Grafia

A Autora deste Blogue optou por manter na sua escrita a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Pateo


Abrigado do calor
Isolado do barulho do mundo
Concentrado em páginas
Brancas
ou
Cobertas de palavras escritas por
mãos de outros
Na mão direita uma caneta
de aparo
Na cabeça o fervilhar de ideias
ou apenas o silêncio
que as antecede

Está fresco neste
pateo

domingo, 30 de maio de 2010

Soltas, de Domingo # [1]


I.
Fui a correr comprar o jornal. Levava um na ideia, acabei por comprar outro. Mais uma colecção de livros. Doze semanas. Eça. Não li o jornal, ainda.
II.
Fui às compras. Rotina obrigatória de fim de semana, garantindo as refeições para a semana toda.
III.
Fui pôr os pequenos a uma festa. Fui correr lojas em busca de cartão para proteger/forrar chão. As obras vão começar. Amanhã. Não vou poder MESMO sair de casa. Uma semana inteira aqui fechada, a tomar conta dos senhores que vêm para cá trabalhar...o tempo vai estar óptimo, não vou poder ir à praia. Ok, não vou stressar. As obras são necessárias e ainda bem que vamos poder começar a fazê-las...
IV.
Sentei-me a tratar de papelada que precisava de ser tratada. Olhei para o relógio. Horas de ir recolher os pequenos à festa. Voltei a sair. Com a C.. Estivemos cerca de uma hora na festa. Saímos a correr para apanhar o supermercado aberto. Meia dúzia de coisas para o jantar, pic-nic.
V.
Pão e carnes frias. Saco para o Banco Alimentar.
Casa.
Noite.
Amanhã já é segunda.
Será que ainda consigo ler o jornal?

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Solta(s) de Sexta Feira [1]


Encontro a minha vizinha de trás no shopping.
Ela diz, sorrindo, que a minha casa é uma animação.
Eu respondo que somos muitos, fazemos muito barulho.
Ela  continua a sorrir e diz que adora ter-nos por vizinhos.
Ainda bem, penso eu. Sorrindo!

Céu


Dizes que vivo num pedaço de céu
Céu ou Mar
Azul esverdeado
Verde azulado
As cortinas que esvoaçam nas janelas
Fazem a espuma das ondas
Desenham os flocos das nuvens que pairam sobre as cabeças
E tal como no Céu em que acreditas
Rodeiam-me pessoas de todas as cores
E eu acredito que vivo
no Céu

Guilty Pleasures

À minha porta inaugurou ontem uma loja que vai ser a minha perdição ... uma churrasqueira. Frango assado poderia ser o meu jantar todos os dias. Quer dizer, se calhar às tantas ia fartar-me, mas eu gosto tanto! Hoje é sexta feira e eu já lá fui encomendar o jantarinho...

XUTOS, Os Comendadores do Rock

Não, não consegui satisfazer o desejo que tinha de voltar, ontem, à Cidade do Rock (com muita pena minha e dos "grandes"). Tendo recebido o bilhete como presente de Natal, podia ter optado por qualquer dia, mas optei pelo primeiro. A excitação e a adrenalina de ir no dia da abertura, o ter estado lá, acabaram por deixar cá dentro a vontade de regressar no dia que, até hoje, deve ter sido o mais concorrido desta edição do RiR.
Fizemos o concerto em casa. Na sala, surround. Na cozinha, som no máximo. Acabada a tarefa culinária, verdadeiro espírito de concerto invadiu a sala. Cantando, pulando e dançando, acompanhámos os Xutos, num concerto memorável, durante o qual o sorriso nunca abandonou as caras de Tim e Zé Pedro. Deve ser completamente Brutal para uma banda com 30 anos de carreira, olhar para um recinto daquele tamanho, completamente cheio, com gente muito nova, a cantar e a dançar as músicas que há tanto tempo fazem parte da história da banda.
Sim, fiquei com uma pena imensa de não estar lá. Tenho a certeza de que hoje estaria rouca de tanto cantar/gritar, com dores nos músculos das pernas de tanto dançar/pular. Paciência...daqui a dois anos há mais e dois anos são um pulo!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Carta a um Génio Futuro


"A celebridade é uma indelicadeza. Dar nas vistas é ser desprezível. O homem realmente superior existe todo na consciência da sua superioridade sem atenção à superioridade que os outros possam ver nele ou à superioridade que possam julgar que lhe falta.

