Sei do que falo quando falo em famílias inteiras a viver debaixo de tectos de cartão ou de zinco, com paredes de contraplacado que os separam de uma espécie de cozinha, com fios eléctricos que são puxados dos candeeiros de iluminação da rua, com alguidares que fazem as vezes de casa de banho, com chão que é chão de terra, igual ao da rua.
(esta fui buscá-la aqui)
Já dei banho, na casa de banho do Jardim de Infância onde o M.M.3 andou durante três anos, a Meninos vindos destas "casas". Já vivi a tristeza de ver que por baixo de uma qualquer peça de roupa que trazem enfiada de manhã, por baixo vem um pijama que cobre um corpo que raramente sente a água quente a escorrer por ele.
Já senti a tristeza que se sente quando se assiste a uma criança que chega à Escola às 09:00 da manhã e não consegue concentrar-se em NADA do que lhe é proposto porque o estômago está vazio desde a última refeição que comeu na Escola - o almoço do dia anterior. Já sentei à minha mesa crianças que não sabiam comer com talheres e que comiam "aquela" refeição como se de repente, por magia, ela desaparecesse e tudo não passasse de um sonho.
Já saí, de noite, sozinha, com panelas de comida, para o meio do Bairro do Fim do Mundo, para as entregar a pessoas que sei que vão aproveitar tudo até ao último trago.
Não espero agradecimento nem reconhecimento, apenas dou passos MUITO pequeninos para tentar que o Mundo pequenino à minha volta seja um pouco menos mau.
Agora, face à Crise Financeira Mundial que atravessamos, uma ínfima parte do dinheiro que foi injectado nas diversas eonomias nacionais e instituições bancárias, chegaria para resolver os problemas de Fome em África.










