Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Finita


Não raramente pressinto a finitude. Das minhas palavras. Da minha capacidade de escrever para além do banal, do que é esperado que escreva alguém sobre cuja vida já tantas palavras se inscreveram no espaço m branco de um écran.
Quando estas pausas vêm e, teimosamente, se instalam em mim, há muito pouco a fazer. A meditação, a observação, a leitura e consulta de palavras de outros podem ser o elixir que acaba por pôr um ponto final à incapacidade momentânea de escrever, mas nem sempre possíveis.
Abençoadas estantes e livros. Arrumados, empilhados, espartilhados uns contra os outros. Nem sempre sei a qual recorrer e deixo que o instinto me guie as mãos no momento de os fazer sair por breves minutos do espaço onde repousam.
Depois, é abrir completamente ao acaso.
"Finita", de Maria Gabriela Lansol, foi o livro que saíu hoje para me socorrer, para me inspirar, para me ensinar algo mais sobre a arte da escrita que não é menos digna quando assume a forma de um Diário.

«Sento-me num tronco nos limites da clareira, fechando os meus olhos fitos no seu centro, deixando que tudo corra, mesmo na sua imobilidade. E dou-me conta de que corre uma aragem pelas árvores da clareira, tal como um murmúrio, que me suscita a palavra murmuragem. A murmuragem das copas das árvores, como digo a murmuragem que sou. E dou assim por finda a cinestesia.»

E assim descubro quatro linhas, de escrita, maravilhosas.

Today Schedule

Há Sol, de novo.
São nove horas. Está feita a ronda dos blogues (com tão pouca coisa nova para ler), do FB (que anda a "roubar" os autores aos blogues, para grande pena minha), do mail.
De manhã tenho de ir à Escola. Fotocopiar folhetos da AP para serem distribuídos nas sessões de recepção a novos alunos/encarregados de educação.
Logo a seguir ao almoço tenho de ir entregar as três cadelas bébés à Fundação S. Francisco de Assis, que ainda nem sei bem onde é. Vou ter de levar uma das crianças (grandes) comigo e já sei que vai ser um drama...
A juntar a tudo isto, o Mateus continua com a barriga "às voltas". Começo a assustar-me com tanta queixa de dores, com vómitos e sessões de vomitado. Com um bocadinho de sorte ainda largo as cadelas e rumo ao Hospital de Cascais.
Let's get started!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

As Horas dos Dias [de monotonia]

Fotografia incluída em

Não se passa nada.
O dia acordou com Sol e alcançou a hora de almoço com o céu cinzento e uma chuva miudinha e constante, para que nós, os da zona Sul, não nos ficássemos a rir dos outros, os da zona Norte, que já têm chuva com eles desde ontem.
Fui arrastada.
Fomos e viemos rápido.
Entre muita roupa em diversas fases, aspirador pela casa fora, carne a assar no forno, sopa a fazer em duas Bimbys, lá se passou mais um dia.
Nada de novo.
A monotonia dos dias está a sufocar-me. A mim e às minhas palavras.
Procuro um mote que teima em não se fazer mostrar.
Escolhe uma palavra. Escreve sobre ela. Escolhe uma imagem. Escreve sobre ela.
Palavra? Mas qual? Há tantas e tão boas.
Imagem? Mas qual? Do Álbum da Índia, todas me apetecem.
Sem resultado.
O que falta é mesmo "aquele" momento em que tudo está parado e propenso à escrita sem dúvidas, sem rasuras. Só assim gosto de escrever.
Jantar. Hoje, mesa reduzida a quatro.
Asas que iniciam os seus vôos.
Asas que ficam mais espaçosas para abrigar os que ainda se mantêm debaixo delas.
Mais um final de dia, em que a monotonia dos dias se manteve...

