Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Por Estradas Nunca Dantes Rodadas


A minha Agente Bimby tinha hoje uma demonstração numa terra da "outra banda".
A mim não me apetecia mesmo nada ter de sair de casa e ir fazer kilómetros por estradas desconhecidas, para terras e localidades desconhecidas, por onde nunca circulo. Teve de ser...
A Agente, a Mãe da Agente e os dois Irmãos mais novos. Estrada fora a caminho da dita terra (que ainda não foi dita nem vai ser).  A Mãe da Agente, nesta história conhecida como A Condutora, saíu da via principal antes do tempo. Meteu-se numa fila que não sabia bem onde ia ter nem porque existia. A Agente Bimby decidiu que o melhor seria perguntar aos carros que iam ficando parados ao nosso lado qual o caminho para chegar ao nosso destino. Isto tudo porque A Condutora não tem GPS e esqueceu-se de imprimir o itinerário antes de sair de casa. O que vale é que estas situações não causam outro sentimento para além de divertimento à Agente e respectiva Mãe, duas louras em circulação na margem sul!
Lá fomos, depois de seguir as indicações dadas por uma colega de fila, espanhola!!!
Conseguimos encontrar a localidade que queríamos. A rua pretendida é que já foi mais complicado, mas depois de uma visita ao Minipreço, ao barbeiro da porta ao lado e à papelaria da D. Lena, ficámos esclarecidas sobre como lá chegar. E chegámos! Sem GPS, cinco minutos antes da hora marcada. A Agente ficou toda feliz! A Condutora só pensava em como iria conseguir sair dali e voltar para casa...
Deixou a Agente e toca a voltar para trás. Claro está que se perdeu. Claro está que já estava num stress imenso. Numa terra desconhecida, no meio de um trânsito infernal, entre prédios e ruas que não lhe diziam nada, dentro do carro com duas crianças...Finalmente uma tabuleta com a palavra mágica - Lisboa!
Pé na tábua. Finalmente Ponte, A5, Marginal e Parede!!!!
Há dias em que ser A Condutora não é nada fácil. Ou agradável...

Páscoa


Penso neste post desde esta manhã. Com um dia atribulado que dará para outro post, só agora tive tempo para me sentar em silêncio (relativo) e escrever.
Nasci e fui baptizada, tal como mandava o socialmente correcto da época. No entanto, nunca tive uma educação religiosa. Para nós, Irmãos, a Páscoa era sinónimo de férias nas Escolas, de amêndoas e de ovos de chocolate oferecidos pelos Avós.
Tenho agora uma Família. Oriento-a com boas normas de comportamento e regras que quero ver seguidas e cumpridas. A Igreja continua a não fazer parte dos nossos hábitos e, para os meus Filhos, tal como acontecia comigo e com os meus Irmãos, a Páscoa significa férias, amêndoas, ovos de chocolate, dias passados em casa da Belita e folar oferecido por ela. Não percebo por que razão, mas tenho dado por mim a pensar no significado da Páscoa para os católicos.
E dentro deste pensamento percebo que há alegria a ser vivida nestes dias, há o espírito de Família a pedir para ser preservado e celebrado.
Pela parte que me toca, vou fazer com que esse espírito se sinta.
Boa Páscoa a todos.

RESUMO a poesia em 2009

Invadiu-me uma sensação de calma,
de tristeza e de fim.
VIRGINIA WOOLF

Ao teu lado, mudo.
Suponho que pousei a mão
No teu ombro, não sei,
Ausentes ambos,
Tu do ombro, eu da mão.
Lá fora, não muito longe
Do vidro, a manhã passa
E é calma, tristeza, fim.


Com uma encadernação preta, rígida, a fazer lembrar um pouco os cadernos de desenhar dos portadores de Diários Gráficos, este livro, editado pela Assírio & Alvim com a totalidade das receitas de venda oferecidas à AMI/Info Exclusão, encerra páginas repletas da melhor poesia publicada em Portugal durante o ano de 2009. A um preço absolutamente simbólico (€4), é um manual que vale a pena transportar dentro da mala e ler aos bocadinhos!

terça-feira, 30 de março de 2010

Joana Vasconcelos, Sem Rede

Posted by PicasaEu e a minha Máquina
Hoje, no CCB

Entrar no CCB para ver esta exposição é entrar num mundo completamente mágico. De côr, de objectos tipicamente portugueses, de criação a partir de elementos básicos do nosso dia a dia. Reconhecendo a alma lusa em cada uma das peças, era de alegria o sentimento que me inundava. Incrível. Como é maravilhosa a capacidade que algumas pessoas têm de transformar em arte o que às pessoas banais podem parecer objectos banais. Grandiosa a imaginação desta artista portuguesa. Grandiosa cada uma das peças criadas. Daquelas exposições que me apetece revisitar. "A exposição mais gira que eu já vi", disse o Martim ao abandonar o Jardim do Éden!

Eu Vou :-)

