Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Novo Ano Lectivo - Materiais, Livros e Contas...[muitas contas]


Este ano, numa lógica de economia familiar, decidi que não iria comprar manuais, a menos que não os conseguisse via empréstimo. Para além de poupar (muito) dinheiro, estou também a contribuir para a sustentabilidade do planeta, não contribuindo para o desperdício de mais papel no final do ano lectivo.
Pus-me em campo e, contacto a contacto, lá fui conseguindo reunir os manuais de que iríamos precisar cá em casa para enfrentar mais um ano de escola. 7º e 10º anos. Consegui todos os manuais e cadernos de actividades. Que bom, pensei. A vida não está mesmo fácil e uma conta de água relativa a uma fuga no quintal arrasou com todo o nosso orçamento no regresso de férias.

"Mãe, o meu livro de Matemática é diferente do dos outros. O que vale é que o da Profª é igual ao meu.", discurso do Manel (10º ano);
"Mãe, o livro de Matemática que eu tenho não é igual ao dos meus colegas.", discurso do Martim (7º ano)

Ouço estas frases quase gémeas, ditas com uma diferença de 24 horas, quase com indiferença. Se existe alguém a quem se aplica a célebre frase "Um almoço nunca é de graça", esse alguém sou eu. Estava a considerar a hipótese de ser mesmo muito sortuda, por não ter de comprar livros. Aborrece-me esta política dos livros. Mantêm-se capas, mantêm-se autores e nome do manual, muda a ordem das páginas, razão suficiente para que os professores aconselhem a compra do livro deste ano. Já me aconteceu uma vez, também com matemática.
Não sendo nem tendo sido nunca beneficiária da Acção Social Escolar, debato-me, ano após ano, com a exorbitância de preços de manuais e material escolar que se acumula em listas completamente impossíveis de compreender (este ano, para o 4º ano, foram pedidas três resmas de papel e quatro cartolinas grandes...). Diz-se que o ensino obrigatório é gratuito. Se o compararmos com o particular, poderemos considerá-lo gratuito visto ñão sermos obrigados ao pagamento de mensalidades, mas se pegarmos na definição de gratuito e a aplicarmos ipsis verbis, teremos tudo menos um ensino sem custos. Não consigo compreender que num país em crise, todos os anos, se alterem interiores de manuais escolares para que os Pais/Encarregados de Educação tenham de comprar novos exemplares quando os poderiam reciclar de amigos, irmãos, primos.
Compreendo que as escolas públicas não tenham orçamentos que lhes permitam fornecer o material básico aos seus alunos, o papel. Já não compreendo porquê.
No meu caso, somos uma Família Numerosa, com um só vencimento, com despesas com habitação, alimentação, saúde, educação. O único vencimento é declarado na totalidade e, assim sendo, é decidido, por quem de direito, não haver lugar a acção social escolar. No entanto, casos há, em que havendo a hipótese de não se declarar a totalidade do que se aufere, há também lugar à concessão do dito apoio.  Por mais vigilância e controle que existam por parte das Finanças, estas situações vão sempre acontecer, porque vão sempre existir formas de "fugir" e, assim sendo, o sistema nunca será justo. Por mais que se acabe com subsídios por um lado e se tente tornar mais justos os que subsistem, nunca existirá essa justiça.
É discurso unânime em todos os quadrantes políticos que as famílias vivem momentos de grandes dificuldades, resultantes da situação económica e financeira difícil que se vive nas sociedades mundiais actuais. Então, porque não se criam medidas que possam aliviar algumas dificuldades? Porque não se dão orientações para que os manuais sejam reutilizados? Porque não se dão orientações para que o material pedido no início de cada ano lectivo seja o minimamente indispensável e não o que presumivelmente se irá utilizar durante um ano lectivo inteiro?

No final do mês de Setembro, tratarei de comprar os livros cujas páginas mudaram de sítio.

