Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Fashion Look [ou mera necessidade?]

Os meus são roxos e brancos!
Andar sem óculos começa a ser impraticável.
Há uns cinco anos, por indicação médica, fiz óculos escuros graduados e desde então ando sempre com eles. Esteja sol ou esteja chuva, os óculos escuros passaram a fazer parte da lista de coisas sem as quais não posso sair de casa. Na altura, a médica avisou-me que a partir do momento em que passasse a andar de óculos escuros graduados, iria sentir muito mais necessidade de andar de óculos. Eis porque é ela a médica - acertou em cheio.
Com uma exclusão do olho esquerdo desde miúda pequena, sempre vi tudo e mais alguma coisa graças ao trabalho do meu olho direito. Muitas vezes, em viagem, lia coisas em placards e placas muito antes de qualquer outra pessoa dentro do carro.
Agora [neste momento escrevo sem óculos e sinto-me a franzir a testa para focar o olhar no branco do computador] é completamente impensável fazer seja o que fôr sem óculos. Primeiro comecei a usá-los por vaidade, por serem giros, por ser mais um acessório que me complementava a personalidade vaidosa. Depois comecei a sentir-me confortável. Finalmente comecei a perceber que com óculos tudo ficava mais fácil de entender.
Os óculos.
Vou buscá-los para ler enquanto o jantar se faz!

Ando Estúpida!

Daqui
É sabido que penso. A questão, hoje, é se penso bem ou se mais valia não me dar a esse trabalho. Ultimamente dou por mim a analisar cada comportamento que tenho, cada frase que digo e como digo, a analisar os comportamentos de quem está à minha volta, pensando em como seria se tivessem sido ou fossem diferentes. Convenhamos que esta é uma grande "panca" e que me cansa um bocado. Frequentemente sinto vontade de ir a um qualquer botão que o meu cérebro deve ter e virá-lo para a posição off para que me deixe descansar um bocado. A minha convivência com outros elementos do sexo feminino não me leva a perguntar-lhes se também têm este tipo de pensamentos e outros ainda mais aborrecidos. Do género, mas porque raio tenho eu esta vida monótona? Claro que no meu caso, o meu estilo de vida foi opção minha, mas isso não é razão para que não me pergunte, não me analise, não me apeteça outra coisa qualquer. Não deve ser um sentimento apenas característico das donas de casa, pois não?
O que se passa. Ando um bocadito farta de passar dias e dias fechada em casa, tendo por única companhia ruidosa os periquitos e a televisão. Claro que também tenho rádio. Claro que também tenho CD's, e internet, e telemóvel, e telefone, mas não é a mesma coisa. Sinto falta de ter alguém com quem conversar. Pode ser só sobre o tempo, mas se puder ser sobre outros assuntos mais interessantes, melhor!
Depois, ao fim do dia, quando todos chegam a casa, todos têm coisas para contar, menos eu. Vou falar sobre o quê? Sobre a roupa que não deixa de existir para ser lavada estendida e engomada? Sobre a comida que tão depressa enche o frigorífico como desaparece de seguida? Sobre o pó que ainda agora limpei e já cobre de novo os móveis parecendo provocar-me? Que raio de temas de conversa!
Será pecado que me apeteça uma boa conversa, uma roda de amigas, sem preocupações com o jantar por fazer, os banhos por tomar, as tarefas domésticas que estão sempre lá à espera que lhes pegue?
Não há dúvida. Tenho de me educar.
Ou vou "endoidar"!

Casa de Bonecas


Daqui

Nunca tive uma casa de bonecas.
No passeio que me vi obrigada a fazer no domingo, entrei numa mega loja de brinquedos. Um dos brinquedos que lá estava exposto era uma casa de bonecas. Estranho, porque não sendo daquelas coisas que eu penso "ai, gostava tanto de ter tido" [aliás, parece-me que não existe nada que me faça pensar nesta frase], quando olhei para a casa disse "gostava tanto de ter uma casa de bonecas". Que disparate. Com esta idade, para que quero eu uma casa de bonecas? Para ter mais uma coisa em casa para limpar o pó, com certeza.O que eu acho é que mantenho o sonho de ter um quarto só de brinquedos, como os que se veêm nos filmes, como os que vêm descritos nos livros da Condessa de Ségur.
Com os filhos já crescidos e muito pouco virados para a temática "brinquedos", a minha oportunidade de vir a ter um quarto de brinquedos com uma casa de bonecas, atira-se para o futuro, para quando fôr Avó e tiver tempo para me sentar a brincar com os meus netos.
O quarto vai ter também um cavalinho de pau. Adoro-os. E um teatro de fantoches. E um baú cheio de roupas para as crianças se mascararem. E uma cortina na janela feita de espanta-espíritos coloridos e infantis que tilintarão ao sabor do vento. E uma cadeira de baloiço onde me hei-de sentar a ler enquanto eles brincam, ou a escrever, ou a ler histórias em voz alta. As janelas deste quarto de brinquedos vão ter, por dentro, portadas de madeira que se fecharão na hora da sesta. Caixas de música, de corda, enfeitarão prateleiras da estante dos livros e marcarão os compassos das horas que ali passaremos, as de brincar, as de ler, as de dormir e sonhar.
Gosto desta ideia. De poder ter tempo para me sentar no chão a brincar aos chás de bonecas. Quando era miúda, as brincadeiras com as bonecas tinham por tema o hospital, os doentes, os exames, as "picas", as máscaras nas nossas caras. Influências...

