Grafia

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domingo, 20 de dezembro de 2009

De Natal, as Memórias



Forço-me a recordar. Disseste-me que não posso deixar morrer as minhas memórias, as minhas recordações, por muito longínquas que elas me surjam. Disseste-me que tenho de as chamar, de falar sobre elas e trazê-las para o presente. O que é cada um de nós se perder as suas memórias, as suas recordações? Um ser feito só de presente, de mediatismo. Penso em ti neste momento e nesta nossa conversa e faço um esforço. Quero que as minhas memórias de Natal venham ter comigo, se mostrem e me confortem um pouco, me desfaçam a sensação estranha de vazio que se apoderou de mim. Já uma vez fui admoestada pela minha falta de espírito natalício, mas como poderei eu viver em euforia se não consigo desligar a minha parte racional. Os gastos desmesurados desta época do ano, o consumo sem fim de tudo o que é necessário e de muito mais. Não consigo deixar de pensar que o Natal não é suposto ser isto. Adiante. Procuro-as. Encontro-as bem empoeiradas no fundo da minha memória. Desfocadas. Coloridas por enfeites que se faziam em casa com papel metálico de duas faces e duas cores. Perfumadas com cheiros de cozinhas onde todos os fritos característicos da época se acumulavam em travessas. Embaciadas por dificuldades. Embrulhadas em papel que oferecia pijamas, meias, cuecas. Ensombradas por reuniões familiares onde faltava sempre alguém. Na noite da Consoada, no almoço de Dia de Natal. Deve ser por causa destas memórias ensombradas que não consigo "vestir" o espírito de Natal que tanta gente sente (ou diz sentir) e apregoa aos quatro ventos. Sinceramente, hoje, o que queria era poder voar para bem longe daqui. Afastar-me deste pseudo-espírito natalício e deixar-me ficar, longe. À espera que boas recordações voltassem.

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