segunda-feira, 29 de março de 2010

Corações em Olhar Azul Petróleo


Casei num dia de chuva. Inverno. Muito frio e muita chuva, cumprindo a tradição de que boda molhada é boda abençoada. Numa igreja pequena, muito pequena mesmo, no meio do Alentejo. Terras planas a perder de vista, salpicadas de sobreiros, salpicadas de sombra. No dia do meu casamento chovia. O chão de lage cinzenta da igreja brilhava, húmido e gasto dos passos, dos joelhos pagadores de promessas. Ainda bem que a Igreja da minha terra é pequena. Nem assim a consegui encher no dia do meu casamento. Eu metida num vestido de noiva que um dia foi branco e assistiu a um sim mais convicto do que o meu. Um vestido branco já encardido pelo tempo, pela naftalina das arcas, pela humidade dos Invernos alentejanos. O meu Zé. O homem que me tirou de uma autoridade para uma outra autoridade, masculina. Muito direito. Desconfortável no fato domingueiro, nos sapatos brilhantes de verniz trazidos da cidade capital por um qualquer padrinho endinheirado, antepassado. O cabelo empastado de brilhantina, o bigode retorcido nas pontas aparadas, "um verdadeiro manequim de montra de loja", nas palavras do Ti'Alfredo Barbeiro. Nos bancos as comadres, os compadres, as crianças ataviadas de fitas e gravatas, vestidas com roupas compradas na feira quinzenal. Não tendo Pai que me acompanhasse ao altar, entrei só. Primeiro a medo. Receosa do destino a que me levavam os passos que dava, desejosa por dias em que pudesse dizer-me dona de uma vida. A nave da Igreja, tão curta, cruzei-a em poucos passos titubeantes. E o meu casamento parecia um funeral. Todas as mulheres vestidas de preto, lenços pretos grossos nas cabeças, saias pretas. O padre Tomé. Velho, encarquilhado pelo calor alentejano percorrido na garupa dum burro tão velho quanto ele, tão enrugado quanto ele. Franciscano, enfiado no hábito castanho, grosso, atado na cinta por um cordão grosso, sandálias nos pés enregelados pelo frio alentejano emanado das lages cinzentas e polidas. Olhou-me nos olhos quando me quedei à sua frente, pronta para o ouvir, desejosa de poder dizer o "sim" que me levaria a outra vida. E só nessa altura reparei na cor dos olhos do franciscano não tão velho como eu o desenhava na minha cabeça, não tão enrugado pelo calor alentejano. Um azul estranho e penetrante. Lia-me o pensamento e eu sentia-me lida por ele, pelo azul dos seus olhos. Iniciou a cerimónia. Palavras e mais palavras que me fugiam dos ouvidos porque simplesmente não as ouvia, não as percebia. O meu pensamento estava no homem que a meu lado se aprumava no fato domingueiro e nos sapatos de verniz apertados. No pouco que sabia dele, no muito que acreditava vir a viver com ele. No que falaríamos quando ficássemos sós. No que faríamos quando ficássemos sós. “Pode beijar a noiva”. Os lábios dele nos meus. Eu a sentir-me corar, as pernas trémulas, o corpo a escaldar. Enfim marido e mulher. Enfim eu dona de um destino meu. Dali saímos sem grandes celebrações. Pouco havia a celebrar. Dois seres unidos perante Deus, oferecidos um ao outro perante esse Deus, Pai, garante da fidelidade e das boas práticas. Beijámos compadres e comadres, crianças e velhos. A todos agradecemos a presença na igreja, os votos de felicidades. O meu Zé ajudou-me a subir para a carroça. Rodas grandes e pesadas de ferro, caixa de madeira, dois bancos corridos, puxada por uma égua castanha e luzidia, Seara de seu nome. No balanço cadenciado atravessámos a direito a rua da nossa aldeia de casas caiadas. Sempre debaixo da chuva miudinha. Os cabelos já desfeitos pela humidade, os corpos transidos pelo frio. Encostados um ao outro, adivinhando a intimidade que iríamos partilhar. Na nossa casa caiada. Porta de madeira escura com uma pequena fresta à altura dos olhos. Foi nessa casa que entrámos. Ele primeiro, eu depois. As roupas molhadas. Os cabelos encharcados. Os corpos a arder. Uma divisão de entrada que era também a cozinha, separada do quarto de cama por um cortinado de chita florida. Uma cama de ferro. Um colchão de palha. Uma colcha de chita. Florida. A minha roupa de noiva libertou-se de mim. O fato domingueiro e os sapatos de verniz apertados soltaram-se do meu homem. Aos pés da cama uma arca. Azul petróleo. Uma fechadura ladeada por dois corações. De dentro dela saiu uma camisa de dormir, de linho grosso, fiado à mão, o cheiro dos sacos de alfazema. Na cama de ferro conhecemo-nos, amámo-nos, morremos. Dois corações, dois corpos, um olhar azul petróleo.

As Regras, Nós e os nossos Filhos


Posted by PicasaColagem de fotografias da minha autoria, Março 2010

Na sexta feira passada o Coisas de Todos Nós foi dedicado às Regras. Normas de comportamento/funcionamento em Família, na Escola, em Sociedade. As regras das quais não podemos de forma alguma abdicar, as regras que podemos negociar, as regras que se adaptam a situações e contextos diversos.
Estes Encontros de Pais não pretendem ser um manual de instruções que ouvimos, apontamos e seguimos cegamente. Pretendem sim, ser um ponto de partida para a partilha de experiências, para o debate de ideias, para o apontar de caminhos. Cada um de nós com a sua experiência de parentalidade, poderá fornecer ao outro dicas que tenha já utilizado e que tenham funcionado com sucesso.
Confesso que neste Encontro sobre regras me senti um pouco "allien".
Não me lembro que cá em casa tenha tido alguma vez de utilizar estratagemas como alguns que ouvi para que as regras fossem cumpridas. Reconheço que há algumas (o largar de livros/cadernos em cima de uma cadeira da sala em vez de os levar para o quarto) que têm de ser relembradas diariamente, mas quando me ponho a analisar os comportamentos dos meus quatro filhos não consigo detectar problemas graves com as regras. O que é que fizemos para que tenhamos conseguido atingir este ponto quando as idades variam entre os 8 e os 18 é uma pergunta que se impõe. Parece-me que, basicamente, instituímos as regras com o nascimento da primeira e fomos adaptando-as a cada momento, a cada novo elemento da Família. Basicamente, conseguimos incutir neles o significado do "não" e a aceitação de determinadas situações que para nós são ponto assente da educação que lhes damos.
Não pretendo mostrar-me melhor do que qualquer outro Pai/Mãe, mas tenho necessariamente de me congratular com a educação que temos dado aos nossos Filhos. Não pretendo fingir que não existam, pontualmente, situações de tensão, mas analisando globalmente o nosso funcionamento em Família, tenho a dizer que funcionamos mesmo muito bem. Sem confrontos, sem desafios à auoridade imposta e reconhecida, com dois Filhos crescidos (18 e 15) responsáveis e educados, com dois Filhos pequenos (12 e 8) que, espero, seguem os passos dos irmãos.
Não, não posso queixar-me de falta de cumprimento de regras básicas em casa, em Família, em Sociedade.
Quanto ao comportamento em grupo, na Escola, continuo a acreditar que nenhum de nós pode pôr as mãos no fogo pelos seus Filhos, independentemente da forma como sabe que eles se comportam em casa. O um que cada um deles é, transforma-se ao fazer parte do todo que se forma quando se junta a outros. Nessas situações os comportamentos alteram-se e as regras básicas que estão interiorizadas acabam por se desvanecer um pouco. É neste sentido que creio que a Escola tem também um papel importante. Estabelecer as suas regras e ser firme na obrigatoriedade do seu cumprimento, penalizando e castigando os prevaricadores. As crianças e os jovens precisam de ter regras e precisam de sentir que quem as dita, o faz com segurança não abdicando delas. Se a Família e a Escola souberem, e quiserem, funcionar em conjunto, as Regras que consideramos Fundamentais, vão ser, indubitavelmente, cumpridas!