RIP, Francisco Ribeiro

Francisco Ribeiro,
45 anos,
Cancro

Há notícias que nos páram. Às quais não conseguimos ficar insensíveis, "oh, mais uma notícia; oh, é longe demais daqui...".
Há notícias que parecem ser lidas para nos recordar a nossa vulnerabilidade, o nosso curto prazo de duração, porque apesar de a esperança de vida ter aumentado, as mortes prematuras parecem ter aumentado também. Fruto de quê? Não sei. Não sou médica, não sou cientista, não sou investigadora e, claramente, não sou daquelas pessoas que têm explicação para tudo mesmo que sejam especializadas em nada. Sei o que vejo, o que leio, o que oiço. Sei que ultimamente têm sido muitas as pessoas que ainda dentro da idade adulta não sénior, têm visto o fim da vida a chegar.
Assusta-me.
Assusta-me não no sentido de pensar que amanhã poderei ser eu, mas no sentido de pensar que a vida que levamos, actualmente, é tão sofredora, tão carregada de sacrifícios e penas, tão isolada, retirando-nos, muitas vezes, o simples prazer de estar vivo.
De repente, o fim chega. Sem se anunciar ou anunciando-se como única opção.
Quando estas notícias aparecem, o que me apetece é mesmo largar tudo, mandar tudo dar uma curva e viver melhor. Sem me cansar com tarefas de que não gosto, sem me aborrecer com pessoas que não me dizem nada mas que vou tolerando socialmente, sem me incomodar com as pequenas contrariedades do dia a dia que não passam disso mesmo, pequenas coisas que acabam por me aborrecer muito.
A vida pode ser mesmo Tão pequena. E eu, não quero viver muito, mas quero viver bem!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Dorme Bébé...

O recomeço do ano lectivo traz consigo outros recomeços.
Ontem foi dia de dentista. Os "grandes". Um para a revisão do aparelho, outro para terminar o tratamento de um dente, lá fomos depois de termos recolhido o mais pequeno.
A revisão do aparelho não demorou mais de dez minutos. Mudámo-nos para a sala de espera onde a Catarina esperava a sua vez de ser atendida.
Mateus em movimento constante.
Catarina de olhos fechados, quase a dormir.
Manel a dormir.
Mãe a aproveitar para avançar na leitura d' "O Bom Inverno".
"Boa Tarde", chega um novo paciente. Olha para todos nós, pega numa revista e senta-se. Por baixo da televisão que o Mateus tinha feito o favor de pôr a debitar Morangos com Açúcar :-(
Eu continuei a ler o meu livrinho, sentada meia de lado para servir de almofada ao Manel que dormia encostado a mim. A Catarina foi chamada e entrou. O Mateus decidiu ir com ela. Passadas umas cinco páginas, levantei os olhos e não consegui conter um sorriso. O senhor, sentado à minha frente, debaixo da televisão, dormia. De revista especializada em automóveis nas mãos, dormia profundamente.
Concluí que todos nós precisamos desta pausa ao final do dia.
Na sala de espera do dentista, nos transportes públicos de regresso a casa, o soninho retemperador de forças pode fazer milagres!

Breviário Doméstico

Eu e a minha Máquina

Estou sózinha em casa.
As crianças na Escola.
A mais velha em Lisboa nas aulas de código e simulador (coisa chique!).
Pus os pássaros na rua, à sombra da nespereira, longe do alcance dos cães. Está bom tempo e deve ser mais agradável estar ao ar livre do que dentro de casa, para além de que não me estava mesmo nada a apetecer ouvi-los a chilrear.
Já fiz camas e já pus roupa a lavar.
Já pus e levantei a mesa do pequeno almoço. Tirei e arrumei loiça da máquina, voltei a carregá-la com loiça suja.
Tenho fichas de inscrição de Pais na Associação de Pais para "carregar" em folha Excel.
Tenho trabalhos domésticos (muitos).
Tenho marmelos para apanhar e marmelada para fazer.
Alguma coisa tem de ser feita...mas a vontade é mesmo muito pouca.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O 1º Dia 2010/2011


Mochila limpa e criteriosamente arrumada
Cadernos novinhos em folha
Canetas novinhas em folha
Borrachas imaculadas
Lápis afiados

Tudo o que manda a lei do primeiro dia de aulas.
Boa sorte para todos.
Entrem com o pé direito.

domingo, 12 de setembro de 2010

Domingo [Batota...]