Estranheza [de Mim]


Qualquer coisa mudou em mim, não sei bem descrever o quê.
Como se tivesse perdido algo, ainda não sei dizer o quê.
Não acelero o passo. Diminuo-o.
Anseio por um acontecimento que quebre a letargia e inicie a mudança.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Ciclo [da vida escolar]

Eu e a minha Máquina,
Praia dos Tomates,
Agosto 2010

Na contagem decrescente dos dias.
Precisamente daqui a uma semana.
No dia 13.
Haverá nós nos estômagos.
Cadernos novos fechados dentro de mochilas.
Livros reciclados.
A roupa será ainda de Verão e os cabelos chegarão a casa suados. [Lembro-me de quando era eu a regressar à escola depois das férias grandes. Podiam estar ainda dias dignos de praia, mas a vontade era usar a roupa de Outono.]
Haverá muitas conversas cruzadas e novidades para contar. Comentários sobre os professores e os colegas. Queixas sobre a fila no refeitório e a qualidade do almoço.
O primeiro dia de aulas.
O ciclo que recomeça.
Até que em Julho se encerre para dar início a novos dias de Verão.

É o Tempo a Outonar

A minha Máquina
nas mãos da Catarina
Montargil
Setembro 2010


O amanhecer é feito de uma luz ténue. Com os olhos ainda semicerrados pelo sono que pesa não se descortina, pelas frestas de uma persiana não completamente corrida numa janela sem cortina, se o céu está azul claro e brilhante ou nublado. Faz-se de conta que ainda não é Setembro e continua-se a ceder ao peso do sono, tentando retomar o último sonho que, consciente de que o tempo de lazer terminou, desaparece. Roda-se o corpo, enrola-se o lençol. As pernas são as primeiras a sair do espaço confortável, os pés procuram sozinhos as havaianas por ali largadas na noite anterior. Abrem-se os olhos. Franzem-se de seguida. Há sol a espalhar o seu brilho pela folhagem do jardim. Suspiro. Sentimentos opostos. Que o Verão não termine. Vontade de um dia menos brilhante e quente. A indecisão. A incoerência. Olha-se em redor. Não há nada que seja um incentivo ao movimento. Tudo o que está para ser feito é tudo o que não apetece fazer. E o dia vai crescendo. Pede que se abram janelas e se corram estores para que o fresco se mantenha por casa. Lá fora calor. Dolência. Vontade de sempre dormir. Vontade de nada fazer. Cumprem-se tarefas obrigatórias. Com o sol a escaldar na pele ainda escurecida dos dias de mar. A roupa ainda denuncia calor. Há braços, pernas e pés ao léu. A tarde invade o dia. Lembra que se inicia agora o movimento contrário dos dias. Já não crescem até à noite. Correm para ela, na ânsia de que chegue, de que apague o sol que ainda queima a pele. O céu começa a escurecer. Não é ainda a noite mas são nuvens que de repente vestiram o céu de cinzento e esconderam o sol brilhante, orgulhoso do seu calor. De outras vozes chega notícia de que o céu vestido de cinzento se entristeceu e deitou lágrimas grossas de chuva por cima da terra e dos seres. A indecisão. A incoerência do ser. Cansaço de dias de Verão, de praia e de mar. Desejo de que não terminem de repente. Em braços, pernas e pés tapados. Por roupas fechadas. Os dias começam a outonar e eu outono com eles.

Week End Report

A minha Máquina
nas mãos da Catarina,
Montargil,
Setembro 2010

I.
Com muitas páginas para ler, sem tempo.
Jornais (adorei a coluna do João Pedro Oliveira no Diário Económico!), revistas e livro.
A companhia era boa demais para ser ignorada.
O dia passou rápido demais.

Um jantar inesperado, numa casa alentejana espectacularmente recuperada. Uma mesa linda, um jantar delicioso e, mais uma vez, muita, mas muita conversa mesmo. Quando deitámos as cabeças nas almofadas das nossas caminhas, os relógios marcavam já as quatro da manhã.

