Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

domingo, 11 de julho de 2010

Domingo, Dia da Família

Eu e a minha Máquina
Em casa dos meus Pais
S. João Estoril, Novembro 2008

Há umas gerações atrás ser "Mãe de Família", mais do que uma situação normal, era algo que maior parte das mulheres assumia como sendo o seu destino inquestionável.
Actualmente são poucas, raras, as mulheres que assumem este papel como sendo a sua carreira, o seu destino. As poucas que o fazem são, repetidamente, chamadas de "sortudas, dondocas" e muito poucas vezes reconhecido o seu trabalho em prole dos filhos, das casas, das famílias.
Ao fim de dez anos em casa, alcancei o meu ponto limite.
Viro e reviro pensamentos em busca de uma forma de revolucionar a minha vida, os meus dias. Invade-me a vontade de voltar a uma das faculdades que frequentei. A parte financeira da questão impede-me de avançar de peito aberto para o que me apetece verdadeiramente fazer aos quase 45 anos de idade. Voltar a enfiar o nariz em livros de estudo, voltar a encher páginas de cadernos com a minha letra, com apontamentos estudáveis. Voltar ao stress de cumprimento de prazos. Voltar a sentir-me activa em algo que não tenha a ver com cuidar de outros e garantir a felicidade de outros.
Ao domingo, dia de Família, vejo todos com planos e ocupações. Questiono-me.
Preciso de encontrar forma de garantir o meu retorno ao estudo.
Onde?
Como?

sábado, 10 de julho de 2010

Em Lisboa, Em Casa


Sonho, invariavelmente, com uma casa antiga. O soalho de madeira de tábua corrida que estala sob os meus pés. Os tectos altos e decorados com florões de gesso. As janelas grandes. Compridas. Protegidas, por dentro, por portadas de madeira. Trancadas com pequeninos fechos metálicos de correr. Sonho invariavelmente comigo a viver numa casa destas. De Lisboa antiga. Apenas eu.
Surpreendo-me no pavor da solidão e no anseio de viver só.
No centro da Lisboa de milhares de pessoas sós.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Aridez


Hoje peço-te que voltes
Imploro-te, porque não sei mais viver
Perdi-me
Há o tempo que não passa
Esgotado
E eu perdida
Peço-te que venhas sem palavras
Apenas com braços que envolvam
Com olhos que dispensem palavras
Gastas
Inúteis
Porque o tempo não pára
Porque não posso esperar mais
Porque não aguento a solidão
De ti

O Meu Lado Errado


deixa de me causar saudade.
deixa de viver em mim como se fosses um parasita
um mal que não consigo eliminar do meu corpo,
da minha alma,
dos meus pensamentos.
quando tudo parece dizer-me
que consegui expulsar-te
vem uma frase
, um verso
, uma melodia
, uma imagem...
e voltas.
Instalas-te e arrasas-me.
levas-me para o lado errado de mim
onde queres permanecer
vivo
brilhante
sedutor
e nunca
meu

"Estamos a destruir o valor do acto intelectual", Alberto Manguel

"A sua obra está toda ela dedicada ao lado maravilhoso da leitura, do acto de ler. A sua paixão pela leitura vem de onde? Nasce-se leitor ou uma pessoa torna-se leitora?

Penso que somos animais leitores. Vimos ao mundo com uma certa consciência de nós próprios e do que nos rodeia e temos a impressão de que tudo nos conta histórias: a paisagem, o rosto dos outros, o céu, em tudo encontramos linguagem. Tentamos desentranhá-la, tentamos lê-la. Nesse sentido, não podemos existir enquanto seres humanos sem a leitura. Inventámos a linguagem escrita, a linguagem oral, para tentarmos comunicar essa experiência do mundo, para nos contarmos histórias e através delas, falar dessa experiência. No meu caso, o conhecimento do mundo passou sempre pelos livros. Tive uma infância um pouco particular: o facto de o meu pai pertencer ao corpo diplomático fez com que viajássemos muito e que eu não tivesse nenhum sítio onde me sentisse em casa. A minha casa estava nos livros. Regressar à noite aos livros que conhecia, abri-los e constatar com imenso alívio que o mesmo conto continuava na mesma página, com a mesma ilustração, dava-me uma certa segurança e um certo sentido do lar."