Vou continuar a pensar nisto!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Quando Não Sei o Que Escrever, Transcrevo # [1]

Edouard Vuillard, 1891
«Cheguei hoje, de repente, a uma sensação absurda e justa. Reparei, num relâmpago íntimo, que não sou ninguém. Ninguém, absolutamente ninguém. Quando brilhou o relâmpago, aquilo onde supus uma cidade era um plaino deserto; e a luz sinistra que me mostrou a mim não revelou céu acima dele. Roubaram-me o poder ser antes que o mundo fosse. Se tive que reincarnar, reincarnei sem mim, sem ter eu reincarnado.
Sou os arredores de uma vila que não há, o comentário prolixo a um livro que se não escreveu. Não sou ninguém, ninguém. Não sei sentir, não sei pensar, não sei querer. Sou uma figura de romance por escrever, passando aérea, e desfeita sem ter sido, entre os sonhos de quem me não soube completar.
Penso sempre, sinto sempre; mas o meu pensamento não contém raciocínios, a minha emoção não contém emoções. Estou caindo, depois do alçapão lá em cima, por todo o espaço infinito, numa queda sem direcção, inifinitupla e vazia. Minha alma é um maelstrom negro, vasta vertigem à roda de vácuo, movimento de um oceano infinito em torno de um buraco em nada, e nas águas que são mais giro que águas bóiam todas as imagens do que vi e ouvi no mundo [...].
Poder saber pensar! Poder saber sentir!»
Bernardo Soares
Páginas do Livro do Desassossego

Outono a Chegar


I.
Ontem. Planeei que hoje ia caminhar.
Hoje. Constatei que em casa há muito caminho a percorrer.
Ontem. Pensei que hoje ia enfiar uns ténis nos pés, uns auscultadores nas orelhas e ia andar, junto ao mar.
Hoje. Guarda roupa normal, versão stay home worker.

II.
Ontem. Por obrigação conheci um Ctº Comercial, nos subúrbios, enorme.
Ainda ontem. Reafirmei o meu pouco prazer em passear em Ctºs Comerciais.
Ontem. Por prazer voltei à Feira do Desporto, em Cascais.
Ainda ontem. Reafirmei o meu imenso prazer pelo ar livre e pelo contacto com pessoas.

III.
Sábado. Colheita do marmelo. Enchi um saco, [daqueles pretos, do Pingo Doce].
Esta semana. Tenho de deitar mãos à obra e produzir marmelada, antes que comecem a apodrecer dentro do saco. Posso guardar, oferecer e vender. São tantos marmelos!

IV.
Porque motivo este post é ilustrado por uma fotografia tão bonita e que não tem nada a ver com o que aqui foi escrito? Pois...não sei bem...porque é um post em que já cheira a Outono e a fotografia em questão foi tirada em Outubro. E é só. Por agora.

domingo, 19 de setembro de 2010

Até Quando...

Já não são os silêncios que me doem.
Finjo que não os sinto, que não os vejo.
Fingir é infantil, mas ser infantil também é uma forma de resistir ao que não se quer importante.
Já não são as palavras que me incomodam.
A elas transformo-as. Não as ouço como são ditas. Baralho-lhes as letras e faço outras que me cantem aos ouvidos.
Doem-me os estilhaços de afectos. Dispersos. Escondidos. Desfeitos.
Doem-me os abraços que não se sentem e as atenções que desaparecem
Doem-me as dores que se vão instalando sem remédio, a escuridão que todos os dias pinto de luz.
Avanço. Os passos sempre seguros.
Tacteio quando me sinto hesitar.
Não caio.
A força que me mantém é muito maior.
Sei-o.
Até quando?
Não o sei...