II.
Mais um jornal a juntar aos de sábado. O Público com uma interessante reportagem na revista Pública sobre quanto custa educar um filho. Interessante na medida em que todas as Famílias entrevistadas são famílias numerosas, para quem o mês do regresso às aulas é o mês do "sufoco" total. "Nem sei como é que conseguimos" é a frase de uma das Mães e, na minha opinião, é o pensamento que qualquer um de nós, Pai/Mãe de Família Numerosa, pensa no final de cada mês.
Por outro lado, há algo de especial neste "sermos muitos" que caracteriza as famílias que possuem a loucura suficiente para ultrapassar a barreira confortável do filho único ou do "casalinho". Há o sentimento de que o dinheiro não sobra, mas também não é preciso. Quem opta por uma Família grande sabe que sobrar é palavra que não existirá no seu dia a dia, em contrapartida partilhar é a palavra que mais vezes se ouvirá.
Num tempo em que tudo está feito para a individualidade, constituir e manter uma Família Numerosa é uma aventura e é necessária muita disciplina e muita consistência nas regras para que tudo se leve a bom porto. Não é fácil competir com Famílias de filho único em que as cedências, nomeadamente económicas, se sucedem. Nas Famílias Numerosas não sobra dinheiro mas também não se pode esbanjá-lo, tirá-lo da carteira por dá cá aquela palha.
A propósito da discrepância entre Famílias Numerosas e Famílias Pequenas, tive, no final da passada semana, uma conversa com o meu Filho nº 2 e disse-lhe que nunca trocaria, (nem nunca pensei nisso), o não sobrar pela opção de ter tido um único filho ou mesmo dois. Não viajo, verdade. Não tenho largueza para qualquer tipo de extras, é verdade. Mas tenho em mim a felicidade de ter sempre uma mesa cheia de gente, um carro cheio de gente, barulho, conversas, brigas, discussões, risos, cantorias...e isso não tem valor que se traduza em euros.
É difícil sermos muitos, mas é assim que a vida e a palavra Família têm sentido para mim.

sábado, 4 de setembro de 2010

Parabéns Pai # [1]

Eu e a minha Máquina,
O Pai com os Rapazes,
Praia de S. Rafael,
Agosto 2010

O Pai cá de casa faz hoje anos.
Para ele, fazer anos, não é motivo de alarde. Fazer festa, nem pensar. Quando muito um jantar mais alargado e já é uma cedência que nos faz, a nós, Família, que adoramos a preparação de festas e a própria FESTA.
Propusemos um programa fora de portas e foi aceite. Ainda bem!
Vai meter amigos e filhos de amigos. Água, Sol, Barco e Diversão.
Até logo!!!!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Breves [da minha pequenina terra]

Chalet Elvira,
em S. Pedro do Estoril,
trazido do

S. Pedro do Estoril tem estado em obras. Já são tantos os meses de ruas cortadas, passeios desfeitos e alcatrão esburacado que nem sei precisar quanto tempo terá decorrido desde que máquinas e homens iniciaram o seu trabalho.
Regresso de férias. Durante 22 dias não tive o prazer de pegar no volante. Houve quem o fizesse por mim e, apesar do meu gosto pela condução, não me causa ansiedade uma pausa na profissão de condutora.
A minha rotina devolve-me à minha carrinha, ao meu volante, aos meus percursos.
S. Pedro do Estoril faz parte, diaria e obrigatoriamente, do meu percurso. Encontro sentidos proibidos, ruas de sentido único, sentidos invertidos. Sinto-me uma estrangeira nesta terra pequenina que conheço há tantos anos, de cor. Sinto que vou ter de fazer o treino do percurso com a nova sinalização a uma hora em que poucos carros circulem, sob pena de, quando retomar o vai e vem de pôr e recolher filhos, entrar por ruas de sentido único ou de virar em ruas para as quais não posso virar.
...

