Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.
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terça-feira, 17 de abril de 2012

Olhando para trás,

Daqui

lembro-me que havia uma máquina de escrever. Não igual a esta!
Era preta, pesada, fita vermelha e letras encarrapitadas em cima de uns ferros que se chegavam à frente de cada vez que lhes tocavamos. Batiam no papel, deixavam a marca e vinham à frente, mostrar-se!
Na mesma escrivaninha havia um mata borrão, uma elipse com corpo que se balançava em cima do papel escrito a tinta permanente e que absorvia as letras, duplicava-as em negativo.
E havia um Avô. Que lia o velhinho Diário de Notícias enorme.
E dois sofás de napa vermelha. Um deles está cá. Na minha casa, no meu escritório, encostado às estantes dos meus livros.
O Avô que me ensinou a ler naquele jornal estendido no chão.
A máquina de escrever que não era um brinquedo, mas que os nossos dedos gostavam de utilizar, matraquear, fazer barulho e ouvir a campainha que tocava quando o rolo chegava ao final do papel, avisando que era obrigatório mudar de linha. A máquina não era um brinquedo, mas o Avô deixava que brincássemos.
A máquina de escrever mudou de mãos. Das do Avô para as de um dos seus Netos. Lá está ela, em destaque, para nos relembrar as tardes em que o Avô nos deixava ouvir aquela campainha.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Espelho Meu...

Da Net
Ultimamente tenho andado aborrecida com os espelhos.
A imagem que me devolvem não me agrada. Em nada.
Ando a precisar de apanhar sol, sob pena de me perguntarem se estou doente pois nesta altura do ano é normal já ter uma corzinha mais saudável do que a que ostento agora.
Todos os dias reviro a cabeça para pensar e decidir o que vou vestir. Estou farta do meu guarda-roupa e já aceitava um patrocínio que me vestisse dos pés à cabeça. Mais formal/profissional, mais hippie chique, estou mesmo a precisar de um novo guarda roupa e calçado.
Outra coisa que me anda a enterpigaitar os miolos é o facto de sofrer de uma soneira crónica que as horas de sono nocturno não conseguem reparar e de uma preguicite aguda que as actividades domésticas fazem aumentar.
Diria mesmo que a astenia primaveril se instalou em mim, dos pés à cabeça. Alguém quer sugerir tratamento para tanta queixa egocêntrica?

quarta-feira, 23 de março de 2011

Doze Dias...é muito tempo

Daqui

Doze.
Uma dúzia.
Duas mãos cheias de dedos mais dois que peço emprestados a alguém.
Um 1 e um 2. Dois algarismos que se seguem na contagem, como dois amigos inseparáveis ou dois irmãos que não se podem largar de vista.
Os dois algarismos que juntos criam um número que me diz quantos foram os dias que passei sem aqui vir. À minha casa virtual. Ao meu caderno electrónico. À minha cadeira do psi gratuita e aberta a todos os que por cá passam.
Doze dias. Houve dias em que os posts se seguiam com esta diferença, mas contada em minutos. Houve dias em que doze minutos eram o tempo gasto na procura da imagem ideal para as palavras que ainda não tinham acontecido.
Dias.
Têm sido dias de muito correr, de muito trabalho, de muito prazer, de muito sorrir, de muitas pessoas que tenho conhecido. Percorro as estradas. Dum lado para outro. Por companhia um rádio que concorre com o som da voz virtual do GPS.
Em doze dias que dias especiais deixei passar? O do Pai, o da chegada da Prima com o meu nome nela, o da Poesia, o do desaparecimento de Artur Agostinho. Tudo isto poderia ter sido motivo para escrever. Se conseguisse ter tempo para pensar.
Doze dias. Doze vezes que pensei no Vekiki vazio de palavras novas, vazio de visitas. O gráfico a dizer-me que os cá vinham diariamente me começam a abandonar. E eu sem saber como me gerir, como me dividir, como sobreviver em cada uma das vertentes de mim. E a saber. E a Vera, e a Mãe, e a Dona de Casa, e a cidadã activa, e a Agente B...y. Todas elas a sobreviver a cada uma das outras.
A sorrir. E a pedir a cada um dos amigos que aqui colecciono que não me abandonem. E a pedir a cada um dos amigos que colecciono na realidade que não se zanguem com a minha aparente ausência. Estou cá, apenas dividida em muitas que desfazem a Vera única.
Love u all

sexta-feira, 11 de março de 2011

Ténis, Sneakers, Whatever...[fala-se de pés e de como os calçar!]