Solidão

«Com o tempo não vamos ficando sozinhos apenas pelos que se foram: vamos ficando sozinhos uns dos outros»
Mário Quintana

sábado, 18 de setembro de 2010

Sábado, Terceiro de Setembro

Sem grandes alardes, o Concelho de Cascais, através do trabalho desenvolvido pela sua autarquia, é rico em actividades desportivas. Durante este fim de semana decorre a Feira do Desporto de Cascais. No cenário da Baía, frente à Praia dos Pescadores. Vários clubes e associações desportivas estão ali presentes para se darem a conhecer bem como as modalidades que em cada um se podem praticar. Durante os dois dias, são feitas demonstrações. Corfeball, Futebol, Karaté, Escalada, Paddle Surf, Rugby, Jogos Tradicionais...uma grande diversidade, para todos os gostos, para toda a Família.
Andámos hoje por lá. Encontrámos gente amiga e conhecida. Conversámos e assistimos a demonstrações de vários desportos. Prontos para voltar a casa. Já a hora de almoço ia longe e os nossos estômagos não tinham tido o prazer de a reconhecer. Tocaram os primeiros acordes de uma música de top deste Verão. Ao microfone do palco principal uma voz anunciava a aula de fitness.
"bora lá Mãe...vamos buscar a camisola e vamos!"
E fomos. Waka Waka, Macarena, Fame, IMCA, Let's Twist Again. E as coreografias a  bombar. E nós a acompanharmos (pelo menos, a tentar!). E saí de lá cheia. Da adrenalina da dança em grupo. De uma tarde cheia de sol. De ter visto pessoas que me são muito queridas. De orgulho no meu Concelho e nas pessoas que trabalham para que eventos destes possam acontecer e possam juntar tanta gente. Feliz.
A magia em Cascais continua pela noite dentro com o programa Endless Nights. Não estou lá, mas há quem esteja. Torço para que a boa onda da tarde se esteja a prolongar pela noite fora.
Obrigada Cascais!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Bem Feita!!!

Areias de Cascais

O Outono traz cheiros e sabores próprios.
Tenho andado a lutar contra a melancolia dos dias que encolhem, da luz que se despede mais cedo, do Sol que lamenta mas tem de dar lugar às nuvens. Sinto em mim a mais completa negação das estações de dias curtos e frios. Cinzentos e melancólicos. Apesar do quentinho bom das mantas nos sofás, do cházinho.
A preguicite de hoje transformou-se, repentinamente, numa vontade de "bakering". Virei e revirei páginas do livro de receitas. Um bolo? Nã...o que vinha mesmo a calhar...bolachas! Sim, deitei mãos à obra com o meu ajudante mais novo e saíu um belo tabuleiro cheio de areias, as que se dizem de Cascais.
Numa sexta feira completamente estranha. Família incompleta para jantar.
Vejo-me sózinha com os dois mais pequenos. Decido fazer um jantar "à americana", dos que nunca se fazem cá em casa. Nós três, sentados nos sofás, tabuleiros no colo, muitas batatas fritas. É a nossa vingança por os outros três elementos da Família se terem baldado...
Bem Feita!
Não comem Areias!!

Preguicite Aguda


Estou em casa.
Até aqui nada de extraordinário.
Tinha pensado ir até à praia umas duas horitas. O tempo não se mostrou de feição à hora que tinha escolhido para a escapadela de sexta feira.
Fui a uma das escolas, de manhã. Regressei era já hora de almoço.
Arruma aqui, arruma acolá e passou o tempo. Uma preguiça imensa tinha-me invadido. Não estava com espírito para fazer nada. Sentei-me a ler os jornais comprados hoje. Ai, que preguiça...
Fui faser uma recolha. Voltei para casa.
Continuei nos jornais. Mudei-me para o Sofá. Frente à televisão. Sponge Bob...
Chega o do meio da tarde. A pé, encalorado. Junta-se-nos.
Sem saber como, estou a jogar Buzz. Do Sponge Bob a televisão passou para um concurso de Skaters.
Hum...a preguiça mantém-se e a hora de recolher o nº 4 aproxima-se.
Sextas feiras.
Adoro-as!