Refúgio [de Segurança]

Livraria ''Le Bal des Ardents''

Da infância recordo dias de nariz enfiado nos livros de capa azul da Condessa de Ségur.
Da juventude recordo dias de leitura, de corpo enfiado em grande sofá de cabedal, de orelhas, devorando frases e frases de todos os autores disponíveis pelas estantes de casa.
Da idade adulta, e do período em que todos os dias eram dias de transportes públicos entre S. Pedro do Estoril e Picoas ou Marquês de Pombal, não recordo cenas de comboio ou de metro. Não me perdia na observação dos meus companheiros de viagem, porque havia sempre um livro na mão. Muitas páginas acompanhavam duas ou três viagens. Poucas páginas apenas duravam um trajecto. Há poucos dias uma Amiga queixou-se de não conseguir ler no comboio da linha de Cascais. Segundo ela, e em comparação com os comboios da linha de Sintra, o "nosso" comboio abana imenso. Não a pude contradizer, pela simples razão de que não conheço o outro termo de comparação. A mim, nunca me custou ler na linha de Cascais, em movimento.
Agora, que os dias são passados em casa, os momentos de leitura diminuíram. Drasticamente. Para conseguir ler algumas páginas, obrigo-me a sair de casa, ao final do dia, um pouco antes do toque de saída da última criança. São 15/20 minutos de leitura diária. Notoriamente, pouco. Principalmente para quem tem sempre pilhas de livros para ler e não consegue fugir à compulsão da compra de mais um sempre que algum lançamento lhe aguça o apetite.
A leitura é um prazer, mas é também um esconderijo. Do mundo. Pegar num livro, abri-lo, cheirá-lo e deixar-me levar por ele. Durante o tempo em que o livro me acompanha, as suas personagens, o seu mundo, é o meu. Escondo-me do meu mundo real? Não, apenas me refugio e viajo. E aprendo. E cresço. Como leitora. Como escrevinhadora. Como pessoa.

Solidão, Nuno Júdice

Eu e a minha Máquina
Salgados, Algarve
Agosto 2009

Um mar rodeia o mundo de quem está só. É
o mar sem ondas do fim do mundo. A sua água
é negra; o seu horizonte não existe. Desenho
os contornos desse mar com um lápis de
névoa. Apago, sobre a sua superfície, todos
os pássaros. Vejo-os abrigarem-se da borracha
nas grutas do litoral: as aves assustadas da
solidão. «É um mundo impenetrável», diz
quem está só. Senta-se na margem, olhando
o seu caso. Nada mais existe para além dele, até
esse branco amanhecer que o obriga a lembrar-se
que está vivo. Então, espera que a maré suba,
nesse mar sem marés, para tomar uma decisão.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O Recomeçar

Imagem enviada por uma Amiga,
via FB

Já passou uma semana desde que regressámos de férias. Apesar de o primeiro dia de trabalho ser só a 1 de Setembro, regressar com antecedência significa não sofrer o choque de voltar à realidade de um dia para o outro. Voltar a casa antes de retomar a actividade profissional permite a adaptação faseada à realidade. Ir ao supermercado, organizar roupas, planear refeições, tentar saber em que ponto se encontra a preparação do início de novo ano escolar. Uma semana.
Tem-me custado um pouco e isso reflecte-se no que escrevo (ou não escrevo, mais precisamente). Ando por aqui às voltas com o que li, com o que leio, tentando nas palavras de outros encontrar um fio que me leve de novo à capacidade da escrita pela minha cabeça e mãos. Não está fácil.
Não me apetece grandemente falar sobre O Recomeçar. A minha vida rege-se por anos lectivos e, como tal, é um novo ano que se inicia no próximo dia 13. Fosse eu supersticiosa e já estaria em pânico pela perspectiva de um ano azarado, mas não sou. Ou, pelo menos, não sou muito (só não gosto de facas cruzadas e chapéus em cima da cama e mesas com 13 pessoas sentadas). Este ano lectivo reveste-se de quádrupla importância. Uma Filha que tenta pela segunda vez ingressar na Faculdade e no Curso que considera ser o certo para si. Um Filho que muda de área de estudos e repete o 10º ano, na esperança de que o que o espera seja mais do seu agrado do que foi no passado. Um Filho que se vê mudado de Escola mais uma vez (a 2ª em dois anos lectivos seguidos) e que vai enfrentar o início do 3º ciclo. Um Filho que termina o 1º Ciclo. O mais novo. O pequenino. Está a deixar de o ser.

