Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A Chuva Desligou a Luz do Sol


Daqui

Chove. Chuva mesmo à séria.
A casa fica mais escura. As madeiras acusam a presença de demasiada humidade no ar. Ficam pegajosas.
As ruas tornam-se labirintos complicados. Pessoas cujos chapéus de chuva impedem de ver o caminho por onde andam, carros, de luzes acesas e limpa vidros a funcionar, que se acumulam, condutores que se impacientam, pneus que deslizam num alcatrão que subitamente parece revestido a manteiga.
Cai a chuva mas não há frio. A tentação da roupa invernosa, o arrependimento porque a temperatura não está para camadas de roupa. Os casacos de chuva enfiados à força aos miúdos que insistem que a Sweat por cima da T chega e sobra.
A chuva que chove mesmo à séria, tira-me a mim do sério. Cheira a humidade. Frisa-se o cabelo. Gancho. Solução prática, solução gasta. Corta-se o cabelo? Não, já não sei viver sem ele por perto da cara e dos ombros. Senti-lo molhado nas costas quando o penteio a seguir ao banho. Prende-se para que não encaracole.
De manhã, compra de presentes de aniversário atrasados. Compra de presentes de aniversários que hão-de chegar. Corrida. A casa à espera de mãos que a tratem.
À tarde, abertura oficial do ano lectivo em Cascais. Casa das Histórias. Presidente da Câmara. Outras individualidades.
E a chuva que não quer parar de chover...

quarta-feira, 3 de março de 2010

O Tempo e o Alento


Hoje não tenho o tempo. Ou o alento. Ou o tempo aliado ao alento.
Foge-me o tempo dos ponteiros, a chuva retira-me o alento, permanece o mau tempo.
Palavras molhadas e empurradas pelo vento são apenas as que me surgem.
Hoje não tenho tempo...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Tempestade

Fotografia gentilmente
emprestada por

"Life is not about waiting for the storms to pass...it's about learning how to dance in the rain."

Pego no telefone. Quase me cabe na palma da mão. Penso se devo fazê-lo. Marcar o teu número. Ouvir o toque, deixar que atendas, ouvir a tua voz, sentir-te ouvir-me respirar do lado de cá da linha. Em silêncio. Só te quero ouvir. Resisto. Tremem-me as mãos, a garganta seca ao mero pensamento de ter de expelir som para falar contigo. O meu corpo deseja-te. Como te deseja.O sangue que corre dentro de veias e artérias queima-me por dentro. Uma tempestade humana que de mim se apodera, que me sufoca. De pouco me vale a clareza do cérebro que se mantém intacta e que envia mensagens de perigo ininterruptamente. De pouco ou nada me vale passar os olhos pela mesa, tentar concentrar-me em folhas e letras que exigem ser lidas e que os meus olhos desfocam e transformam num só vocábulo. O do teu nome. Rodo a cadeira. A chuva começou a cair em gotas grossas e encorpadas, fustigando os vidros antigos, com bolhas de ar, os originais deste andar onde todos os dias me encerro para trabalhar, ou talvez apenas para fugir da vontade que todos os dias me levaria a ti. Tranformando dois mundos numa aventura maravilhosamente perigosa. Lá em baixo o Tejo. Cinzento, reflectindo o peso das nuvens negras que lhe servem de tecto, corre macio para o mar. Pego no casaco pendurado no bengaleiro de ferro, visto-o, troco os saltos por umas botas baixas, confortáveis, de caminhada e desço os quatro andares de madeira encerada que me separam da tempestade de final de tarde em Lisboa. Não carrego chapéu de chuva. Saio a porta pesada de madeira lacada de verde. Os pés nos degraus de pedra. A chuva a cair. O barulho da chuva na calçada, nos telhados, nos vidros. Os carros que rolam indiferentes a quem nos passeios se encolhe para não ser atingido pela água que fazem saltar quando passam. Velozes no macadame escuro da cidade. Escuro como o dia de chuva. Alheada de tudo lanço-me passeio a baixo. Ando sem rumo. Sem pensamentos. Apenas o teu nome a ribombar-me na cabeça, uma, duas, três vezes, por cada passo que dou. Penso estar a enlouquecer. Viro o rosto para cima, para o céu, e deixo que a água me cubra. O cabelo, os olhos, a boca. Preciso da sensação de frescura, de libertação. O teu nome continua cá, mas agora dentro do peito. Guardado. Resguardado da insanidade de um cérebro que não o quer deixar ser esquecido. Murmuro-o. Quero senti-lo nos meus lábios. Como se da chuva fria tivesses aparecido propositadamente para me beijar. A sensação é de quase conforto. Estás em mim. Só eu sei disso. Sorrio. O toque de sms de dentro da algibeira do casaco. O teu nome...a garganta seca, as mãos tremem, o corpo (re)deseja-te e a tempestade volta. Acompanhando a chuva que continua a cair do céu cinzento e carregado de Lisboa.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Alterações Climáticas (no meu Habitat)

