Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Caso de Amor



Aguarela de João Catarino

Apago as luzes dentro de casa. Tenho luz no terraço. A Lua está cheia e pelos vidros sem cortinas entra a luz lunar no seu esplendor. Há silêncio. Há a respiração do sono profundo. Ainda não me chegou o meu. Deslizo para a leitura. O livro espera-me sentado no cadeirão. Acho que também ele está adormecido, talvez cansado dum dia inteiro de bulício e zum zum dentro de casa. Não sei se quando o acordar estará na disposição de ser folheado, lido, sublinhado. Sinto-me um intruso. Hesito em tocar-lhe. Mas a calma com que está abandonado no cadeirão, a forma como se deixa ali estar, deitado, quase parece chamar por mim. Não resisto. Sento-me a seu lado. Devagar porque sei que as molas do cadeirão vão chiar....passo a mão pela lombada, devagar. Sussuro "boa noite" e lentamente pego nele. Um nome na primeira página, uma data. Avanço para a página onde deixei o marcador na última leitura. Estico as pernas e respiro. Respiração de sono. Sono ausente. Dedico-me às letras. O meu maior caso de Amor.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Ano Novo, novos desejos, antigas esperanças

O que se passa comigo este ano? Nunca dei por mim a pensar em desejos para o novo Ano. Aliás, lembro-me como se tivesse sido ontem, a Belita a perguntar-me se eu já tinha feito a minha lista de desejos/objectivos para 2008 e eu respondi-lhe que não, que nunca fazia tal coisa. O que é certo é que este 2008 está a terminar e eu ando para aqui às voltas com o que gostaria que acontecesse em 2009. Não sei bem se se trata de novos desejos ou apenas de antigas esperanças que fui deixando adormecidas dentro de mim. Sei que vou de certeza apontá-las, passá-las para um papel ou para um post e tentar alcançá-las/cumpri-las durante o próximo ano.
Quero acreditar que não é só a idade a falar...

Ano Novo, novos aumentos


Eu e a minha Máquina, a fotografar o belo do Pão caseiro!!!! :-)

Está prometido!

E como o prometido é devido, quando 2009 chegar às nossas vidas, vão chegar também aumentos nas tarifas da electricidade e no preço do Pão.

Quanto à electricidade pouco podemos fazer. Talvez fazer greve ao serviço e passarmos à luz da vela, a lavar roupa e louça à mão, a dispensar a TV e o Rádio e a entretermo-nos com jogos de cartas e de tabuleiro...mas como íamos passar sem os nossos blogues?

Agora no que respeita ao pãozinho, aceitem um conselho (houve, nesta vizinhaça, quem já o tivesse aceite!!!) - ofereçam a vocês próprios uma máquina de fazer pão e verão o bom que é acordar com o cheirinho pela casa fora, o pão quentinho ao pequeno almoço ou a qualquer hora do dia. A farinha que se usa é a que compramos em qualquer supermercado por €0.39.

Compreendo que os industriais da panificação também têm que viver, mas em tempos de crise há que poupar onde se puder. Por aqui, o Pão é um dos elementos de poupança!

Cartões de Natal (II)


"III Acreditar no Natal

A Acreditar é uma Instituição Particular de Solidariedade Social que procura ajudar as crianças e respectivas famílias a enfrentar o cancro, "contribuindo para fomentar a esperança". Continuando uma tradição solidária e de responsabilidade social, a farmacêutica Roche convoca cada português a enviar um postal de boas festas à Acreditar. Um postal, uma palavra. E cada palavra escolhida por cada cidadão será incluída num conto inédito, escrito para a ocasião pela jornalista Fernanda Freitas. Mais, por cada postal recebido, a Roche contribuirá com um euro para a construção da futura casa Acreditar em Coimbra.

[...]

morada do destinatário, Acreditar - Núcleo Regional Sul, Rua Prof. Lima Basto, nº 73, 1099-970 Lisboa [...]"

Este texto foi escrito por um colaborador do jornal Sol, na sua revista Tabu (Luís Filipe Borges). Copiei-o para aqui para o divulgar e accionar o espírito criativo e solidário dos bloguers e não bloguers que me leêm.

Eu já respondi ao desafio da Roche!

Cartões de Natal (I)

Da Net
Já escrevi e enviei 28 cartões de Boas-Festas e ainda não terminei! Uma das tarefas natalícias que mais prazer me dá, invadir o espaço e as caixas de correio de cartões escritos por mim e pensados para cada um dos destinatários. Sim, porque eu sou mesmo muito boa e não me limito a escrever Feliz Natal e Próspero Ano Novo!!!! (hoje acordei com vontade de me gabar a mim mesma). Para cada destinatário o texto é diferente e adequado ao que conheço dele/dela!

Este ano, ao contrário de todos os anos anteriores, não comprei Cartões UNICEF. Com muita pena minha, mas atendendo ao número de pessoas a quem gosto de escrever era incomportável para a minha algibeira gastar €40 em cartões, mais os selos. (Espero que a UNICEF me perdoe e compreenda que a crise está definitivamente instalada cá em casa!)