Quando Não Sei o Que Escrever, Transcrevo

«Pensa bem: o mesmo se aplica a escrever livros, ou não? Não será o escritor, verdadeiramente, o único interessado naquilo que escreve? Quero dizer, porquê andar a inventar histórias a torto e a direito, a menos que essas histórias sejam a solução, temporária ou absoluta, para um enigma qualquer?»
« Todos temos enigmas por decifrar», repliquei. «No entanto, nem todos lemos ficção. E somos ainda menos os que escrevemos.»
«Justamente», respondeu Nina. « Porque pessoas diferentes encontram as respostas em lugares diferentes. Algumas pessoas encontram-nas na própria vida; talvez eu faça parte desse grupo. Para outras, as respostas só surgem quando se difarçam de outra coisa qualquer, de uma pessoa que não são. Quando se metem no lugar de uma personagem e depois a fazem passar por agruras, que é aquilo que acontece nos romances.»
«Ao mesmo tempo, é uma forma de cobardia», respondi. «Deixar que os outros vivam as coisas por nós. mesmo que os outros sejam invenção nossa.»
«Pois é», respondeu Nina, sorrindo. «Os escritores, no fundo, são todos uns grandes cobardes e mentirosos. Às vezes, raramente, são muito corajosos. Mas, geralmente, são só cobardes e mentirosos.»
Págª 35

Manhã, Mia Couto

Estou
e num breve instante
sinto tudo
sinto-me tudo

Deito-me no meu corpo
e despeço-me de mim
para me encontrar
no próximo olhar

Ausento-me da morte
não quero nada
eu sou tudo
respiro-me até à exaustão

Nada me alimenta
porque sou feito de todas as coisas
e adormeço onde tombam a luz e a poeira

A vida (ensinaram-me assim)
deve ser bebida
quando os lábios estiverem já mortos

Educadamente mortos

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

I know where the summer goes

A cortina de areia invade o pátio
os elementos tingem o mar de uma cor encardida
que em rigor não lhe pertence
quando voltarmos à enseada
uma impressão contraditória
não nos larga
em cada plano, cada frase, cada pose

Somos sem saber os derradeiros
representantes de uma estirpe

Depois disso
não se morre nem se permanece vivo

José Tolentino Mendonça,
In RESUMO
a poesia em 2009,
Assírio&Alvim
FNAC

Manhãs

Daqui
"A fotografia foi tirada da Rua Ferreira da Silva e as ruas que se deixam perceber são:
Rua Carlos Mardel, Rua José Ricardo, Rua Ângela Pinto, Rua Actor Vale.
No canto inferior esquerdo percebe-se também o Mercado de Arroios."
As manhãs são boas, mas ingratas.
Acordam-me cedo demais e logo aí fico com vontade de lhes bater. Há dias em que os sonhos estão tão bons que até parece mal acordar, há outros dias em que a maciez dos lençóis me pede que não a abandone. Estando acordada, gosto das manhãs. Da frescura, da sensação de estar a viver um novo dia, de que coisas boas e diferentes podem acontecer, de que algo vai mudar. As manhãs são o princípio, o ponto zero, o novo e diferente. Gosto delas por isso. Respiram mudança, uma das minhas palavras. Depois os ponteiros começam a avançar no mostrador do relógio e, num ápice, as manhãs transformam-se em horas de almoço, em proximidade da tarde, em correrias de fim de dia. Rápidas, as manhãs, quase não me dão tempo de as saborear convenientemente. Parecem-se com os "gelados de água". Frescos, saborosos, refrescantes, mas tão rapidamente desfeitos pelo calor se não os soubermos comer a correr!
Na verdade, nunca passo a manhã a correr. Não gosto. É de manhã que tenho mais tempo para dedicar à escrita e não gosto de correr enquanto escrevo. As ideias não saem a correr, precisam de tempo e de de certeza no que dizem.
Hoje tem de ser diferente. A tarde vai ser atribulada, a manhã tem de render mais do que 100%. Sento-me sem saber muito bem sobre que escrever, o que dizer. Depois de ter tido o FB invadido pela mensagem de "cuidado com o que postas", fico um pouco insegura sobre o que escrever quando escrevo. Dou uma volta pelos blogues que leio. Dou de caras com a fotografia que inicia estas linhas. Como se fosse um click. O meu cérebro diz-me que conheço aqueles prédios, aqueles telhados. Ando para baixo e leio. Claro que conheço. A zona onde nasci e vivi durante 22 anos. E cai a nostalgia sobre os telhados luminosos da fotografia e sobre a minha cabeça. Há Sol lá fora apresar das previsões que dizem que vai chover e ficar cinzento.
Hoje tenho de ir a Lisboa. Não irei à minha "zona", ficarei pela entrada da cidade, mas isso não impede a saudade, a vontade dos passeios a pé, a imensa saudade. De quem já não pode voltar a passear comigo. De quem já não me pode ouvir enquanto converso. De quem me faz uma falta imensa. Cada dia mais.

A manhã.
Fresca.
Meia iluminada por um Sol que me lembra que o Outono está a chegar. Que d'hoje a um mês faço anos. Que se passou um ano sem que desse por isso. Que nada mudou.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A Zeros

Há um vazio que não há meio de desaparecer de mim.
Um desconforto que não me quer abandonar.
Um silêncio que não me pertence.
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