Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Preguiça...

Passarinhos e animais que se passeiam no meu jardim:
este post é-vos dedicado. Viram o filme Gata Borralheira? Sabem aquela cena em que é preciso fazer um vestido para ela ir ao Baile do Príncipe? E o filme da Branca de Neve em que ela tem que arrumar a casa e a cozinha dos Anões? Vocês podiam ser queridos e seguir estes exemplos! Amanhã há festa cá em casa. Um monte de crianças para brincarem e lancharem com o Mateus. Tirando a gelatina, que a mana teve a amabilidade de fazer, ainda não há nem mais um doce feito. Pensei que vocês, queridos passarinhos, podiam juntar-se todos e invadir a minha cozinha para fazerem tudo o que eu não me apetece fazer! É muita ousadia minha, não é? Mas sabem, de vez em quando dá jeito acreditar em contos de fadas...

Inside Out



Não é por mero acaso ou por ser uma boa consultora de eventos culturais que aqui venho dar conta desta exposição de fotografia no Lagar do Azeite, em Oeiras.

Inside Out é uma exposição da minha prima mais nova. Faltei à inauguração, ontem à noite, mas não vou de certeza faltar à visita, porque me orgulho do trabalho dela, porque gosto muito dela, porque sim.

Já sabem, se vivem para estes lados e não sabem bem o que fazer ao vosso tempo de fim de semana, vão até lá e depois deixem aqui as vossas opiniões.

Previsivelmente Divisível


Divido-me entre dias cheios e ponteiros de relógios que insistem em girar mais rápido do que o que seria de esperar. Divido-me entre mil tarefas diárias e caseiras que me enchem os dias e me esvaziam o espírito. Divido-me entre momentos de vazio e momentos em que tudo corre a mil na minha cabeça. Divido-me entre a certeza de que me basto e a incerteza de desejar ter a companhia que não tenho. Divido-me e escuto-me. Falo baixo comigo e peço-me que não me esqueça. De mim.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Escola Secundária Fernando Lopes Graça

Eu e a minha Máquina,
hoje, na ESFLG

Já nos habituámos, no nosso dia a dia, a ouvir notícias que pouco abonam a favor das Escolas Públicas e daqueles que nelas trabalham. No entanto existem Escolas Públicas cujo valor deveria também ser reconhecido publicamente, em notícia de horário nobre. Quem sabe seria uma forma de incentivar outras a serem, também elas, notícia por bons motivos. Tenho para mim que falta espírito de escola nas nossas escolas. Falta motivação aos professores, falta sentido de grupo aos alunos, orgulho na instituição que frequentam e onde passam a maior parte dos seus dias de crianças, jovens.

Fui hoje convidada a assistir a um espectáculo de Danças do Mundo numa Escola perto de mim. Uma Escola com alunos do 7º ao 12º ano, onde não anda nenhum dos meus Filhos. Posso, por este motivo, falar com isenção sobre o que vi e que fez as minhas lágrimas fáceis saltarem dos olhos.

Um pavilhão repleto de Alunos, Professores, Auxiliares e Encarregados de Educação para assistirem a um espectáculo organizado por uma Professora de Dança, da Escola. Uma professora que é professora de Educação Física e que, juntamente com outras colegas de Departamento, dá aulas de dança a quem se quiser inscrever fora do horário lectivo.

O espectáculo começou e cativou todos os que ali estavam a assistir. Era quase impossível manter os pés quietos e não bater palmas ao ritmo das músicas. Dançaram alunos dos 7º, 8º e 9ºs anos vestidos com os trajes típicos do país que representavam, sempre com sorrisos nos rostos e com demonstração de que estavam ali por prazer e por divertimento. E é tão bom ver alunos de uma Escola participarem numa iniciativa deste género, de livre vontade!

As últimas danças foram da responsabilidade dos Professores de Educação Física, que dançaram uma dança típica do México, e de todos os que já tinham dançado anteriormente.

Adorei ter sido convidada. Adorei ter ido. Adorei ver que ainda existem Escolas Públicas que sabem incentivar o gosto, o orgulho, o prazer de ali estar. Com as minhas palavras vai um enorme cumprimento de Parabéns para o Conselho Executivo e para toda a Comunidade Escolar da ESFLG!

Numa outra vida...