...uma renúncia casada com o silêncio, feita sem gestos, na intimidade da alma.

... convivas serenos da inutilidade das coisas...

Para que queres tu que te inflijam o prazer da glória?"
Fernando Pessoa,
Livro do Desassossego,
Relógio d'Água,
Pg 186

[IN] D E C I S Õ E S

Do alto da nossa idade adulta dizemos muitas vezes que "no nosso tempo é que era, na nossa altura as coisas eram diferentes e melhores, os miúdos agora têm tudo e não sabem nada...". Concordo que muitas coisas mudaram, que muitas mudaram para melhor e outras tantas são diferentes. Melhores? Piores? Não tenho forma de fazer essa avaliação sem cair em frases feitas e em "verdades" de Velho do Restelo. O que eu sei é que, talvez pela maneira como a minha geração tem assumido a pa/maternidade, os nossos jovens e adolescentes são mais protegidos do que nós alguma vez fomos, são crianças durante mais tempo, demoram a atingir o ponto de maturidade que gostavamos que encontrassem mais cedo, nas suas vidas, o que não lhes facilita a vida em termos de tomada de decisões que, para já, decidirão o rumo a tomar nos anos mais próximos. Falo da orientação escolar quando o 9º ano termina.
Já por aqui tenho deixado a minha opinião crítica e desfavorável relativamente à forma como se encontra organizado o sistema educativo no período que medeia entre o 5º e o 9º ano de escolaridade. São anos de mudança, anos de passagem de 2º para 3º ciclo, anos de preparação para o secundário, durante os quais a exigência que é pedida aos alunos não os prepara de forma alguma para a exigência que lhes é pedida a partir do momento em que ingressam no ensino secundário. Já aqui expressei também a minha opinião sobre a junção de ciclos, ou seja, juntar numa escola o que dantes se encontrava separado entre "Ciclo Preparatório" e "Liceu". Acredito que aqueles cujos Pais optam por os matricular numa Escola Secundária quando transitam para o 3º Ciclo, acabam por apanhar mais rápido o "comboio de alta velocidade" que é o ritmo do secundário. Dentro de toda esta falta de exigência e facilitismo, não é raro acontecerem bons resultados no 9º ano, a todas as disciplinas, conferindo aos alunos a sensação de que seja qual fôr a área de estudos que escolherem (Ciências e Tecnologias, Humanidades ou Artes), o sucesso estará minimamente garantido. A orientação escolar/profissional que é feita nas escolas também não é a solução milagrosa para indecisões ou pré-estabelecidas vocações e os jovens lá tomam uma decisão, uns às cegas, outros mais ou menos crentes de que estão no caminho certo, outros absolutamente convencidos de que será aquele o caminho a seguir.
O primeiro ano do secundário, tal como o primeiro ano do ensino universitário, constitui sempre um ano de embate. Os resultados descem, as amizades separam-se, a adaptação a novos colegas é por vezes complicada. O ano lectivo transforma-se num ano de muitas dúvidas, indecisões e frustrações, por vezes.
A minha atitude é porventura estranha aos olhos de alguns/outros Pais&Mães. O ensino não é gratuito e ter filhos a estudar traduz-se num esforço financeiro grande, mas não considero que a postura de castigos e grandes sermões seja o caminho para motivar à obtenção de melhores resultados. Tenho, neste ano lectivo que se prepara para terminar, o exemplo acabado de que a escolha feita aos 15 anos não é adequada à realidade dos nossos jovens. Mais uma vez, a minha experiência me vem dizer que talvez ganhassemos todos mais se o sistema de ensino assentasse numa maior base de ensinamentos durante um período que se estendesse para além do 9º ano de escolaridade.
Termina este ano lectivo. Com indecisões, com mais orientação profissional, com mudanças, com esperança que o próximo decorra nos caminhos certos!
Posted by Picasa

