Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Diário de Férias # [1]


I.
Ontem mudámos de praia. A nossa está transformada numa espécie de sucursal de um dos Liceus aqui da linha. Insuportavelmente cheia. Insuportavelmente transformada desde que foi palco de uma série juvenil de televisão. Não parece a nossa praia. Decidimos ir experimentar as Avencas. Gostámos. Fomos a uma hora pouco própria, mas ainda passámos umas belas horas divididas entre Sol e Mar.
II.
O futebol tem destas coisas e quando a competição em causa se reveste de carácter europeu ou mundial, acaba por ter o efeito de reunir amigos. Repetimos a reunião da semana passada. Tendo por adversário o país que desde sempre nos fez frente e que, mais uma vez nos fez sentir pequeninos. Muito pequeninos. Perdemos. Não sei se bem ou mal porque não percebo pevas de futebol. O que sei é que, pelo que oiço dizer quem percebe, temos bons jogadores que não foram utilizados convenientemente. Temos na nossa selecção o melhor jogador do mundo, que no final do jogo teve, para os jornalistas presentes na sala de imprensa, uma atitude que não é de um jogador com este título, mas de um menino mimado que não conseguiu um brinquedo novo. Outros foram entrevistados e foram uns senhores. O melhor jogador do mundo não. O que sei é que nunca simpatizei particularmente com este seleccionador. Há muitos anos que não gosto dele. Acabou o Mundial para Portugal. Uma espécie de destino.
III.
O número de Filhos era substancialmente superior ao número de Pais/Mães na noite de ontem (doze para 3), o que fez com que a noite terminasse com a criançada a ganhar aos "cotas". Passo a explicar. Um grupo num dos quartos à conversa. Um outro cá fora fechou a porta à chave e deixou os outros lá dentro. O pior é que quando os quis salvar, a chave não abriu a porta. Nem aquela chave nem nenhuma das outras existentes em casa. Foi o divertimento da noite. Pensar como os tirar de lá. Ir buscar uma escada e entrar pela janela. Tentar abrir a porta por dentro. Népia. Tirar os "prisioneiros" pela escada encostada à janela. Decidir onde iriam dormir as habitantes daquele quarto, já que não podiam dormir fechadas à chave e entrar e sair pela janela do 1º andar. Animação/adolescência em estado puro!
IV.
E agora, matrículas. E depois o presente da Mommy. E depois encomendar o bolo. E depois Avencas!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Diário de Férias

Eu e a minha Máquina,
Salgados,
Agosto 2009

I.
O Martim chegou ontem de um acampamento com os amigos/colegas da turma antiga.
Vinha rouco e completamente derreado.
Não se lembra de ter ido para a cama, tal era a pedrada de sono que trazia em cima dele.
Divertiu-se imenso. Viu e aprendeu imensas coisas sobre a Natureza, os animais (o sapo parteiro e a vaca loura, que por acaso é uma barata com um rabo comprido) e as plantas. Tudo coisas que ele adora. Eu bem digo que este meu Filho vai ser ambientalista, ou coisa do género!
II.
O calor continua em alta. A praia não dista mais do que cinco minutos de casa. São quase três da tarde e ainda não nos conseguimos desembaraçar de arrumações e afins para irmos para o sol...e incrível! Esta casa mata-me.
III.
A minha Mãe vai fazer anos na quinta feira. Decidi preparar-lhe a festa de anos. Começou por ter o carácter de surpresa, mas já acabou divulgada. Tenho o presente para comprar, o bolo de aniversário para encomendar, os marcadores da mesa para fazer e tudo o resto para organizar. Será que é impressão minha ou eu gosto mesmo de "arranjar mais sarna para me coçar"?
IV.
O Manel passou de ano. O pior foram as notas das específicas. Amanhã são as matrículas dele e estou convicta de que mudar de área é mesmo a opção certa. Para o ano tudo vai correr melhor.
V.
Já oiço os sinos da pulseira de pé da minha Filha. Sinal de que está na hora de ir pôr o corpo ao sol.
Até já :-)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Com Este Calor...


...nada melhor do que uma incursão no Martim Moniz.

Onde é Que Já Vimos Isto?


Pois é. Há pessoas assim. Que têm sempre de ter qualquer coisa que as mantenha em alerta, em sobressalto até.
Já uma vez tinhamos tido uma surpresa com as contagens de água. Noutra casa, há uns anos atrás. Uma fuga. No quintal. Debaixo do chão. Água a fugir por todo o lado, o contador a registar, nós a pagar.
Repete-se a cena.
Debaixo da terra, algures no jardim, houve um cano que decidiu que não era muito boa ideia planearmos viagens e sonharmos com um passeio fora de portas, antes de as aulas recomeçarem. Sentiu-se ofendido, com certeza. Nós iríamos todos passear e ele teria de ficar ali fora no jardim, debaixo da terra. Então, rebelou-se e rebentou. Ao rebentar deixou que a água, esse bem precioso de toda a humanidade e de todo o planeta, invadisse o subsolo, que se espalhasse à sua livre vontade e que fizesse o ponteiro do contador andar a uma velocidade vertiginosa.
Lá se vai a viagem, o passeio, o ver coisas e pessoas novas.
Espera-nos uma conta "daquelas".
Espera-nos uma "luta".
Com o SMAS.
E cá temos de ir continuando, cantando e rindo.

