uma Amiga queixou-se de não conseguir ler no comboio da linha de Cascais. Segundo ela, e em comparação com os comboios da linha de Sintra, o "nosso" comboio abana imenso. Não a pude contradizer, pela simples razão de que não conheço o outro termo de comparação. A mim, nunca me custou ler na linha de Cascais, em movimento.
Agora, que os dias são passados em casa, os momentos de leitura diminuíram. Drasticamente. Para conseguir ler algumas páginas, obrigo-me a sair de casa, ao final do dia, um pouco antes do toque de saída da última criança. São 15/20 minutos de leitura diária. Notoriamente, pouco. Principalmente para quem tem sempre pilhas de livros para ler e não consegue fugir à compulsão da compra de mais um sempre que algum lançamento lhe aguça o apetite.
A leitura é um prazer, mas é também um esconderijo. Do mundo. Pegar num livro, abri-lo, cheirá-lo e deixar-me levar por ele. Durante o tempo em que o livro me acompanha, as suas personagens, o seu mundo, é o meu. Escondo-me do meu mundo real? Não, apenas me refugio e viajo. E aprendo. E cresço. Como leitora. Como escrevinhadora. Como pessoa.

Solidão, Nuno Júdice

Eu e a minha Máquina
Salgados, Algarve
Agosto 2009

Um mar rodeia o mundo de quem está só. É
o mar sem ondas do fim do mundo. A sua água
é negra; o seu horizonte não existe. Desenho
os contornos desse mar com um lápis de
névoa. Apago, sobre a sua superfície, todos
os pássaros. Vejo-os abrigarem-se da borracha
nas grutas do litoral: as aves assustadas da
solidão. «É um mundo impenetrável», diz
quem está só. Senta-se na margem, olhando
o seu caso. Nada mais existe para além dele, até
esse branco amanhecer que o obriga a lembrar-se
que está vivo. Então, espera que a maré suba,
nesse mar sem marés, para tomar uma decisão.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O Recomeçar

Imagem enviada por uma Amiga,
via FB

Já passou uma semana desde que regressámos de férias. Apesar de o primeiro dia de trabalho ser só a 1 de Setembro, regressar com antecedência significa não sofrer o choque de voltar à realidade de um dia para o outro. Voltar a casa antes de retomar a actividade profissional permite a adaptação faseada à realidade. Ir ao supermercado, organizar roupas, planear refeições, tentar saber em que ponto se encontra a preparação do início de novo ano escolar. Uma semana.
Tem-me custado um pouco e isso reflecte-se no que escrevo (ou não escrevo, mais precisamente). Ando por aqui às voltas com o que li, com o que leio, tentando nas palavras de outros encontrar um fio que me leve de novo à capacidade da escrita pela minha cabeça e mãos. Não está fácil.
Não me apetece grandemente falar sobre O Recomeçar. A minha vida rege-se por anos lectivos e, como tal, é um novo ano que se inicia no próximo dia 13. Fosse eu supersticiosa e já estaria em pânico pela perspectiva de um ano azarado, mas não sou. Ou, pelo menos, não sou muito (só não gosto de facas cruzadas e chapéus em cima da cama e mesas com 13 pessoas sentadas). Este ano lectivo reveste-se de quádrupla importância. Uma Filha que tenta pela segunda vez ingressar na Faculdade e no Curso que considera ser o certo para si. Um Filho que muda de área de estudos e repete o 10º ano, na esperança de que o que o espera seja mais do seu agrado do que foi no passado. Um Filho que se vê mudado de Escola mais uma vez (a 2ª em dois anos lectivos seguidos) e que vai enfrentar o início do 3º ciclo. Um Filho que termina o 1º Ciclo. O mais novo. O pequenino. Está a deixar de o ser.

E neste ultrapassar de etapas, a vida vai passando. Para eles e para mim.

