Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Eu e os meus Irmãos

É de ficar sem palavras. Esta Grande Reportagem sobre Famílias de Irmãos. Irmãos que ficam sozinhos, sem Pais, que sobrevivem da melhor maneira que sabem. Impossível não sentir a garganta a apertar quando se ouve "é muito difícil não ver a Mãe", principalmente quando se é Mãe, quando se compreende melhor do que ninguém o que deve ser para aqueles meninos viverem sem a presença feminina, sem a presença do afecto maternal. Impossível não sentir assombro perante a organização que eles foram capazes de criar - as casas onde dormem aos pares para não terem medo durante a noite, as cadeiras e as estantes que o mais velho foi capaz de construir e ensinar aos irmãos, os brinquedos feitos de fios e de latas, forrados com papéis de bolachas "para ficarem mais bonitos". Tudo tão simples, tão básico, tão diferente. Nunca viram uma televisão, água canalizada ou luz eléctrica. Gostavam de ter uma bola para jogar. E à pergunta "O que é que vos faz falta?", a resposta inacreditável da aceitação da condição em que existem, da felicidade que encontraram vivendo assim, "Nada, não nos faz falta nada..."

E eu presa naquelas imagens, naquela frase, naquele continente nunca visitado mas tão amado. E eu cheia de lágrimas a rebentar dentro de mim. A deitar os meus Filhos, a aconchegar-lhes a roupa, a pensar simultaneamente na simplicidade e na importância deste meu acto diário. A pensar em todas as crianças sozinhas no Mundo. E mais lágrimas a aparecerem...

Parabéns Cândida Pinto. Parabéns Jorge Pelicano.

2 comentários:

Rui disse...

esta reportagem é realmente fantástica, já a tinha lido no sábado de manhã na revista do Expresso, ontem visionei apenas uma parte, mas aquela família constituída por 4 miúdos, na qual o mais velho teve de assumir as rédeas aos 16 anos, deixou-me também com uma lágrima no canto do olho. É espantoso como se mantiveram unidos, asseados, assíduos na escola e educados. A resposta à última pergunta é brutal, um autêntico murro no estômago a cada um de nós, a quem falta sempre alguma (ou muita) coisa.

maria do mar disse...

bolas ! fizeste-me chorar. que chatice. está aqui uma pessoa a fazer a pausa enquanto abre os ficheiros para trabalhar e leio uma coisa destas. a maternidade é o maior motivo para o meu sorriso e a minha felicidade, mas é também o que mais me comove e toca. ainda não vi a reportagem porque não posso chorar, quando tiver "tempo" vejo. obrigada

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