Daqui
Eu gostava de gostar de andar de ténis.
Não propriamente destes ténis grandalhões de cheios de atacadores que sobram por todos os lados, mas daqueles ténis que fazem o pé pequenino (o que para mim já seria formidável, dado o número 40 que me calça os pés), que parece que fazem com que levitemos, que nos fazem parecer leves e altamente desportistas. Era desses ténis que eu gostava de gostar, de me sentir confortável neles, mas não há nada a fazer. Ténis não são para mim. De vez em quando, quando se aproxima um dia de aniversário ou mesmo o Dia da Mãe, ainda me ponho a pensar que seria bom que me oferecessem uns All Star. Adoro-os vermelhos, bota, e todos aqueles de edições especiais que custam um balúrdio mas que só de calçar nos transformam numa pessoa muito à frente. Eu gostava de gostar de andar de ténis, mas não consigo! Quem me tira as minhas botinhas tira-me tudo. De salto alto ou de salto raso, de cano alto ou apenas botinhas com sola de borracha, a fazer lembrar ténis. Depois, bem depois é aquela coisa de ter de andar minimanente apresentável, sempre. A imagem vende muito! Mas há pessoas altamente vendáveis, mesmo de ténis. Não percebo este meu problema de relacionamento com o calçado universal do sec. XX e XXI. Dantes, quando eu era miúda e teen, os ténis eram só para fazer ginástica. Depois apareceram os Sanjo brancos que eram o topo do fashion style. Nunca tive nenhuns. Nunca andei de ténis. "os ténis são uma porcaria, isso aquece imenso os pés, isso é de pano, queres ir para a rua com isso e ficar com os pés todos encharcados?" eram os argumentos de Pais e Avós para nos demoverem deste calçado. O que é certo é que na minha cabeça, o argumento anti ténis pegou e pegou forte!
Já passou o Dia Internacional da Mulher (cá em casa tive de ser eu a lembrar a quantas andávamos, sabe-se lá porquê!), caminhamos para a Páscoa e para o Dia da Mãe. Pode ser que alguém me ofereça uns All Star bota vermelhos! Eu gostava tanto de gostar de andar de ténis.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Partilhas de [Cabelos] [Esfregonas]

Da Net

Na semana passada fui duas vezes ao cabeleireiro.
Luxo, luxo.
Da primeira vez fui porque o meu cabelo já estava a abusar da minha paciência. A cor estava a precisar de ser tratada e o aspecto de "esfregona" já me estava a chatear. Saí de lá linda de morrer, como só estou quando saio do cabeleireiro com a minha "esfregona" tratada por mãos que sabem e que têm a paciência infinita de esticar e alisar um cabelo que não é fácil.
Quando todos foram chegando a casa, fui lendo nos olhos que me olhavam que algo não estava bem. Enquanto o penteado de cabeleireiro durou, a coisa foi-se aguentando, mas mau mau foi quando a água do chuveiro caíu em cima do penteado e o secador de casa secou a, de novo, "esfregona". Realmente, os olhos que me olhavam não mentiam e o aspecto do meu cabelo estava tudo menos bom.
Voltei ao "salão" no final de tarde de sábado. Coisa rápida. "Dar um banho" aquela cor estranha e torná-la mais normal.
Saí de lá, outra vez, linda! Desta vez os olhos que me olharam já o fizeram com um ar de aprovação...
A cor está diferente, mas mudar é bom. Eu adoro mudar.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Mulheres


