Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.
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terça-feira, 17 de abril de 2012

Pormenores...

Daqui

I. ...De Casa

Casa. Há bem pouco tempo, o meu Universo.
Agora, a minha casa. O porto onde regresso após cada viagem, o destino desejado, o ponto final de cada dia.
Casa. O lugar por onde viajo hoje.
A mesa da casa de jantar pejada de papéis e dossiers. Os telefones. A minha agenda. O dia de hoje vai ser dedicado aos contactos. Iniciar novos e consolidar mais antigos. A conversa, o sorriso, as palavras. Os resultados vão surgindo e a lapiseira, fina, vai transformando em manchas escuras os espaços brancos da minha agenda. Aqui sorrio eu. A agenda em branco angustia-me. Gosto de a ver carregada de nomes de quem não conheço mais do que a voz ao telefone. Cada voz uma surpresa. Cada saída de casa uma nova Família que visito, vou conhecendo aos poucos, vou adicionando ao meu registo de memórias. [mais material para "aquele" livro que um dia vai acontecer].
A rotina da casa alterou. A rotina da Família alterou. A casa sente a minha falta, sinto-o, vejo-o nos pequenos pormenores que só eu detecto.

II. ...Dos Filhos

Os filhos. Neles também muita coisa mudou.
Estão mais crescidos e soltos. A alteração na minha vida tem feito com que se alterem também as rotinas deles. De repente parece que cresceram. De repente há namorado/namorada nos mais velhos. Há mais ausências na mesa de refeições, há mais presenças. Podemos ser só quatro, mas também podemos passar a oito. A flutuação. O movimento da Família. Cada um de nós é um Mundo, uma realidade, sonhos, pensamentos e palavras que se junta a outros Mundos e cria um Atlas de conversas, de dúvidas, de desejos e planos. Um Atlas onde os Países também têm cores diferentes, onde uns têm mais terra e outros mais água, onde uns sonham e outros estão bem presos à Terra.
Medo. Perda. Duas palavras que me ensombram volta não volta.
Orgulho. Palavra que define o meu Mundo de Mãe.
O meu Mundo, agora transformado em dois, divide-se por estas três palavras. Porque é enorme o sentimento de orgulho que tenho nos meus Filhos, mas enormérrimo o medo de os perder.

III. ...De mim

À cabeça vêm-me memórias de outros dias.
De determinados dias.
Dias. Lá ao longe.
Sinto-lhes o cheiro, a textura, a macieza do clima morno, os sorrisos que por lá andavam.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Aos Poucos


Daqui
Aos poucos esta mega casa vai-se compondo. Depois de uma verdadeira maratona de mudanças internas durante o fim de semana da Páscoa (em que faltámos à nossa bela estadia por terras de Estarreja à conta do gesso no braço do nosso caçula) em que se desmontaram roupeiros e voltaram a montar, em que se despejaram roupeiros e voltaram a encher, em que cómodas seculares foram transportadas de um piso para outro, em que se fizeram viagens ao mundo do mobiliário e decoração em busca de oportunidades e não só, eis que conseguimos finalmente (ao fim de cinco anos e cinco meses de aqui habitarmos) reorganizar espaços e ocupar quartos que há muito nos esperavam.
Estou completamente apaixonada pelo meu quarto novo. Muito mais espaçoso e ensolarado, com a parede da cabeceira da cama forrada a papel, é verdadeiramente tentadora a ideia de passar por lá o dia.
Os miúdos mais novos também estão deliciados. Cada um com o seu quarto embora não exista porta entre eles. Um quarto que poderia ser conjunto mas que é um biquarto. Não havendo porta há a hipótese da converseta antes de adormecer, cada um em sua cama, cada um de cada lado da parede.
Ainda temos imenso trabalho à nossa espera, mas a casa começa a parecer-se com o que para ela sonhámos quando a comprámos. Finalmente vou ter o quarto dos meus sonhos para os meus livros se poderem espalhar por quatro paredes. As estantes já lá estão, prontas a montar. A minha mega secretária com um belo tampo de vidro também. Com uma janela em frente e outra do lado esquerdo, está-me a parecer um bom spot para instalar este meu companheiro de escrevinhar palavras e comunicar com o mundo nas ondas da virtualidade!!!!
No domingo vou ter a casa cheia de crianças. Festejamos os 10 anos do Mateus com amiguinhos e amiguinhas pela casa toda e é nestas ocasiões especiais que valorizo ainda mais o espaço que temos!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Singing and Dancing in The Rain