Vale a pena ler, no ípsilon. Obrigada Belita.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

De Bébés e Saudade

A minha máquina noutras mãos
Há dois anos atrás
Hospital da Luz

Sou completamente louca por bébés. Os recém nascidos, em particular. Derreto-me com mãos e pés em tamanho mini. Delicio-me com o cheiro que só os recém nascidos têm, com a pele que parece veludo, com a dificuldade em abrir os olhos e aceitarem que saíram da redoma em que estiveram imersos. Ontem voltei a sentir a saudade de um bébé ao ter ao colo uma mini bébé, com quinze dias apenas. Ai...incrível a força que as hormonas da maternidade têm em mim e a certeza de que se pudessse, teria tido mais um ou dois depois do Mateus.

De Paraíso

Da Net

Ontem passei um bom bocado da tarde na FNAC do Cascaishopping. Com o propósito de comprar um presente de aniversário. Na minha cabeça tinha alinhado o Hotel Memória do João Tordo e um qualquer livro de Tolentino Mendonça. Já que ali estava, aproveitaria para comprar a última Egoísta. Não consegui cumprir nenhum dos objectivos. Tudo o que levava decidido comprar não existia. Fiquei baralhada. Quando os livros me rodeiam, na Fnac ou em qualquer livraria, parece que as palavras saem deles e se espalham em torno de mim como uma poeira que me embacia o olhar e me impede de raciocinar. Fico tonta. Tiro livros das prateleiras e volto a arrumá-los. Fico indecisa porque há tanta, mas tanta leitura que me é apetecível. Fiquei com o coração preso a dois ou três volumes de Vergílio Ferreira cuja escrita adoro. Fiquei com água na boca com o novo Murakami. Fiquei curiosa com o valter hugo mãe (a minha escolha para o presente que ia comprar). Fiquei. Lá. Presa. E quando consegui soltar-me dos braços dos livros que me agarravam, dos seus segredos escondidos por capas coloridas, virei costas a todos, sem trazer nenhum comigo.

Maravilhoso. Sempre


Há 13 anos, esta música transformou-se num
ponto de referência
nas minhas memórias.
Amo-a.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Passo a Explicar

Eu e a minha Máquina,
Praia da Poça,
Junho 2009

I.
Em Maio do ano passado o Manel e outros amigos skaters foram roubados na Praia da Poça. Verdade seja dita que quase ofereceram, de mão beijada, aos larápios as carteiras e telemóveis, mas foram roubados. Foi feita queixa na Polícia e os queixosos foram ouvidos pelo Departamento de Acção Criminal, foram chamados a fazer reconhecimentos, etc. Numa das últimas vezes que lá fomos, foi-nos perguntado se pretendíamos seguir com o processo. Foi-nos dito que se pretendessemos seguir com o processo para tribunal, não haveria quaisquer consequências para nós, mas os acusados seriam julgados e castigados. Após me certificar que em sala de tribunal não haveria cruzamento do acusado com os queixosos, disse que sim.
II.
Hoje lá fomos para o Tribunal. Eu nunca tinha pisado um tribunal. O queixoso muito menos.
Ele estava ansioso por entrar na sala, por ouvir o martelo da juíza a bater. Ânsias de adolescente, reflexo de muitos filmes e séries assistidos.
Pois lá estivemos duas horas. Sentadinhos numas desconfortáveis cadeiras de plástico preto, dentro de um edifício ultra moderno, de mármore e vidro, mas sem ar condicionado. Ao fim de duas horas fomos dispensados e mandados embora. O acusado tinha confessado os crimes de que, por nós, era acusado.
Bolas! Nem entrámos na sala de audiências, nem vimos a juíza, nem ouvimos o martelo...
III.
Foi com alegria que acordei para o céu nublado desta manhã. Uma boa desculpa para não irmos à praia e ficarmos em casa. Uma boa desculpa para pôr em dia toda a roupa que aguarda pelas massagens do ferro de engomar...mas...um presente de aniversário para hoje acabou por nos levar para o Shopping onde descobrimos que todas as lojas estão "em promoções". Loucura, loucura. Sem que tenhamos comprado muita coisa, conseguimos estar enfiadas lá dentro durante quatro horas. Lá se esfumaram as minhas boas intenções de dona de casa prendada. Lá terei de rezar ao S. Pedro que mande uns belos dias cinzentos para me agarrar ao ferro.
IV.
E agora é spidar!!! Banhos e toilletes e zarpar para a festa de anos de um dos tios/cunhados.