Ando a tentar dissociar-me desta imagem, mas nem sempre esta é uma resolução pacífica.
Quando olho para o tampo dos móveis e vejo a camadinha irritante de pó, quando olho para as quantidades de roupa que saem do cesto da roupa suja para a máquina e desta para o estendal e deste para o armário da roupa por engomar, quando olho para o cesto das meias e cuecas para dobrar, quando olho para tudo o que anda sempre espalhado pela casa como se cada coisa não tivesse um local próprio para ser arrumada, quando olho para a cozinha e me lembro que "comer" é uma das necessidades fundamentais do ser humano...
...são quandos demais para que consiga desfocar-me da imagem de multi-woman.
O tempo para mim? Para aquelas coisas que a maior parte das mulheres faz e com as quais eu nunca me preocupei (e os resultados estão à vista desarmada) - tratar da cara, tratar das mãos, tratar do cabelo. Gostava de ter tido esses hábitos. Sempre desvalorizei o tempo para cuidar de mim. Sempre achei que pintura era coisa de que a minha cara não precisava, manicure era tempo/dinheiro deitados à rua face aos inúmeros trabalhos que faço em casa e que num instante arruinam a pintura e a maciez. Começo agora a perceber o disparate, mas não me é fácil desligar-me das minhas "obrigações" e preocupar-me comigo.
Hoje, ao abrir o mail enviado por uma Amiga, percebi que tudo o que lá está escrito é tudo o que devo meter na minha cabeça para mudar a minha forma de estar na vida.
Vou ter de o fazer. Vou ter de o começar a fazer. Pensar mais em mim e no que gosto, no que preciso, no que quero. Afinal de contas, a vida é curta e a minha já vai a meio.

"Recordo que... uma camada de pó protege a madeira dos móveis... E que uma casa se transforma num lugar quando se pode escrever "amo-te" em cima do pó. Aquela mulher passava pelo menos 8 horas cada fim de semana para deixar tudo perfeito, "para se vier alguém". Afinal, entendeu que "ninguém vinha" porque toda a gente estava a desfrutar da vida e a divertir-se!! Agora, se “vem alguém”, não tem que explicar em que condições está a sua casa: estão mais interessados em ouvir as coisas que ela fez enquanto desfruta da vida e se diverte. Porque se não deram conta... A vida é curta: Divirtam-se!
Com todas as praias que há para nadar e montanhas para escalar, rios para navegar, cerveja para tomar, música para ouvir, livros para ler, amigos para gostar e vida para viver, ... !"

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Semanal

Daqui
I.
É sexta feira.
Passou uma semana desde que aqui me sentei pela última vez. Nesta mesma mesa, com este aparato de pequeno almoço à minha frente.
A vida engole-me e apesar da boa energia com que tenho vivido, a verdade é que me sinto em falta com este meu espaço de partilha. De ideias. De pensamentos. De palavras.
A sexta feira é o dia da fronteira. O dia que marca o fim de um período de cinco dias a levantar cedo e a obedecer a rotinas completamente cronometradas e o dia que marca o início de um período de dois dias que, embora isentos da pressão do horário, são também eles dias de trabalho. Os dias deste meu trabalho por excelência. Curiosa opção a minha. Solto um pouco as amarras de um trabalho que não me dá folgas e entro de peito aberto num outro onde a mínima folga, a mínima desatenção, pode deitar tudo a perder. Perguntem-me pelo cansaço. Há dias em que o sinto, mas é um cansaço mais mental do que físico. [Cada vez mais percebo que tenho uma capacidade de trabalho e de resistência não muito comum à maioria das pessoas.]
II.
O que me apetece fazer hoje?! Sinceramente, sinceramente, tudo menos o que tenho para fazer. De repente, o trabalho de casa afigura-se monótono e aborrecido. A ausência de pessoas e de conversa, um peso. Hoje é o dia da casa. Organizar para que a semana seguinte não se inicie de forma atabalhoada. Estou suspensa...à espera de uma resposta que ontem me foi prometida para hoje. Enquanto o telefone não tocar ou o aviso de mensagem não soar dentro da algibeira das calças de ganga que hoje voltei a vestir, não conseguirei direccionar o meu pensamento para a máquina da loiça, a tábua de engomar, as camas por fazer, a mesa do pequeno almoço por levantar. Ficar à espera de uma resposta, de um "vou conversar com...e depois amanhã digo-lhe a resposta..." é horrível. Há formas de salvaguardar estas situações de ansiedade, mas nem sempre as consigo pôr em prática. Tenho ainda muito a aprender, muito caminho a percorrer.
III.
Na Casa das Histórias está uma nova exposição. Apetece-me mesmo é pôr a mochila às costas e ir até lá.
Às 10:30 tenho uma reunião na Escola, com o Director e a Escola Segura. [isto se o pendente não se transformar em cliente!]
Tenho de pensar o que vou fazer para o jantar. Hoje é dia de treino de corfebol e o regresso a casa tardio impõe um jantar preparado com antecedência.
Vou-me pôr a mexer.
Até já!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Notícias

