Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza

(esta fui buscá-la aqui)
Queria viver num Mundo onde ninguém vivesse assim.

Sei do que falo quando falo em famílias inteiras a viver debaixo de tectos de cartão ou de zinco, com paredes de contraplacado que os separam de uma espécie de cozinha, com fios eléctricos que são puxados dos candeeiros de iluminação da rua, com alguidares que fazem as vezes de casa de banho, com chão que é chão de terra, igual ao da rua.
Nestas "casas", nas ruas que entre elas existem, há lixo, há pedaços de brinquedos partidos, de garrafas, de restos de outras "casas" que foram abaixo...

(esta fui buscá-la aqui)

Já dei banho, na casa de banho do Jardim de Infância onde o M.M.3 andou durante três anos, a Meninos vindos destas "casas". Já vivi a tristeza de ver que por baixo de uma qualquer peça de roupa que trazem enfiada de manhã, por baixo vem um pijama que cobre um corpo que raramente sente a água quente a escorrer por ele.

Já senti a tristeza que se sente quando se assiste a uma criança que chega à Escola às 09:00 da manhã e não consegue concentrar-se em NADA do que lhe é proposto porque o estômago está vazio desde a última refeição que comeu na Escola - o almoço do dia anterior. Já sentei à minha mesa crianças que não sabiam comer com talheres e que comiam "aquela" refeição como se de repente, por magia, ela desaparecesse e tudo não passasse de um sonho.

Já saí, de noite, sozinha, com panelas de comida, para o meio do Bairro do Fim do Mundo, para as entregar a pessoas que sei que vão aproveitar tudo até ao último trago.

Não espero agradecimento nem reconhecimento, apenas dou passos MUITO pequeninos para tentar que o Mundo pequenino à minha volta seja um pouco menos mau.

(esta fui buscá-la aqui)

A pobreza incomoda-nos, faz-nos sentir tão pequenos
se pensarmos o quanto é preciso crescermos,
todos,
para termos força para mudar estas vidas.
Que são vidas como as nossas, mas mais isoladas, mais tristes, marginais...

Agora, face à Crise Financeira Mundial que atravessamos, uma ínfima parte do dinheiro que foi injectado nas diversas eonomias nacionais e instituições bancárias, chegaria para resolver os problemas de Fome em África.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Parabéns!


E eis que chegou!

Dia 16 de Outubro. O dia em que nasci, há 43 anos! Depois de uma grande luta, lá consegui vir ao Mundo às 12:05 com o modesto peso de 4,750Kg. Era muito pequenina...enfezadinha...a minha Mãe, coitada, é que não achou graça nenhuma!

Sou doida por fazer anos. Conto os dias, tal como fazem os meus Filhos, vibro só de pensar quais os livros que me vão oferecer! Gosto de passar o dia todo a receber telefonemas e mensagens. Gosto de receber carinhos, porque faço Anos. Gosto de sentir que este é o MEU DIA, mesmo quando sei de antemão que não vai haver nada de diferente! Para mim, é um dia diferente.

Também nesta data, dois anos depois, nasceu uma pessoa com quem a minha Vida se cruzou e que tem sido muito importante para mim. Aproveito o post para lhe enviar um "big" abraço apertado e um beijo enorme.

Bom dia para todos! Bom dia para MIM!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Últimas Notícias...



A electricidade vai aumentar!

A empresa distribuidora de electricidade sorri.

Nós, os que pagamos, não sorrimos...


Estes dois, hoje, baixaram um bocadinho os preços dos combustíveis...
Nós, os que pagamos, sorrimos muito e vamos aproveitar!...

Desafio para todos Vós!


(A Imagem utilizada nestes dois posts veio daqui. Obrigada!)



Não estranhem dois posts seguidos com a mesma imagem...há uma razão para que isto aconteça!

Para quem não sabe, eu adoro escrever cartas e postais e é um hábito que tenho desde pequena e que mantenho. Por gosto e por uma questão educacional. Quero que os meus Filhos absorvam esta imagem, a Mãe a escrever postais e cartas que, muitas vezes, são eles que selam e vão deixar no correio.

Lembrei-me de Vos desafiar a todos! Escrevam um dos próximos post sob a forma de carta ou postal dedicada a alguém, falando do que Vos aprouver. Vamos fazer um círculo blogosférico de epístolas, o que acham? Até podem escrever aos vizinhos do Blogobairro, (foi o que fiz...cliquem no link do título do post anterior e ficarão a saber a quem é dirigida a minha carta!).