Acordo com Sol.
Escancaro janelas para entrar o ar e secar a humidade dos últimos dias.
Tomo o pequeno-almoço com chuva.
Fecho janelas para não entrar mais humidade [que o Sol já tinha secado a outra que cá estava desde os últimos dias].
Sento-me a pensar o que dizer no penúltimo dia do ano.
Bate-me o Sol na cara e obriga-me a franzir os olhos.
E enquanto os olhos se franzem na tentativa de ver melhor o que no écran vai aparecendo, o Sol vai-se escondendo...

sábado, 21 de novembro de 2009

Natal # [3] - Planeamento


I. Marcadores de Mesa

Lembrei-me de uns vasinhos de cartão, guardados, comprados por altura do Dia da Mãe. Lembrei-me de origami. Lembrei-me de árvores de Natal. Ideias básicas? Talvez, mas de simples execução. Vamos precisar duns trinta marcadores de mesa!

II. Presentes

Tenho de começar a fazer a lista dos presenteados...

09:30
Abro a porta da cozinha. Hoje o pão do pequeno almoço precisa da minha intervenção. Vai ser pão de forno. Deixei a massa feita de véspera, a levedar, tapada com um pano molhado. A cozinha cheira a maçãs e é boa esta sensação de cheiro a fruta. Nos dias que correm a fruta não deita cheiro. Estas maçãs foram oferecidas ontem à Catarina por uma cliente a quem foi demonstrar a Bimby. São vermelhas, não muito grandes, imperfeitas, mas muito perfumadas! São maçãs a sério. E cheiram bem...

11:30
Meto-me no carro. O apito de aviso de depósito vazio. A luz no tablier. Who cares? Vou só lá abaixo num instante. Buscar os jornais e os livros. Vou em ponto morto enquanto for a descer. Deve ser proibido...se calhar é melhor não escrever isto... Chego à Marginal. É gira a sensação que tenho sempre que chego à Marginal perto de casa. Sensação de alívio quando olho o mar. Impossível não inspirar e expirar bem fundo. Impossível a não emoção quando olho o mar a perder de vista. Ponta do Sal. Bafureira. Hoje, em linguagem de surf, o mar está torto. Há campeonato de longboard, mas não me parece que tenham muita sorte. Mar torto e muita espuma. Mar desordenado.

11:32
Arrumo o carro. Entro na tabacaria. Os meus jornais, os meus livros separados. Caras conhecidas. Bom dia. Dois dedos de conversa. Bom fim de semana.

14:11
A mesa do pequeno almoço continua posta. Há também livros, folhas, computadores e estudo. Procuro o sentido das minhas palavras. Ouvimos os Xutos. Lá fora a chuva cai. Cá dentro está quente. Podia estar mais...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Escuro


Escuro. Escuro. Escuro. Desde que me levantei. Houve um período de claridade à hora de almoço. Hoje o dia só parece noite. A chuva não pára de cair. Cai com toda a força. Estou deserta por ir buscar os Miúdos e fechar a porta para só ter que voltar a abri-la amanhã de manhã. Que dia horrível...e os aviões? Conseguem chegar ao seu destino quando o céu se desaba assim em chuva? Medo.

New York


...is watching me...

Cadernos

Daqui

Repletos de letras manuscritas.
Letras desenhadas, ligeiramente inclinadas para o lado direito, altas, esguias, elegantes.
Abraçados uns aos outros num abraço apertado por um baraço.
Dizem uns aos outros o que as letras dentro deles se dizem entre si.

Nova Semana

Daqui

Inicia-se hoje uma nova semana. A terceira de Novembro.
Já?!
Para nós vai ser uma semana diferente.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

It's a Kind of Magic


É mais ou menos esta a vista que tenho da minha janela: Céu escuro, carregado de nuvens, carregadas de água. Há, ao fundo, um som de trovoada que se aproxima.

Chuva foi também o pano de fundo do episódo de ontem de Clínica Privada. Sempre revoltada com a chuva que não parava de cair e transformar tudo em cinzento escuro, Addison questiona-se sobre a existência da Magia na vida.

Também eu procuro um pouco de magia...
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