101 Dalmatas em Versão Reduzida [e Rafeira]

Eu e a minha Máquina,
Ontem à Tarde

Os filhotes da Rebeca já cumpriram quatro semanas de vida.
Estão o máximo!
Entram e saem da casota com grande agilidade e quando estão todos cá fora a brincar, são autênticos cãezinhos de peluche a pilhas. Dão saltinhos, atiram-se uns para cima dos outros fazendo moches e mordiscando-se uns aos outros em grande cumplicidade de irmãos. É verdade que tudo o que é pequenino tem graça e a pena maior é que tudo cresça e a graça vá esmorecendo, mas estes nossos cães são mesmo queridos. São quatro meninos e três meninas e começa a estar na hora de lhes encontrar pais adoptivos. Quanto mais tempo forem ficando, a partir deste momento em que já pulam e saltam por todos o lado, em que os miúdos já começam a perceber a personalidade de cada um e a afeiçoar-se a eles, mais complicado vai ser vê-los ir embora!
Há dois que já têm nome, o Carvão e o Milka, mas claro que isto são só nomes que os miúdos lhes puseram por características especiais que lhes encontraram, não são obrigatórios/definitivos para quem os adoptar
Conto com a ajuda de todos os que por esta minha casa virtual passam, porque não me apetece nada ir entregá-los a um qualquer homem que os há-de dar a não sei quem numa qualquer feira de fim de semana. Quero saber com quem vai ficar cada um deles, quero conhecer quem os vier buscar, olhar nos olhos e ter a certeza de que há mesmo vontade de tratar destes bébés peludos e manchados.
Quem se habilita?

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Cadernos

Eu e a minha Máquina,
Agora mesmo

Sou fanática por cadernos.
Sou fanática por escrever.
A qualquer sítio onde vá, tenho de escrever.
Para memória futura.
O caderno do lado esquerdo é o meu caderno de registo de reuniões.
Iniciado em Novembro de 2008.
Lá dentro, muitos papéis para além das folhas.
Registos de avaliação das crianças, e outras papeladas.
Soltas. Que eu vou agarrando. Guardando para que deixem de ser soltas e passem a pertencer-me.
As folhas vazias do caderno do lado esquerdo acabaram.
Tive de ir comprar o caderno do lado direito.
Igual ao do lado esquerdo mas ainda não personalizado.
Ainda não "engordado" por tudo o que vou acumulando.
Nostalgia. Arrumar um pedaço de vida, um ano e meio.
Esperança. Iniciar outro pedaço de vida.

Fuga, a Duas Vozes

Hoje era preciso sair daqui.
Não por mim, mas por alguém que precisava de respirar fundo, de desabafar preocupações e dúvidas existenciais.
Uma passagem na ESFLG, dois dedos de conversa animada, fotografias, conselhos de outros. A crescer em mim a vontade de saber mais, de voltar a estudar, de ter a obrigação de ler o que me apetece ler, de saber identificar mais conceitos.
Shopping. FNAC. Livros. Arte. Pincéis. Papéis. Aguarelas.
Fantástico Mundo onde os materiais da Arte se aliam agora aos materiais da leitura. Páginas e lombadas vivem lado a lado com pincéis, aguarelas e cadernos.
Eu apaixonei-me por esta Tabacaria que já conhecia da fotografia fantástica do Artur.
Almoçámos e estivemos bem. Adivinhei mais calma depois de umas horas em que não tive de desviar a minha atenção para mais ninguém.
De vez em quando, são essenciais estas fugas!  

