Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Filhos e Cadilhos


Esta semana tenho companhia em casa. O M.M.3. A Filha da Professora dele está doente e eu optei por o manter em casa em alternativa a ir à Escola e ficar noutra sala, noutra turma, a fazer fichas ou a desenhar o dia inteiro. A rotina altera-se. Tendo um deles em casa fico mais "relaxed". É estranha a sensação, mas é verdadeira. Parece que não ando a correr tanto de um lado para o outro. Sabe-me bem esta companhia e a única alteração que a minha rotina sofre é a de fazer almoço. Também é verdade que na idade em que eles estão já não me dão aquele afazer de ter que estar constantemente atenta à invenção seguinte (não é Filoxera?). Já houve tempo em que isso acontecia! O M.M. 3 foi para a Escola com dois anos, depois de eu o ter apanhado a trepar uma estante do quarto dos rapazes...

O outro lado desta questão surge quando me ponho na pele da Professora dele. Já fui Mãe-Trabalhadora e sei bem o que custa, à nossa consciência, decidir o que fazer quando um filho adoece. Ter que optar entre ir trabalhar e deixar a criança com alguém e ficar em casa faltando ao trabalho e às responsabilidades profissionais não é pêra doce.

Não sei se esta "luta" é característica apenas do nosso País onde a protecção à maternidade é muito frágil ou se se passa com todas as Mães trabalhadoras do Mundo dito civilizado.

Sei, que no meu caso, foi uma das razões que pesei na altura em que tomei consciência de que não queria continuar a ter que optar entre os meus Filhos e o trabalho - era olhada de lado por sair às 16:30, mesmo entrando às 08:00; era olhada de lado e comentada por faltar de cada vez que um deles ficava doente (e o M.M.2 foi bem complicado com faltas de ar e afins), sentia quase vergonha de telefonar a informar que alguém estava doente e que eu não iria trabalhar...(Nunca tive ninguém que ficasse com eles).

Só espero que a nossa sociedade evolua e consiga criar os apoios reais que as Mães precisam, porque ninguém pode continuar a ser despedido só porque engravida ou amamenta, ninguém pode ser preterido numa candidatura de emprego só porque é Mulher em idade de ter Filhos, ninguém pode ser penalizado só porque é Mãe e tem que se ausentar para assistência aos Filhos.

E porque ter Filhos não tem necessariamente que significar Ter cadilhos!

11 comentários:

Paula C. disse...

Os filhos são a essência de nós...
Bj.

Gi disse...

Por acaso sempre tive a sorte dos meus superiores hierárquicos serem muito compreensivos em relação aos meus "cadilhos".

Thunderlady disse...

E a pergunta típica nas entrevistas: "Então e ter filhos faz parte dos seus planos?"

Bem, neste momento esta seria uma pergunta tão complicada para mim de responder que acho que um dos motivos que ando a adiar mudar de emprego poderá ser esse.

Pergunta danada! SE fores sincero e disseres que sim está stramada porque vão achar que vais faltar e tudo o mais.
Se disseers que n ão vão achar que é sdesnaturada, que se não eueres então não és capaz de assumir responsabilidades, qhatever.

Ser mulher é complicado, é mesmo.

Maria disse...

Os senhores que acabaram de sair da AR deviam ler este post... e criar soluções para apoio a mães que querem er mães e trabalhadoras, pois...

Um beijo

1/4 de Fada disse...

Acho que, infelizmente, ainda vai passar um bom tempo até que nós, mulheres, tenhamos estes problemas resolvidos...

Fatima disse...

Como eu me identifico com tudo isto!
Até com as crises do M.M.2...

O complicado, é que queiramos ou não, mulher é mulher! E nesta sociedade, que apesar de tudo evoluiu, está tudo dito!

Há ainda um longo caminho a percorrer.

mimanora disse...

É desconcertante ser mãe neste país, é dificil e cada vez mais vamos ter crianças que crescem sózinhas, sem ou com más referências.
Não digo que a mulher tenha necessariamente de ficar em casa, mas devia ser mais fácil arranjar trabalho em part time. Acho que seria uma boa solução para que as nossas crianças não crescessem sós e fossem uns cidadãos exemplares no futuro!
Se pudesse seria mãe a tempo inteiro, é a profissão mais arriscada e desafiante...

Sandra disse...

É mesmo um dilema... os filhos são a prioridade, essa questão nem se coloca, mas logo depois vem tudo o resto. Às vezes, tenho até a sensação de que as pessoas não acreditam em nós, acham que é um pretexto, uma forma de «tirarmos férias». Só quem não os tem pode achar que tomar contar de um bebé doente é descansar. E eu tenho sido privilegiada, tenho tido muitos apoios, mas desta vez não fui capaz de a «entregar». Desculpem-me os meus pequenotes e todos os que se sentirem «indignados» com a minha ausência, mas a minha pequenota precisa mesmo da mãe...

paulofski disse...

Se olham de lado para mim pelo meu horário de trabalho, quero é que se... olhem ao espelho. O trabalho é digno para toda a gente, é digno quando se é dedicado e reponsável. Chegando a hora de saída, e se não forem extraordinárias e remuneradas as horas seguintes, boa tarde e até amanhã que tenho gente em casa.

BlueVelvet disse...

Felizmente esta questão nunca se me pôs porque ficaram sempre com a minha mãe, mas percebo bem a angústia que deve ser.
Beijokas

Filoxera disse...

Eles são o que de melhor temos e os empregadores querem torná-los órfãos. Acham que se criam por si próprios...
A M também trepa às estantes, ao sofá, às bancadas, a tudo.
Mas tem um charme incontornável. Eu é que devia ter menos 10 anos, para ter mais "pedal" para ela...
;-))

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