Diário do Desassossego, Inês Pedrosa


[...]"O Brasil é o meu país de acreditar - um país onde os abraços são demorados e firmes e a tristeza se partilha sem cerimónias, transformando-se assim numa experiência densa de alegria. A Bia, que reconheci como amiga de infância mal começámos a falar, diz que o Rio de Janeiro é meu namorado. A hora da despedida calha sempre ao anoitecer, quando custa mais. As luzes acendem-se, o mar cintila, as favelas tornam-se presépios, e eu sinto que é para mim que ele esconde todo o mal e exibe toda a sua beleza avassaladora. Para que eu não o esqueça. Como se eu fosse capaz de o esquecer. Mas o amor é uma coisa assim: cintilante e trémula. Como a coragem."
in JL, 24 de Março a 6 de Abril

sábado, 27 de março de 2010

Soltas, de Sábado


Este sábado foi diferente.
A Belita veio passar o dia conosco. Chegou bem a tempo do pequeno almoço e basicamente o que fizemos não passou de mesa. Foi bom tê-la cá, mesmo que a correr!

Ao final do dia peguei nos mais pequenos e numa amiguinha e fomos até à Casa Verdades Faria assistir à actuação do Vocal da CAPO. Durante uma hora. Só vozes, vozes e piano, música variada - tradicional, do Maestro Lopes Graça, clássica e estrangeira - actuaram em mim como uma terapia levando-me para longe.

Neste momento estamos a cumprir a nossa hora pelo Planeta, luzes apagadas.

Para terminar o sábado em grande, a hora muda e entramos em horário de Verão. Yeah!!!!

sexta-feira, 26 de março de 2010

Directamente do Cabeleireiro

Daqui

O meu cabelo reclamava tratamento urgente. Retoques de pintura. Algum mimo que não consigo dar-lhe no dia a dia de corrida.
Trouxe o meu livro grande, o meu livro pequeno, o caderno dos Contos à Dúzia,  fui comprar o JL vestido de nova roupagem e ganhei um livro de contos de prémio. Pensei que dada a portabilidade do meu companheiro Ee Pc poderia também trazê-lo a conhecer um espaço maioritariamente feminino. Carregada de cultura portátil cheguei meia hora atrasada ao cabeleireiro. Não há nada a fazer. Nós, portugueses, somos geneticamente atrasados. Eu estava atrasada meia hora. Tinha avisado. A cabeleireira que me ia atender estava atrasada. Mais do que a minha meia hora! Sem stress.
Comecei por dar uma vista de olhos rápida ao Jornal. Acabei por me deter na contracapa, no "Diário do Desassossego" de Inês Pedrosa (do qual retirarei umas linhas para fazer um post).
Sabem-me bem estes raros momentos meus, verdadeiramente meus. Sem ser no silêncio da casa vazia.
Saio com um look melhorado e um ânimo novo para o fim de dia na ESFLG, pego os meus rapazes mais novos e rumo ao lar. De onde saí uma e entrei outra!

Não Pessoal, Não Estou Muda...Vou Ao Cabeleireiro e Já Volto!!!!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Bana[materna]lidades


O 2º período está a terminar e as férias da Páscoa aproximam-se. Quinze dias para alterar rotinas, substituir a palavra pressa pela palavra calma, substituir horários rígidos por uma anarquia organizada que me sabe sempre tão bem.
Na Escola do Manel, esta é a Semana da Escola. Uma semana de actividades de todos os tipos, para todos os gostos. Ontem foi dia de andar de skate. Hoje é dia de Campeonato de Desporto Escolar, modalidade surf, praia de S.Pedro do Estoril. Contrariamente ao que era meu hábito, não me mudei para lá para seguir com atenção todos os heats do campeonato. Fui lá de manhã pôr o atleta que ontem se esmurrou todo nas "avarias" com o skate. Um ventinho frio e um mar desordenado e escuro prenunciavam um dia de chuva.
Pondo em cena a minha costela de mãe-galinha, enviei-lhe um sms à hora de almoço para saber como estava a correr o campeonato. Ainda não tinha entrado, o mar estava uma porcaria. Há bocado enviou-me outro sms. Já tinha feito um heat em primeiro lugar. "Mesmo com a mão magoada vou ganhar esta porcaria!" Pois...vamos lá ver! Deve vir podre, gelado e exausto, mas quem corre por gosto não cansa!

About Cooking and Eating Stuff


A minha Irmã do meio é dietista. Anteontem foi à SIC falar sobre a nutrição da população sénior. Basicamente ficámos a saber que se o regime alimentar fôr equilibrado desde tenra idade, os hábitos em idades mais adultas manter-se-ão e não existem alimentos a não ingerir. Existem sim é as quantidades  a ingerir de cada um dos alimentos. Na idade sénior, devemos limitar a ingestão de doces a uma vez por semana.
Não sei se inspirada na conversa da "Mana" ou simplesmente porque esta tinha sido uma das refeições previamente programadas para esta semana, decidi ontem fazer lasanha de legumes para o jantar (experimentem, é deliciosa!). Muito organizadamente, larguei o ferro de engomar depois de ir buscar o Martim à Escola e deitei mãos à culinária no tempo que precedeu a recolha do Mateus. Descasquei e lavei legumes para a sopa, fiz a lasanha de legumes para o jantar.
Quando cheguei com o Mateus, só me faltava bater a sopa! Coisa rara...decidi que era o dia certo para fazer bolachas. Como estas bolachas são F a n t á s t i c a s, fiz a receita dobrada! Ou seja, um fim de dia que podia ser calmíssimo porque estava tudo adiantado, terminou num entra e sai de tabuleiros de bolachas do forno, enquanto se batia a sopa, se serviam pratos, se gratinava a lasanha...
Resumindo, sopa de legumes very light (não uso batata na sopa), lasanha de legumes e para terminar, o doce da semana - Anzac Biscuits!!!
Para hoje? Estou a aventurar-me...vou fazer rissóis!

o acto de escrever exige continuidade


O meu teclado branco espera por mim todas as manhãs.
Também ele já está a perder o brilho das teclas, sinal do uso desenfreado que lhes dou.
Nem sempre consigo chegar e debitar.
Em algumas manhãs há palavras que se soltam e que pedem para ser ditas.
Noutras tenho de ser paciente.
Esperar que as palavras acordem e se queiram dizer. Nunca me rendo à preguiça delas. Quando elas me parecem mais ensonadas escrevo-as mais devagar.
Para que despertem serenamente e não se digam atropelando-se umas às outras.
Elas lá vêm. Eu, qual mãe dedicada, pego-lhes ao colo.
Embalo-as e transformo-as em símbolos alinhados no
meu teclado branco que já está a perder o brilho das teclas...
"o acto de escrever exige continuidade"

quarta-feira, 24 de março de 2010

Believe It or Not

Eu e a minha Máquina
Agora mesmo

É este o meu escritório.
É aqui e assim que escrevo as palavras que leêm.