domingo, 27 de junho de 2010

Sempre em Movimento


O sábado começou cedo, mais cedo do que um dia de semana, de trabalho.
A partir daí, tudo se passou em corrida e, quando a hora de jantar chegou, a minha cabeça avisava-me de que o cansaço estava presente e não me ia dar descanso enquanto eu não me rendesse ao descanso. Que só chegou algumas horas depois do sábado se ter transformado em domingo. Jantar agradável, num terraço agradável, com uma temperatura que dispensou os casacos, com pessoas que por existirem há tanto tempo nas nossas vidas, quase são irmãs/os que vamos vendo e com quem nos juntamos quando nos apetece e não por obrigação.
Quando finalmente deitei a cabeça na almofada, a única coisa que disse foi que hoje não me levantaria cedo, não iria fazer nada. Zero. Estou a tentar cumprir. As tarefas básicas de uma Mãe nunca podem ser descuradas, mas as que insisto em fazer diariamente porque sim, não as vou fazer.
Consegui folhear o jornal, ler duas páginas inteiras, na diagonal outras duas e perceber que há uma entrevista que não posso perder.
Vou ter de sair deste meu modo "zen" para uma reunião da AP ao final da tarde.
O calor continua.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Pele de Galinha

Comprei ontem.
Com um arrepio que me percorreu as pernas e os braços, transformando em pele de galinha a minha pela humana.
E ao abri-la, e ao ler os testemunhos de amigos, de família, de pessoas que com ele privaram, não pude evitar lágrimas.
Desculpem-me mais um post sobre este tema, mas teve de ser!

«[...]A ausência do Presidente da República fez de Cavaco Silva um homem afetado pela cegueira branca do mais genial dos livros de Saramago. [...] Mas o surpreendente ato falhado da sua deserção cede à pequenez, ao despeito e à parolice que caracterizam os inquisidores de Saramago.[...]»
Sexto Sentido,
Filipe Luís,
In Visão, de 24 a 30 de Junho

Inesperado


Acabo de receber um telefonema. Que me fez sorrir.
Um convite para assistir ao jogo de hoje. Lanche incluído. A criançada toda.
Sorri porque era a última coisa que iria fazer hoje. Ligar a televisão para ver o jogo.
Sorri porque esta característica das Famílias Numerosas é maravilhosamente comum a todas - a vontade de ter sempre a casa ainda mais cheia do que já está habitualmente.[O anfitrião é Pai (sozinho) de cinco filhos! Somos amigos há uns, quase, 30 anos.]
Sorri porque não hesitei em dizer-lhe que sim. Que iria com os Filhos que estivessem em casa e que ainda levaria mais um amiguinho que hoje vinha para cá brincar.
Quase aposto que não vou sentar-me a ver futebol, mas também aposto que vou divertir-me bastante.
Eu Vou!!!

Michael Jackson, One Year

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Aborrecência, vulgo Adolescência


Estou aqui emperrada nas palavras.
Escolhi este desenho do João Catarino pela ideia de existir uma pessoa no centro do desenho que se destaca de todas as que estão sentadas. Nestes dias, uma das pessoas cá de casa tem ocupado o centro dos meus pensamentos e tem-me feito reflectir muito sobre a fase da vida que é a adolescência. Do senso comum que a adolescência é uma altura em que Pais e Filhos se chocam, em que Filhos se isolam, em que Pais desesperam. Da minha experiência, a adolescência no feminino foi uma fase completamente pacífica. Sem "armários", sem crises existenciais, sem choros, risinhos ou parvoeiras. Até as saídas nocturnas foram completamente normais, ou seja, razoáveis e nunca uma regra. Eis que chega a adolescência do primeiro rapaz. E aqui chegada e salientando que não tenho qualquer razão de queixa reconheço que nem sempre é fácil lidar com esta fase da vida, o que também me faz perguntar se são eles que são "adolescentes/aborrecentes" ou se somos nós que nem sempre temos a capacidade de entender o que com eles se passa. Vou fazendo o meu melhor. Vou conversando. Vou ralhando. Vou mimando. Vou alimentando a auto-estima e reforçando a confiança que tenho. Vou exigindo responsabilidade. Vou exigindo respeito e cumprimento de tarefas em casa (o lixo, por exemplo, é uma das tarefas que compete aos rapazes e que gera sempre confusão!). E mesmo assim, vou-me sempre perguntando se não estou a faltar em nada, se um dia, quando forem adultos, vão reconhecer tudo o que fiz e amar-me infinitamente. Tal como os Amo a eles.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Impossibilidade

A minha Máquina
noutras mãos
Maio, 2008

Hoje quis escrever.
Não consegui.
Desconheço o porquê da impossibilidade.
A minha cabeça não me obedece.
Parece não estar de posse das suas capacidades, por inteiro. Acorda cansada.
...

