Grafia

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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Na Cozinha

Fui buscá-la a este caderno

Pimentão. Salsa. Coentros. Cominhos. Pimentas várias. Sal. Canela. Açafrão. Malaguetas.

Já nem sei quem me ensinou a lidar com eles. A cozinha não se aprende. Intui-se. Como tudo na vida, a intuição culinária tem tudo a ver com o que nos vai cá dentro. É uma espécie de herança genética que define se somos ou não capazes de dar vida aos alimentos que nos vêm parar às mãos. Não me lembro de alguma vez me terem dado lições sobre como temperar uma carne, escamar um peixe ou fazer um molho especial para uns bifes.

Lembro-me, sim, de ver uma Avó a cozinhar, a olho. Sem medidas, pesos ou limites. Pura intuição. Lembro-me de ver outra Avó a dar ordens na cozinha. Como temperar, como apresentar as travessas, como cortar a carne assada. E de a ver fazer bolos. Com o requinte de uma verdadeira doceira. Grama a grama. Passo a passo. E todos os bolos e doces que fazia eram de chorar por mais.

Assim fui crescendo. Assumindo a cozinha. Assim fui sendo Mãe. Ensinando a desenvolver "aquele" gene que existe no nosso DNA e que define como se faz uma boa cozinheira. Sem muitas lições, com muitas práticas, amor e uma cozinha recheada...

4 comentários:

pensamentosametro disse...

Tens toda a razão Vera a mim aconteceu-me o mesmo, é o tal géne que atribui um gosto especial pela cozinha.

Tantas vezes já olharam para mim com o ar de maior espanto:" Tu gostas de cozinhar?????"

Não gosto, adoro, como adoro ver aqueles para quem cozinho saborear.

O pior é quando chega a hora de dar as receitas..., tarefa difícil quando quase tudo é cozinhado "a olho" e ao bater do coração.


Bjos


Tita

Thunderlady disse...

Olha que giro.. ao ler isto apercebi-me do mesmo: sempre cresci a observar os avós e a mãe (mais tarde a minha I. )a fazer os seus cozinhados. Sem livros, sem receitas da net, sem nada. Apenas com a sua intuição.

"Mais um bocadinho disto que vai ficar bom. Ups, deitei a mais, e agora?" Ás vezes nem é preciso provar para saber como vai ficar.

E a Tita diz aqui em cima uma coisa que é o meu maior gosto na cozinha: alguém que coma o que fiz e repita. Dá.me muita satisfação. Detesto ter a sensação que digam que está bom só para me agradar. Se desconfio disso faço as perguntas de todas as maneiras até ter a certeza que relamente acharam bom.
E prefiro que digam logo que não está do que voltar a fazer e sair horrível!


Mas o dedo para a cozinha ganha-se com observação. Há uma intuiçãozinha em nós mas ver os outros fazer ajuda muito. E ser um bom gourmet. Quem gosta de comer gosta de cozinhar, digo eu...E quem é imaginativo também. Dá lá mais prazer de criar coisas que todos os sentidos "provem"??

Bjokas

paulofski disse...

Sou um bom garfo e um bom prato. Por curiosidade e necessidade o meu nariz me encaminhava para a cozinha da minha mãe e assim fui aprendendo um pouco os seus dotes de culinária.

Fatima disse...

Eu adoro cozinhar. Devo ter herdado os genes da minha madrinha que era cozinheira, embora não tenha convivido com ela...
E cá por casa, todos gostam de se agarrar ao tacho!

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