E neste ultrapassar de etapas, a vida vai passando. Para eles e para mim.

[Para a Sónia Morais Santos]
Pela minha cabeça não passa nunca a ideia da idade a avançar, no sentido de me sentir a envelhecer (o tom negativo desta palavra pode ser muito pesado, para qualquer mulher que se preze!). Sinto que fiz uma escolha certa na vida ao ter filhos cedo e seguidos. Com eles tenho crescido e nunca envelhecido. Acho mesmo que o crescimento deles tem tido em mim o efeito do rejuvenescimento. Com eles mantenho-me a par do que está na berra. Do que se diz e do que já não se usa dizer. Mantendo padrões de linguagem correcta não me arrepia ouvir as expressões que fazem parte do léxico falado dos mais jovens. Tudo com conta peso e medida faz parte do crescimento. Não penso que a minha década de 40 já vai a meio como se isso fosse uma desgraça, porque continuo a acreditar que a minha cabeça está muito aquém dessa idade, ou melhor, que as cabeças dos 40's actualmente não têm nada a ver com as cabeças dos 40's dos nossos Pais ou Avós. A vida actual, apesar de correr e de nos fazer correr, tem o reverso da medalha que é manter-nos jovens até mais tarde e isso é bom.
Sabermos mexer-nos nos meios em que se mexem os nossos Filhos, sejam eles crianças, adolescentes ou jovens adultos, é meio caminho andado para uma relação de cumplicidade e partilha. Cruzarmo-nos com quem se cruzam e saber ir estabelecendo relações de amizade com pessoas mais novas do que nós é também uma forma de nos mantermos jovens. Já disse aqui que não tenho a pretensão de ser "a melhor Amiga" de qualquer um dos meus Filhos, mas acredito que a relação que estabeleço com eles se baseia muito numa cumplicidade de interesses, conversas, partilha, e isso agrada-me a mim e não os confunde quanto à relação Filhos/Mãe que sabem manter comigo.
Não adianta pensar que o tempo passa e que os aniversários se vão acumulando. Interessa, sim, pensar que podemos ser muito mais do que apenas Pais. E isso vale a pena!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Aniversário e Saída à Noite [a Primeira]

Eu e a minha Máquina,
Cerro da Águia, Algarve
Agosto 2010

[Este post da Cócó inspirou as palavras que a seguir se escrevem!]

O Manel fez 16 anos. No Algarve, como já vem sendo hábito de há 14 anos para cá.
Passámos o dia na praia escolhida por ele para que pudesse fazer as suas skimadas, jantámos em casa um jantar escolhido por ele, recebemos os Amigos de férias para cantar os parabéns a você e beber uma taça de espumante. Nada de extraordinário até aqui.
Depois surgiu o pedido. Uma saída à noite. Discoteca. Para ele seria a primeira vez. Concordámos. Afinal, férias são férias, o momento certo para fugir à rotina e às regras do resto do ano. Não existindo muito conhecimento sobre os locais da moda, deixámo-nos guiar pelas sugestões que outros ditaram.
Dois carros conduzidos por Pais, com a lotação máxima de jovens candidatos a uma noite de dança, saíram de Albufeira em direcção a Vilamoura. Atravessar Vilamoura de uma ponta a outra foi quase um concurso de paciência que acabou por se revelar inglório visto não ser ali a discoteca pretendida pelos "dançantes". Afinal era para a Quinta do Lago que tínhamos de ir. E lá fomos, acabando por chegar à porta do T-Club por volta das duas da manhã, a hora certa para começar a dançar, na opinião dos mais experientes.
Dos sete candidatos, dois não entraram. Uma por falta de idade (apesar da altura) e outro por falta de documento de identificação. Ficámos então, quatro adultos e dois adolescentes, ali, sem saber o que fazer até à hora de saída dos foliões.
Decidimos sentar-nos numa das esplanadas do recinto agradável da Quinta do Lago. Uns sofás simpáticos e confortáveis receberam-nos e alojaram-nos até que a chuva, improvável naquela noite quente de Verão, nos afastou dali para fora.
Instalámo-nos numa outra esplanada, já fechada, mesmo por baixo da discoteca onde os nossos meninos se divertiam. Valeram-nos umas cervejas aparecidas sabe-se lá de onde e, mais uma vez nas nossas vidas, a companhia agradável e as conversas que sendo como cerejas, nunca nos levam a fartar delas!
Deitámo-nos quando o Sol já nascia em Albufeira. E não dançámos...