[Para a Sónia Morais Santos]
Pela minha cabeça não passa nunca a ideia da idade a avançar, no sentido de me sentir a envelhecer (o tom negativo desta palavra pode ser muito pesado, para qualquer mulher que se preze!). Sinto que fiz uma escolha certa na vida ao ter filhos cedo e seguidos. Com eles tenho crescido e nunca envelhecido. Acho mesmo que o crescimento deles tem tido em mim o efeito do rejuvenescimento. Com eles mantenho-me a par do que está na berra. Do que se diz e do que já não se usa dizer. Mantendo padrões de linguagem correcta não me arrepia ouvir as expressões que fazem parte do léxico falado dos mais jovens. Tudo com conta peso e medida faz parte do crescimento. Não penso que a minha década de 40 já vai a meio como se isso fosse uma desgraça, porque continuo a acreditar que a minha cabeça está muito aquém dessa idade, ou melhor, que as cabeças dos 40's actualmente não têm nada a ver com as cabeças dos 40's dos nossos Pais ou Avós. A vida actual, apesar de correr e de nos fazer correr, tem o reverso da medalha que é manter-nos jovens até mais tarde e isso é bom.
Sabermos mexer-nos nos meios em que se mexem os nossos Filhos, sejam eles crianças, adolescentes ou jovens adultos, é meio caminho andado para uma relação de cumplicidade e partilha. Cruzarmo-nos com quem se cruzam e saber ir estabelecendo relações de amizade com pessoas mais novas do que nós é também uma forma de nos mantermos jovens. Já disse aqui que não tenho a pretensão de ser "a melhor Amiga" de qualquer um dos meus Filhos, mas acredito que a relação que estabeleço com eles se baseia muito numa cumplicidade de interesses, conversas, partilha, e isso agrada-me a mim e não os confunde quanto à relação Filhos/Mãe que sabem manter comigo.
Não adianta pensar que o tempo passa e que os aniversários se vão acumulando. Interessa, sim, pensar que podemos ser muito mais do que apenas Pais. E isso vale a pena!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Aniversário e Saída à Noite [a Primeira]

Eu e a minha Máquina,
Cerro da Águia, Algarve
Agosto 2010

[Este post da Cócó inspirou as palavras que a seguir se escrevem!]

O Manel fez 16 anos. No Algarve, como já vem sendo hábito de há 14 anos para cá.
Passámos o dia na praia escolhida por ele para que pudesse fazer as suas skimadas, jantámos em casa um jantar escolhido por ele, recebemos os Amigos de férias para cantar os parabéns a você e beber uma taça de espumante. Nada de extraordinário até aqui.
Depois surgiu o pedido. Uma saída à noite. Discoteca. Para ele seria a primeira vez. Concordámos. Afinal, férias são férias, o momento certo para fugir à rotina e às regras do resto do ano. Não existindo muito conhecimento sobre os locais da moda, deixámo-nos guiar pelas sugestões que outros ditaram.
Dois carros conduzidos por Pais, com a lotação máxima de jovens candidatos a uma noite de dança, saíram de Albufeira em direcção a Vilamoura. Atravessar Vilamoura de uma ponta a outra foi quase um concurso de paciência que acabou por se revelar inglório visto não ser ali a discoteca pretendida pelos "dançantes". Afinal era para a Quinta do Lago que tínhamos de ir. E lá fomos, acabando por chegar à porta do T-Club por volta das duas da manhã, a hora certa para começar a dançar, na opinião dos mais experientes.
Dos sete candidatos, dois não entraram. Uma por falta de idade (apesar da altura) e outro por falta de documento de identificação. Ficámos então, quatro adultos e dois adolescentes, ali, sem saber o que fazer até à hora de saída dos foliões.
Decidimos sentar-nos numa das esplanadas do recinto agradável da Quinta do Lago. Uns sofás simpáticos e confortáveis receberam-nos e alojaram-nos até que a chuva, improvável naquela noite quente de Verão, nos afastou dali para fora.
Instalámo-nos numa outra esplanada, já fechada, mesmo por baixo da discoteca onde os nossos meninos se divertiam. Valeram-nos umas cervejas aparecidas sabe-se lá de onde e, mais uma vez nas nossas vidas, a companhia agradável e as conversas que sendo como cerejas, nunca nos levam a fartar delas!
Deitámo-nos quando o Sol já nascia em Albufeira. E não dançámos...

