Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Inquietações


"- Mãe, já pensaste que este ano já vou ter que votar?...
- Já, e tu?...
- Mas ... eu não percebo nada dessas coisas... Vou ter que começar a dar atenção!"

Quando tive idade para votar, [já nem me lembro qual foi a primeira vez que votei!], estava claro na minha cabeça em quem ia votar e porquê. Considero que tive sorte em ter vivido o 25 de Abril, pois, apesar dos meus nove anos na altura, despertei para a questão social e política cedo.

Cresci como pessoa numa época em que a democracia e a liberdade eram novidades, eram assunto debatido diariamente. A minha opção política cedo foi assumida, participada e vivida e tem-se mantido ao longo dos anos.[numa Família em que "direita" e "esquerda" coexistiam].

Quanto aos jovens, aqueles que como a C. completam 18 anos este ano, parece-me que para eles a política é algo de muito distante e até estranho. Nasceram e têm vindo a crescer numa sociedade onde democracia e liberdade já são dados adquiridos, onde as pessoas se sentem um pouco descrentes e afastadas da política. O que é a política para eles? Ou são jovens que têm naturalmente interesse por essas questões ou que pertencem a Famílias politicamente activas, ou então é uma realidade na qual vão ter que aprender a atentar.

Desde que a C. me falou sobre o seu direito a voto tenho pensado. Os 18 anos dela são tão diferentes do que eram os meus, em tanta coisa. Não são melhores nem piores, são apenas diferentes. [Em algumas conversas sobre temas diversos, vejo-a tomar posições nas quais não me revejo minimamente e que pergunto a mim mesma se são fruto da sua inexperiência e juventude ou se serão posições que lhe irão ficar para sempre...]

Qual deve ser o meu papel nesta tomada de consciência? Como devo eu explicar à minha Filha sem a orientar para o meu caminho?

12 comentários:

Thunderlady disse...

Boa pergunta, muito boa pergunta a pergunta final.

Talvez simplesmente respondendo às suas perguntas sem emitires opinião, sem dizer "melhor" ou "pior".

Não sei.

Beijinhos

Lita disse...

Acho que as mães se colocam questões dessas desde que eles aprendem a rir... a minha ainda tem 4 anos e já me vejo com inquietações sobre o sugestionamento.
Uma vez disseram-me algo interessante, nesse assunto: ela vai ter idade para pensar por ela própria, quando assim o escolher. Até lá, se não fores tu a orientá-la, outros serão. Será isso melhor?
Não sei.
Excelente texto.

Noiva Judia disse...

Boa pergunta... Eu já sou filha da democracia, parte da minha família tinha uma consciência política muito forte e isso de certa maneira influenciou-me, pelo menos na questão de que é importante votar e tentar ver as diferenças que marcam os programas dos vários partidos. Mas a decisão seria sempre minha.

Gi disse...

O meu filho mais novo também terá idade para votar em 2009; o meu filho mais velho já completou a maioridade mas ainda não houve eleições.
Nenhum deles "tem" que votar e, os meus, sabem perfeitamente em quem não querem votar.

Vekiki disse...

Thunder, é essa a atitude que a minha intuição diz que devo tomar! Obrigada pelo conselho. Bjs

Lita, aí está outro pensamento que vai passando na minha cabeça. Se eu não a orientar, outros o farão. Eu quero orientar, não quero influenciar...difícil...confuso...Bjs

Noiva, aqui por casa a única pessoa que gosta de política sou eu. Mas não a imponho aos outros, o que leva a que ela passe despercebida a mentes ainda não preparadas para a receber, percebes? Bjs

Gi, na minha opinião, votar é um dever cívico. Na minha opinião todos temos e devemos votar. A política não é feita pelos outros, é feita por cada um de nós. Só terá voz activa na sociedade quem exercer o seu direito de voto. É muito fácil dizer "eu não votei neles" quando não se exerce esse direito que também é um dever. É bom os teus Filhos já terem a noção de quem não merece o voto deles! Pode ser que daqui a uns anos isso já aconteça por aqui com os mais novos!!! Bjs

salvoconduto disse...

Não partilho da premissa de que se não deve emitir opinião. Seria mau para um filho saber que os pais, nesta fase da vida, não têm opinião formada. Paternalismos à parte eles saberão fazer as escolhas, tal como nós as fizemos. A nossa opinião será, tão só, mais um dado a processar.

paulofski disse...

Queremos mudar mas não fazemos nenhum esforço para que isso aconteça! Se não estão bem, no dia das eleições têm a oportunidade de reclamar, colocando uma simples cruzinha, ou então nenhuma, dobrando o papelinho assim mesmo e daitando na urna como uma mensagem. Tão simples é só levantar o rabo do sofá e perder uns minutos de Domingo. Quem sabe até dá para um belíssimo passeio!

Laidita disse...

É uma boa questão. Devemos sempre dar-lhes bases para que possam decidir por eles "informadamente".

Bjs!

Rita disse...

O meu comentário não apareceu? :S

Vekiki disse...

Rita, por um motivo qualquer que eu desconheço (talvez sono a mais quando moderei os comentários ontemà noite), este teu comentário não saíu...ou melhor é dado como moderado, mas não aparece aqui. Então, fui ao gmail e trouxe-o eu, pela minha mão. Obrigada por teres alertado a loura para a burrice!

"Acho que não a deves orientar nem para o bom nem para o mau.. Deixá-la seguir o caminho dela, que ela escolher, parece me o mais acertado! Mas concordo que hoje os jovens se alheiam completamente da política o que não é nada saudável, na minha opinião, porque muitas vezes não sabem o que se passa sequer no seu próprio país. Aí sim, acho que muitos precisam de ser orientados a pelo menos começarem a estar atentos ao que se passa à nossa volta...

Boa sorte :)"http://www.blogger.com/profile/09899018816275731818

Daqui te vejo disse...

O meu comentário não apareceu!
Fui proscrito?
...Ou foi o lapís azul?

Vekiki disse...

Dqui te vejo, não sei o que aconteceu...desculpa! Aqui está ele, copiado do gmail...
"Orientação ou castração?
Aos 18 anos, a leitura da "sua" realidade pode levar a que num futuro mais ou menos próximo, dúvide, arrependa ou ache graça às motivações que a levaram a votar em determinada pessoa, partido, ideologia.
Mas na verdade, é das decisões mais inócuas da sua vida, digamos que é uma exercício.
Na verdade, parece-me que o teu papel deve ser mesmo incentivar a ir votar. De resto se apontas ou sugeres um caminho, tás a exercer uma castração no desenvolvimento/crescimento de uma consciencia que se quer evolutiva, com todos os erros e acertos normais a um saudavel cescimento. "
Beijos e mais desculpas!!!!

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