Eu e a minha Máquina
Em casa dos meus Pais
S. João Estoril, Novembro 2008
Há umas gerações atrás ser "Mãe de Família", mais do que uma situação normal, era algo que maior parte das mulheres assumia como sendo o seu destino inquestionável.
Actualmente são poucas, raras, as mulheres que assumem este papel como sendo a sua carreira, o seu destino. As poucas que o fazem são, repetidamente, chamadas de "sortudas, dondocas" e muito poucas vezes reconhecido o seu trabalho em prole dos filhos, das casas, das famílias.
Ao fim de dez anos em casa, alcancei o meu ponto limite.
Viro e reviro pensamentos em busca de uma forma de revolucionar a minha vida, os meus dias. Invade-me a vontade de voltar a uma das faculdades que frequentei. A parte financeira da questão impede-me de avançar de peito aberto para o que me apetece verdadeiramente fazer aos quase 45 anos de idade. Voltar a enfiar o nariz em livros de estudo, voltar a encher páginas de cadernos com a minha letra, com apontamentos estudáveis. Voltar ao stress de cumprimento de prazos. Voltar a sentir-me activa em algo que não tenha a ver com cuidar de outros e garantir a felicidade de outros.
Ao domingo, dia de Família, vejo todos com planos e ocupações. Questiono-me.
Preciso de encontrar forma de garantir o meu retorno ao estudo.
Onde?
Como?