Dores de Barriga


A esta hora já tocou a campainha do Liceu.
A chamada já foi feita e os alunos já estão perante um enunciado que lhes pede a resolução de exercícios para que demonstrem os seu conhecimentos nesta área. Entre eles, está Ela, a C.
Depois de ter cumprido um ano lectivo exemplar em que conseguiu aliar o primeiro ano de uma Faculdade que para ela foi um desencanto, num curso que não foi a sua primeira escolha, a uma actividade de Agente Bimby e à colaboração das tarefas inerentes à vida familiar, eis que se atira de alma e coração à repetição de exames do secundário na esperança de conseguir subir a média de entrada na Faculdade e assim consegui ingressar no curso que era a sua primeira escolha. Já fez desenho e não gostou.
Hoje, quando a campainha voltar a tocar (daqui a três horas), termina a primeira volta, porque Ela ainda não pôs de parte a ideia de tentar na segunda fase...
Anda calada e tensa, mas não desiste.
O dia de anteontem foi passado a fazer exercícios. O dia de ontem foi passado a fazer exercícios. O fim de semana foi passado a fazer exercícios....
Tivesse eu alguma influência no Concílio dos Deuses e apresentaria uma moção de confiança a esta minha estudante que merece protecção divina que a leve ao destino desejado. Não a tendo, fico-me pela minha capacidade de pensamento positivo, durante três horas, com a barriga a doer e a torcer para que os "riscos" pedidos não sejam muito difíceis e que ela consiga obter a classificação que precisa!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

P A R A B É N S

Eu e a minha Máquina,
FIL Arte 2008,
Novembro

O solstício de Verão fê-lo chegar.
Ribatejano.
Entre campos de melão e lezírias, amando a terra e os animais foi crescendo.
Fez-se homem.
Levando consigo a lezíria ribatejana no coração mudou-se para o Alentejo.
A terra e os touros continuam a ser os seus amores.
Lá, na imensidão da terra, na escalmorreira do Verão.
Faz hoje anos.
Daqui Te Vejo, de uma terra perto do mar para uma terra onde o mar é um sonho, voam milhões de beijos e abraços e desejos de um dia de anos maravilhoso!

F É R I A S


Respiram fundo os lápis de cor e as canetas. Os cadernos esticam as folhas, cansados de meses de utilização, folha para trás, folha para a frente, a serem carregados de letras e algarismos, de desenhos e sublinhados, de apontamentos e exercícios. Os livros, esses, adivinham o seu destino e não estão muito certos de o preferirem à exaustão do dia a dia. Sabem, porque os livros são o objecto mais inteligente e culto do mundo dos acessórios escolares, que serão enfiados numa caixa de cartão onde, do lado de fora, será escrito em letras gordas de caneta de feltro também gorda, o ano que ajudaram a cumprir. Dentro da caixa de cartão ficarão para sempre fechados, claustrofobicamente, até que um qualquer outro estudante precise deles e os leve de regresso a mochilas e mesas de escola. Ou talvez nunca mais venham a ser precisos e isso não é muito boa ideia.
Nos quartos são arrumadas as secretárias e os vestígios de escola desaparecem até Setembro. Saltam das gavetas os fatos de banho e as T-shirts coloridas, condizentes com os tons de Verão que chegam hoje pela mão do Solstício. Guardam-se ténis e peúgas e enfiam-se os dedos nas havaianas que são a melhor invenção do mundo do calçado.
A lista das compras semanais de supermercado também sofre alterações e começa a privilegiar ingredientes próprios para recheios saborosos de sanduíches que serão comidas ao sol, misturadas com o sal que vai escorrendo depois de um belo banho de mar.
A vida altera-se. Os horários mudam. Os relógios passam de indispensáveis a aborrecidos acessórios de moda que insistem em lembrar-nos que o tempo está sempre a passar [logo hoje, que escrevo estas palavras, estou a usar dois relógios].
O fim de cada dia estival, o entardecer alaranjado, chegará com os corpos deliciosamente aquecidos e cansados e as almas desejando que até tudo recomeçar os dias passem a ter mais do que as 24 horas.

domingo, 20 de junho de 2010

Palavras [Para Saramago]


[Quaisquer palavras que me atrevesse a escrever para Saramago seriam, certamente, desprovidas de significado e de qualidade. Embora sabendo que o meu "parceiro" se encontra fora da cidade que fotografa, cliquei no link que, dentro dos meus Favoritos me leva a ele. A homenagem está lá. Em formato de letras e de palavras. Não hesitei em trazê-la pensando que iria, com certeza, encontrar as minhas palavras para lhe juntar, fazendo da homenagem dos Diários uma homenagem dupla. O ambiente que me envolve não se encontra propício à criação. Há muito barulho, muita conversa cruzada, muita interrupção. Descarto a possibilidade de criação e opto pela pesquisa, manual, entre os meus livros. Sei, precisamente, qual o livro que quero e onde o tenho e é direita a ele que me dirijo. Não querendo ser presunçosa quase afirmo que não será uma desonra citar quem vou citar para quem vou citar...é esta a minha homenagem. Em mim está a pena e a saudade que se instala assim que parte alguém que sabemos nos irá fazer falta. Utilizando as palavras da minha Filha, ao saber da morte de Saramago, «nunca mais iremos ter um novo livro dele nos escaparates» e isso também já me faz sofrer. Iremos, com certeza, tentar completar a nossa biblioteca com os títulos que ainda não adquirimos, que ainda não lemos, mas esse não é consolo suficiente, é apenas um conforto. E o Adeus concretiza-se.]

