Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

sábado, 31 de janeiro de 2009

O Solista # [1]

Conheci-o através deste blogue e por isso agradeço ao dono da casa que mo apresentou.

Um livro caracteristicamente escrito por um jornalista. No entanto, foi também esta característica que me agradou. A escrita jornalística é uma escrita despida de adjectivos, nua e crua. É uma escrita que se molda bem à realidade descrita.

A crueza e a nudez de viver na rua. A crueza do dia a dia. A nudez de afectos. Este livro chama-nos a atenção para como é fácil fazer algo por alguém. E como a preocupação de melhorar a vida de alguém nos pode dar felicidade. Dentro das nossas vidas ocupadas até ao mais ínfimo segundo, cronometradas e aceleradas, é tão fácil encaixarmos a vertente da solidariedade. E depois, é tão fácil mantê-la. Cola-se-nos à pele e incita-nos a mais e melhor. Nunca é fácil o trabalho social. Ou por ser demasiado duro e por as nossas emoções não conseguirem ficar fechadas atrás de uma porta, ou porque os obstáculos que encontramos quando queremos fazer bem são imensos, ou porque a(s) pessoa(s) que queremos ajudar não aceitam essa ajuda ou se tornam completamente dependentes dela.


O Solista tem ainda o peso de tocar um assunto extremamente complicado - o da saúde mental. Até que ponto estamos (sociedade e comunidade) preparados para lidar com a diferença que caracteriza os doentes mentais? Até que ponto saberemos lidar com o real e a fantasia que habitam nas cabeças destas pessoas?

São muitas questões num livro que, enganadoramente, até pode ser tomado como sendo de fácil leitura. Se o lermos sem pensarmos que tudo o que ali está descrito, é produto da observação da realidade e não apenas uma ficção criada por uma cabeça pensadora e umas mãos "iluminadas".

A ler. A pensar...e a agir para mudar!

Leituras

Sábado de muita chuva e tempestade. Mesmo apetecível para pôr a leitura em dia. Terminei a leitura deste livro e adorei-o. Agradeço ao Brunorix que trouxe este livro para a Blogosfera no seu Clube de Leitura! Agora vou até lá escrever o que cá dentro ficou depois de ter lido a palavra F I M.

"Este livro mostra-nos como a amizade pode mudar a vida quer dos mais carenciados, quer dos que tentam ajudá-los. Relembra-nos que não há vidas sem significado."

Banco de Jardim



A minha Máquina noutras mãos, Janeiro 2009, Lisboa

Conheces este banco de cidade? Todos os dias te espero aqui. Sentada. Absorta em pensamentos que me levam ao início do tempo. Quando os cabelos brancos ainda não enchiam a minha cabeça de uma mancha branca. Quando as minhas pernas ainda não pediam descanso antes de chegarmos ao destino. Sento-me. Chapéu de chuva dum lado, saco com o crochet de outro. Espero-te. Na verdade já não me apetece o crochet...os olhos já falham e as mãos doem-me. Sabes, este frio, esta humidade invernosos...a minha artrite. Acho que o trago só para me fazer companhia. Para me sentir segura. Como se este trabalho manual que me entretém dias, semanas e meses de solidão, fosse também a minha defesa. Se o trouxer comigo está tudo bem.

Sento-me. Vejo quem passa. Aprecio caras, roupas e posturas. Vejo o tempo a passar. Enquanto espero. Te. No teu casaco de fazenda aos quadradinhos. Sobretudo. Boné de fazenda, que te protege a cabeça do frio. Espero a calma dos teus olhos verdes. Quando chegares, dás-me um beijo e caminharemos de mãos dadas. De volta a casa. Conversaremos, veremos as montras. Pararemos a meio do caminho para beber o cafézinho da tarde, para fazer umas compras de fruta que já falta....

Está frio. O céu escurece de repente quando é Inverno. Abandono o banco de jardim. Chapéu de chuva numa mão, saco de crochet noutra. Caminho. A cabeça erguida. O passo lento. O caminho para casa. Sem ti. Ainda me custa perceber que não virás ter comigo ao banco de jardim, simplesmente porque já não estás cá. Estás noutro sítio, melhor dizem, para me animar um pouco. A verdade é que os dias, as semanas, os meses são cada vez maiores. As mãos doem-me cada vez mais e o crochet já não me entretém. Volto para uma casa que me espera. Vazia e sozinha. Amanhã estarei novamente no banco de jardim. Desejando que voltes, desse sítio onde estás, melhor, para me vires buscar...

Até amanhã, meu Amor.


PS - Este texto foi escrito a pensar na minha Avó, nos meus Avós maternos. Todos os dias, ao final do dia, saía ao encontro do meu Avô que regressava a pé do trabalho. Era mais ou menos esta a rotina do final de dia. A última frase está na renda, feita por ela em crochet, de um lençol que vive cá em casa. Tenho saudades destes fins de tarde...

Vale a pena ir ver :)

As coisas que, todas nós Mães, dizemos vezes sem conta durante a nossa vida!!!!

Pablo Casals, Song of the Birds

"[Pareceu-me adequado já que tu és uma espécie de ave errante.]",
O Solista, Steve Lopez, Págª 142


Cansaço

Daqui

É sempre ao fechar do dia que passo as portas deste bar. A princípio vinha em grupo, a confraternização de final de dia de trabalho antes do regresso a casa. Aos poucos foi-se desfazendo o grupo. Sobrei eu. Mantive o ritual. Entro e sento-me no meu banco. Suficientemente distante da porta para que não apanhe o frio, mas numa posição que me permite sempre controlar quem entra.

Irish Coffee. Quente e com uma camada generosa de natas polvilhada com grãos de café. O calor da caneca aquece-me as mãos, geladas do frio da rua. O cabelo pinga e sinto-me molhado até aos ossos. Golo a golo o corpo vai aquecendo e a mente adormecendo. Quebra-se o stress do final do dia, baixa a adrenalina e permito-me acalmar.

Música de fundo. Sinto-me embalado. Oiço-a tocar mas não me concentro o necessário para saber o que oiço. Oiço-a como se estivesse fora do Mundo a observar, a ouvir, tudo e todos. Sinto-me a pairar, dentro de uma bolha de ar que me suporta, que me transporta, que me protege.

Voz sussurrada. Palavras no meu ouvido. Que me prometem a dedicação e protecção eternas. Sei que estou a sonhar mas não me incomodo em acordar-me. Quero prolongar este calor, esta sensação de leveza e de ternura que me aconchegam.

A bebida a chegar ao fim. O meu corpo adormecido sobre o balcão. Os copos que se encostam e tilintam. O pano húmido que limpa. E eu sobre o balcão. Lutando para me levantar. Pedindo-me força para ir. E eu a ser levado. Cansado. arrasado. final de mais uma semana. cansado. arrasado...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

New Look...desejado...