A minha Máquina noutras mãos,
que fotografaram um caleidoscópio,
Maio 2008

...quero ser esplendorosa. Quando nascer de novo quero que o meu destino não esteja escrito em partícula nenhuma do Universo. Não quero saber de oráculo que a queira conduzir porque quando eu nascer de novo quero dar início a uma vida em branco. Só eu escreverei o que nela acontecerá. Vou crescer sem sobressaltos, sem sucumbir a paixões ou a qualquer tipo de ilusões que me desviem do meu propósito...
...ser esplendorosa.

Vou amar. Quem me aprouver amar, o instante que amar fôr urgente. E só nesse instante, porque amar não é para sempre. Amar é viver e fruir o que a vida tem para dar, no seu tempo tão escasso e tão fugidio. Não vou dar-me ao luxo de deixar esse tempo fugir-me e vou sorvê-lo até não mais aguentar a sofreguidão.

A minha casa vai ser plana e enorme. Sem paredes a criar divisões. Com uma frente envidraçada do tecto ao chão de tábuas de madeira enceradas. Nesta casa haverá sempre lugar para os livros, as revistas, a música. Não será uma casa que me prenda, mas uma casa que me abrigue e me seduza todos os dias. Nestes meus novos dias, vou ler. Ter sempre tempo para ler, para ouvir música, para dançar, rodopiar ou apenas contemplar e sentir o silêncio a passar.

Vou reunir pessoas que me amem sem que me sufoquem, que me acompanhem sem me apagarem. Pessoas que estejam presentes quando eu precisar sem ter de lhes pedir para virem. Pessoas que eu ame com a paixão de que me sei capaz. Pessoas que me agarrem a mão quando a minha vida estiver, de novo, a terminar. Pessoas que se aproximem apenas para me dizer o quão importante sou nas suas vidas. Quero sentir esse prazer. O de me saber importante em outras vidas. O de me saber presente noutras cabeças, noutros pensamentos, noutros corações. Que importa a vida se não tivermos a capacidade de tocar com a nossa outras vidas?

Vou empenhar-me em deixar sinal da minha passagem na Vida.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Coisas minhas...


Os dias longos e luminosos agradam-me. Os dias quentes põem-me contente, fazem-me pensar na proximidade do Verão, da praia, dos jantares de grelha e saladas, das imperiais fresquinhas ao final do dia a acompanharem uns belos caracóis feitos pelo Pai cá de casa.

Começam a sair roupas leves e coloridas, sandálias e chinelas de todas as cores e ainda os acessórios próprios do Verão. Já há uma série de anos que uso estas flores sevilhanas a prender o cabelo quando o calor chega. Acho-as giras, coloridas e até chiques! Hoje comprei uma branca e ando orgulhosamente de flor no cabelo. Sou mesmo de todo, não sou?

Porque Sim...



...e apenas porque sim, digo-vos que se gostam de música, se se emocionam, choram e riem quando a ouvem bem interpretada, não devem perder a oportunidade de assistir a este espectáculo no Campo Pequeno!

e mais não digo ;-)

Elogio ao Avental

Aventais pendurados nesta parede


[Confesso. Gostava de ser do tempo em que as Srªs tinham empregadas fardadas. Farda à séria e não apenas o avental vulgar, de lineu, que se usa para proteger a roupa enquanto se anda na lida doméstica! Acho super-chique ter uma empregada com fardas próprias para a cozinha, para a limpeza da casa, para servir à mesa. Em casa de uma das minhas Avós ainda houve destes exemplares...]

Bocado de pano. Decorado, estampado ou liso. De atilhos de cores, de quadradinhos, de pano simples ou de plástico. Avental.

Adoro usar avental! Não sei se isso desabona algum ponto em meu favor (terá que ser a Paula Bobone a comentar este post!), mas no meu dia a dia de dona de casa o avental faz parte da toillete. Andar a trabalhar sem ele é como se me faltasse qualquer coisa. Gosto de sentir que estou protegida de salpicos, de detergentes, de molhos. Gosto de lavar as mãos e limpá-las à ponta do avental.

Serei "saloia"? Não me importo. Adoro Aventais!!!

Arte Urbana ou apenas Meninos Rabinos Pinta Paredes (alcunha atribuída aos militantes do MRPP)?

Mural encontrado nesta parede
As tarefas quinzenais atribuídas pela Professora de Desenho da Catarina, mais os temas de Diário Gráfico, vêm sempre ao meu conhecimento. Umas vezes porque é necessária ajuda de texto, outras vezes porque é preciso pesquisar em livros que só eu sei onde encontrar, outras ainda porque os testemunhos de outros são solicitados.