Quando Eu Era Miúda


Quando eu era miúda tinha dois pares de Avós. Um par muito diferente do outro, mas Avós.
E uma irmã. E depois um irmão.
Com a minha Irmã, eu brincava aos hospitais. Punhamos as bonecvas todas deitadas nas nossas camas, iguais, brancas com cabeceiras lacadas a laranja. As cadernetas de cromos eram a papeleta de cada doente. Eram radiografias e análises que interpretávamos com imensa atenção. Tínhamos seringas sem agulhas, luvas cirúrgicas e máscaras esterilizadas a sério. Equipávamo-nos a rigor e brincávamos. No nosso quarto compartilhado de irmãs. A nossa casa era quente. Um andar cimeiro de um prédio antigo de Lisboa. O nosso quarto tinha uma janela de parapeito com um estore verde que se puxava para fora em dias de muito calor, para fazer sombra e arejar o quarto.
No quarto ao lado tínhamos um piano que fingíamos saber tocar e matraqueávamos teclas durante brincadeiras inteiras.
Quando eu era miúda não havia televisão durante todo o dia, nem Internet, nem jogos electrónicos, nem telemóveis e eu e a minha Irmã brincávamos. Tínhamos dois telefones em casa. Sabe-se lá porquê...divertíamo-nos a ligar de um para o outro, atazanando a paciência da sra que lá trabalhava em casa.
Nas casas dos Avós brincávamos.
Uma das casas, andar mais cimeiro do que o nosso num prédio mais recente que o nosso, tinha um terraço enorme. Com uma vista soberba. De onde víamos o Areeiro à direita e quase o Martim Moniz à esquerda, o Cristo Rei também se via, e nós adorávamos brincar ali. Andávamos de patins, cantávamos e fazíamos espectáculos musicais inspirados no Festival da Eurovisão. Com esta Avó ouvíamos o Simplesmente Maria na rádio e íamos à modista. Escolhiam-se feitios em figurinos. Tiravam-se medidas. Íamos às lojas de tecidos e depois às retrosarias. Compravam-se tecidos, forros, fechos e botões, colchetes e molas. Era um mundo de acessórios coloridos armazenados em caixas de cartão, com exemplares do que guardavam cozidos por fora. De casa desta modista trazíamos sacos cheios de ameixas brancas e vermelhas que cresciam em árvores que tinha no quintal das traseiras. Dionísia. Era o nome dela.
Na outra casa, num primeiro andar de um prédio antigo de um outro bairro tradicional de Lisboa, brincávamos na casa de jantar. Com mobílias de brincar que pareciam mobílias a sério feitas em ponto pequeno. Debaixo da mesa, que tinha uma campainha que se premia com o pé para chamar a empregada, com quem não tínhamos autorização de passar muito tempo na cozinha. Jogávamos dominó e ao burro em pé. Quando o Verão chegava, os Avós faziam duas pequenas malas de xadrez vermelho e íamos para o Estoril. No Estoril brincávamos na rua, andávamos de bicicleta, íamos à praia durante a manhã e vínhamos para casa almoçar e fazer a sesta. A sesta era uma imposição destes Avós. Obrigatória e sempre motivo de beicinho. Encomendávamos bolos na Ribeiro, na Parede e bebíamos chá em tardes de receber visitas.
Quando eu era miúda, a Primavera chegava com dias ensolarados que nos enchiam as casas de uma luz e de um cheiro inesquecível.
Em Lisboa...

Nós, Doentes Mentais


Ouvi hoje. Portugal é o país da Europa onde mais se consomem medicamentos associados à Doença Mental. Com receita médica adequada ou não, os medicamentos utilizados para minimizar depressões e outras patologias do foro psicológico e psiquiátrico, são vendidos nas nossas farmácias em grandes quantidades.
Perguntam-se as razões, tentam alvitrar-se soluções.
Começo por pensar, eu, uma leiga neste assunto, que será muito mais fácil pedir a um médico amigo/conhecido/familiar a receita de um medicamento deste tipo do que assumir perante si e os outros que se necessita de ajuda especializada, que é como quem diz, de um psicólogo ou mesmo de um psiquiatra.
São inúmeros os casos de pessoas que consideram estas duas especialidades como uma "imposturice". A começar pelas companhias de seguros que não disponibilizam nos seus convénios a mesma quantidade de especialistas nestas áreas do que em outras áreas da saúde. A começar pelas Escolas onde ter um psicólogo disponível é um luxo a que nem todos têm acesso. A começar pelo conceito de saúde que tem o nosso Sistema Nacional de Saúde. Assistimos frequentemente a campanhas "pelo coração", "medição de níveis de diabetes", "osteoporose", etc, etc. Nunca vi, ou pelo menos não me lembro de ter visto, uma campanha de saúde mental.
Aprendemos na escola que o cérebro é o centro de tudo o que sucede no nosso corpo. Ouvimos o senso comum afirmar que uma pessoa que sofra de doença grave terá muitas mais hipóteses de cura se tiver desde o princípio uma atitude positiva perante a doença. Então? Em que é que ficamos? A cabeça interessa ou não? Serão as doenças mentais um mero estigma social ou algo a que devemos prestar atenção desde cedo?
Toda a nossa vida é um desafio à resilência que cada um possui nas suas características genéticas. Desde os primeiros anos, passando pela fase crítica da adolescência, a nossa cabeça gera milhares de pensamentos, milhares de informações transmitidas ao resto do organismo. Umas vezes melhor, outras pior, lá nos vamos "aguentando". No entanto, fazemo-lo sem qualquer tipo de ajuda especializada. Contrasenso.
Não sou médica, muito menos autoridade na matéria sobre a qual escrevo estas linhas, mas acredito que a saúde mental é o principal factor de saúde total de cada indivíduo e, assim  sendo, está muito maltratada!