O mau tempo continua.
Não há vestígios do Sol que costuma ser o cartão de visita de Portugal, seja Verão ou Inverno.
A chuva, o frio e o vento não me dão tréguas.
A Proteccção Civil informa a manutenção do Alerta Amarelo para o fim de semana que se aproxima (eu gosto de amarelo e de laranja, mas depois deste Inverno acho que vou ficar enjoada deles!).
Como não posso pegar em mim e mudar-me de armas e bagagens para um qualquer país onde o Sol esteja a brilhar, decidi mudar, novamente, o aspecto do meu caderno virtual.
Côr, flores e fashion look!

Telemóveis e Crianças

5º Ano de escolaridade. Turma de 20 e tal alunos entre os 10 e os 11 anos. Aula de Área Projecto.

- Stôra, posso tirar o telemóvel da mochila, só para o desligar?

Autorização concedida. Pergunta sobre quantos, naquela turma, têm telemóvel. Todos os dedos no ar à excepção de três alunos. A professora deu os parabéns a estes três.

Isto aconteceu, ontem, na turma do M.M.2. Um dos que não tem telemóvel. Não pretendo apontar o dedo a todos os Pais/Encarregados de Educação daquela turma. Cada Família funciona dentro da sua organização e das suas regras. A minha opção de não dar telemóvel aos 10 anos prende-se com uma questão de economia familiar mas também de alguma racionalidade. Que necessidade de telemóvel tem uma criança desta idade? Aceitação social pelos outros colegas? Estar sempre contactável?

Sou da opinião de que a aceitação social não deve ser feita com base no que cada um tem, mas sim no que cada um é. Quanto à contactabilidade dos nossos filhos, a Escola tem um PBX que eles podem utilizar e para o qual nós podemos ligar se houver algo de urgente a comunicar-lhes (a Escola tem 300 e poucos alunos).

Posso ser considerada antiquada, cota, mas a forma como é feita a gestão da minha Família nada tem a ver com modelos de consumismo e de facilitismo. Somos uma Família Numerosa, temos uma boa casa, despensa e frigorífico abastecidos. Tudo o resto é supérfluo. Não sinto peso na consciência por não dar aos meus Filhos determinados luxos que outros Meninos/Jovens das idades deles têm. Não sinto peso na consciência por não alimentar caprichos. Não sou melhor do que ninguém. Sinto que estou a criar quatro pessoas que devem viver no mundo real e não na ilusão de que tudo é fácil e aparece com um estalar de dedos. A vida não é fácil e o estalar de dedos só funciona nos filmes. Sinto orgulho quando, em pequenas situações do dia-a-dia, percebo que estes ensinamentos funcionam e que os meus Filhos se revelam pessoas sensatas.

Por tudo isto, há quem continue sem telemóvel...

Sei que estou a fazer bem o meu trabalho quando...# [1]


"O que é para ti a Amizade?
Para mim, a Amizade é a segunda coisa melhor no Mundo a seguir à Família"., M.M. 2 em trabalho de Formação Cívica

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Pedaços de Mim


descoberta aqui

Se a minha pele fosse castanha em vez de branca.

Se usasse vestidos coloridos e compridos até aos pés feitos de capulanas.

Se carregasse os meus Filhos em panos atados a mim.

Se vivesse numa pequena aldeia com chão vermelho, de terra.

Eu seria a "Mãe" dessa Aldeia.

Eu ensinaria como tratar de um bébé recém-nascido.

Eu ensinaria todos os preceitos do dia a dia de uma Mãe e Chefe de Família...

Porque a minha pele é branca.

Porque visto calças da ganga.

Porque carrego os meus Filhos sempre comigo, mãos nas mãos.

Porque vivo numa terra onde conheço tanta, tanta, mas tanta gente...

Pedem-me conselhos sobre Escolas.

Pedem-me ajudas pontuais.

Pedem-me conselhos.

E eu, não fico vaidosa, cheia de imodéstia ou convencida de que sou A Maior...

Eu percebo que já estou a caminho da idade da sabedoria.




O Solista

[...]"Foi Napoleão Bonaparte que serviu de inspiração a Beethoven para compor a Terceira Sinfonia, mas reza a lenda que a opinião do compositor sobre ele mudou quando viu que o libertador se tornara um tirano. Intitulou a sinfonia de Eroica, que significa heróica, e quis que ela fosse uma homenagem à coragem e não a um único homem. [...] A Eroica começa com duas pequenas explosões que nos atiram contra o assento da cadeira. Depois de conquistar a nossa atenção, Beethoven inicia uma conversa na secção de cordas, que ora parece desfalecer, ora ribombar. A peça tem um misto de romance e suspense, como que antecipando uma afirmação ousada e marcante. Mas, para mim, a melhor parte do espectáculo é Nathaniel, que está sentado na borda da cadeira, seguindo a pauta que tem na cabeça. De queixo descaído, absorto, emancipado, pega numa batuta imaginária, ri-se e balança o corpo. Houve alguém que descreveu a Terceira Sinfonia como uma composição em que um manto de nuvens escuras se dissolve num dia de sol. Não sei se será por isto que Beethoven é o deus da criação para Nathaniel. O segundo andamento entra na sala em bicos de pés, como se fosse um rumor da morte, e Nathaniel encosta o ombro ao meu e põe a mão em concha junto do meu ouvido. [...]"

O Solista, Steve Lopez, págª 106

Karajan - Beethoven Symphony No. 3 'Eroica' - Part 1

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

S C A R E D


Trazida daqui
E se a minha voz não tremer?
E se as palavras não saírem baralhadas, como se eu não soubesse falar?
E se os meus lábios não sentirem o sabor de um beijo apaixonado?
E se o meu corpo não sentir a pressão de um abraço?
E se o desejo não me queimar, não me desinquietar?
E se as minhas pernas não ficarem moles, sem me sustentarem o corpo?
E se a Paixão não surgir?
I'll be so scared...that I rather die...

C R I S E

Recebi esta fotografia agora mesmo. Pela mensagem que traz com ela, achei que tinha mesmo de partilhá-la com todos os que me leêm!

Back to Reality

Trazida daqui

E agora vou tratar da "faxina"!

Volto mais tarde...

Filhos e Cadilhos


Esta semana tenho companhia em casa. O M.M.3. A Filha da Professora dele está doente e eu optei por o manter em casa em alternativa a ir à Escola e ficar noutra sala, noutra turma, a fazer fichas ou a desenhar o dia inteiro. A rotina altera-se. Tendo um deles em casa fico mais "relaxed". É estranha a sensação, mas é verdadeira. Parece que não ando a correr tanto de um lado para o outro. Sabe-me bem esta companhia e a única alteração que a minha rotina sofre é a de fazer almoço. Também é verdade que na idade em que eles estão já não me dão aquele afazer de ter que estar constantemente atenta à invenção seguinte (não é Filoxera?). Já houve tempo em que isso acontecia! O M.M. 3 foi para a Escola com dois anos, depois de eu o ter apanhado a trepar uma estante do quarto dos rapazes...