O Meu Spot [durante toda a manhã]

Da Net

Pormenores deixo-os para mais tarde.
Se fiz mal ou se fiz bem? A minha consciência está tão tranquila em relação a isto que nem o facto de nunca ter entrado num tribunal me faz sentir nervosa com esta primeira vez...

terça-feira, 6 de julho de 2010

Diário de Férias # [5]

Eu e a minha Máquina,
Tavira,
Agosto 2009

I.
Parece-me estar mais fresco hoje. Felizmente!
Ontem o calor foi tanto que nem na praia apetecia estar. O fresco conseguido pelos mergulhos rapidamente era substituído pelo calor, pela secura. Havia vento, mas quente.
Os senhores da metereologia dizem que o tempo vai mudar a partir do fim de semana. Chuvas e trovoadas por todo o país. Ontem já se notava a alteração do tempo no estado do mar, com tendência para "subir", com ondas a formarem-se. Muitos anos de observação do oceano já me permitem identificar os sinais de mudança.
II.
A escritora Matilde Rosa Araújo faleceu. Aos 89 anos, em casa.
Incomoda realizar que não mais ouviremos falar deste nome associado a um novo livro infantil, incomoda de cada vez que a mortalidade se faz lembrar.
III.
A reforma do 3º ciclo não vai entrar já em vigor no próximo ano lectivo. Os Mega-Agrupamentos estão a dar que falar sem que haja informações muito concretas sobre como vão as coisas funcionar. Movimentam-se as Federações das Associações de Pais que continuam a apostar numa "luta" de defesa de uma boa política de educação em nome de outros Pais que nunca aparecem e para quem estas questões são apenas mais um episódio da "política", na qual não se envolvem. Esquecem-se os Pais/Encarregados de Educação que política é tudo o que fazemos e o que dizemos e não apenas a filiação num partido ou a defesa de determinados princípios/ideias ligados a uma facção partidária. E, fruto desta apatia característica dos portugueses, as reformas vão sendo feitas e implementadas sem encontrarem quem lhes faça frente ou as ponha em causa. Não são só os Docentes, os Conselhos Directivos das Escolas que sofrem com as mudanças constantes. São principalmente os nossos Filhos, que não têm, seguramente, um ensino em que a qualidade seja característica determinante. A reforma do 3º ciclo pressupunha medidas como, por exemplo, a criação de um novo currículo, cortando algumas disciplinas para que outras pudessem ganhar em tempos lectivos. Com a entrada da escolaridade obrigatória até ao 12º ano, muitas são as questões que se poêm. A todos. Alunos, Docentes, Pais, Escolas. A reforma do ensino não pode ser um tema da silly season, tem de ser um tema de fundo na sociedade portuguesa. A educação é a base fundamental de um país, de uma sociedade. No nosso país, na nossa sociedade, a educação e a cultura são esquecidas em detrimento de outros assuntos.
E nós, o povo, vamo-nos deixando ir, vamo-nos deixando enganar, porque "não nos metemos em política".
IV.
Em época de férias diminui o silêncio necessário ao exercício da escrita.
Demasiada gente em casa, demasiadas vezes dita a palavra "Mãe" com entoação de necessidade de resposta.
A blogger sofre.
Quer escrever.
Na cabeça bailam dois inícios.
V.
E hoje voltamos a mudar de praia.
Este Verão é o Verão da descoberta do melhor spot da Linha.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Diário de Férias # [4]