Ouvi ontem nas notícias, na rádio, às seis da tarde,
"O Presidente da Câmara de Cascais vai aproveitar a comemoração do 9º ano de mandato para anunciar a suspensão do mandato pelo período de um ano. O Presidente apresenta razões de saúde para justificar esta decisão."
O meu estômago ficou embrulhado e senti-me a corar. Que estúpida! Não conheço pessoalmente o meu Presidente da Câmara e as poucas vezez que me cruzei com ele, geralmente em eventos relacionados com escolas, nunca lhe dirigi a palavra. Então porque me senti como se a notícia tivesse a ver com alguém que me fosse próximo?
Já aqui tenho deixado várias vezes expressa a minha opinião sobre o trabalho que a Câmara Municipal de Cascais tem desenvolvido em várias áreas. Não sendo um executivo camarário que se identifique com as minhas convicções políticas, é, com toda a certeza, um executivo camarário que me tem feito aplaudi-lo e, orgulhosamente, felicitá-lo.
Sei que o trabalho visível de uma autarquia é resultado do trabalho de muitas equipas, de muitos vereadores, de muitas pessoas. O Presidente da Câmara pode, até, ter a seu cargo apenas o trabalho de despachar favoravelmente ou fazer parar os assuntos que os seus vereadores lhe apresentam, mas eu quero acreditar que o nosso Presidente tem sido o ponto de uma máquina onde várias peças se encaixam e trabalham em grande conjugação de movimentos.
Saber que Cascais vai deixar de ser guiado pelo comandante cujo nome já pronunciávamos como se fosse da família, deixa-me um bocadinho apreensiva. Será que vamos ser capazes de sentir pelo Vice (agora Presidente) o mesmo afecto familiar que sentíamos pelo agora ex-Presidente?
O que sei é que me sinto um bocadinho abandonada.
E também preocupada. Pelos alegados motivos de saúde.
Que espero não sejam graves...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Do Campo para a Cidade

Admito a minha urbanidade assumida. A proximidade da capital, o mar ali ao fundo da rua, as características várias deste concelho onde resido, são parte de mim e não me imagino a viver sem elas. Já houve um tempo em que estive pertíssimo de largar tudo isto e de me instalar numa cidade de interior, também algo elitista, mas longe do mar. Não fomos...
No entanto, a vida das cidades de interior e das suas populações continua a atrair-me. O custo de vida, por exemplo. São cidades rodeadas de pequenas povoações, aldeias e vilas onde ainda existe o culto da terra, onde quem lá vive sabe as alturas certas de semear/plantar e colher. Onde ainda existe a troca entre vizinhos. Uns têm laranjas, outros têm couves, e as trocas fazem-se naturalmente pelo excesso e pela necessidade. Muito diferente do consumismo obrigatório de quem vive fechado em pequenos apartamentos em prédios de muitas pessoas.
Ontem, ao princípio da noite, a minha cozinha foi invadida por produtos vindos directamente de um determinado pedaço de terra ali para os lados de Estarreja. Laranjas, tangerinas e limões apanhados especialmente para nós. [não os pude fotografar porque a máquina estava sem bateria...] E também duas abóboras para sopa e uma gila (as que não se podem cortar com faca e têm de ser atiradas ao chão para abrir). E ainda um saco de 5 kg de farinha de centeio e muitas regueifas!!!!
Não sei explicar muito bem o que senti quando vi todos aqueles sacos encostados aos armários da cozinha para arrumar, mas foi assim um sentimento de conforto, foi como se dentro de cada um daqueles sacos, dentro de cada uma daquelas frutas viesse um bocadinho de abraços das pessoas que as colheram e as ensacaram para nós. Foi uma sensação boa de acompanhamento, de amizade para sempre. A sensação de que a Família é mesmo constituída, também, por aqueles que ao longo da vida se cruzam conosco e acabam por criar laços e ficar para sempre nossos.
Obrigada :-)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Enterpigaitada