O outro lado desta questão surge quando me ponho na pele da Professora dele. Já fui Mãe-Trabalhadora e sei bem o que custa, à nossa consciência, decidir o que fazer quando um filho adoece. Ter que optar entre ir trabalhar e deixar a criança com alguém e ficar em casa faltando ao trabalho e às responsabilidades profissionais não é pêra doce.

Não sei se esta "luta" é característica apenas do nosso País onde a protecção à maternidade é muito frágil ou se se passa com todas as Mães trabalhadoras do Mundo dito civilizado.

Sei, que no meu caso, foi uma das razões que pesei na altura em que tomei consciência de que não queria continuar a ter que optar entre os meus Filhos e o trabalho - era olhada de lado por sair às 16:30, mesmo entrando às 08:00; era olhada de lado e comentada por faltar de cada vez que um deles ficava doente (e o M.M.2 foi bem complicado com faltas de ar e afins), sentia quase vergonha de telefonar a informar que alguém estava doente e que eu não iria trabalhar...(Nunca tive ninguém que ficasse com eles).

Só espero que a nossa sociedade evolua e consiga criar os apoios reais que as Mães precisam, porque ninguém pode continuar a ser despedido só porque engravida ou amamenta, ninguém pode ser preterido numa candidatura de emprego só porque é Mulher em idade de ter Filhos, ninguém pode ser penalizado só porque é Mãe e tem que se ausentar para assistência aos Filhos.

E porque ter Filhos não tem necessariamente que significar Ter cadilhos!

Evidências...banalidades...hum(an)idades...

Continua o Inverno. Continua a Chuva. Tento não dar importância a estes pormenores que me desagradam imensamente, mas há dias em que não consigo... É superior a mim ...

O cinzento do céu cola-se ao cinzento do meu cérebro. A humidade cola-se ao corpo, ao cabelo, que fica encaracolado até não poder mais e só apanhado se deixa dominar.

Tudo fica mais difícil. Até eu. E eu não gosto de me sentir difícil...

Admito que não fui eu que o encontrei...

mas vejam-no até ao fim! É ... simplesmente delicioso...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

John Updike (1932 - 2009)


Morreu hoje, antes de completar 77 anos.

Na minha biblioteca tenho "O Terrorista". Uma face da América.

Sei que estou a fazer bem o meu trabalho quando

"Mãe, tenho pensado muito nisto. Ele [M.M.3] é o único de quem me vou lembrar assim pequenino. E ele é pequenino...só tem sete anos!"

Café da Manhã

Esta veio daqui

Na minha manhã não há nada de novo. O duche, os cremes, a água de colónia e o desodorizante. O cabelo escovado, a roupa, os acessórios. Botas, sempre, calçado obrigatório de Inverno.

Saio para a rua. Sinto o meu próprio cheiro quando o ar fresco da manhã me toca. Inspiro-o porque gosto de o sentir, tal como gosto de sair de casa bem cedo.

Ando. Passo estugado porque o tempo não pára e a vida espera-me. São dois quarteirões. Prédios, pessoas, carros e barulho. Não me incomodam. Na verdade agradam-me. Observo-os a todos, gravando pequenos apontamentos na minha cabeça. Por vezes, fotografo-os. Quando o tempo me dá margem e a máquina não ficou esquecida na correria da saída.

Chego ao destino. Um pequeno café, daqueles que estamos habituados a ver nos filmes. Montras grandes de vidro. Toldo de riscas, fazendo sombra para dentro, para as primeiras filas de mesas. Letras coloridas de vinil, coladas no vidro. Entro e deixo de sentir o meu cheiro. As minhas narinas deliciam-se e deliciam-me com o que me transmitem. O perfume do café. Inebriante. Quente. A lembrar outras paragens, quentes. O perfume dos croissants a saírem do forno. Dourados. Simples. Estaladiços.

Sento-me na mesa do costume. Na montra, com vista para a rua, com vista para todo o interior. Posso observar livremente. Inspirar-me e escrever. Não pensar e escrever. Pouso a mala, tiro o caderno, o lápis e os óculos. Estou pronta para as primeiras linhas da manhã. Sempre as mais difíceis. O meu cérebro acorda nublado para a criação, as minhas mãos enferrujadas e até o lápis parece adormecido. Letra a letra as palavras vão nascendo e vão-se compondo. Alimento-me do perfume que me rodeia, do barulho da loiça nas travessas de inox, das vozes que se entrecortam.

À minha mesa chega uma chávena. Branca. Leite quente e café. Uma gola de espuma deliciosa. Levo-a à boca. Sinto o calor a invadir-me e a confortar-me. Passo a língua no lábio superior que ficou marcado pela espuma...delicioso momento. delicioso café da manhã.

Post inspirado num outro que pode ser lido aqui

Perdoem-me...pequei!

A Velvet desafiou-me - Revelar a minha relação com os pecados capitais.

Como se não bastasse desafiar-me do outro lado do bairro, qual duelo de vizinhas, ainda se atreveu a pedir-me que expusesse aqui, linha a linha, para todos lerem e comentarem, os meus pecados mortais.

Para além de ter que os expôr na minha pele, tenho que os definir:

Gula: Comer a toda a hora e/ou além do necessário; Já fui muito mais gulosa do que sou actualmente. Há duas ou três coisas às quais não consigo resistir (cerveja bem fresca, amendoins, caracóis) mas como balançadependente que sou, consigo controlar bem as minhas vontades irracionais de fazer disparates!

Avareza: Cobiça de bens materiais e/ou dinheiro; Por aqui não me apanham. O meu nível de consumo resume-se ao estritamente necessário, o que quer dizer que facilmente me encontrarão num supermercado perto de mim a fazer compras para contentar a minha despensa e o meu frigorífico, mas dificilmente me verão a gastar solas de sapatos em centros comerciais investindo em coisas que não me fazem falta nenhuma!

Inveja: Desejar atributos, status, posses e/ou habilidades de outra pessoa; Bem...aqui tenho que confessar algumas falhas no meu carácter...invejo, sim, corpos bem feitinhos, perfeitinhos, sem um centímetro a mais na barriga e nas ancas...invejo, sim, quem tem a capacidade de escrever páginas e páginas daquelas que não conseguimos parar de ler nem que a casa nos caia em cima...invejo, sim, quem tem a capacidade de pegar num lápis e desenhar...ah...como eu gostava de criar os desenhos à medida dos meus posts...(eu avisei que este pecado da inveja iria ser a minha vergonha!).

Ira: É a junção dos sentimentos de raiva, rancor e ódio. Por vezes é incontrolável; Nã...tirando algumas ocasiões em que os meus Filhos conseguem tirar-me do sério e em que a minha voz consegue sobrepor-se à maluqueira de quatro vozes, a ira como é aqui descrita não faz parte do meu dia-a-dia!