É nesta última hipótese que se enquadra a Tarefa Quinzenal agora em vigor. Cabe aos Alunos fazerem uma pesquisa sobre os Murais que animavam (sujavam) as paredes da cidade pós 25 de Abril. É-lhes proposto que procurem vestígios desta arte (sujidade) e que, conjugando opiniões de quem viveu a época, deêm a sua opinião sobre estes Murais.

Quando se deu o 25 de Abril, eu tinha oito anos. Estava a seis meses de fazer nove anos. Agora que penso nesta realidade, pergunto-me como posso ter guardado com tantas raízes de felicidade uma memória de um tempo tão distante, em que eu era tão pequena...

Para mim, as pinturas nas paredes fazem parte do album dessas memórias felizes. Sei que gostava daquelas extensões de côr, movimento e letras. Para mim, naquela época, era apenas isso. Pinturas sobre pessoas que acreditavam numa mudança para melhor.

Não sei se ainda será possível encontrar algum vestígio destes murais na cidade de Lisboa...se quiserem contribuir com a vossa opinião sobre as pinturas do período revolucionário e pós-revolucionário, bem como com pistas sobre onde ainda existam vestígios fotografáveis, a Estudante agradece e a Mãe também!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Dia Mundial da Asma

A asma faz parte das minhas recordações de infância. Desde pequena que sofro desta doença e aprendi a viver com ela.

Enquanto fui miúda, sentia-me um bocado limitada. Não podia correr nem saltar sem ficar cheia de "gatos", se havia alguma coisa que me enervava lá estava eu de "língua de fora".

Lembro-me, quando eram os dias de férias na Cotovia, de acordar a meio da noite a "assobiar", ir acordar o meu Pai que me mandava vestir o fato de banho por baixo da roupa, pegava em mim, metia-me no carro e passeávamos pela Serra da Arrábida até a respiração normalizar. Quando isso acontecia, íamos até à praia, dávamos uns mergulhos e regressávamos a casa para eu dormir. Aprendi a viver com os efeitos secundários dos medicamentos que tomava para me aliviar a dificuldade respiratória - tremeliques, sono, coração acelerado. A medicina evoluíu e os medicamentos também. A "bomba" entrou na minha vida quando eu tinha 15 anos e era um alívio instantâneo. Aos poucos o corpo foi-se habituando a ela, o alívio instantâneo passou a ser demorado.

Apareceram outras soluções. Hoje em dia tenho a minha asma controlada e é raro lembrar-me de que ela existe comigo, mas quando isso acontece (como tem estado a acontecer nos últimos dias) é um desespero! Fico debilitada, não consigo fazer tudo o que quero e preciso. Quem é asmático ou tem filhos asmáticos sabe do que falo e também sabe que não há ajuda melhor para um asmático do que as pessoas que nos rodeiam não entrarem em pânico quando as crises aparecem. O sistema nervoso é também um interruptor nesta doença.

A todos os asmáticos, no dia de hoje, envio um abraço e um conselho - fazer sempre a medicação profilática para que não tenham que recorrer aos SOS!

Crónica de um Fim Anunciado

Fim encontrado na Net

Desde que o blogue foi tema de discussão tenho andado a pensar no que fazer dele.
Este fim de semana afastado de tecnologia e apenas dedicado à natureza mostrou-me que posso passar dois ou três dias sem aqui vir e que não morro por isso. Ontem, com o dia completamente dedicado ao Mateus que fez oito anos, fui pensando, pensando e repensando. Ok. Vou pôr fim ao blogue. Vou acabar com um motivo de tensão e pronto. Estava decidida.
Hoje de manhã comuniquei aos "Grandes" a minha decisão. Insurgiram-se e discordaram. Saíram para as escolas e eu fiquei. Pensei que não iria sequer ligar o computador, aproximar-me do teclado seria mesmo proibido sob pena de não conseguir resistir ao apelo das teclas sob os meus dedos. Não, vou só ver o mail e saio daqui...
Li, respondi e reenviei mails.
Repensei o já repensado. Porque razão hei-de ceder e pôr fim a algo de que gosto? Não, não vou pôr fim ao Vekiki! Abri-o e postei. Sei que durante o dia é difícil vir escrever mas vou continuar a tentar...

domingo, 3 de maio de 2009

Natureza


Eu e a minha Máquina, Alentejo, Maio

Parecem ovos de Páscoa ou mesmo amêndoas azuis, não parecem? Mas não são! São ovos a sério! Em ninhos perfeitos, construídos cuidadosamente por pais e mães esmerados. Resguardados dos olhares dos humanos, para que os bébés nasçam em paz. Lindos!