«Gostaria que as pessoas que conheci, as centenas que ainda estão vivas e que me conheceram, que tenham essa lembrança: que sempre as procurei compreender, sempre as estimei e sempre aprendi com elas. Desde a pessoa mais modesta à pessoa mais sábia. Se assim for recordado pelas pessoas que me conheceram eu ficaria satisfeito se houvesse a possibilidade - que não há - de, num outro lado, estar a observar o que se passa cá em baixo.»
Álvaro Cunhal, em entrevista
na Antena 1, a 23 de Abril de 1996,
citado por Miguel Carvalho,
in Álvaro Cunhal, Íntimo e Pessoal,
Campo das Letras, 2006

Galo é Dono dos Ovos


Esta ficou-me no ouvido...
...trouxe-a esta madrugada de uma certa Festa de comemoração de um 40º aniversário...

sábado, 19 de junho de 2010

Loucos e Santos


«Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.»
Oscar Wilde,
presente de Amigo,
enviado por mail

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A D E U S


«Aprendi a não tentar convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro.»

Circense


Interrogo-me. Será a vida um circo ou seremos nós que cansados da cinza dos dias nos revestimos de cor e sorrisos e transformamos a vida num circo? Quando utilizamos a expressão "isto parece um circo", fazemo-lo no sentido depreciativo, querendo significar desarrumação, desorganização, caos, oposto do que socialmente é aceite.
No circo a fantasia é levada ao limite, no circo tudo é possível. Os homens e as mulheres voam acima das cabeças dos que, de pescoço torcido de olharem para cima, mantém olhos fixos no voo e respiração suspensa pelo atrevimento e coragem. Os homens e as mulheres conseguem dobrar os seus corpos em posições que qualquer um de nós, comum mortal, observa como inacreditável. No circo há uma alegria constante. Os sorrisos não se desmancham e as cores não desbotam sob as luzes fortes que iluminam as tendas. Quando as luzes se apagam, cada um daqueles personagens mágicos passa à simples humanidade de um nome inscrito numa qualquer certidão de nascimento. Apagam-se as luzes e com elas a fantasia. Tudo volta à cinza dos dias.
O circo. A magia. A cor. As luzes e a música. Combinação mágica e efémera.
Como a vida.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Amor


«Tu és aquilo que sei sobre a ternura. Tu és tudo aquilo que sei. Mesmo quando não estavas lá, mesmo quando eu não estava lá, aprendíamos o suficiente para o instante em que nos encontrámos»
Verdades quase Verdadeiras,
José Luís Peixoto, in Amor,
Jornal de Letras,
16 a 29 de junho

Viagem



Apetece-me contar-te um segredo. Nunca viajei. Uma viagem com carácter de viagem a sério. Malas. Roteiro programado em casa em mapas de papel e sites que recomendam o que ver, onde parar. Estranho, não é? Agora que ponho em palavras este pedaço de mim, reconheço-lhe a estranheza. Como se pode nunca ter saído de um pedacinho pequeno de terra banhada pelas águas e encostada a terras maiores? Não sei. Acho que nuca calhou. Acho que a vida que desenhei no meu papel de aguarela interior nunca quis que a viagem acontecesse. E como nunca a desenhei, também não reflicto sobre ela. Por vezes assola-me a vontade de ver outras pessoas. Pessoas que falem uma língua que eu não compreenda, que me obriguem a usar gestos e capacidade imaginativa para me expressar. Não sei porque não tenho em mim a vontade de viajar. Talvez não me sinta, afinal de contas, tão enclausurada como sempre me penso. Pergunto-me quantas pessoas já conheci desde que me conheço. Será que se me concentrar nesse exercício conseguirei recordar uma a uma cada uma das pessoas que comigo se cruzou? E os nomes? Como poderei atingir um estádio de concentração e de introspecção que me leve a cada um deles? Esta também é uma viagem. Só que infinitamente interior a mim. Onde de cada vez que mergulho descubro novos caminhos, novas ruelas, novos largos onde me sento a descansar. Os viajantes, os que viajam pelo mero prazer de descobrir novas gentes e novos locais, confessam-se cansados quando regressam ao porto seguro da sua origem. Com brilho nos olhos de quem viu mais e diferente, de quem contactou com outros costumes e outras gentes, mas cansados. Ansiosos pelo cheiro das suas casas, pelo conforto dos seus aposentos, pelo hábito das suas rotinas. Também eu me descubro assim depois das viagens no interior de mim. Como se o simples acto de pensar me pudesse cansar demasiado. Mas não pensamos nós a todo o momento? Mas será que existem pessoas que conseguem não pensar ou pensar em pensamentos que não as cansam, que não as dividem, que não as tornam permanentemente insatisfeitas e pequeninas aos seus próprios olhos. Oh...como  gostava de conseguir não viajar em mim, tal como consigo não viajar de mapa e roteiro feito. Impossível. A escrita tem, neste pensar incessante, uma culpa que não lhe pesa. Pela palavra escrita me vou viajando, me vou descobrindo de sombras que me criei para não me ver. Descubro-me e desejo que outros me descubram. Que sem mapa ou roteiro encontrem o caminho que já deixei meio aberto entre as silvas que aos poucos foram ladeando os meus caminhos. A minha paixão. As palavras. Os outros. Que me importa que outros pensem quem serei, amante de gente, muita e diferente. É a todos os outros que vou buscar os pontos turísticos das minhas viagens em mim. Impossível não encontrar em cada um dos que me apaixonam um ponto. Um só que seja. São pontos que acumulo no traçado do meu mapa como quem viaja pelo mundo vai espetando alfinetes coloridos que marcam cidades e países já visitados. Pode ser a forma de olhar. Mas também pode ser o que lhes faz brilhar os olhos. Pode ser a fala das mãos. Mas também pode ser o acariciar do cumprimentar quando chegam. Sim, eu sei. Sou um destino demasiado complexo para ser entendido a tempo inteiro, de cabeça vazia. Existem muitos pontos por explorar, muitos locais e lugarejos que para serem visitados têm de ser primeiro muito bem estudados. Nem eu sei da existência deles, porque nem sempre o tempo me sobra para viajar apenas pelo conhecimento. Agora, aqui, enquanto sentada a teu lado te inundo com estas palavras confessionais, viajo pela minha capacidade de me expor, sem medo, de fazer de ti meu confessor, sem temer pelo que os teus pensamentos te possam dizer em palavras que talvez nunca me vás transmitir. Percebes agora porque nunca saí deste cais onde nos sentamos lado a lado? Não é o desconhecido que me assusta, nem mesmo a profundidade das águas que me refreia o ímpeto da viagem. Nem o enevoado das nuvens que retiram ao Sol o calor de que dependo como do ar que respiro. Sou eu que me preciso. O Mundo que vive em mim ainda se encontra inexplorado, ainda me oferece muitas horas a palmilhar caminhos por onde, sei, que devo viajar. Guarda o meu segredo. Viaja em mim. E se nenhuma destas palavras te fizer sentido, arruma a bagagem rapidamente e volta para o porto seguro de ti.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Paredão Fora