Soberba: Falta de humildade, alguém que se acha auto suficiente; Não me acho auto-suficiente, mas tenho a certeza que me acho muito independente. São coisas diferentes e, como tal, falta de humildade também me parece que não tenho. Desde muito nova que aprendi a contar comigo e a não depender de ninguém. Apesar de a opção de vida que tomei me ter tornado dependente financeiramente de outrém, a minha capacidade de contar comigo para tudo o que envolve o meu dia a dia é enorme. É com muita dificuldade que peço ajuda a alguém, não por falta de humildade, mas por falta de hábito :(.

Luxúria: Apego aos prazeres carnais; Oh meus Amigos...ele há alturas em que uma Mulher não é de ferro...e por muito que queiramos manter a decência e os bons costumes, a cabeça voa...

Preguiça: Aversão a qualquer trabalho ou esforço físico. Ah ah ah estava bem tramadinha se sofresse deste pecado...alguém quer vir filmar um dia normal da minha semana? Só para verem como é possível manter a forma sem ir ao ginásio!!!

E pronto! Já está!!! Espero que se divirtam com estas minhas confissões e que estejam à vontade para pegar neste desafio e tratarem dele nos vossos espaços! Eu agora vou dormir que amanhã o dia começa de noite :-)

Na Cozinha

Fui buscá-la a este caderno

Pimentão. Salsa. Coentros. Cominhos. Pimentas várias. Sal. Canela. Açafrão. Malaguetas.

Já nem sei quem me ensinou a lidar com eles. A cozinha não se aprende. Intui-se. Como tudo na vida, a intuição culinária tem tudo a ver com o que nos vai cá dentro. É uma espécie de herança genética que define se somos ou não capazes de dar vida aos alimentos que nos vêm parar às mãos. Não me lembro de alguma vez me terem dado lições sobre como temperar uma carne, escamar um peixe ou fazer um molho especial para uns bifes.

Lembro-me, sim, de ver uma Avó a cozinhar, a olho. Sem medidas, pesos ou limites. Pura intuição. Lembro-me de ver outra Avó a dar ordens na cozinha. Como temperar, como apresentar as travessas, como cortar a carne assada. E de a ver fazer bolos. Com o requinte de uma verdadeira doceira. Grama a grama. Passo a passo. E todos os bolos e doces que fazia eram de chorar por mais.

Assim fui crescendo. Assumindo a cozinha. Assim fui sendo Mãe. Ensinando a desenvolver "aquele" gene que existe no nosso DNA e que define como se faz uma boa cozinheira. Sem muitas lições, com muitas práticas, amor e uma cozinha recheada...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Janela Aberta de Par em Par

Quero acordar sempre aqui. Em lençóis brancos e engomados, frios. No cheiro de alfazema que inunda a roupa que guardas religiosamente vincada dentro da arca ao fundo do corredor. Perto desta janela, aberta de par em par sobre o jardim. Verde de relva, amarelo, laranja, branco e vermelho das camélias. Rosa e carmim das cameleiras. No meio de toda esta cor, o repuxo. Que só ligas quando estou por cá. Gosto de te ver através das gotas de água, dizes a sorrir. E fotografas. Gravas a minha imagem vezes sem conta. Fixas-me e eu deixo. E desejo-te. Finjo que não te vejo a espreitar lá de baixo. Gosto de te fazer a vontade. Pensas que não te vejo. E não te vejo. Mas vejo e sorrio. Desta janela, aberta de par em par sobre o jardim, imagino-te a meu lado. E volto a sorrir. Percebo que sorrio cada vez que penso em ti. Deve ser desse teu ar, meio distraído, meio pensador, mas sempre atento e perspicaz. A tua perspicácia atrai-me. O pensar e responder rápido. Estás aí? gritas. Anda, vamos fotografar. A tua energia. Enfio uma camisa e desço. Como os degraus, dois a dois. Saio para o Sol que brilha e que enche o jardim de cor e vida. E de ti. Lá no meio. Perto do repuxo. De máquina na mão. E sorrio. E sigo-te. Sem te tocar. A não ser com os olhos...

Trilhos

Esta veio daqui

Subo-a. Sigo o trilho que outros antes de mim foram abrindo nesta terra. Vegetação espessa e cerrada. Terra escura e dura, pejada de calhaus, ramos e raízes que vêm à superfície como se a profundeza do solo não lhes fosse suficiente à vida. No ar a humidade própria do espaço onde milhões de árvores, fetos e outra vegetação respiram. O cheiro que só o verde transpira. Um cheiro fresco capaz de encher os pulmões de oxigénio em estado puro até à intoxicação e ao desmaio.


Já nem sei o que me invadiu quando decidi que seria capaz. Sozinho, estrada fora. Desafiei-me a mim próprio e aos limites do meu ser. Até quando resistiria sem falar com ninguém? Sem ver pessoas? Seria eu capaz de levar esta aventura até ao fim? E onde seria o fim se não tenho carta nem bússola que me guie? Leva-me o céu, o sol e as estrelas. Leva-me o trilho marcado no chão. E continuo a subir. Sei que já subi muito. Canso-me mais, a respiração está ofegante e obrigo-me a parar. Conto pulsações, faço exercícios respiratórios e avanço.

A minha memória toma conta de mim. O ar rarefeito está a roubar-me a consciência e a devolver-me memórias que julgava perdidas. De repente surgem à minha frente as bicicletas. Somos cinco. Amigos e companheiros de trilhos perdidos. Pedalamos dia após dia até que o mapa nos diga que estamos a chegar. Quanto tempo tem esta memória? Porque voltou agora? Nunca pisámos este trilho. Tenho a certeza que é novo, que o escolhi só para mim. Para o conhecer. Talvez vos traga até ele um dia, mas porque é que se estão a intrometer agora?

Uma casa. Pedra. Pedra sobre pedra. Rectangulares e até mesmo sem forma definida. No meio do verde o cinzento. Na porta, pesada, de madeira, uma aldraba. Enfio a mão e giro-a. Está aberta, destrancada, convida-me a entrar. Não me faço rogado. Os olhos cerram-se na tentativa de deslindar o que o escuro tem resguardado. Na parede de fundo uma enorme lareira. Ligo a lanterna. Percorro a casa. Quartos alinhados ao longo de um corredor comprido. Ao fundo um pequeno hall onde dormem um louceiro e um despenseiro. Porta de acesso a uma cozinha. Chaminé baixa abrigando um enorme fogão de lenha. Ferro preto. Ferragens de latão amarelo. O cheiro inconfundível da cinza há muito armazenada nos poros das tábuas do soalho.

Regresso à sala. Desenrolo o saco cama e deito-me dentro da lareira. Como se me aninhasse no berço onde há muito fui embalado. Como se a minha vida, no escalar da montanha, tivesse andado para trás.

Não sou o homem que se reflecte no espelhado dos óculos escuros. Sou a criança que já fui. A voltar à origem. À terra...

domingo, 25 de janeiro de 2009

Week End # 1


Eu e a minha Máquina, na cozinha, uma Trança para o lanche de Sábado!