Quanto à bela imagem que encontrei na Internet (essa bela aliada do bloguer) para ilustrar este post, é dedicada ao meu M.M.1. Agora que os testes terminaram e que já só é preciso esperar pela chegada do Pai Natal, quem o quiser encontrar depois das aulas basta deslocar-se à praia, fixar o olhar no mar (de preferência com binóculos, porque dentro de água são todos iguais) e encontrá-lo-à à espera da melhor onda, no melhor spot!!!

Boas ondas de Inverno!

Bons cartões de Natal para todos!!!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008



ATL da Galiza

Há dois anos lectivos atrás, consegui dispôr de algum do meu tempo para colaborar como Voluntária no ATL da Galiza. Já aqui escrevi sobre este espaço e de quanto gosto dele, das pessoas que o fazem, das crianças/jovens que o frequentam.

Hoje, no meio do corre-corre de umas compras de Natal na Bulhosa, a C. diz-me "Está ali a Maria". Virei-me. Sim, aqueles olhos que irradiam energia positiva e alegria, o sorriso que é sempre de menina. E o abraço. E o beijo. E eu. Outra vez desmanchada. Porque a Maria é uma força que não pára, que não se deixa derrubar, que não abre mão da defesa dos "seus" meninos. Porque ela conhece-os, um a um, pelo nome, família a família, história a história. E porque nem tudo é romanticamente belo. Muitas situações são tremendamente complicadas. Muitos destes Meninos e Jovens que ao pé da Maria são doces, meigos, enquanto estão na Escola revolucionam tudo e deixam rasto de confusão. Com a Maria estudam, jogam râguebi, trabalham na Casa Grande, vão à Missa ao domingo, rezam. Porque a Maria sabe. Sabe que o Amor aliado a pulso forte é o que estes Meninos/Jovens precisam. Porque Educar não é só dizer sim. Educar é saber dizer não quando é preciso. É estabelecer regras e ensinar a cumpri-las. Educar é Amar. Estes Meninos/Jovens são muito amados na Casa Grande. Muito apoiados por esta Senhora!

Eu sei que ela me lê, portanto, beijos enormes Maria!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Verdades...de alguns...

Eu e a minha Máquina, Guincho, Junho 2007

"A verdade é que nós, os que vivemos aqui ao pé, já não nos extasiamos de cada vez que olhamos para ele (o Mar)", isto disse o Senhor Presidente da CMC no discurso de inauguração da sede do Surfing Clube de Portugal.

A verdade é que Euzinha, de cada vez que me aproximo da Marginal e olho para o Mar, fico tão extasiada que até parece que me falta o Ar. A verdade é que o Mar me deixa sempre maravilhada. Flat ou cheio de ondas, não há nada que me deixe tão sem ar...

sábado, 13 de dezembro de 2008

Correntes Fw...

Enviado pela Belita!!!

E funciona!!!!

Bocadinhos de mim, Mim aos bocadinhos...(para a minha Filha)

Sentimentos à flor da pele. Estão descontrolados. Não percebo o que os pôs neste estado. Talvez ter percebido que o Mundo é enorme e que pode ser corrido com mais facilidade do que alguma vez eu tinha pensado. Talvez ter percebido que nada do que temos é certo, estável e duradouro. Tudo pode transformar-se num segundo. A vida pode mudar de rumo tão rápido como um clic. Aqueles de quem gostamos podem, de um momento para o outro, sair das nossas vidas. Mesmo que saiam temporariamente e que conscientemente o saibamos, ver partir, para mim, é doloroso. Talvez tenha compreendido que os meus Filhos, o que eu sinto que é meu verdadeiramente, para sempre, não o são. São pessoas, cidadãos, que eu também desejo que sejam, que possam vir a ser, do Mundo. E isso magoou-me. Doeu-me cá dentro. Sentir que posso vir a sentir a saudade, a melancolia da partida. Sentir que a falta que me fazem é enorme. Sentir que basta a ausência de um para que o meu Eu se sinta com um pedaço a menos...sentir que não estou ainda preparada para os ver começar a partir...sentir que não sei se algum dia estarei preparada...sentir que o sair de casa pode vir a significar distância...e a distância dói...mas, por outro lado, sentir que quero que sejam muito felizes e para o serem poderão ter que se afastar de Mim...


...eu sempre disse que chuva, para Mim, não era fonte de inspiração...

Livro próximo, sábado chuvoso e desafio...

Peguei no Desafio que a Rita postou no blog dela no passado domingo e que o Jurista também adoptou e lançou a todos que o quisessem apanhar:


1) Agarrar no livro mais próximo.
2) Abrir na página 161.
3) Procurar a 5a frase completa.
4) Colocar a frase no blog.
5) Não utilizar a melhor frase nem o melhor livro! Usar mesmo o livro que está mais próximo!

6) Passar a 5 pessoas.

