Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Manhãs

Daqui
"A fotografia foi tirada da Rua Ferreira da Silva e as ruas que se deixam perceber são:
Rua Carlos Mardel, Rua José Ricardo, Rua Ângela Pinto, Rua Actor Vale.
No canto inferior esquerdo percebe-se também o Mercado de Arroios."
As manhãs são boas, mas ingratas.
Acordam-me cedo demais e logo aí fico com vontade de lhes bater. Há dias em que os sonhos estão tão bons que até parece mal acordar, há outros dias em que a maciez dos lençóis me pede que não a abandone. Estando acordada, gosto das manhãs. Da frescura, da sensação de estar a viver um novo dia, de que coisas boas e diferentes podem acontecer, de que algo vai mudar. As manhãs são o princípio, o ponto zero, o novo e diferente. Gosto delas por isso. Respiram mudança, uma das minhas palavras. Depois os ponteiros começam a avançar no mostrador do relógio e, num ápice, as manhãs transformam-se em horas de almoço, em proximidade da tarde, em correrias de fim de dia. Rápidas, as manhãs, quase não me dão tempo de as saborear convenientemente. Parecem-se com os "gelados de água". Frescos, saborosos, refrescantes, mas tão rapidamente desfeitos pelo calor se não os soubermos comer a correr!
Na verdade, nunca passo a manhã a correr. Não gosto. É de manhã que tenho mais tempo para dedicar à escrita e não gosto de correr enquanto escrevo. As ideias não saem a correr, precisam de tempo e de de certeza no que dizem.
Hoje tem de ser diferente. A tarde vai ser atribulada, a manhã tem de render mais do que 100%. Sento-me sem saber muito bem sobre que escrever, o que dizer. Depois de ter tido o FB invadido pela mensagem de "cuidado com o que postas", fico um pouco insegura sobre o que escrever quando escrevo. Dou uma volta pelos blogues que leio. Dou de caras com a fotografia que inicia estas linhas. Como se fosse um click. O meu cérebro diz-me que conheço aqueles prédios, aqueles telhados. Ando para baixo e leio. Claro que conheço. A zona onde nasci e vivi durante 22 anos. E cai a nostalgia sobre os telhados luminosos da fotografia e sobre a minha cabeça. Há Sol lá fora apresar das previsões que dizem que vai chover e ficar cinzento.
Hoje tenho de ir a Lisboa. Não irei à minha "zona", ficarei pela entrada da cidade, mas isso não impede a saudade, a vontade dos passeios a pé, a imensa saudade. De quem já não pode voltar a passear comigo. De quem já não me pode ouvir enquanto converso. De quem me faz uma falta imensa. Cada dia mais.

A manhã.
Fresca.
Meia iluminada por um Sol que me lembra que o Outono está a chegar. Que d'hoje a um mês faço anos. Que se passou um ano sem que desse por isso. Que nada mudou.

1 comentário:

Gigi disse...

Olá, Vera.
Li este post no dia em que o publicaste mas só hoje tenho tempo para te responder convenientemente.

Adorei que uma fotografia minha te tenha trazido lembranças e inspirado a escrever. Fiquei muito feliz. Obrigada. E confesso que também gostei deste destaque, pronto... ;)
Os meus blogues estão cheios de fotografias da tua zona, todas da minha autoria, podes levar as que quiseres.

Gina

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