O fim de semana também é o tempo de inventar, de transformar a cozinha em laboratório de novas experiências, de encher a casa de aromas novos que aconchegam quem está e recebem de braços abertos quem chega...

Week End

A minha Máquina noutras mãos, Maio 2008

Durante os fins de semana, esta casa torna-se um caleidoscópio. Dentro dele pequenas peças se acumulam, várias cores, várias formas, várias maneiras de encaixar noutras. Na maior parte das vezes, a casa/caleidoscópio recebe mais peças. Que se juntam a outras que cá vivem. Entram umas, saem outras. A casa/caleidoscópio não pára. Há sempre movimentos e combinações diferentes. De cores, de conversas, de risos e sorrisos. O relógio marca o rodar. Cada segundo, cada minuto, cada hora, fazem mexer estas peças. Movimentos diferentes, pontos diferentes da casa/caleidoscópio, mas todos dentro do mesmo desenho. Uma casa cheia de gente, sempre pronta a receber mais gente.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Boa Noite Mãe


"O suicídio anunciado na obra Boa noite Mãe, revela-nos a relação familiar de duas mulheres, mãe e filha, que, no decorrer de um espaço-tempo implacável, vivem uma profunda crise. Estas duas personagens, a filha Jess (Sofia Alves) e a mãe Thelma (Manuela Maria), vivem numa casa isolada no sul dos E.U.A. Jess, abandonada pelo marido, Cecil, e vivendo um drama com o voluntário desaparecimento do seu único filho, não consegue encontrar na sua vida uma última esperança e comunica à mãe Thelma que se vai suicidar. Thelma é uma mãe que construiu durante largos anos uma enorme solidão dentro do seu próprio casamento e uma relação dura com a sua filha. Esta noite, ao ser confrontada com a decisão desta, que nunca viu como a filha ideal, vai lutar desesperadamente para evitar que esta concretize a sua decisão, modificando o percurso desta noite.

Noite, que será, finalmente, de grandes revelações."


Em cena do Auditório Municipal Eunice Muñoz, em Oeiras. Com entrada livre. Vale a pena ir ver!

B R U T A L

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Confesso

que neste meu desassossego, na correria dos meus dias, quase me deixo passar ao lado de pequeninas coisas que fazem toda a diferença...
Hoje foi um dia feito dessas pequenas coisas, desses pequenos momentos, dessas cumplicidades que se vão criando. As palavras que aqui deposito são dedicadas a todas as que hoje estiveram envolvidas nestes pequenos momentos. Novas, recentes e mais antigas são amizades que tenciono manter e cultivar para que cresçam e nos deêm a todas o prazer e o sabor que têm as amizades verdadeiras.
Obrigada por me fazerem lembrar que existem momentos muito bons!

Música


Sento-me. Acaricio o branco frio. Deixo as mãos deslizarem entre umas e outras. As teclas. A vida. O som. Quando toco abro as janelas de par em par. Sobre o rio que corre lá em baixo e que pára para me ouvir tocar. Não importa que esteja frio. O tule das cortinas esvoaça. Branco e leve. Abanado por forças próprias, como se tivesse alma, e querer, e sentir. O som do meu piano precisa de se espalhar. É vaidoso e gosta de ser ouvido. Faço-lhe a vontade e ele reage. As notas soltam-se como se não precisassem dos meus dedos. Fecho os olhos e voo com elas. Sobre os telhados de Lisboa. Cheios de musgo do Inverno. Cheios de pombos que debicam as migalhas sacudidas de toalhas de rendas e bordados. O meu piano. A madeira escura, envelhecida, valorizada por anos de ternuras e de músicas tocadas. A minha música, tocada vezes sem conta para um público imaginário, aplaudida por mãos que, tal como os pombos, voam, supensas na claridade da cidade sobre o rio. As minhas mãos, suaves, esguias, feitas para tocar um piano secular, afinado por notas de outros tempos. Que importa se estou só? Que importa tudo o que foi ficando para trás e não me acompanhou? Importante é a música que se deixa ouvir, por cima do rio, quando as minhas janelas se abrem de par em par e o meu piano vaidoso toca.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A minha Cidade # 1

A minha Máquina noutras mãos, Janeiro 09

Que prenúncio de tempestade vos trouxe?

Que cheiro vos guiou?

Que instinto tem o poder de vos trazer assim?

Para a luz, para o rio, para a margem,

Desta Cidade.

A minha Cidade

A minha Máquina noutras mãos, Janeiro 09

Nas ruas estreitas as vizinhas tocam os dedos quando assomam à janela. Trocam cheiros e confidências sem a inconfidência do grito. Quando a conversa azeda correm-se cortinas e fecham-se portadas. Pragueja-se. Dos estendais libertam-se molas e peças de roupa. Do fundo da rua, espreitando e querendo entrar rua dentro, o rio. A luz. A claridade. O cheiro. Que só Lisboa tem.

Pensamento Estúpido # 6

Sabem porque é que hoje estou assim?
Dah...porque está nevoeiro!!!!

Vida&(m)Filme

Porque é que a Vida não pode simplesmente decorrer como nos filmes?

Nos filmes elas, [nós], são bonitas, sempre bem arranjadas [mesmo quando acordam de manhã depois de terem dormido pouco], com vidas onde existe tempo para tudo [namorar, sair com as Amigas, trabalhar, tratar da casa e dos Filhos] e sempre Felizes.

Se cada um de nós faz o filme da sua Vida porque é que não temos capacidade para fazer filmes assim? Será que o iniciamos e depois não conseguimos ter a força necessária para o conduzir sempre por caminhos luminosos ou será simplesmente que nos vamos deixando andar sem perceber que a luz vai esmorecendo e temos que a avivar?

Só o facto de vivermos sem doenças já deveria ser motivo de luminosidade constante nas nossas vidas, mas a verdade é que os dias se passam iguais numa cadência que nos adormece para as coisas boas que temos, acabando por nos fazer realçar o que nos corre menos bem e que nos traz sentimentos desconfortáveis.

A cadência da rotina que incomoda, que mata a pouco e pouco os momentos de alegria, só pode ser alterada por cada um. Há que ter a força suficiente para encarar o que nos incomoda, para falar directamente sobre o que nos desagrada, para dizer bem alto o que se sente mesmo que o que se sente não seja o socialmente correcto e aceite, para substituir rotinas.

Esta força pode fazer doer, pode incomodar, pode até chocar, mas é necessária.

A Vida é breve, rápida na sua brevidade, complexa na sua rapidez.

Os Filmes são breves, intensos na sua brevidade, imensamente felizes na sua rapidez.