Mais uma coisa sobre esta imagem - é linda e tem uma frase que me encanta - If you really want to touch someone, send them a letter.

Aceitam o desafio?

Carta para ti

(A Imagem veio daqui.)
Olá!
Bom Dia!

Ando por aqui às voltas com as minhas palavras. Apetece-me escrever-te mas o tempo é tão escasso. Divido-me por mil e uma tarefas durante todo o dia e quando chego ao fim já não tenho os olhos suficientemente abertos para me dedicar à escrita.

Desculpa! Sabes que apesar do silêncio, não te esqueço.

Que novidades tenho?! Bem, iniciámos a rotina escolar no dia 15 de Setembro, entre o 12º e o 2º ano de escolaridade, passando por um 9º e um 5º. É dose, digo-to eu! Sabes que não me imagino numa vida a dois, sem Filhos, mas por vezes dava tudo para conseguir abstrair-me não só deles, mas de tudo o que os envolve, das Escolas, dos outros miúdos, dos outros Pais/Mães. Tu conheces-me bem e não é novidade para ti que eu gosto de estar informada de tudo o que se passa em cada escola, com cada um deles. Como se isso não bastasse, tenho a mania de me meter em organizações tipo Associação de Pais, em cargos individuais tipo Representante de Turma, em actividades extra-curriculares tipo transportar e tomar conta das crianças na aula de surf...sim, já estás a dizer que me pelo por permanecer na praia, de preferência dentro de água (foi o que fiz durante toda a tarde de ontem)!

Mas depois tenho o outro lado da medalha - Mães que se queixam de tudo e de nada, Mães que acham que os Filhos, no 5º ano, dão muitos erros, escrevem muito mal, mas não os poêm a fazer cópias ou a escrever, porque "achas que vou fazer isso a um miúdo do 5º ano?". Não gosto muito de me auto elogiar, mas quem tem filhos tem obrigações e preocupações que não dão folga aos neurónios, sejam eles apenas o Tico e o Teco ou muitos mais. Durante o fim de semana que passou - sábado e domingo -, tive 6 crianças/jovens cá em casa (os meus 4 mais 2 penduras). Vieram para cá com o pretexto de estudar e fazer trabalhos de grupo. Julgas que abrandei a guarda? Não! Estive de plantão, a ter a certeza de que o plano era cumprido. Ajudei no que foi preciso, aconselhei, mas principalmente exigi trabalho.

Quanto à crise, andamos mergulhados nela até ao topo das nossas cabecinhas. É incrível como é possível que o nosso dinheirinho não chegue para nada...é deprimente! Por um lado, é uma forma menos agradável de transmitir a esta criançada que só podemos ter o que é realmente indispensável, mas por outro lado é um sufoco! Este mês parece que não tem fim - livros, material escolar, senhas de almoço, visitas de estudo, fotografias na escola...olha, é de tal maneira que até ando sem vontade de fazer anos...GRAVE...muito GRAVE.

Marquei um jantarinho para o próximo sábado, mas estou sem ânimo nenhum. Ainda nem consegui pensar naquele "recuerdo" que ofereço sempre no final da Festa...

Bem, espero que tenhas gostado de receber estas notícias via blogosfera. Agora tenho que me ir dedicar aquele trabalho doméstico que me persegue dia após dia e que a única coisa que tem de interessante é envolver uma tábua...que podia ser de surf!
Prometo que o teu presente de anos há-de chegar aí...não desesperes, OK?
Mil beijos,

Vera

terça-feira, 14 de outubro de 2008


Eu e a minha Máquina

Hoje lá estaremos outra vez.
Na nossa praia.
Para mais uma aula de surf!
O Sol gosta de nós e hoje está por aqui, brilhante e quentinho.
Hoje vou para dentro de água com os meus Meninos/as.
Vai ser uma tarde para arejar a cabeça e
recarregar as baterias que andam fracas!
Viva o Mar!!!

