Grafia

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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Famílias Numerosas com Mães a Tempo Inteiro

Famílias Numerosas são raras nos dias que vivemos.
Familias Numerosas com Mães em casa a tempo inteiro são ainda mais raras.

No nosso grupo de Amigos e pessoas com quem nos damos, conhecemos quatro Famílias Numerosas.

Dessas três, só uma tem Mãe a tempo inteiro, em casa, no carro, nas compras, a toda a hora. Conheci esta Família através de Escola comum. Fomo-nos (as Mães) cruzando na recolha e entrega de Filhos, fomos conversando, unindo esforços em causas comuns da vida escolar, trocando experiências e a Amizade foi aparecendo. Somos diferentes em muita coisa, temos idades diferentes (sou mais velha 7 anos), mas também temos muitas coisas em comum e estas diferenças/afinidades unem-nos. Gosto muito dela!

Agora, de vez em quando, juntamo-nos ao final do dia. Duas Mães, oito filhos. Eles brincam, gritam, divertem-se, nós duas saboreamos as nossas "jolinhas" e conversamos sob a atenção das nossas Meninas mais crescidas.

Para as outras Mães (as que trabalham fora de casa) somos as "Tias", as "Dondocas" que conduzem carrinhas de sete lugares e que têm tempo para coisas como Associações de Pais, reuniões e coisas do género...não é fácil perceber que nós somos pessoas que trabalhamos desde que nos levantamos até que nos deitamos, que temos sempre à nossa volta pedidos, solicitações, queixas e brigas, que gerimos casa, vida escolar, vida pessoal, conflitos. Na nossa opção não há lugar para férias, fins-de-semana, folgas, baixa, depressões ou esgotamentos... Os dias são sempre dias de trabalho, porque estamos sempre no nosso local de trabalho.

Espero que as Mães trabalhadoras que me leêm não fiquem aborrecidas comigo. Também já fui Mãe trabalhadora e sei que não é pacífica a vida da Mulher que trabalha fora e que depois tem a vida de casa, mas também sei que enquanto fui Mãe trabalhadora tinha mais tempo para pensar e preparar coisas para as quais não consigo ter tempo agora.

Não sou contra as Mães que sendo Mães decidem não abdicar da sua vida profissional, só não posso assistir pacificamente à atitude de que sendo trabalhadoras são mais ocupadas e importantes do que as que decidiram ficar em casa.

Gostava que o nosso sistema de Segurança Social previsse um subsídio para as Mulheres que optam por ficar em casa. Esta opção tem inúmeros benefícios para as crianças e deveria ser apoiada pelo Estado. As nossas crianças, até aos três anos, não ocupam lugar em creches ou infantários. As nossas crianças não ocupam lugares em ATL's porque têm a casa para onde voltar assim que termina o período de dia lectivo.

Não tenho qualquer problema em afirmar que sou Dona-de-Casa e Mãe a tempo inteiro, mas gostava que esta minha opção fosse socialmente mais reconhecida!

6 comentários:

Coragem disse...

Também eu sou Mãe a tempo inteiro :))))

Uma opção, da qual não me arrependo até hoje...

Sendo Mãe de 2, estendi os meus braços a mais duas crianças de acolhimento.
Fui de 4 durante 6 anos, hoje já não os tenho comigo.
Mas chegámos a ser 8 em casa ao mesmo tempo.

A formação do individuo começa em casa, não tenho a menor duvida, se o estado poderasse, muita coisa positiva poderia ser feita e mantida.

Beijo

Patti disse...

Tens toda a razão, mas ainda estamos a anos luz dos países escandinavos onde isso já acontece e ainda é incentivado e onde há muito trabalho em part-time para ajudar mulheres que optaram por ficar em casa, em prol da família.

A família é a base de qualquer sociedade e dos seus valores, se o próprio estado não a apoia, é fácil conotar um país por aí mesmo.

Eu não tenho uma família numerosa, mas também optei por ela e tentar trabalhar em casa. É muito difícil, nunca estou parada, sou decoradora, mãe, mulher a dias, professora, canalizadora, motorista e pau para toda a obra. Há quem diga que estamos de férias todo o ano, pois eu digo que quase não sei o que isso é.
Mas não troco por outra vida que já tive, de horários e satisfações a patrões. Só sinto falta do ordenado certo ao fim do mês e de mais nada.
Sou dona do meu tempo, posso ir trabalhar de roupão com um copo de leite atrás, que ninguém me diz nada, faço o que quero e quando quero, não tenho de dar satisfações a ninguém, a minha filha é muito mais feliz e tem uma vida muito mais sossegada, saudável e acompanhada que a maioria das crianças da idade dela e não é mais mimada por isso.

Anónimo disse...

Não podia estar mais de acordo. Há anos que sonho com isso!

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Coelha disse...

Surpresa...cá tou eu, finalmente a deixar um pequeno apontamento.
Concordo com tudo o k escreves-te e acrescento k fico farta de me perguntarem " mas como é k consegues tar em casa sem fazer nada???????
bjs tenho saudades

Vekiki disse...

Coragem,
para além destes quatro filhos biológicos gostava muito de poder adoptar mais uma ou duas crianças, mas infelizmente o orçamento não "estica" e a vida não está fácil...Parabéns pela tua experiência de vida :-). Obrigada pelo teu comentário!

Patti,
concordo contigo. Eu comecei a trabalhar com 18 anos, ainda a estudar, e deixei de trabalhar aos 33. Não foi fácil deixarem-me sair e o argumento é que quando os meus filhos crescessem iria sentir-me vazia. O que eu sinto, muitas vezes, é que precisava de trabalhar fora de casa para descansar, ahahahah! Quem está em casa não pára, nunca! Mas também estou contigo, não voltaria a trocar esta minha vida de trabalho de 24 horas diárias por um emprego com superiores, ordens e controle! Gosto da minha liberdade e tenho-a...se eu própria definir o meu tempo e espaço.
Beijo enorme p'ra ti :-)

Anónimo/a,
para podermos tornar os nossos sonhos realidade temos que lutar por eles e a nossa sociedade portuguesa cada vez mais se caracteriza por pessoas que não lutam por nada. Aceitam o que aparece/acontece, barafustam um bocadinho na altura em que se sentem injustiçadas, mas pouco mais...assim nunca iremos muito longe...
Obrigada pela visita/comentário!

Coelha,
até que enfim apareces :-)
Obrigada por teres vindo :-)!

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