Falar pelos Cotovelos

Fui buscar aqui

Quando fala fico sem voz. Prendo-me na sua. Nas palavras, nos olhos, na mímica. As mãos falam também. Acompanhando as ideias e os caminhos por onde quer que eu siga. E falam mesmo. Dobrando uns dedos e esticando outros. Fechando a mão ou abrindo-a parcialmente, numa conjugação de sinais que me poêm a rir mas que não consigo ler. Gosto de ter vontade de rir assim. Com coisas tão simples, que não me obrigam a ser socialmente correcta no riso. Gosto desta intimidade que se foi criando e que nos permite falar pelos cotovelos mesmo quando o fazemos no silêncio, nas palavras que ninguém ouve. E é destes pequenos gestos que eu também sinto a falta.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Programa dos 6 Passos

No meio da minha movimentação doméstica passei por este meu amigo para lhe dar um carinho (esqueci-me de o referir no post anterior e ele ficou um bocadinho sentido...) e dei com um desafio (meme) da Fada na minha caixa de correio.

Assim como quem não quer a coisa, aproveitei para pousar o pano do pó e sentar-me cinco tostões (que já não existem, mas faz de conta...eu sou do tempo em que existiam e faziam um vistaço!) a pensar no que hei-de escrever.

O desafio diz que
tenho de linkar a pessoa que me deixou o desafio - done!
Escrever as regras do meme no meu blog - done!
Contar 6 coisas aleatórias sobre mim - done!

Coisa 1
- Amo, de paixão, o Sol, o Mar, a Praia e o Calor
Coisa 2 - Sou paranóica pela uniformidade de cores do que visto (passo a explicar, o que não se vê tem que condizer com o que se vê!!!)
Coisa 3 - Sou maluca por relógios (Swatch) e Livros
Coisa 4 - Sou incapaz de arrumar roupa sem a engomar
Coisa 5 - Não passo um dia sem fazer as camas e não gosto de desarrumação
Coisa 6 - Sou uma Amiga apaixonada e as ausências doem-me muito

Indicar mais 6 pessoas e colocar os links no final do post - Done!

Notificar as pessoas que indiquei, deixando um comentário para cada uma delas - Done! Atenção às caixas de correio...
E os nomeados são:
Blog dos Cinco (Kat e Peninha)

Pensamento Estúpido # 5

Há quem não quisesse estar na minha pele.
Eu não queria estar na pele das máquinas (roupa, ferro de engomar, loiça, rainbow, bimby), cá de casa...não sei como aguentam este ritmo non stop mom...

The Day After

SIC Notícias

Impossível passar ao lado de tanta emoção. Inexplicável a emoção que me dominou ontem. [Desde manhã que acompanhei a emissão da SICNotícias que foi, por seu lado, acompanhando o que ia acontecendo em Washington.] Incrível, ver e ouvir pessoas das mais diversas origens, dizerem como estavam emocionadas por poderem fazer parte da História da América naquele dia. Impensável, há 45 anos atrás, para um negro, entrar num restaurante do centro da cidade de Washington DC. Imensa a emoção de ver um negro chegar à Presidência dos EUA, a maior potência mundial.

Depois, emocionante ver a quantidade de pessoas que se juntaram para presenciar O momento histórico. Emocionante ver a festa que foi feita, lá longe, na cidade natal do Pai do Presidente eleito. Emocionante a actuação de Aretha Franklin (já débil mas emocionada). Emocionante o juramento (o ar confiante mas os nervos a traírem o turbilhão de emoções que lá por dentro deviam estar a acontecer). Emocionante o olhar orgulhoso e terno de Michelle Obama. Emocionante o barulho, a cadência dos aplausos.

Gravei tudo. Não sou Americana, mas sinto-me uma parte deste momento que quero preservar para mim e para os meus Filhos (quando, mais tarde, conseguirem compreender a dimensão do que aconteceu ontem). Não sou Americana, mas sinto que há qualquer coisa de especial naquele novo Presidente. Não sou Americana, mas entendo e acredito que nunca, nunca em qualquer situação, um negro seria eleito Presidente de um qualquer país Europeu. Não sou Americana nem pró-América, mas acredito que a mudança vai ser uma realidade!

E este é o meu Day After...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Ele é o Homem do Dia!!!


Fui buscar aqui

Quero lá saber se hoje todos falam sobre Ele.

A eleição deste Presidente é uma página nova na História dos EUA e do Mundo. É o realizar de sonhos de muitas pessoas que se reveêm neste novo Presidente. É a crença de todos e cada um de nós na capacidade da mudança, no encerrar de um ciclo que não deixa saudades à América nem ao Mundo.

Eu vou estar a vê-lo, em directo, às cinco da tarde, hora de Lisboa. Sei que me vou emocionar e que vou gostar ainda mais dele. Eu vou estar a dizer-lhe, "Yes, you Can, Mr. President!"

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Queres vir voar comigo?

Vem! Não perguntes para onde vou. Sei que vou voar para longe daqui. Abrir as asas e voar. Sobrevoar mares e rios, encostas, planícies e montanhas. Sentir o frio a bater-me nas asas. Sentir o frio a arrepiar-me. Preciso da sensação de liberdade e por isso vou voar. Preciso da sensação de contacto e de conforto e por isso quero-te comigo. Não há nada de misterioso neste meu querer. Apenas a necessidade que tenho de ti. Abre as tuas asas. Vem voar comigo.


Para esta vizinha, que pediu!

Há dias assim

Em que não existe nada para ser escrito e partilhado.
Em que o pouco que encontrei para dizer não desperta a vontade de comentar por parte de quem lê.

Vozes da Sociedade # [1]

Hoje os Professores voltam à greve. A segunda greve neste Ano Lectivo 2008/2009. Para os Alunos é uma festa, não há escola! Para os Pais uma dor de cabeça, onde os deixar, principalmente quando são pequenos. Para os Professores a luta contra a Ministra continua.

Mas, para a maior parte da população, que não está a par de todas as medidas de mudança que a Ministra pretende implementar, que não está a par de todo o trabalho que os Professores têm a seu cargo nas Escolas, não é fácil compreender o que se anda a passar na Educação.

Quem não entra nas Escolas não tem a noção do que é, nos dias de hoje, o ambiente que dentro delas se vive. O cumprimento de regras, a disciplina, a atitude a ter dentro da sala de aula, são parâmetros presentes nas fichas de avaliação com resultados pouco satisfatórios.

Os hábitos de estudo são ténues, quase nulos. As pesquisas, quando solicitadas pelos Professores, resumem-se à Internet e os resultados vêm sob a forma de "Copy-Paste". Falta de leitura, dificuldade em redigir, dificuldade na interpretação do que é pedido. Estas são algumas das queixas que tenho ouvido aos Professores, acompanhadas do comentário de que, em cada ano lectivo que se inicia, os alunos que ingressam no 5º ano são mais infantis do que no ano anterior.

Quem é responsável por estes resultados? Pais ou Professores? Pais demasiado ocupados e preocupados com as suas vidas profissionais e com a manutenção do emprego, Professores descontentes, sobrecarregados de trabalho e com pouca vontade de ir mais além do que os programas estabelecem. Os Alunos no meio do corre-corre da vida dos adultos...o que fazer para melhorar?