Daqui
O nº 2 foi para casa de uma Amiga. Para ela o ajudar a fazer um trabalho de história. Sobre um filme que viram em três aulas. Sobre um filme que ele me pediu que fosse alugar para vermos hoje ao serão, para depois o ajudar no trabalho.
Aproveitei e aluguei também um filme para os mais novos verem. [Para fazerem uma pausa nos jogos].
O nº 2 telefonou-me agora. Não me queres vir buscar? Sim, posso ir. Onde estás? Na cozinha, a arrumar a máquina da loiça. Ah. E vens já? Sim, posso ir já. Foste alugar o filme? Fui. Boa! Quanto me pagas por te ir buscar? Beijinhos, abracinhos e desculpa por teres de vir...
O facto de haver um operador de telemóveis que tem um tarifário que nos permite falar à borla uns com os outros durante o tempo que quisermos, dá direito a conversas muito parvas, mas adiante.
Desatou a chover torrencialmente e a trovejar e a relampejar. [A nº1 anda na aula de condução em Lisboa!]. Não me apetece nada sair de casa, mas tenho de o ir buscar e de devolver o filme dos pequenos, que é daqueles "novidades" que se paga um balúrdio.
A passagem de ano vai ser em casa. Por força das circunstâncias, que são muitas e variadas. Os mais crescidos têm programas, não comuns. Conversadinho, bem conversadinho, "convidei" o nº2 e dois amigos para jantarem em casa conosco. Saem depois do jantar, pode ser? Aceitaram. Disseram que eu sou querida. Fiquei contente. E apesar de ainda não ter decidido a ementa para amanhã (eu sei...estou um bocadito atrasada, mas daqui a bocado já penso nisso, com os meus livros de receitas ao colo) vou sair para a rua e Singing and Dancing in the Rain!!!
Podem achar estúpido, mas em mim, a companhia dos meus rebentos, opera milagres.

That's my way of Life

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Um Problema de Bateria


A minha carrinha anda cansada, a precisar de férias.
O frio que tem estado e a humidade que durante a noite se acumula por cima e dentro dela, também não ajudam.
Não morasse eu em frente a uma bomba de gasolina com estação de serviço incorporada e estava bem tramadinha. Eu e os meus Filhos que dependem da boleia.
Quase todos os dias temos de ir pedir ao sr. da bomba que nos venha dar um bocadinho de carga à bateria para podermos arrancar do lugar.
Não deixa de ser engraçado, mas se calhar vou ter de pedir ao Menino Jesus ou ao Pai Natal que me ofereçam uma bateria nova!

M(ã)e(ditando)


Estudar-se o que se gosta pode fazer toda a diferença em termos de classificações finais.
Penso que todos nós, Pais e Mães, somos unânimes em afirmar que aos 14, 15 anos, os nossos Filhos são ainda muito imaturos para poderem decidir o que querem fazer da vida que ainda está tão longe, no sentido de que fazer qualquer coisa da vida significa saber o que se quererá fazer como profissão quando a idade adulta a isso o obrigar.
No ano lectivo anterior a este em que nos encontramos foi complicado gerir a insatisfação, a dureza de horários e a extensão de matérias. O tempo não era suficiente para tanta informação e as bases eram frágeis demais para conseguir sustentar a matéria que o secundário trazia consigo. Foi um ano muito complicado mas que serviu para que percebessemos (Filho e Pais) que aquela não era a área certa!
Novo ano lectivo, nova área de estudos, o mesmo ano de escolaridade. Uma carga horária muito mais racional, libertando algumas tardes para o Mar. Matérias que o fazem estudar com gosto porque as percebe, porque não as sente como algo completamente estranho e "chinês". 
As notas a subir. A auto-estima a subir.
"Que vai ele fazer quando o secundário terminar? A área de estudos em que estava no passado ano lectivo é muito mais abrangente e com muitas mais saídas profissionais. A área das humanidades é uma área mais virada para o sexo feminino."...
Tal como já aconteceu com a Irmã, só tenho um conselho para dar. Estudar o que nos dá gozo. Os anos que passamos a estudar são muitos e encaixados num dos melhores períodos da nossa vida, então que o estudo seja uma característica também agradável destes anos e não a maior seca de todos os tempos! Quando o tempo da profissão se aproximar, logo pensaremos qual será a que mais se adequa.
Para já, fico feliz com cada sms que chega dando conta de mais uma boa classificação num teste.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