Palavra que deriva do verbo enterpigaitar que quer dizer causar confusão, atabalhoação....
Enterpigaitada parece-me ser a palavra mais bem escolhida para designar a semana que hoje começa e que na minha agenda se visualiza como um monte de compromissos a lápis, a caneta, a cores.
Com a agravante de tudo o que em casa se enterpigaita sempre que os meus dias são mais fora do que dentro.
Não vos vou traumatizar com quantos kgs de roupa terei para engomar...afinal é segunda feira e temos de começar a semana com o ego em cima e espírito positivo! Está frio lá fora e temos de nos mexer para aquecer.
Eu estou de saída!!!!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Bilhardices


I.
Nunca tinha ouvido esta palavra.
Bilhardice, bilhardar, estranhas mas engraçadas pelo som que emitem, estas duas palavras são características do código linguístico da Madeira e querem dizer falar sem qualquer tema muito específico, falar por falar, conversar, cuscar.
Desde o passado ano lectivo que convivo com duas Mães que têm origem na ilha da Madeira e foi com elas que aprendi este termo que, sinceramente, me enche as medidas. Quando elas dizem que nos vamos juntar para bilhardar, fico deliciada e sinto-me uma miúda pequena que combina com as amigas de escola uma tarde bem passada a dar à língua sobre esta e aquela, este e aquele, corta aqui, corta acolá!
Agora, andava pelo mail a ver mails em atraso, a responder a uns, a arquivar outros, e lembrei-me que o que me apetecia mesmo era ter alguém com quem bilhardar um bocado.
II.
Está um frio de rachar e eu e o frio não somos propriamente os maiores "budies" (não sei bem se é assim a grafia correcta, mas também não faz mal). Ontem à noite a minha rica Filha lembrou-se que hoje devíamos ir andar de manhã. Argumentei que quando o frio aumenta não se devem fazer esforços físicos que impliquem a perda de energia. Ela não se mostrou nada impressionada por esta bela teoria da sua progenitora e insistiu que iríamos andar a pé, bem cedo, assim que eu viesse da distribuição matinal.
Saímos a pé. Pelo passeio em que batia o Sol, de vez em quando fustigadas pelo vento mais que frio, mas lá fomos. Bilhardando. As duas. Uma em roupa de treino. Outra em roupa normal. Fomos ao sapateiro buscar as botas. Fomos ver as montras. Fomos à Europa América. Folheámos, comentámos, escolhemos e trouxemos uns livritos. Fomos sentar-nos numa das pastelarias mais emblemáticas da Parede. Chá, chocolate quente, pastel de nata, tosta...as duas a saborear uma manhã de "meninas". Fomos ao banco, saber informações. Voltámos para casa, sempre pelo passeio do lado do Sol.
De vez em quando, sabe bem deixar-me guiar pelas mãos e vontades de quem não tem medo de enfrentar o frio e as perdas de energia.
Sim, temos de repetir!

Fora da Blogoesfera, Dentro das Páginas de Uma Revista

Hoje, todos os que comprarem o jornal Sol, ficarão a conhecer a cara e alguns dos espaços em que me movo dentro de casa.
Fui entrevistada, antes do Natal, para um artigo sobre donas de casa. Saíu hoje.
É giro ver o que os profissionais da palavra fazem com as palavras que lhes vamos dizendo numa conversa informal de final de tarde de um dia frio de Dezembro e é bom ver no papel que a quantidade de tarefas que me enchem os dias são realmente muitas e não apenas produto da imaginação de quem passa muitos dias em casa.
Sinto-me mais orgulhosa de mim. Sinto que tudo aquilo, ali, de repente transformado em informação para muita gente ler, é um prémio por todo o trabalho que faço, sem remuneração nem qualquer tipo de incentivo, há 11 anos!
Leiam e deixem aqui as vossas opiniões :-)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Eu e as Cozinhas...