Carta aos Amigos Mortos, Sophia de Mello Breyner

Para o meu Tio que faria hoje anos se estivesse cá

Eis que morrestes - agora já não bate
O vosso coração cujo bater
Dava ritmo e esperança o meu viver
Agora estais perdido de mim
- O olhar não atravessa esta distância -
Nem irei procurar-vos pois não sou
Orpheu tendo escolhido para mim
Estar presente aqui onde estou viva
Eu vos desejo a paz nesse caminho
Fora do mundo que respiro e vejo
Porém aqui eu escolhi viver
Nada me resta senão olhar de frente
Neste país de dor e incerteza
Aqui eu escolhi permanecer
Onde a visão é dura e mais difícil

Aqui me resta apenas fazer frente
Ao rosto sujo de ódio e de injustiça
A lucidez me serve para ver
A cidade a cair muro por muro
E as faces a morrerem uma a uma
E a morte que me corta ela me ensina
Que o sinal do homem não é uma coluna
E eu vos peço por este amor cortado
Que vos lembrei de mim lá onde o amor
Já não pode morrer nem ser quebrado
Que o vosso coração que já não bate
O tempo denso de sangue e de saudade
Mas vive a perfeição da claridade
Se compadeça de mim e de meu pranto
Se compadeça de mim e de meu canto

Sophia de Mello Breyner Andresen, Cem Poemas de Sophia, Págª59 e 60
Visão, Agosto de 2004

Bálsamo para todas as dores de Alma


Já não aguentava mais. Tive que ir até lá. Os espaços foram alterados, as classificações mudaram de sítio, mas eu precisava de estar lá. Andei por ali. Aquele cheiro maravilhoso de páginas novas, ainda não mastigadas e apenas desfolhadas por cada um que passa. Eu, diferente, tenho a mania de nunca desfolhar o primeiro de cada monte exposto. Procuro sempre o segundo ou o terceiro como faço quando vou comprar o jornal. Nunca tiro o primeiro de cima. Alinho aqueles pelos quais passo e acho que estão fora do sítio. Toco-lhes como se fossem seres muito amados, porque o são para mim.

Acariciei tantos. Com os olhos e com as mãos. Pensei quais gostaria de ter e quais gostaria de poder oferecer a quem, como eu, os ama, pelo cheiro, por meia dúzia de palavras que se leêm por aqueles corredores, em pé.

Não escrevi no meu caderninho todos os que hão-de vir cá parar, mas um bocadinho de mim ficou por lá, com eles!

Maravilhosos Livros...

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Vazio

A minha cabeça e o meu coração.
Vazios de ideias, de sentimentos e de vontades.
Fixo-me na observação do que me rodeia.
Reflicto nos dias que correm iguais, sem estímulos que me façam flutuar.
Vazio, demasiadamente vazio, o meu espaço cheio de pessoas, vozes.
E eu a tombar cada dia mais,
a desejar apenas não adormecer em cada noite
para que um novo dia não chegue.

Terminei o Rio das Flores

Ao contrário do que me levava a recear lê-lo, não me desiludi. É um livro bem escrito, um histórico que por vezes, a meu ver, peca pela excessividade de números e de informações relativas ao período de "instalação" de Salazar e do Estado Novo em Portugal. À parte isto, é um romance interessante sob o ponto de vista de criação e caracterização das personagens que nele nascem e vivem.

Diogo, foi a personagem de que mais gostei, porque me identifiquei tanto com ele. Dono de uma herdade no Alentejo, "construtor" de uma Família que tudo tinha para ser perfeita, é dominado por um sentimento de asfixia perante a vida rotineira que leva na herdade, pela falta de espaço para respirar, pela necessidade de se isolar, de partir sozinho. Acaba por partir, para uma terra que, embora também dominada por uma ditadura, respira a liberdade da alegria contagiante do povo que a habita. E por lá vai ficando. E por lá cria outra Família, e para lá se muda o primeiro Filho da primeira Família, também seduzido por uma terra enorme, diferente da pequenez da terra que lhe deu a língua.

"Quem ama não trai". Por vezes não é o Amor que se põe em causa quando a necessidade de mudança, de voar, nos leva para longe do que se ama. É tão somente a sensação de asfixia pela rotina que nos vai amachucando, secando os olhos, o espírito e o coração para tudo o que nos rodeia e que nos devia provocar emoções fortes.

O Rio das Flores não me fez desejar recomeçar assim que o terminei, mas consolou-me um pouco nesta minha insatisfação constante, neste meu desassossego e fez-me ficar ainda mais ciente de que pertencer ao sexo masculino tem as suas vantagens quando se têm estas características no carácter.

E é só...

domingo, 12 de outubro de 2008

Engoli
água. Profundamente: — a água estancada no ar.
Uma estrela materna.
E estou aqui devorado pelo meu soluço,
leve da minha cara.
O copo feito de estrela. A água com tanta força
no copo. Tenho as unhas negras.
Agarro nesse copo, bebo por essa estrela.
Sou inocente, vago, fremente, potente,
tumefacto.
A iluminação que a água parada faz em mim
das mãos à boca.
Entro nos sítios amplos.
— O poder de reluzir em mim um alimento
ignoto; a cara
se a roça a mão sombria, acima
da camisa inchada pelo sangue,
abaixo do cabelo enxuto à lua. Engoli
água. A mãe e a criança demoníaca
estavam sentadas na pedra vermelha.
Engoli
água profunda.