E a Semana Chega ao Fim

Mais do que uma vez, durante esta semana, me apeteceu dar por terminado o dia quando o relógio da minha cozinha batia as 7 badaladas do final da tarde. Foi uma semana em que me senti muito cansada. Muito mesmo. Hoje, para não variar e tirando a parte da manhã, a correria tem sido a palavra de ordem. Agora, quando finalmente pus os pés em casa [depois de: uma recolha na escola ao pé de casa, uma ida ao Estoril para pegar um dossier de trabalho para o fim de semana, um regresso a S. Pedro para fazer a entrega de uma máquina, uma ida a S. João para falar com a professora do nº 4, uma ida a Carcavelos para comprar material de arte para a "artista"], descobri que ainda me esqueci de comprar papel de embrulho que ando para comprar desde o princípio da semana para embrulhar um determinado presente atrasado...
Não tarda muito e volto a sair. Desta vez para o Corfebol. Não tenho jantar preparado. Restos vários, em caixas várias no frigorífico. Vontade vontade, tenho de um belo hamburguer com batatas fritas ali na carruagem em Cascais, mas os tempos são de austeridade e não me escaparei de fazer jantar. Sonho com um fim de semana de relax total, algo que nunca acontece cá em casa. O forno do fogão está mesmo avariado. Tenho saudades de fazer bolos e bolachas e de dar um lanchinho para muitos cá em casa. De bom? Telefonou-me hoje uma desconhecida a pedir uma demonstração Bimby! A minha fama está já a ficar espalhada pelo Mundo. Pronto. Já partilhei o fim de sexta feira, o prenúncio do fim de semana. Agora vou. Ver Corfebol e dar à língua com as outras Mães.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Changing


I.
Iniciei o processo de mudança da minha vida. Como em quase tudo o que faço, iniciei-o quase sem pensar, sem reflectir. Sou impulsiva em maior parte das minhas atitudes e esta não foi uma excepção. A mudança exige bastante de mim, porque resultados exigem trabalho e dedicação. Estou mesmo empenhada na obtenção de bons resultados e nada melhor do que colocar desafios a mim própria, lutar por os conseguir cumprir.
Esta mudança da minha vida mexe com tudo o que há muito está organizado de determinada maneira. A vida da casa gira em torno de mim e não posso, nem quero, deitar fora esse trabalho. É mais um desafio que tenho para superar. Conseguir conciliar a novidade com a tradição.
II.
Ontem saí de casa com as crianças e voltei com elas. Um dia inteiro fora de casa, uma casa completamente em estado de sítio quando a ela voltei, prova de que tudo o que há para fazer espera sempre por mim para ser feito. Tranquilo. Num instante se pôs tudo na devida ordem, num instante se tratou de TPC's e banhos e jantares. O facto de ter passado o dia todo fora de casa também me fez bem. Ajudou a descontrair desta vida doméstica que é tão monótona!
III.
Para terminar em grande, uma visita nocturna ao Hospital de Cascais. A Catarina continuava a queixar-se da garganta e da cabeça, apesar da febre já estar a dar sinais de rendição. O Manel não quis que as duas mulheres da sua vida fossem sozinhas. Fomos os três. Nós duas para a urgência, ele cá fora a "skatar". O atendimento foi rápido, eficiente e simpático e num instante estavamos de regresso a casa, com passagem obrigatória por farmácia de serviço. Na primeira não havia o medicamento que o receituário exigia. Na segunda, o farmacêutico advertiu para os cuidados a ter quando se toma antibiótico, tomando os dois irmãos por dois namorados. Riam-se divertidos com a conversa do senhor quando regressaram ao carro. Passámos por uma estação de serviço e comprámos um chocolate para o resto do serão (a preço de estação de serviço...grrrrrr). Ainda nos sentámos no sofá, vimos as notícias no facebook, rimos e adormecemos.

What a Day
:-)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Que Bom!!! Já é Terça e Não Segunda!