Dia do Estudante


Quatro Estudantes cá em casa.
Os mesmos Pais, as mesmas condições de estudo para cada um, o acesso aos mesmos materiais, às mesmas fontes de informação.
Cada um deles com as suas características próprias, enquanto estudante, com resultados díspares.
Seguindo o dia a dia destes estudantes, como sigo, é-me impossível não estabelecer comparações com o meu tempo de estudante. Não pretendo ser "bota-de-elástico" e afirmar que "no meu tempo é que era", até porque o meu tempo é este em que vivo, contemporaneamente aos meus Filhos, mas são muitas as diferenças que contribuem para a alteração de costumes e valores dentro das Escolas.
Apesar de eu já ter estudado após o 25 de Abril, o número de estudantes da altura em nada se pode comparar ao da actualidade. Por outro lado, em termos comportamentais e de atitudes, os Alunos mantinham (em termos gerais) pelo Professor um respeito e uma consideração que não existem nas Escolas dos dias de hoje.
Os nossos Estudantes, enquanto estudantes, têm as suas vidas muito mais facilitadas. Para fazerem qualquer trabalho têm o acesso directo a milhares de páginas de informação que nem têm de se dar ao trabalho de traduzir, uma vez que essa é também uma função do computador. Têm uma facilidade de comunicação entre uns e outros que lhes permite rapidamente trocar impressões, tirar dúvidas, compilar ideias e assuntos.
Seria de esperar que toda esta panóplia de recursos fizesse deles melhores estudantes, pessoas mais cultas, o que na verdade (na maioria dos casos) não acontece.
Os hábitos de leitura vão-se perdendo, a Internet vai ganhando. Esta é uma das frases que mais vezes ouço os Pais (como eu) proferirem. Não posso deixar de a subscrever porque sei que é um facto, mas se me detiver sobre ela, poderei eu atirar pedras aos meus Filhos e a todos os jovens desta geração? Verdadeiramente, não. Parece-me que o aparecimento da Internet foi um acontecimento maravilhoso para todos. Muitas são as pessoas da minha geração que a utilizam como ferramenta indispensável, como passatempo, como vício, até. Eu própria já não sei viver sem ela. Poderemos então deitar todas as culpas para cima dos avanços tecnológicos, telemóveis, televisão 24 horas por dia, internet non stop? Não me parece. Parece-me, sim, que também nós não estavamos preparados para ser Pais de uma geração high tech. Podemos ter tido educações rigorosas e comportamentalmente exigentes, mas não fomos educados para lidar com a informação excessiva, precisamente porque ela não existia "no nosso tempo".
Como fazer então a mudança? Como poderemos encontrar um ponto de equilíbrio entre o que foi o nosso tempo de estudantes e o que é agora o dos nossos Filhos? Como ultrapassar/resolucionar questões dramáticas do nosso ensino actual - violência, desrespeito pela autoridade do Professor, facilitismo - contribuindo para uma Escola melhor?
Leio o que escrevem os especialistas na matéria, assisto a programas televisivos em que se debate o estado da Educação em Portugal, envolvo-me em acções nas Escolas, nas Associações de Pais, na Comunidade em geral e concluo que chegámos a um ponto em que tudo deveria ser alterado. Tudo deveria ser mudado. Tudo deveria ser retomado a partir do ponto zero. A nossa geração precisaria de, mantendo os princípios que lhe foram transmitidos pela geração anterior, conseguir entrar na pele desta geração; esta geração precisaria de sentir o "travão" que a nós nos era imposto.
No fundo, as questões geracionais são uma eterna realidade e sempre existirão e a solução a utilizar deverá ser a do informático - CTRL+ALT+DEL - e começar tudo de novo!

terça-feira, 23 de março de 2010

P E C


que é como quem diz Primavera Em Curso.
Gostava, sinceramente, de conhecer o tão falado documento e de saber opinar sobre ele. Desde os primeiros noticiários da manhã até aos últimos da noite é sobre o PEC que se fala. Há Comissões Parlamentares transmitidas em directo na televisão durante a tarde. Há opiniões e protestos.
Como ainda tenho os Pilares da Terra para terminar de ler não posso agora dedicar-me à leitura atenta do PEC, portanto acabo por aproveitar a sigla para manifestar o meu júbilo pela chegada da Primavera.
Que eu gosto de Sol e tempo quente, de andar com menos roupa e calçado, expôr-me ao Sol e ao ar, é dado mais do que adquirido. A Primavera é uma estação que transmite felicidade. Uma felicidade diferente da do Verão. Uma felicidade que nos põe quase adolescentes, com vontade de namorar, de sorrir, de cantar e assobiar para o ar. Desculpamos o mal que os pólens nos provocam nos narizes e nos olhos, reforçamos a dose de anti-histamínico e cobrimo-nos de cores alegres e acessórios risonhos.
Enquanto o ar quente do Verão não chega, inundo-me da felicidade significada pela palavra PrimaVera!

Quem Tem Filhos Tem Cadilhos

Quem tem Cão, tem o quê?

Este meu cão descobriu agora que consegue escapulir-se e ir até à rua dar umas voltinhas, longe da nossa supervisão.
A vedação que dá para a rua é alta, as laterais já foram reforçadas, mas mesmo assim ele consegue sair e escolhe sempre a altura em que sabe que não está ninguém em casa. Durante estas duas horas em que estive fora, conseguiu sair e levar uma "panada" de um carro. Valeu-lhe um dos nossos vizinhos que veio abrir o portão e metê-lo em casa. Agora está magoado e não me deixa tocar-lhe. Espero que o Martim consiga. Assim que chegar a casa!

Em Dia de Greve dos Comboios...


... a alvorada foi ainda mais madrugadora do que nos outros dias em que os comboios funcionam e milhares de carros entopem a A5 e a Marginal. Levantámo-nos às seis, tomámos o pequeno almoço às sete. Pai, Mãe, Filha mais velha e uma Amiga que veio cá ter para apanhar a boleia para a cidade.
É bom despachar toda a gente bem cedo. Os que foram para Lisboa saíram e eu fiquei com tempo para me arranjar com calma, para acordar os que ficaram. Pude passar na porta da Escola do Manel e receber um folheto de divulgação do Coisas de Todos Nós que estamos a organizar para a próxima sexta feira, pude deixar o Martim a horas sem apanhar a movimentação maluca que se gera à porta daquela escola às 08:30, pude fazer a vontade ao Mateus e ir para a escola dele utilizando a Marginal, "para vermos o Mar".
À minha espera, em casa, estavam as camas para fazer, a mesa de pequeno almoço para arrumar, um monte de roupa para engomar e...maravilha das maravilhas, o fogão para limpar!
Costumo dizer que gosto de todas as tarefas domésticas. Não fujo à verdade, mas há algumas destas tarefas que me aborrecem à séria. Limpar o fogão é uma delas. Detesto o cheiro do detergente desengordurante que utilizo, detesto ficar com as mãos ainda mais ásperas do que já são habitualmente (não, não consigo usar luvas!), detesto limpar o fogão!!!!
É quase meio dia e já fiz uma data de coisas. Preparo-me agora para sair em direcção ao Centro de Recursos da ESFLG onde estou a "trabalhar" na criação de um blogue.
Por cá ficarão os periquitos a namorar à janela da cozinha, os cães a namorar no quintal e a ladrar a quem passa. O ferro de engomar aguardará, ansiosamente, o meu regresso.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Presente # [1]

Eu e a minha Máquina,
Agora Mesmo

Já se passaram uns meses sobre o dia em que manifestei no Vekiki o meu desejo de ter um Moleskine vermelho. Dias depois, duas Amigas da Catarina, ofereceram-me o presente desejado, cujas fotografias publiquei e com as quais redigi um post de agradecimento. Na mesma altura, uma leitora do Vekiki enviou-me um mail dizendo que me iria oferecer um caderno, não Moleskine, manufacturado na sua empresa de encadernações. Fiquei derretida!