Sítios por onde passamos

Eu e a minha Máquina, Alentejo, Maio

O Alentejo é uma paixão que tenho. Gosto das planícies a perder de vista, estejam elas secas, da cor da terra, ou verdejantes mostrando que a água passou por lá e não deixou que o Sol abrasador ganhasse terreno. Gosto da escassez de construção e da construção típica, as paredes brancas, caiadas, e as listas azuis que decoram portas e janelas de madeira. Gosto do mar alentejano. Frio e sempre agitado. Gosto do areal. Extenso a perder de vista, tal como as planícies. No Alentejo há paz. Este fim de semana, alentejano, de sexta a domingo, permitiu-me respirar fundo e esquecer o que me atormenta. Permitiu-me descansar. Permitiu-me conhecer novas pessoas das quais fiquei a gostar.

Dia da Mãe, para os Filhos!

Eu e a minha Máquina,
Os meus Filhos no Verão de 2007

Apetece-me subverter as regras do jogo. Hoje é Dia da Mãe e eu vou escrever para os meus Filhos.

Sou Mãe há quase 18 anos. Faltavam dois meses e meio para fazer 26 anos quando fui Mãe pela primeira vez. A vida deixou de ser o que era. Nada voltou a ser igual, a minha forma de ver o Mundo e os outros alterou-se completamente. À medida que os anos foram passando e que as crianças foram tomando conta da minha vida, eu fui crescendo. Tenho a certeza que ser Mãe me fez crescer. Tenho a certeza que ser Mãe a tempo inteiro me tem feito crescer muito bem. Às vezes dizem-me que tenho de me lembrar de que não sou Irmã deles, de que não sou uma Amiga deles. Tenho plena consciência de que sou Mãe, mas também tenho plena consciência da época em que vivo e da forma como quero educar os meus Filhos.

Não quero que os meus Filhos me temam. Quero que me respeitem, que confiem em mim, que saibam que eu estou sempre atenta e que é muito difícil escapar-me qualquer coisa que se relacione com a vida deles. Quero que os meus Filhos saibam que confio neles e que espero que eles saibam sempre usar bem esta confiança. Quero que os meus Filhos se mantenham unidos, sempre, ao longo das suas vidas, independentemente do rumo que cada uma delas levar. Quero que os meus Filhos saibam que existe cansaço nesta opção que tomei mas que muitas vezes penso que não consigo conceber a minha vida sem este cansaço, porque seria incapaz de viver sem Filhos e toda a alegria e trabalheira que representam na minha vida. Quero que os meus Filhos me recordem sempre com alegria, ternura e memórias de dias, meses e anos das suas vidas, bem passados. Quero que sintam o cheiro dos bolos, do pão, dos cozinhados feitos a pensar neles. Quero que os meus Filhos saibam que os ADORO a todos e a cada um. Gosto das suas maneiras de ser, das suas formas de estar na vida, todos tão diferentes uns dos outros mas tão parecidos! Quero que sejam sempre pessoas positivas, trabalhadoras, amigas, simples e solidárias, preocupadas com o que lhes está próximo mas também com todos na generalidade/humanidade.

Sei que não sou, na maior parte das vezes, uma Mãe muito "normal" no sentido convencional de como dever ser e agir uma Mãe. Ainda por cima uma Mãe de quatro Filhos. Mas a minha diferença é a diferença que gosto de ter como assumida. Não sou diferente para dar nas vistas. Sou diferente porque sou assim e porque as Mães de muitos filhos têm tendência para ter uma assumpção da maternidade muito mais solta, muito mais descontraída. Acompanho os meus Filhos em tudo, estou disponível para tudo e o único desejo que quero hoje formular é conseguir ser para os mais Novos a Mãe que tenho sido para os mais Velhos quando a altura deles chegar!

E vocês? Como vivem a vossa maternidade?

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Maio, 1º


Enquanto alguns defilarão pelas avenidas de Lisboa, acenando cartazes, bandeiras, cravos e palavras de ordem, outros aproveitarão para dizer adeus à cidade. Deixá-la para trás durante uns dias e ir...
Durante anos fiz parte dos das bandeiras e das palavras de ordem. Fiz parte da Festa de Maio que bem cedo, na Alameda, me acordava com o som das cantigas de Abril.
Agora, faço parte dos que saem, tentando aproveitar o bom tempo que se promete e arejar por terras do Sul, por terra cantada na Canção de Abril!
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