UpsideDown


That's how I'm feeling.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Quando a inspiração não vem

fico aborrecida comigo mesma. Oh rapariga, então, que se passa com a tua cabecinha? Pensas tanto e em tanta coisa e não há nada que chegue à ponta dos dedos com força suficiente para ficar registado no blogue?

Ai...é este vento, este frio, este desatino de pensar que o calor se está a mudar para outro lado do Mundo...é esta crise que nos deixa sem fôlego, a pensar como vamos gerir esta "mini-empresa" que é a Família...é a incerteza do futuro profissional...são os problemas nas Escolas, Pais, Professores, Alunos...pffff...andamos a viver dias difíceis!

Já peguei numa folha em branco e numa caneta daquelas que escreve bem, pode ser que manualmente saia alguma coisa interessante, nunca se sabe...a C. deixou-me aqui um enunciado para o trabalho de Desenho para me inspirar a escrever umas frases que ilustrem os trabalhos dela...já escrevi quatro...nada mau...

As camas continuam por fazer, a roupa por apanhar e outra por lavar...

O dia hoje vai ser longo e eu tão preguiçosa...

...decidi mudar o aspecto Blogue (já que não fazia mais nada de útil...)...vesti-o com as cores do Inverno que teima em aproximar-se...


(hoje estou rica em reticências.gosto deste sinal de pontuação)

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Coisas da Educação

Na Escola 2.3 onde andam os M.M.s mais velhos, andam a decorrer obras desde Janeiro deste Ano, obras estas que deveriam estar concluídas no presente mês de Outubro.

A Escola tem 28 anos, foi pensada e construída para uma população de 5º e 6º anos e está, desde há uns anos, a servir a população estudantil do 5º ao 9º ano.

O Pavilhão que foi abaixo e que está a ser feito de novo, albergava o ginásio, o refeitório e a cozinha e balneários.

No passado Ano Lectivo, o Conselho Executivo contactou Associações Desportivas da zona e conseguiu instalações para que a prática da Educação Física não fosse completamente excluída do Curriculum. Os Alunos tinham que sair da Escola e deslocar-se até às instalações cedidas, no mesmo bairro, ao final da rua. Os Pais reclamaram, que era um perigo, que as crianças não podiam andar sózinhas na rua (os Alunos saíam da Escola acompanhados por um funcionário), etc, etc.

Face a estas reclamações, e visto a obra estar atrasada, o Conselho Excutivo decidiu que este Ano Lectivo não iria ter Educação Física a não ser parte teórica, dentro de uma sala de aula normal. Foi comunicada ao Ministério da Educação esta decisão e veio resposta dizendo que o programa tinha que ser cumprido e adequado às condições/instalações existentes. Neste momento, a Escola tem um espaço de 1000m2 livres para 300 e tal Alunos.

O grupo de Educação Física reuniu e solicitou ao Ministério que fosse garantido transporte para os Alunos. Tal pedido foi recusado. Foi feito o mesmo pedido à Câmara Municipal de Cascais (estamos a falar do transporte diário de Alunos, numa média de 4 turmas por manhã e 4 turmas por tarde). Foi recusado. A Escola tem feito prospecção de preços para tentar solucionar este problema. O preço mais barato que tem é de €140 por dia.

Os Alunos continuam sem poder praticar Educação Física. Os Professores de Educação Física estão impossibilitados de leccionar a sua disciplina convenientemente.

A Educação Física é indispensável no crescimento saudável de Crianças e Jovens, para além de ser uma disciplina que permite o extravasar de energias que têm que ser contidas durante os tempos lectivos de disciplinas puramente teóricas.

Se alguém, dos que me leêm, puder ajudar, a Escola agradece e os Alunos aplaudem de pé!

A Crise

já me anda a aborrecer.

Não acho piada a esta situação de ter que poupar ainda mais do que já poupo habitualmente!

Apetece-me comprar uns livritos novos e não posso;

Apetece-me dar um giro pelas montras a pensar no meu aniversário que se aproxima e não posso;

Apetece-me comprar um presente especial para alguém especial que está quase a fazer anos e não posso;

Apetece-me pegar em mim e na criançada e ir almoçar fora e não posso...

Bolas! Alguém me ajuda a encontrar uma solução para esta CRISE?
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