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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Como (não) se ensina a pensar...


Ao terminar o 12º ano com 19 a Filosofia achei que esse seria o rumo certo para a minha vida. Entrei para o curso de Filosofia na Faculdade de Letras. Durante um ano estive lá e percebi quão fracas eram as minhas bases, a minha cultura geral, a minha "bagagem" para um curso que exigia muita leitura, muito conhecimento do pensamento de diversas pessoas em diversas épocas. Atendendo a que sempre fui uma leitora assídua, vejo agora, passados vinte e cinco anos sobre o ano em que pus pela primeira vez os pés dentro da Faculdade de Letras de Lisboa, que os anos passados no Liceu não me prepararam convenientemente para o que iria encontrar no ensino superior.

Transportando esta realidade para os dias de hoje, verifico com alguma tristeza que as coisas não mudaram muito...pioraram até! Os nossos Filhos têm acesso a uma informação muito mais globalizada. Escrever uma palavra ou uma frase num motor de busca na Internet abre-lhes o caminho para uma série de informação sistematizada que lhes facilita a vida mas que os desabitua do pó dos livros, das leituras obrigatórias, do saltar de livro em livro para complementar informações.

No caso da Catarina, por exemplo, uma das disciplinas fundamentais da área dela é a História da Cultura e das Artes. Quando ela entrou no 10º ano fiquei toda animada. Eu, que tenho tantas saudades de estudar, iria ter a oportunidade de relembrar matérias queridas ao ajudá-la. Foi com muito espanto que ao folhear o manual de Filosofia constatei que nada de Antiguidade era mencionado naquelas páginas. Como compreender a história da Filosofia e do pensamento sem conhecer as suas origens? A origem da palavra Filosofia? A Catarina saíu-se bem, a minha ajuda nunca foi precisa e eu "desliguei" daquele manual incompleto!

Ao iniciar o 11º ano, iniciou-se a disciplina de História da Cultura e das Artes. Penso que para qualquer um de nós, estudante há 30 anos atrás, será claro que ninguém poderá pensar em dar uma disciplina deste tipo sem associar o pensamento filosófico à expressão artística. Eles complementam-se, reflectem-se um no outro. Pois bem, o "maravilhoso" professor da disciplina, no Liceu de São João do Estoril, nunca fez esta ligação. As aulas resumiam-se à leitura do manual e pouco mais, sendo que este pouco mais se traduzia em escárnio e palavras desagradáveis aos alunos. Apesar do descontentamento de Pais e Alunos, o Professor insistiu em ficar com a turma no 12º ano e o método continuou igual. A Catarina, preocupada com o exame desta disciplina, pediu ajuda a um familiar da área. Logo nas primeiras conversas ele perguntou-lhe sobre a Filosofia antiga, que ela afirmou desconhecer.

Que tipo de estudantes universitários serão e são estes que a nossa sociedade prepara? Que dificuldades irão sentir ao entrarem no ritmo do ensino superior? Ou será que o actual ensino superior se nivela pelos fracos conhecimentos de cultura geral que o nosso ensino secundário passa?

Estudar deve ser uma paixão. É uma paixão que tenho e que ainda hei-de voltar a realizar. Assusta-me que os nossos Filhos não sejam ensinados a gostar, com paixão, da Escola e dos ensinamentos que dela poderiam retirar para sempre. Sinto que muita coisa deveria mudar. Sinto que ninguém sabe como iniciar esta mudança e isso entristece-me, assusta-me...

4 comentários:

Isabel disse...

Ah Vera, compreendo bem o que dizes…e não é só aí. Sinto o mesmo no ensino dos meus filhos, muito embora com a minha Catarina eu note uma certa diferença para melhor. E acho importantíssimo o envolvimento dos pais. Somos nós que temos que preencher essa falha. Quando andei aqui na Universidade, ficava estupfacta com a falta de conhecimentos da malta mais jovem sobre o passado que nos trouxe até aqui- quer a nível de literatura, história, arte, etc.

Filoxera disse...

Estudar é bom.
Compete-nos acompanhá-los, incutir-lhes espírito crítico e, mesmo, fazer umas reciclagens ;-)
Beijos.

S disse...

POrque concordo com tudo o que disse aqui e eu, acho que aprendi a gostar de aprender e não de decorar! Mas isso nos testes não me chega...
E agora, abram alas que as bagagens vão aumentar!

Joana disse...

Pois eu acho que o problema começa muito mais cedo, quando se inicia a escola. A minha vontade é começar tudo de novo, e construir uma escola diferente... Talvez um dia quem sabe.

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