Sinto-me especialista em cozinhas.
Quando bato à porta e entro, não conheço outro caminho nem qualquer outra assoalhada. Unica e simplesmente a cozinha.
Grandes umas, pequenas outras, modernas, antiquadas. Cozinhas que fazem sentir que ali se cozinha, cozinhas que transmitem o vazio que por vezes também ilustra as vidas.
Já em minha casa, é onde passo a maior parte do dia.
Uma divisão à qual nunca dei demasiada importância, de repente transfigura-se. É o centro do meu mundo, é o objectivo do meu dia a dia. De repente outras imagens vêm à memória. Em festas, jantares, almoços, é na cozinha que todos gostam de se concentrar, nem que seja por minutos, a conversar, a partilhar novas ideias culinárias, a beber um café antes de ser servido na sala. Realmente é na cozinha que está o coração de uma casa. É dela que saem as energias que alimentam os que por ali habitam, é dela que transpiram aromas que se espalham pelo ar.
Agora, o meu objectivo são as cozinhas.
De Norte a Sul. De Este a Oeste...
...vinde a mim!

domingo, 2 de janeiro de 2011

Olha, Já Estamos Em 2011 !!!

Estamos no 2º dia.
O Dia 1 começou tardio e subitamente estava terminado.
O 2º dia não durou muito mais. Entre arrumar os destroços da passagem de ano e dar um jeito na casa e iniciar a mentalização de reiniciar as aulas, o dia de hoje também se despediu da luz e entrou no lusco fusco do final de dia.
Amanhã recomeçamos o dia a dia. O acordar cedo e não parar. O vaivem, as escolas, as reuniões de entrega de avaliações, as reuniões da AP e da FAP, as reuniões da Bimby e as demonstrações.
Amanhã os Filhos voltam à Escola. O Pai fica em casa de férias.
Eu mantenho uma rotina mais ou menos idêntica em cada dia que passa!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Aprender a Escrever



O Natal trouxe à nossa Família três telefones destes. Giros, super fashion, tipo blackberry dos pobres!
Ando completamente à nora para aprender a escrever sms's. Eu que já tinha uma técnica tão boa a escrever no modo inteligente do meu Nokia, agora pareço uma tótó. Primeiro que escreva um sms demoro horas. Para além de que as teclas são mínimas, não há acentos para as palavras...
Gosto dele, mas ainda estou na fase de aprender a conhecê-lo. Com jeito vai.

Torre de Pisa

Da Net
Quando, ontem, consegui finalmente sentar-me no meu sofá da sala os meus Filhos 1, 3 e 4 jogavam animadamente Mario na Wii. Se por um lado isso foi bom, porque não havendo televisão, também não havia desculpa para não pegar no Livro e terminá-lo, por outro lado, parecia que estava metida num verdadeiro salão de jogos público tal era o "cagaçal" que eles faziam.
Fui buscar o Livro. Eram poucas as páginas que me separavam do final e, tentando alhear-me do barulho da jogatana, lá consegui chegar ao último ponto final deste romance. Bom. Terminada a leitura de mais um livro da minha vida, fiz o que faço sempre que fecho um livro pela última vez. Acaricio-lhe a capa, certifico-me que nem as páginas nem as capa e contracapa ficaram dobradas, olho-o mais uma vez e guardo-o no móvel dos livros. No lado dos "já lidos". Estava precisamente a colocá-lo no sítio quando a prateleira, cedendo ao excesso de peso, tombou para o lado direito ficando apoiada no que está por baixo dela...mais livros, recortes de jornais e outros tesourinhos meus. O meu móvel antigo guardador de páginas está, neste momento, em formato Torre de Pisa.
Do lado esquerdo, o do monte dos "a ler", saíu Marina. Sempre quero ver durante quantos meses me acompanhará este livro...e quanto tempo demorará a voltar à sua posição normal a prateleira que agora se inclina para o lado direito!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Nice Holiday For U All