Alice Vieira, escritora, conhecedora dos meios escolares, fala assim sobre Educação, Escola, Professores, Alunos e Pais. Vale a pena ler.

Bush Bye Bye Party

Anda-me a apetecer organizar um jantarinho temático. Já há uns tempos que não junto os Amigos para um serão...

Quando vi isto, pensei "Excelente Ideia!!!".

domingo, 18 de janeiro de 2009

Fim de semana

Está a chegar ao fim. Apenas um quarto de hora me separa do novo dia. De uma nova segunda-feira. De uma nova semana. Passaram rapidinho os dois dias mais desejados. Para dizer a verdade, tão rapidinho que quase nem dei por eles. Não fiz nada de útil...coisa que não me agrada grandemente nem me deixa orgulhosa de mim...

Por outro lado, tive duas belas surpresas.

A minha querida máquina do pão avariou. Agora, e enquanto não vier da reparação, tenho que fazer pão no forno todas as manhãs (sim, porque comprar pão na rua está fora de questão).

Hoje ao final do dia entrou-me porta dentro uma amiga vinda da Vorwerk Portugal. Com ela trouxe uma nova Bimby!!! E dois livros de receitas novos. E levou a minha Bimby velhinha para a "revisão"!!!

Foi uma surpresa e tanto :).

Ary dos Santos (Lisboa, 7 de Dezembro de 1937 — 18 de Janeiro de 1984)

Cavalo à Solta,

Letra - José Carlos Ary dos Santos, Voz - Fernando Tordo

Passam hoje 25 anos sobre a sua morte. Tinha 48. Fez parte da minha juventude. Ouvi-o, li-o e cantei-o. Escreveu palavras maravilhosas para serem cantadas por Amigos. Escreveu palavras duras que só ele sabia declamar.

Neste post ficam as maravilhosas! Para quem não conhece, conhecer. Para quem conhece, relembrar.

Para ti, Ágata!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

De quem é Lua...

...para quem é Sol

Aparição, Vergílio Ferreira

A
A r t e
da palavra

[...]Eu reconciliava-me pouco a pouco com ela. De novo se me erguia, fascinante, no seu corpo selado de luto, nas suas mãos agudas, de gestos oblíquos, no seu olhar ilícito e inocente. Sofia falava. Em momentos fulgurantes, pelo meio da noite, ela descobrir também a vertigem da vida, da sua pessoa, da gratuidade desse absurdo milagre, da interrogação para o amanhã "Eu já conhecia tudo". Ou talvez não tivesse descoberto verdadeiramente e só agora, ao aviso da minha palavra, tudo se lhe revelasse em violência, num bater descompassado do coração. Que havia, pois, mais para a vida, para responder ao seu desafio de milagre e de vazio, do que vivê-la no imediato, na execução absoluta do seu apelo? Eliminar o desejo dos outros para exaltar o nosso. Queimar no dia-a-dia os restos de ontem. Ser só abertura para amanhã. A vida real não eram as leis dos outros e a sua sanção e o seu teimoso estabelecimento de uma comunidade para o furor de uma plenitude solitária. O absoluto da vida, a resposta fechada para o seu fechado desafio só podia revelar-se e executar-se na união total com nós mesmos, com as forças derradeiras que nos trazem de pé e são nós e exigem realizar-se até ao esgotamento. Este "eu" solitário que achamos nos instantes de solidão final, se ninguém o pode conhecer, como pode alguém julgá-lo? E de que serve esse "eu" e a sua descoberta, se o condenarmos à prisão? Sabê-lo é afirmá-lo! Reconhecê-lo é dar-lha razão. Que ignore isso o que ignora que é. Que o despreze e o amordace o que vive no seu dia-a-dia animal. Mas quem teve a dádiva da evidência de si, como condenar-se a si ao silêncio prisional? Ninguém pode pagar, nada pode pagar a gratuidade deste milagre de sermos. Que ao menos nós lhe demos, a isso que somos, a oportunidade de o sermos até ao fim. Gritar aos astros até enrouquecermos. Iluminarmos a brasa que vive em nós até nos consumirmos. Respondermos com a absoluta liberdade ao desafio do fantástico que nos habita. Somos cães, ratos, escaravelhos com consciência? Que essa consciência esgote até às fezes a nossa condição de escaravelhos.[...]

Aparição, Vergílio Ferreira, Bertrand Editora, 53ª edição, págªs 84 e 85

A minha imaginação não é fértil

Tenho pena. Gostava que as minhas mãos, quando tocam as letras deste portátil, fossem guiadas por uma imaginação daquelas que não pára. Que deita cá para fora ideias e palavras brilhantes, das que todos nós, leitores, gostamos de ler. Não, não tenho uma imaginação fértil e isso faz-me pena. O que sai das minhas mãos sai muito da minha cabeça, e o que sai da minha cabeça, vem directamente do coração. E toda a gente sabe que o coração não é o melhor conselheiro que se pode ter...para ele tudo é demasiado intenso!

Não sei o que fazer para treinar a imaginação e desligar o botão da cabeça que liga directamente ao coração e que me faz escrever de forma intempestiva, sem rascunho, sem editor de texto. Gostava de conseguir ter os meus cadernos repletos de histórias. Assim, quando a cabeça estivesse baralhada, só precisava de fazer um Copy Paste e saía o post do dia. Confesso que não tenho. Gosto muito de escrever à mão, adoro a minha letra cheia de reviravoltas, mas para escrever o que me vai na alma, o meu blog é o meu caderno.

Por um lado é bom. Para mim, pelo menos, que sempre desejei escrever para ser lida e que não gosto de escrever para as gavetas. Por outro lado tem a desvantagem do "rompante" (característica muito própria de mim própria).

As mãos escrevem e a cabeça manda publicar mensagem. A partir daí, estou no ar, sem rede nem guião. Não tenho medo das reacções de quem está desse lado. Escrever publicamente é assumir posições que nunca podem ser universais. Sorrio de contentamento quando descubro uma lista de comentários para publicar. Fico mais triste comigo quando um post não leva ninguém a escrever. Onde será que errei? Será que o que escrevi está uma verdadeira treta? Mas a verdadeira treta tem muitos adeptos...então?

A minha imaginação não é fértil, mas as letras dão-me prazer. Imenso prazer. E, por mim, e por elas, vou continuar a escrever!

Hoje desvio-me da rota. Deixo que uma mão invisível me guie e me leve. Onde pararei não sei, mas sei que é deste momento que preciso.

Processamento Doloroso

Eu e a minha Máquina, Julho 2007, Ocean Spirit

Há dias assim enevoados, chuvosos e húmidos. Abrimos os olhos e deparamo-nos com eles. Fechamos os olhos novamente. Pensamos...

Também a cabeça, de vez em quando, acorda assim. Enevoada. A bombar informação que dói processar.

What Planet Are You From?



You Are From the Moon


You can vibe with the steady rhythms of the Moon.

You're in touch with your emotions and intuition.

You possess a great, unmatched imagination - and an infinite memory.