Ao Ar Livre

Eu e a minha Máquina,
Parque de Campismo de Canelas
Agosto 2009

A nossa casa de férias do Algarve é uma casa partilhada. Ou seja, durante os meses de Verão, os irmãos organizam-se e dividem a casa em períodos de tempo que vão dos 15 dias a um mês. A nossa parcela tem sido sempre de 15 dias, até que no Verão passado experimentámos a sensação de ter um mês de férias, pela primeira vez na vida. Sendo que só nos cabiam, por direito, 15 dias do mês de Agosto, foi fácil a decisão de saltar de uma casa para um parque de campismo. A estranheza dos nossos companheiros de praia, achando que nos devia ser muito difícil sair de uma casa para uma roullote. A nossa felicidade.
Quem gosta de acampar sabe que não há nada que chegue a umas férias em que maior parte do tempo se anda ao ar livre. Não existem paredes a limitar o espaço, não existem vizinhos de baixo, de cima, ao lado. Não existem escadas para subir ou descer. Não existem camas para fazer ou casa para arrumar.
Este ano considerámos a hipótese de, ao sair dos nossos 15 dias de casa de família, alugar um outro apartamento onde ficar nos segundos 15 dias do mês, mas depois, pensando bem...passamos o ano inteiro fechados numa casa. Vamos gastar dinheiro para nos fecharmos numa casa que nem sequer é a nossa? Nã...vamos buscar a nossa "casinha com rodas" e estacionar num parque de campismo. Foi o que fizemos!
Poderá parecer estranho a muita gente, mas é no Parque de Campismo que me sinto realmente de férias. Gosto de acordar cedo e vir cá para fora ler. Gosto de respirar o ar puro e não me incomoda ouvir as conversas que se cruzam, vindas desta ou daquela tenda, desta ou daquela roullote vizinha. Gosto de saber que quando chego da praia não tenho que me enfiar numa cozinha a preparar o jantar, que não tenho máquina de loiça para arrumar e desarrumar. As férias no parque de campismo são a altura em que toda a Família colabora nas tarefas. São a altura em que não existe televisão e os mais novos se entretêm a brincar com outros miúdos.
Acampar é mesmo muito bom e não me venham cá com histórias de casas de banho, de duches, de falta de privacidade. Viver ao ar livre, passar férias ao ar livre, é sentir mesmo liberdade de viver!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

O Último Dia de Agosto

Eu e a minha Máquina,
Montargil,
Agosto 2010

Agosto.
O mês do calor. O mês das férias. O mês da pausa.
Termina hoje.
A Catarina já regressou das suas mini-férias alentejanas, sem Pais, sem Irmãos. Ela e o/as Amigo/as. Encontrou o quarto mudado e semi-arrumado.
Os rapazes andam por aqui, a giboiar, de sofá para sofá, da sala para os quartos e vice-versa.
No 1º andar o movimento de quem faz obras. Envernizar chão é a etapa que se pretende agora ultrapassar.
Eu ando de um lado para o outro. Faço umas coisitas. Enceto outras. Sento-me. Levanto-me. Penso nos muitos quilos de roupa que tenho para engomar e penalizo-me por não conseguir fazer em casa o que faço durante as férias - tirar do estendal, dobrar bem dobrado e enfiar nas gavetas. Estupidez minha. A electricidade que eu poupava, o cansaço que não sentiria.
No último dia de Agosto sinto-me como se fosse o último dia do ano. Verdadeiramente, para mim, os anos definem-se pelos anos lectivos e não pelos anos do calendário que os dita de Janeiro a Dezembro. Se há altura em que planeio algo mentalmente, essa altura é a do recomeço das aulas.
O que espero do próximo ano: que a Catarina consiga entrar no curso que no ano passado lhe escapou; que o Manel consiga, com a mudança de área de estudos, obter boas classificações e realização pessoal; que o Martim goste (mais uma vez) da nova escola; que o Mateus faça um bom 4º ano. Para mim: que os quilos que a balança me diz que vieram comigo de férias se cansem e se vão embora rapidamente; conseguir encontrar um part-time aqui na zona que me liberte um pouco da casa e me permita manter o apoio que tenho dado aos meus Filhos.
Agosto termina hoje. Foi tão rápido! Termina hoje também o meu período de férias. A partir de amanhã, tal como na história da Gata Borralheira, a realidade voltará. Não existirão passarinhos para me dobrar a roupa ou arrumar a casa...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Reentré 2010

Eu e a minha Máquina,
Agosto 2010

I.
Regressar a casa também significa reunir os amigos.
Antigos e recentes.
Com um menú que nos faz acreditar que ainda estamos de férias.
Com o tom bronzeado a dar-nos ainda "aquele" ar saudável.
Sorrisos e conversas que se prolongam, que se cruzam, que ficam por encetar porque o tempo não chega para todas as palavras que se querem dizer.
Aperitivo para que outros encontros aconteçam!