Já nada é assim em Cascais.
A quantidade de árvores e vegetação diminuíu substancialmente e a Marginal nasceu e transformou-se numa das estradas mais movimentadas da zona de Lisboa.
Por cima das praias surgiu o paredão.
Acabei de chegar de um passeio que ainda incluíu uma incursão em Cascais.
Enquanto caminhava e dava à língua não conseguia deixar de pensar como é possível um país como o nosso, com qualidades como nós temos, não conseguir desenvolver-se em áreas como a hotelaria, o turismo, os desportos náuticos.
Temos uma das maiores riquezas do planeta à frente dos nossos olhos, de norte a sul do nosso pequeno território - o Mar. A partir dele há tantas actividades que poderiam ser desenvolvidas e criar riqueza e ser chamariz de pessoas de outras nações com climas e qualidades naturais menos afortunadas. Mas não. Temos uma costa pouco desenvolvida a este nível, tal como temos um país pouco desenvolvido a muitos outros níveis.
Sinto pena.
...
...as praias, o Mar e o Sol estavam mesmo a chamar por mim, mas o dever e a responsabilidade diziam-me que em casa estavam outras coisas a chamar, também, por mim.
Voltei aos meus deveres de Mãe e Dona de Casa.
Já falta pouco!

Presente # [2]


Eu e a minha Máquina,
Agora Mesmo

Da última vez que fomos ao IKEA vi lá esta mega tábua de engomar. Fiquei com os olhos nela. Por ter uma estrutura de madeira a lembrar as tábuas de engomar de antigamente, por ter um suporte para o ferro de engomar suficientemente largo para conseguir suster o ferro de caldeira, por ser grande e larga.
O dia não era de compras e a tábua ficou lá.
Ontem entrou-me porta dentro!!!
Já ali está montada na cozinha, pacientemente esperando que eu largue o computador e pegue no ferro de engomar.

O Novo Design do Vekiki e os Leitores


Gostava que alguém do Blogspot lesse as minhas linhas.
A nova opção de Design é muito avançada, tem opções que não tinha anteriormente, mas dá-me ideia que na prática não está a funcionar ainda muito bem.
Ontem recebi dois telefonemas de Amigas/leitoras a darem-me conta da dificuldade em verem o que escrevo, em abrirem o blog. À partida este novo template não deveria criar dificuldade em abrir uma vez que não é mais do que um fundo liso, cor de areia, com uns pássaros que voam no canto superior direito.
Fui ver ao sitemeter se tinha havido quebra nas audiências. Não. Mantém-se o meu "share".
Digam-me se conseguem ver tudo, se as cores usadas para o texto são perceptíveis ou não.
Obrigada!

terça-feira, 15 de junho de 2010

A Amizade não Vai Ter Fim, Sou teu Amigo Sim!


Sinto alguma dificuldade em reconhecer amizade nas pessoas que dizem "temos de combinar qualquer coisa..." e depois nunca aparecem, não dão notícias, parecendo querer pedir que nos esqueçamos que existem. Quando me apetece estar com alguém, faço por conseguir o meu objectivo, não o verbalizo esperando que ele aconteça como que por milagre. Assim é que deve ser. É assim que ajo.
Ontem recebi um telefonema. Alguém que não me ligava há muito. Inconscientemente, no momento, pensei "o que é que este me quer?". Logo, na altura, ralhei comigo mesma. Porque é que tinha de ter aquele pensamento? A conversa passou das perguntas obrigatórias para a verdadeira razão do telefonema. Organização de Festa de Anos Surpresa. De repente, vi-me embrenhada na festa. A dar pistas de locais, a fazer uma lista das perguntas a fazer aos restaurantes que vão ser consultados, a pensar quem conheço onde...não sem comentar que a aniversariante há muito que não me liga, não respondeu a sms's que enviei, etc..."ela não liga muito aos amigos, sabes como ela é...". Eu sei como ela é, mas não acho bem que seja assim. Amigos são os que estão sempre presentes. Os que pensam em nós e dão notícias e perguntam como estamos. Não é preciso estarem sempre por perto, mas fazem sentir-se presentes. É assim que eu entendo a amizade e é assim que a pratico com as pessoas de quem gosto, com as pessoas que considero minhas amigas (cada vez mais tenho conhecimentos e não amizades!), com as pessoas que penso se consideram minhas amigas.
Doem-me as ausências e os silêncios.
A Amizade é um sentimento importante e não descartável.