Ultra-sensitive, you feel at home anywhere (or with anyone).

A total healer, you light the way in the dark for many.

What Planet Are You From?

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Forma de estar

Há no meu dia-a-dia hábitos que são próprios de outros tempos, que por vezes não se coadunam com a imagem que as pessoas têm de mim. Confesso que alguns deles poderiam ser substituídos por uma forma mais prática e, talvez, actual de estar na vida, mas fazem parte da educação que tive, do meu crescimento, e não consigo [nem quero] abandoná-los...


Ritual de pôr a mesa - a mesa é posta como "manda a lei". Tudo certinho e alinhadinho, com guardanapos de pano devidamente identificados por argolas de guardanapo;

Ritual das refeições - não há televisão ligada à hora das refeições, não se come à mão;

Ritual de secar roupa - já tive uma máquina de secar, mas não conseguia abdicar do cheirinho que a roupa tem quando é estendida lá fora e seca ao ar! despachei a máquina de secar [assim sempre tenho material para postar uma estupidez quando a roupa passa de molhada a encharcada!];

Ritual de engomar - toda a roupa é engomada a preceito. Camisas sem vincos, lençóis esticados e vincados de uma ponta a outra;

Ritual de fazer camas - uma por uma, todas as manhãs, roupa puxada para trás, quartos arejados, lençóis desentalados e abanados, lençóis entalados, camas esticadas que esperam pela noite;


...
pode parecer estranho, mas há coisas das quais não abdico!

Estado de Paz



Surpreendo-me com a calma que me invade. Como a bonança que chega depois da tempestade no mar e que deixa tudo no mais profundo silêncio. Busco razões e explicações. Busco em mim a turbulência do meu ser e nada encontro.

Cor quente, à deriva no pensamento


Eu e a minha Máquina, FILArte, Novembro 2008
Vermelha,
A paixão.
Vermelho,
O sangue
O calor
O conforto.

Cansaço do branco. das paredes. do chão. do tecto. Cansaço do vazio. dos olhos. dos não sorrisos. das palavras que ficam suspensas.

Em pé, levanto-me e pinto. quero tudo vermelho. quero sentir que paredes, chão e tecto me vão envolver, me vão levar para fora das paredes brancas. onde tenho medo de ficar. parado, de olhar parado num ponto que não distingo porque só vejo a brancura sem fim, mudo, sem chão nem tecto.

E se o vermelho me sufocar? Vou rir, gargalhar, ensurdecer com o meu riso, porque eu sou alegre sem o branco que me prende...

Pensamento Estúpido # 4

O S. Pedro não gosta dos meus estendais de roupa...

CQC em S. Pedro do Estoril

Gosto deste programa. Acho piada a esta equipa.

No episódio da passada semana tive a agradável surpresa de ver a minha terra pequenina a ser falada no CQC. A passagem de nível é, na realidade, um problema que tem que ter resolução. Foi bom ver o Presidente da Câmara a afirmar que a resolução está para breve. Considero-o uma pessoa séria e consciente das necessidades do Concelho, por isso, vamos ficar à espera!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Se os olhos não virem o coração não sente...

Esta é a frase que serve de lema a curtos depoimentos de jornalistas da SIC Notícias sobre as reportagens ou as notícias em que estiveram directamente envolvidos.

Todos os que ouvi me têm tocado muito. Porque era esta a profissão que eu queria ter, porque todos eles falam na emoção que sentiram, em cada um dos casos que apontam como ter sido "o caso".

Há um deles que fala de uma reportagem que fez sobre uma criança/rapariga de 14 anos que era abusada sexualmente e que diz que, de repente, a jovem confessa ser o próprio Pai o violador/abusador. Deve ser brutal. Estar a entrevistar alguém que, quase inconscientemente, acusa uma pessoa tão próxima dum crime tão horrendo. E deve ser preciso ter uma grande capacidade de isenção para continuar.

Todos os dias. Sem perder a fé no Homem.

Afirmações...

Muita pena.
Que a Igreja não cresça ao mesmo ritmo que cresce o Mundo.
Que não consiga acompanhar o desenvolvimento de mentalidades.
Que não veja que não é este o caminho certo para juntar as pessoas.
Que não é assim que se põe em prática a frase que apregoa segundo a qual "todos somos Irmãos".
Não compreendo...

PS - vale a pena ler também
aqui e aqui e aqui

Há sempre uma primeira vez para tudo...


hoje foi a primeira vez que fui pôr os meus Filhos à Escola em pijama! Nem queria acreditar. Eu, super-vaidosa, que tenho sempre de sair de casa logo de manhã já com todos os meus acessórios e elementos de toillete...tudo a condizer com tudo...hoje acordei tão tarde que só tive tempo de andar a correr atrás dos pequenos para se despacharem, dar pequenos almoços, enfiar o casaco e as botas e voar pelas escolas.
Enfim...

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Rosa, ou Eu e os Outros

Não sei quando fiquei assim ou se sempre fui assim ... lembro-me, quando fui Mãe pela segunda vez, de estar a conversar com uma colega de trabalho sobre a facilidade de comoção após sermos Mães.

O que sei, de certeza, é que há coisas, situações, que me deixam sempre num mar de lágrimas. Tudo o que envolva crianças é certo e sabido que dá direito a muito funganço e esfregar de olhos.
Foi o que me aconteceu quando vi na SICNotícias o documentário Ainda há Pastores?. Lembro-me perfeitamente. Foi na altura do Natal, entre o Natal e o Fim de Ano. Estavamos na cozinha a tratar do jantar. Eu já tinha visto o anúncio ao documentário e estava à espera de o ver. E vi. E chorei perdidamente.
Chorei por aquela Menina.

De seu nome Rosa. Sem poder ir à Escola. A viver no meio da serra, em Folgosinho. Longe de tudo e de todos. A trabalhar "no duro". Com a cabeça cheia de sonhos que não sabia se iria poder concretizar algum dia. Chorei e agarrei-me ao computador. Internet fora, entrei em contacto com o realizador do documentário. Falámos ao telefone. Soube o que poderia fazer por ela, o que poderia fazer-lhe chegar. Fiz uma campanha pelos mails dos amigos/as. Reuni roupa, calçado, livros, revistas, cadernos, canetas e lápis, produtos de higiene. Coisas básicas para quem, como nós, vive no meio da civilização. Coisas maravilhosas para quem, como ela, vive no meio de uma serra gelada e deserta tendo por única companhia os animais que pasta.

Enchi sacos que entreguei na SIC. Que lhe chegaram pelas mãos do mesmo homem que a filmou e a mostrou ao Mundo. E passei a receber sms's dela. Não só a agradecer, mas também a dar notícias, a querer saber notícias, às vezes só para dizer olá. E quando os sms's chegam, os meus braços e as minhas pernas arrepiam-se e os meus olhos insistem em produzir lágrimas.

Estou a contar isto porque acabei de receber um sms da Rosa - "Olá, é a Rosa. Da Serra!"
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