Fui ontem buscá-lo ao local combinado para a entrega e se o mero mail de oferecimento já me tinha posto de lágrima ao canto do olho, quando o vi as lágrimas passaram do canto para os dois olhos, inteiros.

Aqui está ele. Para que todos o vejam. Vermelho, lindo, com o elástico a condizer, com o meu nome na capa e na lombada.

Obrigada Eduarda!

Desporto? Rei?

O Futebol não entra na lista das minhas preferências. Cá em casa ninguém pára para "ver a bola". Nomes de jogadores, resultados e afins são tema sobre o qual não se conversa. Apesar de haver três rapazes. Nenhum deles gosta especialmente de futebol ou lhe liga mais importância do que uns chutos na bola nos intervalos da escola. Resumindo, não vemos futebol!
Ontem, porque estávamos em casa alheia à hora em que a SIC Notícias transmitiu em directo os desacatos entre benfiquistas, portistas e polícia, acabámos por parar em frente ao écran e assistir em tempo real ao degradante espectáculo...
Belos exemplos educacionais transmitimos aos nossos Filhos quando permitimos que assistam a cenas como as que se passaram ontem. Palavrões gritados alto e bom som, gestos obscenos feitos directamente para as câmeras como se fossem gloriosos, vidros de autocarros partidos, pessoas sentadas em cima de tejadilhos de autocarros...estas pessoas terão filhos? Que modelo pensam ser para esses Filhos? Arruaceiros? Pessoas que não conseguem respeitar a diferença de opinião? São, de certeza, filhos de alguém. Que, com estas atitudes, envergonham, de certeza, também!
Dizem que o Futebol é o Desporto Rei. É, sem sombra de dúvida, o desporto que mais dinheiro arrasta consigo. Nos valores de ordenados que paga a jogadores, a treinadores e a dirigentes. Realmente, só um Rei poderá afirmar ter as mordomias e os baús de ouro que têm os profissionais "da bola".
Revolto-me com esta realidade. Existem milhares de desportos. Maravilhosos. Sem apoios de qualquer espécie. Daqueles que andam para a frente porque  associações, colectividades, entidades desportivas os mantêm vivos - voleibol, basquet, andebol, hoquei em patins, patinagem artística, ténis, ginástica desportiva, ginástica rítmica, ginástica representativa, mini-trampolim, ténis, esgrima, equitação, surf, bodyboard, mergulho, vela, canoagem, etc, etc, etc. A estes não são dados tempos de antena na televisão, não são dados grandes patrocínios, não são chamados de Reis, nem tão pouco príncipes. No entanto, não ouvimos dizer que os adeptos destes desportos fazem as figuras que os do "Desporto Rei" protagonizam.
Mais uma vez digo - há muito a fazer na nossa sociedade. Há muito a rever. Há muito a modificar. Quem é Pai/Mãe tem nas mãos o leme da mudança. Para que nunca os nossos Filhos façam parte de imagens como as que vi ontem.

Escolhas[/Decisões] de[/para] Futuro

Este senhor, Agostinho Miranda, advogado, está na SIC Notícias a comentar algumas das notícias publicadas nos jornais diários do dia de hoje.
Uma das notícias que escolheu prende-se com o que pensam os estudantes de 14/15 anos ao se verem "obrigados" a escolher o que será o seu futuro, na passagem do 9º para o 10º ano de escolaridade.
Gostei de o ouvir dizer aquilo que eu, simples Mãe, penso sobre esta temática. Aos 14/15 anos, o que sabem os nossos jovens sobre o que gostarão de fazer na sua vida adulta? Poderão ter uma vaga ideia sobre quais as profissões que lhes agradariam e quais as que não se conseguem imaginar a desempenhar para sempre, mas ter a certeza? Muitos de nós, nas quatro décadas de vida, ainda pergunta se o caminho que escolheu terá sido o correcto, se não teria sido mais feliz se tivesse podido optar, na altura, por outro caminho. Então, como podemos ter a veleidade de pensar que os nossos adolescentes, preocupados com borbulhas, namoros, e outras questões tão sensíveis nestas idades, serão capazes de decidir em consciência o seu futuro?
Disse este advogado que o que seria correcto, no nosso sistema de ensino, [que deveria preparar pessoas cada vez mais capazes de enfrentar desafios cada vez mais globais], seria uma escolaridade até ao 12º ano assente numa base de disciplinas comuns. A ideia seria construir verdadeiras bases e alicerces de uma cultura geral que permitisse uma escolha mais adulta do caminho a seguir.
Gostei de ouvir. Porque é o que penso. Há muito...

domingo, 21 de março de 2010

Do Lado de Cá da Porta


Depois de um dia inteiro sem parar venho até aqui.
Não se passou nada de verdadeiramente novo.
Na minha caixa de comentários não existe nem uma linha.
Nas portas que abro, nada de diferente.
No meu blogue há dois online. Dois? Que miséria, penso. Há blogues com 70 e mais pessoas online. Sendo que eu estou cá, só há uma pessoa online. Quem será? De onde me verá? Veio cá ter porque quis ou apenas por mero acaso de uma pesquisa no Google?
Por agora não escrevo mais nada. Ainda não tomei o pequeno almoço, a Primavera vai chegar às 17:32, havia Sol quando acordei e agora já não há...
Vou fechar a porta. Bum.
Até logo.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Kiss Me