Porque estou sentadinha no meu cantinho informático com vista para o jardim. As folhas verdes estão cheias de gotas de água e balançam-se ao sabor de um vento que não as deixa em paz. Já é tarde e continuo em pijama. Eu e todos os habitantes desta casa. Porque estou preguiçosa e a minha preguiça é contagiante...
1) Hotel Memória, João Tordo, Quidnovi Literatura Portuguesa, edição de bolso
2) já abri
3) já encontrei
4) [Estava exultante, rodeado de rostos bonitos e de corpos suados.]
6) Deixo o Desafio voar com o vento que se faz sentir lá fora. Se tiverem coragem para abrir as vossas janelas e deixarem-no entrar, agarrem-no, senão, deixem que siga o caminho que o vento lhe quiser dar!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Surfing Clube de Portugal, a inauguração!




Conheci-o há cinco anos. Quando o M.M.1 se inscreveu no Desporto Escolar, modalidade surf. Tinha acabado de tomar posse como Presidente do Surfing Clube de Portugal. Sonhava com uma sede para o Clube. Uma "casinha" de madeira que fosse instalada na Praia e que servisse de apoio aos atletas da modalidade. Iniciaram-se as obras junto às praias da Linha. Foram construídos parques de estacionamento, foram plantadas árvores e plantas. As nossas praias ganharam duches e lava-pés. E a luta pela "casinha" continuou. Reuniões, contactos, alegrias e aborrecimentos.

Hoje, ao fim de cinco anos, foi inaugurada a "Casinha". Linda de morrer, na nossa Praia. De madeira. Um orgulho. Estiveram presentes pessoas social e politicamente influentes. Estiveram presentes os Amigos, os Alunos, os que sempre acreditaram que a "Casinha" ia existir!

Houve discurso. Dele e do Presidente da Câmara. Palavras bonitas, promessas, agradecimentos. As minhas lágrimas (que hoje estão um bocadinho indisciplinadas...) vieram embaciar os olhos que focavam a máquina fotográfica. E foram mesmo desobedientes quando ele disse as palavras com que terminou o discurso e como as disse, com a dificuldade de falar própria de nó na garganta e lágrimas a bailar nos olhos
[Agradeço à minha mulher, C. Sem ele nada disto teria sido possível.]
Bonito.

Despedida


Foto da Net

"Aqueles que passam por nós não vão sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós."
Antoine de Saint-Exupèry

Despedidas não são para mim. Definitivamente.

Não consigo desfazer o nó que se instalou na garganta desde que chegámos à estação de comboio. Que se acentuou quando o vi entrar no comboio e dizer no seu espanholês "Becitos".

Que se acentuou quando as lágrimas do M.M.3 caíram por não se ter despedido dele. Que se acentou agora quando li um sms que enviou à C. dizendo que está tão contente por ter vindo.

Eu também estou tão contente porque tenha vindo e por o ter conhecido.

Despedidas não são para mim...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

E já que falo em papel...

Desde que o visitante chegou que não tenho tido tempo para me sentar a ler os meus blogues preferidos, a escrita dos meus vizinhos neste Bairro Virtual!

Agora, ao final da tarde, princípio da noite, consigo pôr a "escrita/leitura em dia".

Encontrei isto e apeteceu-me partilhar convosco, porque sei que por este Bairro não sou só eu e a minha Filha que somos "apanhadas" por cadernos, papéis, lápis e canetas...quem já conhecer, pode subscrever o que diz a autora do texto, quem não conhecer, pode sempre marcar uma visitinha a este Paraíso do Papel.

60 Anos de Direitos Humanos...no papel...

Para que nos lembremos
Para que façamos a nossa parte
Todos os dias
Porque vivemos todos os dias
Porque há milhões de pessoas que não sobrevivem
Todos os dias
Porque seria bom que todos conseguíssemos mudar o Mundo
Todos os dias
um bocadinho...

Resta-nos tentar e sonhar



Férias, Viagem e Visitas

Final de Junho, princípio de Julho. Os Avós Maternos e 3 dos 4 cá de casa rumaram ao Sul. Palma de Maiorca foi o destino.

Fui buscar à Net

Hotel, praia, piscina. Muita diversão. Muitos banhos e muito Sol. Fizeram-se amizades. Portuguesas do Norte, Alemãs, Belgas. O animador do Hotel caíu nas graças dos meus Meninos. Belga de nacionalidade, a viver e a trabalhar em Espanha há quatro anos. Eles a tentarem ensiná-lo a falar português. Divertidos com todas as palavras esquisitas que saíam em cada tentativa. Ele divertido com estes três Manos que riam e o faziam rir. Quando chegou o dia de regressarem a casa fizeram um pequeno filme para darem a conhecer aos Pais e ao Mano mais novo o Amigo que por lá iam deixar. O Amigo prometeu vir cá. Visitá-los. Conhecer os que faltavam naquela Família...

Fui buscar à Net

Chegou na segunda feira. À hora de almoço. Tem sido uma companhia deliciosa para cada um dos Manos. Tem sido motivo de conversas ainda mais animadas à hora das refeições. Tem sido uma companhia na hora de recolher os Manos nas várias Escolas. Vai fazer-nos companhia até sexta-feira...
E eu gostei muito de o ter conhecido, de ter conversado com ele, de lhe ter dado hospedagem nestes dias e já começo a sentir a falta dele ainda antes de o ver partir...
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