Eu e a minha Máquina,
A minha Carrinha
[agora já tem mtºs mais autocolantes!!]
I.
A primeira tarefa do dia de ontem, feriado, dia de pedir o Pão por Deus [tradição da qual os mais pequenos não abdicam], era uma reunião da Associação de Pais. O local escolhido foi o Ctº de Interpretação Ambiental. Virado para o azul do oceano, com a promessa da praia por perto. A combinação pressupunha que o meu carro, por ter sete lugares, seria transporte de seis pessoas para além de mim. O ponto de encontro aqui à porta. Ficavam vários carros, seguia o meu. Ecologia. Poupança. Diversão pelo convívio e tagarelice até ao ponto de encontro. Tudo perfeito até ao momento em que nos sentámos, pusemos os cintos de segurança, dei à chave e nem um só pio saía de dentro do motor do meu carro. A bateria estava completamente morta e todo o belo plano foi por água abaixo...
II.
Há quem esteja nervoso/assustado. O exame de código é já amanhã e os testes que têm sido feitos para praticar não têm tido os melhores resultados. Repetir este exame implica o pagamento de uma quantia nada simpática...como sempre, optimista e confiante nas capacidades da primogénita, acredito que tudo vai correr bem.
III.
Não me canso de falar sobre os meus Filhos nem de me orgulhar deles. À medida que vão crescendo torna-se mais divertido e interessante observá-los, ouvi-los e conversar com eles. As conversas, por vezes, como aconteceu durante o jantar de ontem, pegam em temas despropositados, mas são, mesmo assim, muito divertidas. Olho para eles e percebo, cada vez mais, que não há nada melhor do que ter irmãos. A cumplicidade dos irmãos é algo que nada pode substituir. Por mais diferentes que sejam os feitios, as formas de estar e de pensar, a cumplicidade de irmãos é como um cordão umbilical que os une a todos e que os mantém num comprimento de onda que só eles sabem existir. É muito Bom!!! E é ainda melhor quando o serão acaba com os pequenos na caminha e os crescidos enroscados em cada um dos progenitores, no sofá, "a olhar p'ro boneco".
IV.
Tudo na vida tem o seu tempo.
Por inerência da velocidade a que corre agora a vida, há experiências que acabam por se viver mais cedo do que seria expectável. Não sei dizer se será melhor ou pior para quem as vive, sei dizer que é isto que acontece.
O meu pensamento, neste momento, está dirigido para as escolhas profissionais no final do 9º ano. Muito já se falou sobre isto, pouco se adiantou. Verdade é que os nossos jovens quando terminam o 9º ano têm pouca maturidade e pouca noção do que gostarão de fazer quando "forem grandes", o que acaba por lhes condicionar muito a forma como optam por uma determinada área de estudo. A experiência que vivo actualmente com o M.M.2 prova tudo isto que digo. Depois de um ano lectivo cheio de esforço e de trabalho, com pouco tempo para o lazer, eis que se toma outro rumo. O rumo que eu já havia apontado no final do 9º ano e que na altura se pôs de lado. Os resultados obtidos são muito diferentes. A felicidade com que se recebem esses resultados é, por si só, estímulo suficiente para se manter ou reforçar o ritmo de trabalho. O acreditar em si mesmo e nas capacidades é fundamental neste processo de aprendizagem e de crescimento. Está feliz. Com bons resultados. E tempo para surfar ondas que se mantém, ali em baixo, a chamar por ele.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O Estudo do Meio, a Matemática, o Estudo e a Falta de Tempo para o resto...

Saíu da escola cabisbaixo, ao contrário do que acontece diariamente. Calado.
Aos poucos, a saca-rolhas, lá percebi que o desempenho a responder a perguntas de Estudo do Meio não tinha sido nada positivo. A juntar a este confissão a saca-rolhas juntam-se as vozes das meninas a dizer que ele não tinha direito a ganhar o esqueleto, porque não respondeu a  nada... (as meninas são tramadas e o ensino está feito para elas, vantagem das vantagens!). A telha era tal que nem lhe apeteceu ir brincar ou andar de skate como faz todos os dias antes de virmos para casa.
Com tão mau humor, foi fácil metê-lo no carro e vir para casa. E aí é que foi. Longe dos olhares críticos e trocistas das meninas, as lágrimas vieram em queda livre pela cara abaixo e as palavras em tropeções pela boca fora. Na véspera a prioridade era estudar matemática e não estudo do meio, mesmo assim tinha-se enganado na resolução de, pelo menos, um problema. A Professora não podia querer que eles estudassem tudo para o mesmo dia. Ele assim não ia conseguir ter boa nota. Enfim, uma tragédia daquelas.
Fiz a minha parte de educadora.
Que o estudo se tinha de ir fazendo diariamente e não de empreitada na véspera dos testes. Mais lágrimas e reclamações. A minha voz calma e baixa para ele não desesperar ainda mais.
Cá dentro a vontade imensa de lhe dizer que tem razão. Que só tem nove anos. Que está na primária e que é na escola que passa a maior parte do dia (precisamente oito horas e meia). Que devia poder vir para casa e fazer o que lhe desse na telha - brincar, ver desenhos animados, pintar, ler -, mas não pode, porque tem TPC e estudo, porque tem de jantar a horas e a horas ir para a cama para dormir o número de horas necessário a um bom desenvolvimento. Mais uma vez me defronto com a exigência de um tempo em que queremos que tudo seja perfeito - os filhos, a alimentação, o estilo de vida, o sono -, mas em que o relógio nos escraviza e nos retira momentos de prazer e de lazer em prol de momentos de perfeição.
Às vezes apetecia-me "baldar" para as regras. Por eles. Por mim. Por nós.
Mas não consigo! A minha consciência é demasiadamente rígida e castigadora...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Só um Bocadinho de Mim...