Eu e a minha Máquina,
Agosto 2010

II.
Regressar a casa também significa combinar, com amigos, programas diferentes que nos permitam aproveitar os dias de Verão que ainda restam.
Um dia passado na margem de uma barragem, com o sol a escaldar, à sombra de árvores, a andar de barco. Silêncio. Conversas. Partilhas. Daqueles/as que só os amigos sabem partilhar.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Juventude Prolongada por Deformação Profissional

[...]
«E isso podia significar ou desespero de isolamento ou juventude prolongada por deformação profissional. Isso: juventude prolongada por deformação profissional. Já tinha reparado, efectivamente, que os professores não são bem homens. Lidando com jovens, dissolvem a personalidade, ficam uma geleia de jovens e de adultos. Só mais tarde vi que também o artista marra, esforçadamente, para a juventude. Estará a arte virada para a frente e a velhice para trás. Enfim, hoje penso que Sérgio brincava às idades. E que, se se mantinha jovem, era, ao contrário do que dizia, pelo desejo danado de conservar justiça à sua luta da juventude.»
[...]

Promessa,
Vergílio Ferreira,
2010. Quetzal Editores
págª 52

Digo que...

Eu e a minha Máquina,
Isla Mágica, Sevilha,
Agosto 2010

...foram sete os livros que me acompanharam.
O número não foi escolhido ao acaso. Os títulos também não.
Dos sete consegui ler dois, iniciar o terceiro (O Elefante Evapora-se; Promessa; Solar). A minha capacidade de concentração não esteve no seu melhor e as conversas, banhos de mar e de sol na praia também não deram tréguas, deixando para trás as páginas que todos os dias carregavam o saco de praia.
Por outro lado, empenhei-me na leitura dos jornais e reforcei a minha opinião sobre a atracção que sinto pela palavra escrita em estilo jornalístico.
Com computador mas sem net portátil, as férias foram uma pausa forçada na actividade cibernáutica. As canetas, os lápis e lapiseiras, o caderno. Todos se passearam comigo, sem que uma única linha fosse escrita.
Regresso devagar.
As palavras também hão-de voltar.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Só Porque Tinha Muitas Saudades de Blogar....

A minha Máquina noutras mãos,
Tavira,
Agosto 2010

Um dos meus cunhados é repórter de imagem num dos quatro canais portugueses.
Já foi noutro.
É um dos cunhados de quem mais gosto.
Pai de cinco Filhos.
Na praia falou-me de um projecto que está para acontecer e no qual o nome dele vai estar envolvido.
Disse-me que me ia enviar por mail para eu ler.
Esta manhã foi a primeira coisa que fiz. Abrir o mail e ler.
E responder-lhe que quem escreve tem um dom.
E quem tem o dom de saber e conseguir escrever deve compartilhá-lo.
Porque não há nada mais belo que as palavras quando bem utilizadas.
Alinhadas. Separadas pelas pontuações certas.
Agora fico à espera. Ansiosamente. Que o projecto se concretize e seja um êxito!