[Des]Focamento vs Ubiquidade


Chamo-me um nome que alguém me pôs, décadas atrás, sem pensar no seu significado, sem pensar no peso que me transmitiria ao longo dos anos. Tenho décadas de vida sem saber muito bem quantas. É sempre assim. Sempre que tento lembrar-me de alguma coisa importante no momento a minha cabeça atraiçoa-me e não me leva lá. Depois, de repente, traz-me a recordação pedida quando eu já nem sei onde a colocar. Não reconheço esta casa onde estou. É branca e luminosa, chão de tábuas longas de madeira encerada. Há tanta luz que por vezes preciso de fechar os olhos para a conseguir atenuar. Não fico de olhos fechados por muito tempo. Tenho medo da morte. Que ela me esteja a vigiar, à espreita, à espera de me ver definitivamente esquecida de mim. Penso que quando isso acontecer, ela virá para me levar. De que serve alguém cuja memória não funciona, cujo cérebro não consegue relacionar dois dias, duas palavras, dois sentimentos? Não, não quero estar consciente quando esse estado de inconsciência se instalar. Que incongruente é o meu pensamento. Estava a falar da casa, não era? Há sempre música. Uma música de fundo que toca baixinho. Reconheço o som do piano e do violoncelo. Há alturas em que só o violoncelo se ouve. Nessas alturas páro. Toda eu estremeço, sustenho a respiração, concentro-me. Porque aquele som é o meu som, sou eu se eu fosse um instrumento. A grandiosidade, a sensualidade das formas dadas à madeira, a robustez das cordas, a sensibilidade do som. Indubitavelmente, eu sou[som] um violoncelo. A minha cabeça, sempre a minha cabeça. Sempre pensei muito e muito rápido. Era frequente conseguir fazer mais do que uma coisa ao mesmo tempo, correr daqui para ali sem nunca perder o norte, a compustura, o objectivo que tinha em mente. Subitamente, a minha ubiquidade foi enfraquecendo. Se fazia uma coisa não conseguia saltar rapidamente para outra, se me concentrava num pensamento, numa frase, numa imagem, não conseguia saltar para outra sem que a primeira continuasse a ocupar-me toda a capacidade reflexiva. Pode ser que esta casa seja minha. Consigo reconhecer a minha personalidade em determinados objectos, em determinadas cores, na luminosidade que sempre me atraíu e agora me fere os olhos, mas em mim repousa a sensação estranha de que vivo num lugar emprestado, onde me movimento com a certeza dos passos de proprietária, mas com a alma desfocada de hóspede em lugar estranho. E as vozes? De quem são as vozes que ressoam todo o dia na minha cabeça? Pedaços de mim também desfocados ou verdadeiras pessoas que aqui vivem comigo? A minha solidão é tão grande que é impossível que aqui viva alguém. Não, de certeza que as vozes que ouço são réstias da minha consciência desaparecida. Simulo uma normalidade que não sinto. Encaixo-me no que é socialmente aceite como normal e luto comigo mesma por não me sentir adaptada a essa normalidade.
A luz já deve ter diminuído, os meus olhos já se podem abrir.
Rodo o corpo. Levanto a cabeça da almofada e abro os olhos.
Mais uma vez. Um sonho. Um pesadelo. Uma alucinação.
Mais uma vez. Eu a provar a mim que a ubiquidade continua a existir. Eu sou várias e estou em diversos tempos simultaneamente
Mais uma vez. Eu vivo. Desfocada no lado ubíquo de mim.

Exist(ence)

In Memoriam

Foi a Belita quem me enviou esta tira. Precisamente há uma semana, por mail.
Nestas pequenas coisas também se identificam as amizades. Os que sabem as causas pelas quais lutámos e continuamos a lutar, embora, por vezes, com menos espalhafato, por vezes, apenas interiormente e nas nossas pequenas acções e intervenções do dia a dia.
Acredito que muitos dos nossos jovens e jovens adultos não têm presente a hecatombe que foi o holocausto durante o tempo da Alemanha Nazi. Esta é uma das coisas que deve fazer parte da cultura geral de cada um. Não apenas porque se tratou de uma época decisiva na vida mundial do séc.XX, mas porque, principalmente, constitui um exemplo de intolerância levada ao limite.
Constitui uma Memória que não devemos nunca esquecer para que nunca caiamos na tentação de a repetir.

Amadurecimento

“Era muito mais intransigente e exigente quando era mais nova. A idade tem essa grande vantagem de desvalorização de umas coisas e valorização de outras. Quanto mais vivemos mais sentimos que os afectos são as balizas das nossas vidas. Afectos e valores são as coisas mais básicas da vida, da família, da sociedade, do país e do mundo, isto funciona assim, como círculos concêntricos”, Maria Helena Marques
Nas pequenas coisas percebo-me mais velha, mais crescida, mais madura. Aos poucos vou desligando o botão da importância para coisas como cadernos deixados perto da mesa da casa de jantar onde se estuda e fazem trabalhos de casa. Vou compreendendo que não tenho capacidade para ser perfeita e não me importo com isso. Vou aceitando as formas de ser diferentes da minha com maior tolerância. Vou sendo mais paciente.
Porque vou compreendendo também que a intransigência não me leva a lado nenhum, que a intolerância a maneiras de ser diferentes/opostas à minha é um sinal de estupidez e não de inteligência superior, que a vida passa rápido demais para que eu a perca com pequenas coisas.
Fico feliz por ler nas palavras de outra Mulher o que, aos poucos, tenho vindo a sentir. A passagem dos anos não é um castigo que tenho de cumprir, é uma forma de aprender a encarar a vida de forma diferente, é um método de aprendizagem, é a chegada à calma.

Dia Mundial do Sono


Dormir.
Algo que não ocupa muitas das poucas 24 horas do meu dia.
Desde pequena que tenho uma espécie de despertador incorporado que me faz abrir a pestana bem cedo, passar numa fase difícil por volta das dez da noite e depois poder estar acordada até à manhã do dia seguinte sem pestanejar. Hereditária (saio ao Pai!), esta minha característica não me aborrece. Gosto que o dia comece cedo e, de preferência, sem a agitação própria dos dias em que todos temos de acordar cedo. Apesar de acordar sem más disposições e sem ter necessidade de um tempo para compreender que já estou noutro dia, actualmente, dou muito valor aquele bocadinho de tempo entre o meu acordar cedo e o timing de acordar do resto da Família.
Dormir. . . perda de tempo!

Dia do Pai

Estou aqui encravada. Como falar do Dia do Pai quando se é Mãe? Na verdade não faço a menor ideia do que é que sente um Pai.Talvez este seja um sinal do meu egocentrismo relativamente a mim e aos meus Filhos. Talvez seja apenas uma constatação. A caixa de comentários fica aberta a todos os Pais que aqui vêm. Escrevam. Digam o que foi, o que é serem Pai. Os comentários mais inspirados virarão post. Fico à espera!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Há Palavras que nos Beijam


Hoje foi a Mariza quem me fez companhia.
O Fado está dentro de mim...
...não fosse eu alfacinha...
...e portuguesa.