Levantar cedo.
Pegar na lista de material.
Conduzir até um dos locais especializados em material escolar/escritório.
Em pouco menos de uma hora resolver a questão deixada para o último dia.
Passar no Hospital de Cascais e visitar a mais recente sobrinha (nascida a 10 de Setembro).
Regressar a casa. Almoço.
Lista de supermercado.
Retomar a rotina implica o retomar de rotina em matéria de abastecimento de despensa e frigorífico.
Farmácia.
Regressar a casa. Jantar. Algum stress.
Dormir....a vida vai conhecer mais um ano!

sábado, 11 de setembro de 2010

Nine Eleven, One More Year


Primeiro foi o estrondo, o embate sentido na estrutura, nos corpos.
Depois veio o fumo, a asfixia, o pânico, a fuga, a não consciência do que se passava, a consciência de que a morte tinha vindo cedo demais.
Passam hoje nove anos.
Os que partiram, partiram de um modo brutal, doloroso, descabido.
Os que ficaram, guardam memórias em formato de imagens incompreensíveis.
O Mundo asssitiu incrédulo e nunca mais foi o mesmo.
Resistimos.
Não nos tornamos mais fortes.
Apenas percebemos que o Homem pode ser a fonte do seu próprio sofrimento.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Pieguice

Outra Máquina
Outras Mãos
O meu nº 4

Esta manhã foi o início do ano escolar na escola do nº4.
A mesma escola onde todos os irmãos andaram. Para mim, sempre, a Escola Primária.
Uma Escola onde também andaram duas primas minhas.
Um espaço que faz parte da minha vida há 9 anos.
Hoje, ao passar para a sala do Mateus, após a reunião geral, interiorizei que ele é Finalista e eu termino o meu percurso de Escola Primária.
Assaltou-me a nostalgia do tempo que passou e a dúvida sobre se terei sabido aproveitar esse tempo. Sei que fiz o melhor que pude, dividindo-me por quatro, multiplicando atenções, afectos e "puxões de orelhas". Sei que ainda tenho muito para fazer. As solicitações de atenção vão crescendo com a idade. Os afectos são sempre, sempre, indispensáveis. Os "puxões de orelhas" não podem deixar de existir.
Abrem-se asas. Primeiro duas, agora já quatro. Sobram-me os mais pequenos que afinal já não o são. Espanto-me com a diferença de mim entre o passado e o presente. Quando os grandes tinham a idade que têm agora os pequenos, já eram grandes. E estes são pequenos. Contradição. Eu a não querer que cresçam? Eu a querer ter sempre um "pequeno" por perto? Sim, eu sou viciada em bébés.
Os meus quatro filhos pequenos.
Os meus quatro filhos crescidos.
A vida. A deles que já foi minha. A deles que agora é cada vez mais deles.
O tempo. O tempo em que eu tinha mais tempo para eles e não sabia. O tempo que agora não me chega para mim nem para eles.
As dúvidas - saberão eles o quanto gosto deles? saberão eles o quanto gostam de mim? ...

Eu
Os meus Filhos
A pieguice de ser Mãe
A profissão que me escolheu
A vida
Eu

22 Anos

Pois é...
Há 22 anos atrás, eu era assim.
Há 22 anos atrás, neste dia, estava assim vestida.
Há 22 anos atrás, a casa da minha Avó Materna foi o ponto de partida para "o primeiro dia do resto da minha vida".
Tinha eu 22 anos.
Não faço balanços.
Dou os Parabéns a nós dois.
Nem sempre tem sido fácil, mas temos conseguido e vamos conseguir continuar o nosso passeio pela vida.
Daqui a uns anos talvez consigamos voltar a ser A Vera e O Álvaro, por enquanto somos A Mãe e O Pai.
Acho que gostamos. E vamos ter saudades!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Entre Aspas


"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível de ter sentido"

"Não me corrija, a pontuação é a respiração da minha frase, e minha frase respira assim. E se você me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."

O Homem # [1]


Vi-a passar.
Ao volante de um carro do qual não me apercebi do tamanho, da cor ou da marca.
Apenas a sensação de movimento, de algo que me levava a olhar, em frente, e não para a pessoa que comigo falava. E que eu não ouvia. Uma mancha de ruído do estilo daquele anúncio de comida para gatos, blá blá blá...
Senti um olhar em mim enquanto o carro curvava na rua à direita. Encostada ao passeio oposto aquele onde me encontrava, parado. Numa conversa intolerável e intolerante.
Dela fixei-lhe as cores.
Senti uma caixa de tintas coloridas a passar.
Na verdade nem sei quais as cores que envergava, qual a cor do seu cabelo. Sei, apenas, por intuição, que arrastava consigo uma mancha de cores luminosas que me atraíram o olhar.
Por momentos quase nos olhámos nos olhos, mas a distância era impeditiva de tanta intimidade.
Tivesse eu a liberdade do traço, naquele momento, e tê-la-ia desenhado. Uma imagem incompleta onde apenas os olhos inexpressivos se veriam enquadrados por muita cor, por muitos objectos coloridos que fizessem o olhar, de quem observasse o desenho, passear por todo os traços menos pelos daquela mulher. Que não sei quem era nem porque me fez ficar a pensar nela.
Provavelmente inventei-a enquanto a minha cabeça vagueava ao som da conversa que em nada me interessava.
Desenhá-la-ei.
Para a fixar, para sempre.