Eu e a minha Máquina,
Fim de Semana,
Monte Real,
Julho 2010
I.
Regresso a casa depois de um fim de semana em que o descanso, o riso entre Família e a comida são o fulcro de tudo. Regresso com uma sensação de descanso como se tivessemos estado fora daqui durante uns meses. Espantoso como a saída absoluta da rotina pode transmitir uma tão boa sensação de descanso.
II.
Estes fins de semana são sempre agradavelmente iguais, mas espantosamente reconfortantes. Irmãos, Filhos, Pais e Sobrinhos juntos durante quase três dias. Partilhando mesas de refeição, passeios a pé, festas típicas, compras daquelas que só se fazem quando se faz "turismo". E depois, as conversas. As recordações e as partilhas. O conhecimento de pessoas que sendo familiares próximas construíram vidas diferentes e que cresceram criando caminhos diferentes. Os pontos comuns e as divergências absolutas. Os que estão sempre abertos aos outros e os que estão sempre na defesa. Características de familiares e amigos tão queridos.
III.
E no meio de toda a alegria que se vive passa sempre a sombra da pergunta "até quando?". Na cabeça de quem proporciona estes fins de semana que todos queremos viver e nenhum quer esquecer. Nas cabeças de quem sabe que os anos passam e inexoravelmente não permitem que sejamos imortais. Tentamos afastar os pensamentos que nos dizem que um dia virá em que estas reuniões anuais no mês de Julho não passarão de boas recordações e de um monte de ficheiros .jpg nos computadores de cada um.
IV.
Voltamos à nossa zona de conforto. À rotina dos nossos dias. Às realidades que nos fazem como somos. Voltamos e avançamos no tempo, a caminho de outros dias especiais. Agosto que está quase a chegar.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Diário de Férias # [3]

Eu e a minha Máquina,
Monte Real,
Julho 2009

I.
Hoje acordei ainda antes do dia acordar.
Com uma dor de cabeça daquelas que só de abrir os olhos faz doer.
Não tive coragem de me levantar para o pequeno almoço a dois, como faço todos os dias. Tomei um comprimido e voltei a deitar-me.
Levantei-me mais tarde. Melhor, mas quando baixo a cabeça ainda sinto que vai rebentar.
Tomei o pequeno almoço agora.
Comi torradas e leite com café e ananás.
II.
O fim de semana que se aproxima é fim de semana de Família.
Todos juntos. Num hotel para onde todos vamos há já muitos anos.
Celebrar o aniversário de nascimento do Avô. Paterno.
O programa é todos os anos igual, mas todos adoramos repeti-lo, ano após ano.
Julho. Mês de muitos aniversários.
Ontem foi o primeiro. No domingo será o segundo.
III.
Não vou à praia hoje.
O nível da roupa para engomar atingiu proporções que me impedem de sair...
IV.
Ontem, um dos meus Amigos mais antigos, chamou-me à parte. Para me dizer que estou mais gorda. Uau ... a pior coisa que me podem dizer. Acho que foi isto que me provocou as dores de cabeça.
V.
Vou. Agarrar-me ao ferro. E à tábua. E às toneladas de roupa que se acumulam.
Que treta!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Diário de Férias # [2], [em Dia de Duplo Aniversário]

Eu e a minha Máquina
Julho 2007
Junho 2009
I.
Hoje o dia é de arrumação, de limpeza e de cozinha.
A minha Mãe faz anos e o jantar vai ser cá em casa.
Dar um jantar é sempre uma boa forma de se arrumar a sério tudo o que se vai fingindo não ver a cada dia que passa.
O presente está tratado e acho que vai ser do agrado da aniversariante.
O bolo de anos foi um acaso, um achado e espero que seja bom, porque todos adoramos bolo de anos. Do tradicional e não as "modernices" do bolo brigadeiro. Bolo brigadeiro não é bolo de aniversário. Encomendei de massa de amêndoa com doce de ovos.
II.
Hoje a Belita também faz anos.
Lá para os lados dela o tempo não estava a ajudar quando lhe telefonei, mas por esta hora já deve haver sol quentinho para lhe animar o dia.
Do Vekiki voam beijinhos e abracinhos para a autora do Belita a Rainha dos Couratos.
III.
Para já, é tudo!
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