Da Net
Quero-me gravar bem fundo nas memórias dos meus Filhos
Quero-me colar a eles
Quero que me procurem quando já não precisarem de mim
Quero que me abracem com força quando eu já não tiver força para resistir aos seus abraços
Quero que se aninhem, que conversem, que riam, que chorem
Quero olhar para eles durante muito tempo, adivinhar-lhes emoções e desejos
Quero que venham com vontade de ficar, com saudades quando partirem
Quero ouvi-los falar. Comigo. Uns com os outros
longe das discussões infantis e adolescentes
Quero senti-los felizes, sempre
Quero olhá-los e perceber calma
Daqui a uns anos, quando a casa já não os abrigar no dia a dia, quero que eles venham desassossegá-la, enchê-la de risos e vozes
Daqui a uns anos...como estarei

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

No Caso de Algum dos Professores dos Meus Filhos nºs 2 e 3 Ler o Meu Blogue...

Família vinda da Net
[Escrevi o post e quando chegou à altura da publicação, deu erro. Quando consegui voltar cá, tinha desaparecido tudo! Vou ter de me lembrar do que já estava escrito.]

Tento ser uma Mãe com cabeça, tronco e membros no que toca às regras e seu cumprimento. Desde o que se come até à hora de deitar, nem sempre é pacífica esta minha tarefa de legisladora da pequena república que é a minha Família.
Depois, os anos passam e por muito que eu queira lutar contra essa pasagem do tempo (não por motivos de vaidade pessoal, mas por motivos de assumpção de perda de capacidades), a verdade é que o meu nível de energia não é já igual ao que era há dez anos atrás. Faço tudo igual, ou pelo menos tento, mas quando chega a hora do sofá, já é com grande esforço que consigo ler umas páginas ou dar atenção a um episódio completo de uma qualquer série FOX Life/AXN.
A hora da cama, cá em casa, é entre as 21:00 e as 21:30 para os "pequenos". Um bocadinho mais tarde para os "grandes". Acontece que o nº3 se "revolta" frequentemente. Já não se acha "pequeno" e as 21:00 como limite chocam-no. Eu não cedo, tal como não cedo em relação à sopa, que é obrigatória a todas as refeições (dou uma "balda" ao fim de semana, a uma das refeições). Mas este nº3 tem uma dificuldade grave em acordar.
Entre as 6 e as 7 da manhã salto da cama. Às 07:30 acordo-o, ou melhor, começo a acordá-lo. Enfiado num casulo de roupa que constrói durante a noite e que o transforma numa múmia, é com muita dificuldade que me ouve e que me sente nos carinhos da manhã.
A Escola fica a cinco minutos (de carro) de casa. O toque é às 08:30. Já passava das 08:00 quando consegui que ele, hoje, se levantasse da cama.
Wc+higiene+pequeno-almoço+chuva+vento=chegar atrasado
Como se não bastasse, lembrei-me de perguntar ao nº 2 se o TPC de Português tinha sido todo feito/acabado. Ai e tal, porque não sei como se imprime e quando cheguei do treino já estavas mais a dormir do que acordada... Saltou-me a tampa. Desatei a dizer coisas. Fui imprimir a porcaria do trabalho. Saímos de casa comigo a ferver. Tremiam-me as mãos e tinha o estômago pronto a ver-se livre do pequeno almoço tomado às sete da matina.
Fiz a distribuição.
No regresso a casa decidi parar o carro.
Fiquei a respirar fundo. A ouvir a chuva a cair. A ver os efeitos do vento. Fui comprar jornais e ovos para fazer um bolo. Regressei a casa mais calma.
Ser Mãe, cumprindo os preceitos que consideramos serem os necessários para levar a cabo a tarefa de educadora a bom porto, é cansativo. Muito cansativo.



segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Um Dia Tramado [ou um Início de Semana Tramada]

Não é a minha, mas dá para ilustrar!
Parece que toda a gente no Mundo detesta as segundas feiras.
Para dizer a verdade, eu até gosto delas. São o sinal de uma nova semana, de dias que estão para vir, de mentalmente planear o que vou mudar em relação ao que fiz de mal na semana anterior, mas como não há bela sem senão...as segundas feiras também têm o seu quê de stressante.
Geralmente, depois do fim de semana, a casa fica num estado caótico. Desarrumação, toneladas de roupa por tratar, mil e uma pequenas coisas para arrumar. Já comecei. Com a força toda. Aproveitei para mudar um roupeiro de sítio. Apeteceu-me. Não tenho a certeza se o vou deixar naquele novo canto por muito tempo, mas que importa? Está diferente!
No início da tarde tenho de ir à Escola.
Quando não se tem ajuda, os dias da semana podem ser bem complicados.
Ainda estou aqui a tentar resolver mentalmente uma sobreposição de tarefas e horários dos dois mais novos, amanhã, ao final da tarde. Um para o lado direito da Marginal, outro para o lado esquerdo. Já consigo achar piada quando me dizem que sou a pessoa com mais disponibilidade para fazer isto ou aquilo. Não vale a pena contrariar!
E depois há esta situação privilegiada de se viver por cima do mar. Este solinho de outono que me vinha a aquecer os braços e as pernas [sim, porque os calções continuam a dar] através do vidro do carro. Parecia um íman a puxar-me para baixo, para a praia...e eu, íman racional, a puxar-me para o meu reino de mil e uma tarefas domésticas.
ah ah ah
Resisti à força magnética do mar e guinei para terra. Se é ou não firme, não sei afirmar com toda a certeza. Por vezes, algo pantanosa.
Vou continuar, aplicada.
Talvez ainda aqui volte.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Bem Feita!!!

Areias de Cascais

O Outono traz cheiros e sabores próprios.
Tenho andado a lutar contra a melancolia dos dias que encolhem, da luz que se despede mais cedo, do Sol que lamenta mas tem de dar lugar às nuvens. Sinto em mim a mais completa negação das estações de dias curtos e frios. Cinzentos e melancólicos. Apesar do quentinho bom das mantas nos sofás, do cházinho.
A preguicite de hoje transformou-se, repentinamente, numa vontade de "bakering". Virei e revirei páginas do livro de receitas. Um bolo? Nã...o que vinha mesmo a calhar...bolachas! Sim, deitei mãos à obra com o meu ajudante mais novo e saíu um belo tabuleiro cheio de areias, as que se dizem de Cascais.
Numa sexta feira completamente estranha. Família incompleta para jantar.
Vejo-me sózinha com os dois mais pequenos. Decido fazer um jantar "à americana", dos que nunca se fazem cá em casa. Nós três, sentados nos sofás, tabuleiros no colo, muitas batatas fritas. É a nossa vingança por os outros três elementos da Família se terem baldado...
Bem Feita!
Não comem Areias!!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Pieguice

Outra Máquina
Outras Mãos
O meu nº 4

Esta manhã foi o início do ano escolar na escola do nº4.
A mesma escola onde todos os irmãos andaram. Para mim, sempre, a Escola Primária.
Uma Escola onde também andaram duas primas minhas.
Um espaço que faz parte da minha vida há 9 anos.
Hoje, ao passar para a sala do Mateus, após a reunião geral, interiorizei que ele é Finalista e eu termino o meu percurso de Escola Primária.
Assaltou-me a nostalgia do tempo que passou e a dúvida sobre se terei sabido aproveitar esse tempo. Sei que fiz o melhor que pude, dividindo-me por quatro, multiplicando atenções, afectos e "puxões de orelhas". Sei que ainda tenho muito para fazer. As solicitações de atenção vão crescendo com a idade. Os afectos são sempre, sempre, indispensáveis. Os "puxões de orelhas" não podem deixar de existir.
Abrem-se asas. Primeiro duas, agora já quatro. Sobram-me os mais pequenos que afinal já não o são. Espanto-me com a diferença de mim entre o passado e o presente. Quando os grandes tinham a idade que têm agora os pequenos, já eram grandes. E estes são pequenos. Contradição. Eu a não querer que cresçam? Eu a querer ter sempre um "pequeno" por perto? Sim, eu sou viciada em bébés.
Os meus quatro filhos pequenos.
Os meus quatro filhos crescidos.
A vida. A deles que já foi minha. A deles que agora é cada vez mais deles.
O tempo. O tempo em que eu tinha mais tempo para eles e não sabia. O tempo que agora não me chega para mim nem para eles.
As dúvidas - saberão eles o quanto gosto deles? saberão eles o quanto gostam de mim? ...