Post It


1. Actas das reuniões da Associação de Pais feitas;
2. Projecto da Biblioteca da Escola, a andar. Muitas ideias para compilar. Algumas dúvidas para esclarecer. Muita vontade de fazer um bom trabalho;
3. Filosofia. Para ler e explicar. Consciência e não consciência. Ética.;
4. A casa....

Uma espécie de post-it para mim mesma. Para me organizar. Para ter tempo para tudo.

Azul

Eu e a minha Máquina,
Jardins da Parede
Maio 2007

Azul, n.m. 1. cor do arco-íris semelhante à do céu sem nuvens; 2. qualquer gradação desta cor; 3. [fig] o céu

O espanto não foi genuíno quando me falaste no azul como sendo a tua cor preferida. Digamos que eu poderia ter chegado lá sem grande esforço. O azul tem implícita em si a ideia de limpeza, de pureza, quase frieza, tal como o branco. Pareceu-me quase evidente que seriam estas as características que gostarias de te associar. Não porque fossem estas as que melhor te definiriam, mas sim porque seriam estas as que te defenderiam. Já te disse. Sou bom leitor de pessoas, de emoções, de sentimentos. Nada em ti é azul. Tudo em ti tem o vermelho da paixão, o escuro negro da tristeza adormecida. Há, no meio das tuas palavras sempre prontas e animadas, um mistério do sentido não transmitido que por vezes me incomoda, me desassossega. Porque me abro eu para ti, deixando-me exposto em todas as minhas fraquezas e dúvidas, se nunca deslindo o que a tua capa azul de pureza e transparência oculta? Serás verdadeiramente minha? Poderás algum dia pertencer-me por inteiro? Sei-o bem. Há entre nós o pacto silencioso do sentimento confortável. Jamais poderei chegar ao teu vermelho. O negro foi-me aberto numa réstia. E eu continuo. A acreditar que um dia me abraçarás com a mesma vontade com que eu desejo o teu abraço.

Remoinho


Lamento nunca to ter dito.
Nem sei porque nunca o fiz se o pensei tantas vezes.
Talvez me amedrontasse pensar que irias rir ou até troçar.
Amo-te.
Que significado dar a cinco letras unidas por um hífen?
Como podem cinco singelas letras significar o remoinho que senti,
como podem elas definir o que ia dentro de mim?
Amo-te.
Quis-to dizer tantas vezes. Cheguei a ficar sem ar de, simplesmente, o pensar.
Lamento que nunca mo tenhas dito.
Talvez tivesse sido O momento perfeito.

Dont´t Know Why

quarta-feira, 17 de março de 2010

Tia Loja


Esta imagem levou-me a mim quando era pequena. À minha infância onde houve uma aldeia. Era uma aldeia bem pequenina, daquelas que têm um nome estranho e cuja localização no mapa não era muito preceptível num tempo em que auto-estradas eram coisa nunca vista e o GPS uma maquineta própria do "Espaço 1999". Nesta aldeia havia carroças e motoretas. Os que tinham carro eram os que tinham vindo para a cidade e estavam "bem" na vida. Havia um grupo de ciganos que todos os Verões se instalava numa casa de pedra que é agora pertença de familiares meus. Havia a romaria de grupos de homens e mulheres contratados sazonalmente para a apanha dos figos, do tomate e das uvas. Não havia água canalizada mas havia uma fonte onde se ia buscar água, com jarros ou vasilhas de barro transportadas à cabeça num equilíbrio perfeito assente em rodilhas feitas de bocados de trapos (sogras). Havia pessoas capazes de "deitar o mau olhado" e outras que faziam umas rezas com água e azeite para desfazer o dito. Na minha memória são felizes os dias nesta aldeia. Onde não existiam mini-mercados. O pão era amassado e cozido nas casas que tinham forno ou então vendido pelo padeiro que vinha numa carrinha que parava no centro da aldeia, buzinando para avisar da sua chegada. Tal como o senhor do peixe. Não havia ASAE e as carrinhas eram vulgares. Ovos, galinhas, coelhos e outras carnes eram produto de criação individual/familiar. Na minha família havia uma loja. A parte de baixo de uma casa desabitada. Um espaço enorme, amplo, escuro e fresco nas tardes de Verão que ali passavamos a brincar. Era uma loja mista onde se acumulavam amendoins, tremoços, pevides, rebuçados, leguminosas em grandes tulhas de madeira com medidas também de madeira, gasosas e laranjadas, bolachas de baunilha vendidas em pacotinhos individuais. Não havia máquina de café, mas havia enormes pipas de vinho e copos de três que os homens engoliam como se bebessem copos de água. E nós, meninos da cidade onde as lojas eram distintas consoante o género que vendiam, deslumbravamo-nos na loja da Tia Teresa (a "Tia Loja"). Em mesas de madeira já muito gastas e bancos de furo no meio do tampo. E brincavamos às casinhas, às mães e filhos, às lojas. Na rua principal daquela aldeia os dias eram quentes mas enormes. Eram dias cheios de brincadeira e de tempo de sesta durante as horas de maior calor. Eram dias que terminavam em espreguiçadeiras na rua a olhar as estrelas que transformavam o escuro do céu num manto de luzes prateadas. Hoje tive saudade da aldeia, da loja, das tardes, das noites e das pessoas que existiram comigo nesse tempo.

terça-feira, 16 de março de 2010

Projecto Novo, Dia Zero


Na minha vida sempre houve livros. Não o digo por fanfarronice ou por tentar ser melhor do que outras pessoas, mas apenas porque é a realidade. Cresci numa casa em que os espaços para os livros estavam constantemente a ser criados e recriados. Deste crescimento rodeado de páginas e letras vem o sentimento especial que tenho por cada um dos volumes que compro, que me oferecem. São pessoas que estão representadas por aquele monte de palavras concentradas.

A livraria com que sonho...não sei se irá surgir em algum momento da minha vida futura. Gostaria de pensar que sim. Para já, iniciarei hoje um projecto (não remunerado) relacionado com os livros. Mais uma vez, em espaço escolar. Sei que será um projecto de onde retirarei imenso prazer, ou não implicasse ele livros, as minhas palavras e a informática. Procurarei estabelecer parcerias com os contactos interessantes que tenho acumulado desde que iniciei o blogue e espero obter resultados de excelência.

Estou entusiasmada com este novo desafio!
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