terça-feira, 25 de maio de 2010

Soltas, de Final de Dia


I. Hoje há reunião da Associação de Pais da ESFLG. Da última vez levei um bolo de canela para nos ajudar a suportar o esforço de sair de casa ao serão e ir passar umas horas dentro de uma sala de aula. Prometi que hoje voltaria a levar qualquer coisa para nos animar o estômago. Cheguei à despensa e dei com o cartão dos ovos vazio...ainda vou ter que ir a correr comprar meia dúzia de ovos!!!
II. Das tarefas domésticas a que mais me aborrece é a que se relaciona com o pensar o que fazer para as refeições. Já cheguei a um ponto que só me apetece ter alguém a cozinhar por mim e a pensar por mim. A imaginação culinária não é mesmo o meu forte! Hoje tenho carne para guizar com massa, mas ainda nem comecei ...
III. A saga dos TPC ainda está em vigor. Estamos nas moedas, nos trocos, no escrever por extenso. O balcão da cozinha também é secretária. De Mãe. De Filhos.

Pobres dos Nossos Ricos, Mia Couto

«A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos. Mas ricos sem riqueza. Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.
Rico é quem possui meios de produção.
Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.
Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro, ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.
A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos "ricos". Aquilo que têm, não detêm.
Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros. É produto de roubo e de negociatas.
Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram.
Vivem na obsessão de poderem ser roubados. Necessitavam de forças policiais à altura. Mas forças policiais à altura acabariam por lançá-los a eles próprios na cadeia. Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade. Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem (...)»

Recebido por mail

Dia Internacional dos Vizinhos


«A Festa dos Vizinhos surgiu em Portugal há cinco anos, mas nasceu em 1999 em Paris (França), quando foi criado um grupo de amigos, a associação "Amigos de Paris", para mobilizar as pessoas no combate contra o isolamento, estendendo-se a 15 países da União Europeia.», fonte: TSF Online

Nem desconfio como será actualmente a vizinhança dentro de um prédio e nas ruas envolventes.
 A minha infância e juventude foi passada num prédio de 3 andares. Conhecia todos os vizinhos, da cave ao 3º andar. Todos me tratavam pelo nome, todos me perguntavam "pelos papás e pelos manos". Com um ou outro existia uma relação de proximidade maior que passava pelo bater à porta se precisássemos de alguma coisa à última da hora. No meu prédio não havia crianças com quem brincar mas havia nos prédios vizinhos miúdos da minha idade que frequentavam o mesmo Liceu e com quem ia e voltava da escola, com quem estudava. Conhecíamos os vizinhos dos prédios da nossa rua, dizíamos bom dia e boa tarde quando nos cruzávamos. Conhecíamos os lojistas e sabíamos os seus nomes. O Sr. Albano da padaria, a D. Graça do cabeleireiro, a D. Rosa do oculista, a Drª Leonilde da farmácia, etc.
Já saí de Lisboa há quase 22 anos e o local onde moro actualmente é um local basicamente residencial e não o típico bairro lisboeta. Não sentido uma saudade diária de viver em Lisboa ou uma vontade de regressar, sinto, volta não volta, a nostalgia do sentimento de pertença a uma comunidade mais alargada do que a meramente familiar ou afectiva.
O Dia Internacional dos Vizinhos, que pode à partida parecer uma ideia disparatada de mais um dia especial, poderia ser o ponto de partida para a criação dessas comunidades se não fossemos tão individualistas, tão fechados sobre nós próprios, tão pouco solidários e detentores de tão pouco sentido cívico.
Ser vizinho, principalmente, dentro de um prédio, obriga a determinadas regras e formas de conduta que ao não serem cumpridas, facilmente levarão a quezílias, a desentendimentos e até a processos judiciais (o barulho a horas menos próprias, os grelhadores nas varandas, o que se sacode janela fora sem se ter atenção à roupa estendida no estendal do andar de baixo, o lixo, a limpeza da escada, o pagamento dos condomínios, a preservação dos espaços comuns, ...).
Sonho com a visão cinematográfica de bairros onde os vizinhos se organizam para resolver problemas que a todos afectam, se organizam para auxiliar outros vizinhos em dificuldades, preparam recepções de boas vindas a novos habitantes.
Seria bom que este Dia fosse um ponto de partida para saírmos do casulo e iniciarmos projectos de boas práticas de vizinhança!

