Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

N o c t u r n o


Chego ao anoitecer.
O corpo cansado dos kilómetros percorridos, a implorar por água cálida e sabonete perfumado.
A desejar a macieza do teu corpo, a envolvência do teu abraço, o refúgio do teu amor.

Chego ao anoitecer.
O rio abre-me os braços, as luzes acendem-se nas colinas.
Há nuvens no céu de Abril.
Ignoro-as e prendo-me ao espectáculo da minha cidade, a quem regresso sempre sedento.
Dos cheiros das vielas, da luz à beira rio, das vozes, dos fados, das penas.
Deixo-a dizer-me que me ama.
Deixo-me acreditar.

Chego ao anoitecer.
Adivinho o teu sorriso, a tua pressa serena de de mim gostar.
E, apesar da noite que cai sobre nós, molhada por chuva temporã,
Sorrio-te e estou em paz.

Nos braços da noite, embalado na maresia do rio, adormecido na beleza.
Tua.
Da minha Cidade.

1 comentário:

Luísa disse...

Gostei muito, Vera. Essa não é das minhas fotografias preferidas, porque lhe falta luz – excepto naquele castelo de nuvens. Mas o seu texto dá-lhe a vida que ela, para mim, antes não tinha. Obrigada. :-)

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