Eu
Os meus Filhos
A pieguice de ser Mãe
A profissão que me escolheu
A vida
Eu

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Aniversário e Saída à Noite [a Primeira]

Eu e a minha Máquina,
Cerro da Águia, Algarve
Agosto 2010

[Este post da Cócó inspirou as palavras que a seguir se escrevem!]

O Manel fez 16 anos. No Algarve, como já vem sendo hábito de há 14 anos para cá.
Passámos o dia na praia escolhida por ele para que pudesse fazer as suas skimadas, jantámos em casa um jantar escolhido por ele, recebemos os Amigos de férias para cantar os parabéns a você e beber uma taça de espumante. Nada de extraordinário até aqui.
Depois surgiu o pedido. Uma saída à noite. Discoteca. Para ele seria a primeira vez. Concordámos. Afinal, férias são férias, o momento certo para fugir à rotina e às regras do resto do ano. Não existindo muito conhecimento sobre os locais da moda, deixámo-nos guiar pelas sugestões que outros ditaram.
Dois carros conduzidos por Pais, com a lotação máxima de jovens candidatos a uma noite de dança, saíram de Albufeira em direcção a Vilamoura. Atravessar Vilamoura de uma ponta a outra foi quase um concurso de paciência que acabou por se revelar inglório visto não ser ali a discoteca pretendida pelos "dançantes". Afinal era para a Quinta do Lago que tínhamos de ir. E lá fomos, acabando por chegar à porta do T-Club por volta das duas da manhã, a hora certa para começar a dançar, na opinião dos mais experientes.
Dos sete candidatos, dois não entraram. Uma por falta de idade (apesar da altura) e outro por falta de documento de identificação. Ficámos então, quatro adultos e dois adolescentes, ali, sem saber o que fazer até à hora de saída dos foliões.
Decidimos sentar-nos numa das esplanadas do recinto agradável da Quinta do Lago. Uns sofás simpáticos e confortáveis receberam-nos e alojaram-nos até que a chuva, improvável naquela noite quente de Verão, nos afastou dali para fora.
Instalámo-nos numa outra esplanada, já fechada, mesmo por baixo da discoteca onde os nossos meninos se divertiam. Valeram-nos umas cervejas aparecidas sabe-se lá de onde e, mais uma vez nas nossas vidas, a companhia agradável e as conversas que sendo como cerejas, nunca nos levam a fartar delas!
Deitámo-nos quando o Sol já nascia em Albufeira. E não dançámos...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

De Onde Vens? Venho da Festa...

Uma das minhas Avós, quando eramos pequenos e a seguir a uma festa ficávamos naquele estado de semi inconsciência que nos dificultava a locomoção e, consequentemente, a ida para casa, tinha sempre este dito acompanhado da mímica facial que indicava alegria ao ir para a festa e cansaço ao sair da festa.
É mais ou menos nesse estado de embriaguez que me encontro. A festa foi até bem tarde e o meu despertador mental acordou-me bem cedo.
Hoje é o dia de ir. Ainda tenho de tratar da escola e do quiproquo da mudança.
Saio agora. Hei-de voltar para pequeno-almoçar com a Família adormecida.