A Música da Fome

«Ser feliz é não ter de recordar. Fui infeliz? Não sei. Lembro-me simplesmente de um dia acordar e experimentar, enfim, o deslumbramento das sensações saciadas. Aquele pão muito branco, muito macio, que cheira muito bem, a gordura do peixe que escorre pela minha garganta, os cristais de sal grosso, as colheres de leite em pó que formam uma pasta no fundo da boca, na língua, é então que começo a viver. Saio dos anos cinzentos, entro na luz. Sou livre. Existo.
É de outra fome que trata a história que se segue
in A Música da Fome,
Le Clézio, Dom Quixote,
2009 

CSI S.Pedro do Estoril, [às duas da tarde]

A minha Capulana moçambicana

As horas de "liberdade" já estavam a terminar. De pé, na areia hoje quase vazia da minha praia graças ao vento, dobrava a minha capulana e enfiava livro e jornal dentro da mala para regressar a casa. Do muro das esplanadas chegavam gritos e mais gritos. Tentei fixar o olhar e concentrar-me no que se estaria a passar. Três polícias rodeavam uma pessoa que gritava desmesuradamente. A princípio pareceu-me uma criança, mas de repente eis que a dona da voz salta para a areia tentando escapar aos polícias que a cercavam. Atrás dela salta um polícia. Outro corre muro fora para vir em auxílio do saltador. Uma verdadeira cena de série de polícias e ladrões à portuguesa. A voz foi agarrada novamente, não parando de gritar. Que estava a ser raptada. Que tinha um filho para criar. Dizendo um número de telemóvel e pedindo a quem passava que ligasse e dissesse que ela estava a ser raptada. E as algemas entram em acção. Ainda perguntei a um dos nadadores/salvadores o que tinha acontecido, mas ele também não sabia. Vim-me embora. Sem saber a razão da detenção!

Das Obras


Alguém me explica porque é que as obras nunca correm "maravilhosamente"?
Porque é que uma coisa que se pode fazer em duas semanas, acaba por demorar um mês?
Porque é que há coisas que ficam sempre mal feitas?
Não é por nada, mas estou trancada em casa à conta das obras há não sei quanto tempo!!!

Da Força do Vento


A ventania instalou-se.
Sol, temperatura a subir, e uma série de distritos em alerta laranja por causa do vento.
Vamos lá ver se isto acalma...as férias das crianças estão a chegar e queremos ir para a praia!!!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Li, no DN de Sábado...

«Esta é uma geração que vive muito online, fala com amigos no estrangeiro pelo Skype, faz outros amigos no Facebook, consulta o e-mail todos os dias, precisa de ter telemóveis e, se esses puderem ter ligação à Internet, tanto melhor.»

...e pensei que também eu me caracterizo por estes sinais particulares das gerações mais novas.

Modernices...


Tenham paciência, por favor.
Pus-me a mexer nesta coisa do Design do Blogspot e agora não consigo acertar com as definições de aspecto do blog. Já perdi a manhã toda nisto e já estou a perder a paciência!
Para já vai ficar assim e quando tiver tempo volto cá.
Que seca!!!!

Festas do Concelho de Oeiras, Mafalda Veiga

Eu e a minha Máquina,
Oeiras
Junho, 2010

Foi um concerto mais morno do que quente. A temperatura do ar também não ajudou muito, Estava vento e não fossem dois casacos vestidos e peúgas e ténis nos pés e teria tido frio. Muita gente mas pouca para um espectáculo gratuito, ao vivo, incluído nas Festas de um Concelho grande como é Oeiras. O repertório escolhido também não ajudou, pois os temas mais conhecidos e "cantáveis" não foram o ponto forte desta actuação.
Valeu a saída à noite, a diferença do serão.

domingo, 13 de junho de 2010

Domingo (à Segunda-Feira)

Eu e a minha Máquina,
Guincho,
Junho 2007

fui ao Guincho. ao Abano. deixar o surfista. gostei de conduzir na estrada de terra que leva à praia do Abano. pica. o parque de estacionamento da praia do Abano é caro. a srª que está na recepção do parque de estacionamento é simpática. voltei para casa. o domingo é dia de concentração de motards no Cabo da Roca. apanhei um grupo de "aspiradores" e 50's na estrada do Guincho. vinha a stressar. não andam nem deixam andar. são perigosos. fomos ao chinês. comprei umas calças giras.passei o resto do dia em casa. fiz muitas coisas. durante todo o dia só me sentei para almoçar. não tive tempo para escrever. às 6 tive que voltar ao Guincho. o vento estava insuportável. tive de fechar os vidros para não trazer toda a areia da praia para casa. outra vez a pica da estrada de terra. o carro branco do pó. o surfista estava cansado, aborrecido com o vento, mas muito feliz. adora o Guincho e esteve lá dois dias seguidos. voltei para casa. retomei a minha actividade de "formiguinha". jantar rápido. sair. Festas do Concelho de Oeiras. Mafalda Veiga ao vivo no Jardim. concerto mais morno do que eu esperava.