Ao Ar Livre

Eu e a minha Máquina,
Parque de Campismo de Canelas
Agosto 2009

A nossa casa de férias do Algarve é uma casa partilhada. Ou seja, durante os meses de Verão, os irmãos organizam-se e dividem a casa em períodos de tempo que vão dos 15 dias a um mês. A nossa parcela tem sido sempre de 15 dias, até que no Verão passado experimentámos a sensação de ter um mês de férias, pela primeira vez na vida. Sendo que só nos cabiam, por direito, 15 dias do mês de Agosto, foi fácil a decisão de saltar de uma casa para um parque de campismo. A estranheza dos nossos companheiros de praia, achando que nos devia ser muito difícil sair de uma casa para uma roullote. A nossa felicidade.
Quem gosta de acampar sabe que não há nada que chegue a umas férias em que maior parte do tempo se anda ao ar livre. Não existem paredes a limitar o espaço, não existem vizinhos de baixo, de cima, ao lado. Não existem escadas para subir ou descer. Não existem camas para fazer ou casa para arrumar.
Este ano considerámos a hipótese de, ao sair dos nossos 15 dias de casa de família, alugar um outro apartamento onde ficar nos segundos 15 dias do mês, mas depois, pensando bem...passamos o ano inteiro fechados numa casa. Vamos gastar dinheiro para nos fecharmos numa casa que nem sequer é a nossa? Nã...vamos buscar a nossa "casinha com rodas" e estacionar num parque de campismo. Foi o que fizemos!
Poderá parecer estranho a muita gente, mas é no Parque de Campismo que me sinto realmente de férias. Gosto de acordar cedo e vir cá para fora ler. Gosto de respirar o ar puro e não me incomoda ouvir as conversas que se cruzam, vindas desta ou daquela tenda, desta ou daquela roullote vizinha. Gosto de saber que quando chego da praia não tenho que me enfiar numa cozinha a preparar o jantar, que não tenho máquina de loiça para arrumar e desarrumar. As férias no parque de campismo são a altura em que toda a Família colabora nas tarefas. São a altura em que não existe televisão e os mais novos se entretêm a brincar com outros miúdos.
Acampar é mesmo muito bom e não me venham cá com histórias de casas de banho, de duches, de falta de privacidade. Viver ao ar livre, passar férias ao ar livre, é sentir mesmo liberdade de viver!

Nova Ortografia



Ando preocupada com a nova forma de escrever.
Atento na grafia já utilizada por algumas publicações como jornais e revistas e fico sem saber se vou conseguir escrever como mandam as novas regras. Há palavras que surgem aos meus olhos como absolutamente desconhecidas (desasocego - em vez de desassossego), outras como se de erros ortográficos se tratassem (ato - em vez de acto), outras a que tenho de descobrir a que se referem tendo em conta o contexto da frase (espetadores - objecto para espetar ou pessoas que assistem a algo?).
Preocupa-me pensar que poderei passar a dar erros a escrever, quando tal nunca aconteceu (escrevo, diariamente e fluentemente, sem corrector ortográfico activo). Preocupa-me pensar que terei dúvidas em responder quando algum dos meus filhos fizer a pergunta frequente "Mãe, como é que se escreve ...?".
Compreendo que a língua já passou por muitas transformações e que são essas transformações que a caracterizam como uma língua viva. Ainda não consegui habituar-me a esta nova língua que se me apresenta.
Não sei se a saberei escrever...
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