Cadeira Vazia

Eu e a minha Máquina,
Praia dos Salgados
Agosto 2010

Cadeira de praia não é para mim. Praia é sentir o quente da areia, de preferência a escaldar, por baixo da capulana, porque toalha turca também não é para mim. As toalhas turcas pesam no saco da praia quando as carregamos para lá, pesam ainda mais quando regressam a casa, ensopadas de água, micro partículas de areia e sal. Se a areia tiver sido namorada pelas ondas durante a noite e ficar ligeiramente húmida, também não me faço rogada e faço dela a minha cama. Na praia, qualquer spot é um bom spot. Com sol aberto e escaldante ou com céu nublado, esbranquiçado e pesado de calor, praia é praia e quem não a aprecia bem burro é.
Sinto-me hoje um bocadinho aborrecida pelo facto de não ser dona de um património que me permita aproveitar mais dias da estação do ano que mais aprecio. O ano, comprido e custoso de passar, tem 365 dias. Destes, só 22 foram de descanso e passaram tão rápido que duvido que cada um deles tenha tido as mesmas 24 horas que tem cada um dos outros 343 que passo na labuta do dia-a-dia. Provavelmente ninguém está preparado para o regresso à realidade quando as férias de Verão terminam, mas eu, Sol-dependente, Mar-dependente, queria mesmo poder continuar por lá. Na terra onde as praias são grandes e pegadas umas às outras, onde as dunas, que atravessamos para encontrar areal com pouca gente, cheiram a flores silvestres, onde os dias se aproveitam até à última gota de sol no horizonte.
Na nossa companhia de praia faltaram hoje seis pessoas. Nós.

Zona de Serviço


O meu cérebro é um écran onde as três dimensões existem, sem óculos especiais.
Os olhos do cérebro não se cansam da paisagem de mar azul e extenso.
O olfacto detecta o odor silvestre das plantas que crescem nas dunas. Dunas imensas que atravesso para que o areal sem ninguém em redor seja uma realidade difícil mas possível de encontrar.
Regressar. Palavra que não estou ainda preparada para pronunciar. Conceito que não estou ainda preparada para concretizar.
Zona de serviço. Onde me encontro. Onde todo o serviço me espera. Impaciente.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

De Onde Vens? Venho da Festa...

Uma das minhas Avós, quando eramos pequenos e a seguir a uma festa ficávamos naquele estado de semi inconsciência que nos dificultava a locomoção e, consequentemente, a ida para casa, tinha sempre este dito acompanhado da mímica facial que indicava alegria ao ir para a festa e cansaço ao sair da festa.
É mais ou menos nesse estado de embriaguez que me encontro. A festa foi até bem tarde e o meu despertador mental acordou-me bem cedo.
Hoje é o dia de ir. Ainda tenho de tratar da escola e do quiproquo da mudança.
Saio agora. Hei-de voltar para pequeno-almoçar com a Família adormecida.

domingo, 1 de agosto de 2010

19 Anos!!! [Quase a Ir de Férias]

Eu e a minha Máquina,
Ontem à Meia-Noite

Já devia ter escrito este post ontem, quando não havia ninguém em casa e o silêncio era propício a palavras inspiradas. Não o fiz e chorar sobre o leite derramado não é bem o meu life style. Andar para a frente e deixar no passado o que a ele pertence.
A "Menina" chegou ontem do Norte da Europa. Feliz e sorridente, como sempre. Com histórias divertidas para contar e a experiência de vida de um povo e de um país completamente diferente do nosso [a Noruega é quatro vezes maior do que Portugal e tem metade da população, não se veêm polícias, não há ladrões, há pessoas que se suicidam por não aguentarem tanta perfeição!].
Ela chegou e eu respirei com mais felicidade, porque não há dúvida de que ela me faz muita falta.
Dizem os entendidos que não devemos querer ser os melhores amigos dos nossos Filhos, mas existirá algum problema se considerarmos os filhos os nossos melhores amigos? Não sei e também não me preocupo muito. Sei que a minha Filha, a única Mulher cá em casa além de mim, é mesmo uma grande companheira que tenho. Há coisas que sei que ainda não posso conversar com ela, porque apesar da sua maturidade é minha Filha, mas sei que ela me compreende muito para além do que eu digo, do que lhe conto. E isso é também um factor de júbilo para mim.
Comemoro hoje o 19º aniversário da minha experiência como Mãe. Uma experiência a que fui dando seguimento durante 10 anos seguidos, mais três vezes. Uma experiência que não me canso de viver e que quero continuar para sempre, enquanto por cá andar.
Hoje, todo o Mundo gira em torno desta companheira incansável, feliz, sorridente e eternamente decidida!
Parabéns Kiki
Muitos Anos de Vida
:-)
Blog Widget by LinkWithin