sábado, 12 de junho de 2010


I. A minha cozinha acabou de ganhar mais uma máquina. As bancadas da minha cozinha estão carregadas de tecnologia. Cá em casa todas as máquinas que se prendem com tarefas domésticas têm uma utilização intensa. Nada fica por usar ou fechado em caixas.
II. Na Índia houve um sismo e há um aviso de tsunami. Gostava de ir à Índia. Uma amiga minha vai com os filhos. Se fosse eu, estava cheia de medo de ir...
III. Hoje é noite de Stº António. Não fui apanhar alcachofras para queimar. Não vou a Lisboa. Percorrer ruas inclinadas. Misturar-me com o cheiro das sardinhas e os cravos coloridos dos majericos. Não comprei um manjerico. Ainda, Todos os que vi estavam muito feiosos. Gosto do Stº António e à tarde apanhei um bocadinho dos casamentos na RTP1. Uma amiga minha do Liceu está por trás destes casamentos. Queria ir festejar o Stº António.
IV. Gostava de ir ao Super Bock Super Rock. Estou a magicar...camping, música, praia do Meco...hum, parece-me bem atractivo!
V. O jantar vai ser catita. Um bocadito calórico, mas catita.

Vou Dormir


Já vi Irmãos & Irmãs, na 2.
Está a dar Querido mudei a Casa, na SIC Mulher.
Fui ao MSN procurar mas não encontrei ninguém...
Fui ao FB mas também não havia nada de novo...
Vou dormir.

Laird Hamilton


Este senhor é especialista em surfar ondas grandes.
Está em Portugal e durante o fim de semana que se aproxima quem quiser vê-lo poderá ir até à praia do Guincho.
Amanhã à noite falará no Centro de Surf em S.Pedro do Estoril.
A seguir, música!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Mandela's Family

Foi uma das primeiras notícias que ouvi esta manhã quando liguei o rádio da cozinha.
Fiquei com pele de galinha.
Há pessoas que não conhecemos mas cujas vidas parecem estar ligadas à nossa por esta ou aquela razão.
Mandela.
Um nome. Um simples homem. Um grande Homem. Uma história dentro da História do sec. XXI.
Recordo a libertação e o que na altura escrevi. Em papel, porque não tinha computador.
Pele de Galinha...

Design


Estava decidida. Ia abrir o mail, ver se havia alguma coisa para responder, abrir os blogues, ver se havia comentários para publicar e esquecer que o computador existia.
Os homens das obras não vêm hoje, o tempo está uma M.... e eu vou aproveitar para ir tratar de mim.
Eis senão quando...uma nova funcionalidade no Blogspot. Design. Oh não...e agora? Como resistir à descoberta de mais uma funcionalidade? Por acaso até já está na hora de mudar o look, entrámos na Primavera e continuo com as cores de Outono.
Não, isto vai mesmo ficar para outra altura.
Vou arrumar tudo e partir para o que me propus fazer, hoje.

PS - tenho a sensação de que este post está um bocadito mal escrito...deve ser de ainda ser cedo, de estar sem óculos, e tal.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A Propósito de Exercício Físico...

Apesar do cansaço e das horas tardias de recolher, acordei cedo. Um telefone esquecido pela casa decidiu desatar a tocar às 9 e pouco da manhã. Os meus ouvidos são "de tísica" e apesar da distância a que o dito cujo tocava os meus olhos abriram-se e decidiram que não queriam voltar a fechar-se.
[No passado fim de semana fiz um rearranjo da minha mesa de cabeceira. Tirei todas as conchas e guizos de pulseiras de verões anteriores e criei espaço vazio para os livros que costumam ter por poiso o chão, do meu lado da cama.]
Aproveitei. Família a dormir. Silêncio. O meu corpo suficientemente cansado para que não se impulsionasse para fora da cama. Deitei a mão ao Murakami e, tal como um corredor de fundo, atirei-me a ele. Este livro tem considerações interessantíssimas. Sobre o ofício de escrever e a concentração e disciplina que esse ofício exige. Sobre a necessidade do exercício físico e de como deve ser preparado o corpo para o fazer sem se tornar doloroso.
Das muitas linhas que li, houve umas que retive. Na memória e riscadas com a ponta do lápis para se transporem para este post, pois vinham mesmo a propósito...

[...]
"Não se pode dizer que seja uma realidade particularmente agradável, mas é o que acontece quando caminhamos para velhos. Tal como eu tenho o meu papel a desempenhar, também o tempo tem o seu. E, é bom que se diga, o tempo cumpre o seu papel muito mais fielmente e como muito mais precisão do que eu alguma vez poderia fazê-lo. Desde que o tempo é tempo, lembrem-se (a propósito, quando foi isso, pergunto eu?), moveu-se sempre para a frente, sem um momento de descanso. E um dos privilégios concedidos àqueles que lograram escapar a uma morte precoce é precisamente o direito à velhice. Espera-os a honra da decadência física em toda a sua glória, e é bom que comecem a habituar-se à realidade."
[...]

