Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

domingo, 24 de maio de 2009

Uma Esplanada sobre o Mar, Vergílio Ferreira # [2]

[...] continuação
"- Não sei para que são tantos mistérios - disse a rapariga. - O melhor é dizeres logo tudo de uma vez.
- Não se trata de mistérios. Trata-se de estar certo o que te disser.
- Porque é que não há-de estar certo? - perguntou a rapariga.
- Por tanta coisa - disse o rapaz. - Eu achei que te ficava bem o vestido e tu estranhaste que eu o dissesse.
- Já me tinhas visto o vestido muita vez. Foi só por isso.
- Nunca reparaste que há certas coisas que nós já vimos muitas vezes e que de vez em quando é como se fosse a primeira?
- Nunca reparei - disse a rapariga.
- Nunca ficaste a olhar o mar muito tempo?
- Sim, já fiquei.
- Ou o lume de um fogão? - disse o rapaz.
- E que queres dizer com isso?
- Ou uma flor. OU ouvir um pássaro cantar.
- Sim, sim.
- Não há nada mais igual do que o mar ou o lume ou uma flor. Ou um pássaro. E a gente não se cansa de os ver ou ouvir. Só é preciso que se esteja disposto para achar diferença nessa igualdade. Posso olhar o mar e não reparar nele, porque já o vi. Mas posso estar horas a olhar e não me cansar da sua monotonia.
O rapaz tinha o olhar absorto na extensão das águas e permaneceu calado algum tempo. As águas brilhavam com o reflexo do sol na agitação breve das ondas. A rapariga calava-se também, fitando o rapaz, porque percebia que ele não acabara de falar. Mas o rapaz calou-se como se não tivesse mais nada a dizer e ela perguntou:" [...]
continua

3 comentários:

Alisson da Hora disse...

Vergílio é fantástico...não por acaso foi a minha escolha para a dissertação do mestrado...

abraços

rafa disse...

Tia Vera, então? Não gosto de ausências tão prolongadas

Gigi disse...

Hum... que estranho. Não tens aparecido por aqui. Espero que esteja tudo bem convosco. Beijinhos.

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