Daqui
Apetece-me falar de tanta coisa, mas não falo. Parece-me que já deixei para trás, na história deste blogue, as palavras ditas e escritas sobre mim. Não me tem sobrado o tempo necessário à escrita a que estava a começar a habituar-me. Na realidade ser Mulher é complicado e ser Mulher da maneira que eu sou não é tarefa simples nem é para todas as mulheres. [que me perdoem a imodéstia, mas estou já um pouco cansada de não ser reconhecido todo o meu trabalho, de não ser elogiado tudo o que faço, de tudo ser considerado não algo elogiável mas uma das muitas obrigações que tenho para com a Família].
Estas férias de Natal, que costumam ser de preguiça e muita calam, têm sido dias como todos os outros, com a diferença de que todos estão em casa, menos o Pai. Tenho saído cedo da cama e cedo começado os meus dias. Com a cabeça preocupada com muitas coisas e as tarefas domésticas a sobreporem-se às minhas vontades próprias, não tenho conseguido ter sequer tempo para terminar o Livro que anda comigo há meses. Não tenho tido capacidade para escrever. [salva-me sempre o autor destas fotografias que com a sua inspiração acaba por me contagiar. umas vezes melhor outras vezes menos bem, mas é a partir das imagens dele que me sinto com vontade de juntar letras].
Sinto que precisava de ajuda sobre como fazer prevalecer a minha vontade, sobre como saber lidar com o deixar os outros para segundo plano, de vez em quando. Não sei como o fazer e acabo por me perder.
Agora, por exemplo, tenho de me levantar do chão onde escrevo estas linhas e voltar para a cozinha onde estive enfiada todo o dia. Já fui questionada sobre o jantar.
Que fazer?
Fugir talvez!
Entretanto, aceitem os meus desejos de Festas Felizes!!!!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Hoje já é Dia 15!!!!


Se nada mudou no calendário, a véspera de Natal é a 24 de Dezembro. Hoje é dia 15. Se os meus neurónios não me deixam ficar mal vista, faltam precisamente nove dias para a véspera de Natal. Estou em pânico!!!!
Ainda não escrevi os meus postais. Hoje fui a correr, logo pela manhã, ao sítio onde os comprei no ano passado e não havia nem um para amostra.
Ainda não pensei como vou fazer os cartões para identificar os presentes.
Presentes? Ah, pois...aquelas compras que se fazem nesta altura do ano e que se pede ao Pai Natal que transporte de um lado para o outro no seu mega saco vermelho. Pois...tenho os dos M.M.'s mais novos.
O M.M mais velho dispensa presentes. Precisa de uma prancha nova que isto de crescer não dá tréguas e as pranchas também deixam de servir, como a roupa. Prefere receber cash para ir amealhando até ter o suficiente para mandar fazer uma prancha nova, à medida.
A Catarina também não pediu nada de especial e deu-me uma listinha só para eu não ficar muito triste...
O Pai das crianças também nunca quer nada...
...mas depois temos uma resma de sobrinhos, cunhados e cunhadas, pais e sogros.
E depois ficamos encurralados naquela loucura das compras de última hora, em centros comerciais apinhados de gente, de barulho, de desarrumação, de cheiro a saldos no dia 26. E depois eu fico com aquele mau feitio próprio de Grinch....
Vale-me o Natal não ser cá em casa este ano. Pelo menos estou livre de pensar em marcadores de mesa, em toalhas, loiça, talheres, copos e travessas. Passaremos os dias 24 e 25 a saltitar de uma casa para outra, de uma Família para outra.
Ah, é verdade, talvez fosse bom fazer pelo menos uma listinha de hipóteses, não?
Vou pensar nisso. Afinal ainda faltam nove dias para a Véspera de Natal!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Colher, Colher, Colher