domingo, 1 de agosto de 2010

19 Anos!!! [Quase a Ir de Férias]

Eu e a minha Máquina,
Ontem à Meia-Noite

Já devia ter escrito este post ontem, quando não havia ninguém em casa e o silêncio era propício a palavras inspiradas. Não o fiz e chorar sobre o leite derramado não é bem o meu life style. Andar para a frente e deixar no passado o que a ele pertence.
A "Menina" chegou ontem do Norte da Europa. Feliz e sorridente, como sempre. Com histórias divertidas para contar e a experiência de vida de um povo e de um país completamente diferente do nosso [a Noruega é quatro vezes maior do que Portugal e tem metade da população, não se veêm polícias, não há ladrões, há pessoas que se suicidam por não aguentarem tanta perfeição!].
Ela chegou e eu respirei com mais felicidade, porque não há dúvida de que ela me faz muita falta.
Dizem os entendidos que não devemos querer ser os melhores amigos dos nossos Filhos, mas existirá algum problema se considerarmos os filhos os nossos melhores amigos? Não sei e também não me preocupo muito. Sei que a minha Filha, a única Mulher cá em casa além de mim, é mesmo uma grande companheira que tenho. Há coisas que sei que ainda não posso conversar com ela, porque apesar da sua maturidade é minha Filha, mas sei que ela me compreende muito para além do que eu digo, do que lhe conto. E isso é também um factor de júbilo para mim.
Comemoro hoje o 19º aniversário da minha experiência como Mãe. Uma experiência a que fui dando seguimento durante 10 anos seguidos, mais três vezes. Uma experiência que não me canso de viver e que quero continuar para sempre, enquanto por cá andar.
Hoje, todo o Mundo gira em torno desta companheira incansável, feliz, sorridente e eternamente decidida!
Parabéns Kiki
Muitos Anos de Vida
:-)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Sexto Sentido, Instinto Maternal, [seja o que fôr]

Está a decorrer a 2ª fase do Exame Nacional de Geometria Descritiva.
A Catarina está lá. Foi em sofrimento. Nervosa, à séria. Fez quilos de exercícios. Merece mesmo uma boa nota. Merece mesmo que a média nacional baixe e que ela consiga entrar no malfadado curso que tanto deseja. Só depois do exame de hoje é que fica finalmente de férias. E bem precisa delas! [E o quarto dela também].
Eu estou assim "a modos" que agoniada. Apertada. Não sinto o coração a bater e não me apetece sequer mexer. Fumaria um cigarro se tivesse. Não tenho. Será mesmo verdade a história do instinto maternal e do sexto sentido? Deve ser disso que padeço neste momento. Ainda falta mais de uma hora para ir ter com ela. Espero que lhe esteja a correr bem.
Entretanto tinha prometido um dia inteiro de praia ao Mateus e o cinzento do céu manteve-nos em casa. Coitado do "caçula".
Na próxima semana há dois aniversários importantes e ainda não tratei dos presentes. Nem faço ideia. Algo me diz que também ando a precisar de sair daqui.
Que dias monótonos!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Kids Fashion

Enquanto faço as minhas tarefas domésticas tenho a televisão ligada, por companhia. Vou mudando o canal entre a SIC Notícias e o Canal 2. Acabei agora de ver o programa Sociedade Civil, na 2. Hoje, a conversa girou em torno das compras, dos Pais e dos Filhos. Quem impõe o quê a quem.
Já no final falou-se nos casos de irmãos que são vestidos de igual pelos Pais durante a infância. À memória vieram-me as imagens dos meus Filhos mais velhos. Sempre vestidos de igual. Ela em versão kilt, ele em versão calções de fazenda. Meias até ao joelho. Blusas para ela, camisas para ele. Este modelo ainda foi válido para o terceiro, mas aos poucos foi-se perdendo. De repente, adeus blusas, adeus camisas, calções de fazenda e kilts. De repente, olá calças de ganga, ténis, t-shirts e sweat shirts.
Sou menos feliz por essa mudança? Não. Eles são mais felizes!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Fuga, a Duas Vozes

Hoje era preciso sair daqui.
Não por mim, mas por alguém que precisava de respirar fundo, de desabafar preocupações e dúvidas existenciais.
Uma passagem na ESFLG, dois dedos de conversa animada, fotografias, conselhos de outros. A crescer em mim a vontade de saber mais, de voltar a estudar, de ter a obrigação de ler o que me apetece ler, de saber identificar mais conceitos.
Shopping. FNAC. Livros. Arte. Pincéis. Papéis. Aguarelas.
Fantástico Mundo onde os materiais da Arte se aliam agora aos materiais da leitura. Páginas e lombadas vivem lado a lado com pincéis, aguarelas e cadernos.
Eu apaixonei-me por esta Tabacaria que já conhecia da fotografia fantástica do Artur.
Almoçámos e estivemos bem. Adivinhei mais calma depois de umas horas em que não tive de desviar a minha atenção para mais ninguém.
De vez em quando, são essenciais estas fugas!  
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