Feriado, Dia de Camões, Dia de Portugal


Começando pelo princípio.
A noite de ontem. Arraial na ESFLG. Sim, eu podia bem passar a vida em festas. Durante toda a noite andei dum lado para o outro, de máquina fotográfica ao pescoço, qual repórter fotográfico de serviço, captando imagens que ficarão para sempre. Todos os membros da Família estiveram presentes no Arraial. Uns trabalharam, outros brincaram, outros apenas se divertiram, mas concluí, mais uma vez, que não somos uma Família comum nos dias que correm. (sem modéstia!!!).
Desde o princípio da semana que andávamos a temer a chuva e o frio, mas à hora de começar a festa havia Sol. Tivemos sorte e a chuva só caíu forte no final da noite, como se nos lembrasse de que a hora de acabar a festa se aproximava e era preciso começar a arrumar.
Antes de vir para casa ainda passámos por duas festas de anos...
Hoje dói-me tudo. Pernas e costas. Lembram-me que devia ter mais atenção ao corpo que me sustenta o espírito e que exercício talvez fosse uma boa ideia. Adiar parece ser um verbo colado ao substantivo exercício, no meu caso. Penalizo-me por isso. Nem o duche quente da manhã conseguiu atenuar as dores que se espalham da nuca à zona lombar e, visto isto, decidi tirar o dia para actualizar os blogues da AP e da BECRE e para finalizar o quadro sobre o Painel Boas Práticas na Escola.
Tem sido um verdadeiro dia de sossego e a tensão que nos últimos dias me punha à beira de rebentar, desapareceu. Estou bem disposta. Soube-me bem a festa de ontem.
Tenho passado grande parte do dia na mesa da casa de jantar com os "Grandes". Entre estudo (biologia e geometria descritiva), conversas sobre temas "mais quentes", terapia familiar a três, risos e alguma parvoíce, já fizemos de tudo. Com uma pausa para um almoço tardio às cinco da tarde.
E sim. Estou bem.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

I'm So Blue...

Eu e a minha Máquina,
Lagoa de Albufeira,
Setembro 2008

Anda-me a faltar qualquer coisa.
As manhãs de praia, a acompanhar as aulas de skimming eram terapêuticas.
Durante aquelas horas limitava-me a andar, a vê-los voar em cima das pranchas sobre as ondas.
Tenho um peso dentro de mim.
Outro em cima dos ombros.
Falta-me qualquer coisa...

Arraial na ESFLG

Eu e a Minha Máquina,
Santos Populares,
Estarreja, 2009

Hoje vamos ter Arraial.
A partir das 7 da tarde e até à meia noite estaremos embrenhados no verdadeiro espírito das Festas Populares. Os caracóis prometidos já estão nos frigoríficos da Escola.
A chuva veio inundar as nossas cabeças de nuvens cinzentas [eu, pelo menos, sinto-me como os bonecos da banda desenhada, com uma nuvem, cinzenta e um raio de trovoada a atravessar-me a cabeça!] e eu só estou a fazer figas para que chova bastante durante o dia, mas que à noite as coisas melhorem.
Não querem meter uma cunha ao S.Pedro? Vá lá! Nós merecemos!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Mais Considerações de Um Dia Difícil que Chega ao Fim

  • Todos os estados de ansiedade e "telha" têm uma razão de ser;
  • Eu até posso encontrar as razões deste meu estado, hoje, mas não me apetece expô-las;
  • Uma pessoa de quem gosto muito vai voltar a estudar. Nos "enta" vai entrar para a Faculdade. Estou contente por ela;
  • Falta-me qualquer coisa.
  • Terminei os Íntimos, da Inês Pedrosa. Vou pegar num Murakami. A par do 2666;
  • Estou distraída. Alheia.
Espero que amanhã seja mesmo um novo dia. Vai ser um dia de loucura.

Vuvuzelas? Não Obrigado!!!!


Para começar quero dizer que não tenciono parar para ver os jogos do Mundial.
Não gosto de futebol.
Depois, quero dizer que já tenho uma vuvuzela e que já ofereci outra.
Só por isto, sou culpada e tenho um peso na consciência.

Estou a ouvir o MST e o PSL a comentarem o jogo de hoje, amigável, com Moçambique.
Os dois começaram por pedir que a FIFA proíba a vuvuzela, ou que a FPF a proíba. O barulho é insuportável dentro do campo e para quem assiste em casa.

Penalizo-me por ter sido pioneira na compra deste "instrumento"...
Eu e a minha Máquina,
Novembro 2008
S. Pedro do Estoril
Hoje foi um dia estúpido.
Levantei-me com a telha e com vontade de não me levantar.
Vesti-me toda gira para passar o dia fechada em casa a tomar conta de obras.
Engomei camisas e dei dois dos Cães Bébés.
Fiz a recolha de filhos.
Andei para trás e para a frente na Marginal, sempre com um mau pressentimento.
Muito sono e muita distracção mental.
Medo de ter um acidente.
Pavor!
Fiz uma pausa para dois dedos de conversa.
Na minha praia.
Com o meu mar, a levantar ondas.
Nem deu para mostrar como estava gira. Não saí do carro.
Encontrei uma ex-vizinha que me disse que eu estava "tão gira".
[Não era dela que queria ouvir esta frase.]
Já estou em casa, outra vez.
Avizinha-se um serão de cozinha. Caracóis.
Para um arraial, amanhã.
A chuva chegou e parece que vai ficar.
Comecei o dia em telha.
Acabo o dia não muito melhor.
Hoje é daqueles dias que sabia mesmo bem um "jantar de gajas" e um "lavar de olhos".
Nã...o programa do costume.
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