Colher, Colher, Colher.
Um verbo, um foco.
Foi com esta palavra repetidamente dita que a Directora Comercial da empresa onde estou agora inserida incutiu a mensagem de incentivo em cada um de nós na passada segunda feira, na nossa reunião semanal.
Esta palavra, este verbo,este foco, tem estado presente na minha cabeça desde então. Sobre ele tenho reflectido muito.
Na vida, como no campo, para que possamos colher temos de semear, mas semear todos os dias, porque ao contrário da agricultura, a nossa vida não tem épocas certas para semear e para colher. A forma como nos relacionamos com os outros, os que nos são próximos e aqueles com que nos vamos cruzando social ou profissionalmente, é absolutamente decisiva para definir a forma como somos tratados por esses outros.
Têm sido de sucesso os meus dias nesta actividade? Sim, de imenso sucesso. Sorte de principiante? Acredito sinceramente que tenho colhido tudo o que tenho vindo a semear. Um dos princípios fundamentais da minha vida tem sido, sempre, tratar de igual modo todas as pessoas com que me cruzo, com que me dou. Brancos, pretos, amarelos, ricos e pobres. Preconceito é algo que não tenho, nem nunca tive. Há pessoas que vão ficando próximas, há outras que a vida afasta, mas no essencial, a semente está lá. Quando chegar a altura de colher, existirá fruto, sempre.
Será imodéstia da minha parte, mas tenho de o dizer. Quem não souber semear este tipo de sementes, também não poderá ter colheita para fazer neste campo.
As pessoas e as relações entre pessoas são dos temas mais complexos, das situações mais difíceis de gerir. A partir daqui, tudo deve ser feito com naturalidade e não com esforço. Se as pessoas se esforçam por ter uma relação, então não devem insistir nela. As relações devem basear-se na empatia, na vontade de partilhar algo.
Estou feliz com este novo foco na minha vida.
Estou feliz por ter sabido semear, sempre.

Postais de Natal

Postais de Natal dos
Gambozinos
(cliquem na palavra Gambozinos,
visitem o site,
encomendem postais de Natal)
Já tinha o post todo escrito.
De tanto saltar entre o endereço de gmail pessoal e o endereço de gmail do blogue, perdi tudo o que escrevi. Que raiva!!! Só me apetece deitar o computador pela janela fora.
Vou tentar reescrever.
Dizia eu no post perdido que depois de enfeitar a casa, fazer a árvore de Natal e espalhar presépios pela casa fora, há outro ritual que não dispenso.
Escrever Postais de Natal
É verdade. Desejar Bom Natal por mail ou sms não me encanta. Fosse eu qualquer coisa como milionária e gostaria de dar um presente a cada uma das pessoas de quem gosto, a cada uma das pessoas com quem me dou. Infelizmente não me posso dar a esse prazer de dar que me enche as medidas e o acto de escrever um postal para cada um daqueles que fazem parte da lista substitui um pouco o prazer de dar. No fundo, escrever postais personalizados é uma forma de dar um bocadinho de mim. Não escrevo dois postais iguais e não me limito ao Feliz Natal, Bom Ano Novo, da praxe.
Quando a minha carteira era mais recheada, juntava o útil ao agradável e eram postais da UNICEF os que enviava. Agora que a crise vem emagrecendo a carteira, tenho tido que optar por soluções menos dispendiosas e sem cariz humanitário...shame on me.
Todos os anos me sobram cartões que vou guardando religiosamente e que reciclo no ano seguinte. Já corri todos os sítios onde poderia ter guardado as sobras do ano passado e não dou com elas (as sobras!). Está-me a dar uma raiva...estou a ficar senil?...ou com Alzheimer?...não sei! O que sei é que já aqui tenho uma lista de 36 destinatários e postais, nicles!
Vou fazer mais uma pesquisa. De gaveta em gaveta, de móvel em móvel, de prateleira em prateleira. Se esta pesquisa manual e sem qualquer ajuda electrónica não der frutos, que remédio terei senão investir em novos cartões.
Que escreverei, envoloparei, selarei e enviarei pelo correio!
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