O Homem


Vi-o da janela do carro. De relance, porque não parei para o observar, vi-o. Parado numa esquina. Semblante fechado, os lábios que se mexiam, na conversa que desenvolvia com uma mulher. De costas para mim, de frente para ele.
Alto e esguio. A idade a bater nos 50. O cabelo grisalho, comprido, penteado para trás. Óculos, armação de massa preta. Camisa fluida, cinzenta escura, talvez preta, não fixei bem. Calças de ganga confortavelmente largas, confortavelmente antigas, aposto numa etiqueta Levi's no bolso de trás.
O que me fez ficar a pensar nele, nem sei bem. O que me fez "fotografá-lo" com a memória? Também não explico.
Aposto nele como um artista. Um pensador. Um leitor. Um desenhador.
Naquela esquina. À conversa com alguém. Numa conversa que não lhe estava a ser agradável.
Por cima deles, nenhum candeeiro os iluminava.
Por cima dele, uma luz fez-me olhá-lo.

Véspera

Eu e a minha Máquina,
Casamento em Meca,
Portugal,
Setembro 2008 

Hoje é véspera de uma data especial.
Foi especial há 22 anos. Por umas razões.
Continua a ser especial hoje. POr outras razões.
Gostava de me recordar de mim no dia de hoje há 22 anos.
Nem sombra de memória.
É que hoje, passados 22 anos, não consigo chegar lá atrás. Ao momento anterior ao início de tudo.
22 anos.
Como se comemora uma data destas? Uma capícua.
Que presente se oferece? As palavras serão presente suficiente? E a sensação de que falta qualquer coisa? Esquece-se?

Eu e as minhas dúvidas...

O Ciclo

Eu e a minha Máquina,
Tavira,
Agosto 2010
I.
Talvez saiam hoje os horários. E as turmas.
Um problema informático atrasou tudo isto.
Os miúdos estão em pulgas. Eu também, verdade seja dita.
As compras de material escolar ainda não foram feitas.
Cumpre-se a máxima de que os portugueses deixam tudo para a "última hora".
Começam hoje as recepções aos alunos e encarregados de educação. À hora do lanche, para os de 10º ano. Amanhã para os de 7º. Vou estar presente nas duas.
Discurso de Director, apresentação de DT's, eleição de Representantes de Turma.
O ciclo.

II.
Ontem, no Tamariz, a CMC deu uma festa para todos os jovens que, durante o Verão, estiveram envolvidos em actividades da Câmara. Com entrada gratuita e direito a levarem um acompanhante que não tivesse estado envolvido nos programas sazonais da CMC, esta festa, que oferecia um cocktail não alcoólico, foi o fechar de portas da temporada de férias 2010.
Gostei de ver o meu rapaz mais velho a preparar-se para sair. "Mãe, levo pólo ou camisa? Levo a camisa só ou com uma T-Shirt por baixo?" Chega o amigo que convidou. Sobem. O amigo muda de roupa e veste também uma camisa. O grupo é grande, vão de comboio. "Só preciso de dinheiro para o comboio". Marca-se a hora de regresso a casa. Ainda estamos de férias, acorda-se que a hora de regresso pode ser a do final da festa. O Pai vai buscá-los. Despertador para a hora marcada. Dormimos até lá. Estão no ponto de encontro à hora certa. Dormem, agora.
É bom vê-lo crescer. Bem.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Desejo Recente


As bancadas da minha cozinha já quase não têm espaço livre, mas conheci esta máquina no passado fim de semana e fiquei cheia de vontade de ter uma. Com um formato e um design que me fez tomá-la por uma máquina de pão (a minha é muito parecida com esta), esta máquina´faz gelo. Só precisa de ser alimentada, a água. O gelo sai sob a forma de cubos perfeitos! Para dias de festa ou de calor, esta é uma máquina indispensável. E agora que a conheci, já só penso nela. A fazer companhia a todas as outras que já por cá moram!

Uma dica: o meu aniversário está quase a chegar!
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