Cheaters [na versão portuguesa, A Grande Farsa]

 

Foi o nosso serão de ontem.
Um filme que mostra bem as diferenças entre uma Escola Pública recheada de recursos, orçamento e selecção de alunos e uma Escola Pública de subúrbios e como o mesmo sistema de ensino pode conduzir a resultados tão díspares, porque, na verdade, as oportunidades não estão à disposição de todos de igual modo.
Um filme que mostra a batota como uma característica das sociedades dos nossos dias.
Apesar de já ter 10 anos, é um filme que merece ser visto e pensado.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Carro Fechado, Condutora na Rua

Ah pois foi! Estivesse eu sózinha e ainda agora estaria à porta da escola à espera que chegasse a chave sobressalente.
O M.M.3 abriu o carro, pousou a mochila e as chaves, abriu o porta bagagens, tirou o street skate, fechou o porta bagagens. Quando lhe pedi a chave, já foi tarde demais. O carro, inteligente, trancara-se. Lá dentro, a chave. A minha mala, toda escancarada, no lugar do pendura. Telefonema para cá, mensagem para lá, fiquei ao pé do carro e a F. foi ter com o A. ao sítio onde estava em reunião. A chave sobressalente estava com ele. Trânsito para lá, chuva e auto estrada para cá, a F. salvou-me! O jantar ficou atrasado e a esta hora ainda estou à espera que o forno termine a sua missão.
Mais uma grande aventura de uma Mãe com o seu nº 4.

E Porque Não? Já Aqui Passo o Dia Todo !!!


Vi na Saltos Altos Vermelhos esta frase.

Tenho cá para mim que só ainda não recebi este crachá porque ainda nenhum dos habitantes cá de casa o deve ter visto à venda!

Eu Não Estou Em Crise

Este "querido" tem a lata de dizer numa entrevista a uma revista de jornal que "não está em crise". Eu acredito. Acredito que ele, tal como meia dúzia de outros, não precise de fazer o que o comum dos mortais faz. Racionar, racionar e racionar. 
O que não acredito e não me parece muito bonito é que numa altura em que todos nós andamos a tentar não pensar unicamente em como conseguir alcançar o meio de cada mês sem as carteiras vazias e a conta bancária a zeros ou a negativos, ele venha a público com o seu ar "sou muito bom" dizer estas coisas ...mas se calhar sou eu que sou invejosa!

Globos de Ouro

I.Terrível, a Bárbara Guimarães. Muita pose, muita tentativa de ser engraçada, enfim...já a dispensava destas "galas";
II. Tristeza, a não nomeação de João Tordo para a categoria Revelação. Na minha opinião merecia ganhar o Globo;
III. Emocionante, a homenagem a Artur Agostinho e o discurso de agradecimento do próprio;
IV. Muita lata, a entrevista a Carlos Cruz no final da Gala, dando antena a "alegações finais" fora do espaço próprio para elas;
V. Incrível, a ligeireza de Manoel de Oliveira à chegada ao palco. 101 anos?;
VI. Gira, a Inês d' Os Ídolos, na primeira fila, ao lado do Manzarra!

Pac-Man


Este jogo faz parte das minhas memórias. Há mais de vinte anos, no meu local de trabalho da altura, os campeonatos de Pacman eram um divertimento. Nas horas de almoço. No final do dia. Quando o Martim me disse que o Pacman fazia 30 anos e estava no Google, não resisti à tentação de ir jogar um bocadinho...e a emoção foi a mesma!

domingo, 23 de maio de 2010

Soltas, de Domingo



I. Para começar, o RIR. Espectacular. Já há dois anos tinha achado que A Cidade do Rock era um sítio espectacular, mas na sexta feira consegui não me desiludir e confirmar com uma segunda estadia o que o encanto da primeira me deixara como recordação. Li agora que no primeiro dia estiveram no Parque da Belavista 81.000 pessoas. Qualquer um, que nunca lá tenha estado, vai dizer que eu sou maluca, que nunca se enfiaria numa confusão dessas. Não sei qual o segredo do Rock In Rio, mas tenho a certeza que o factor organização deve ser estudado ao mais ínfimo pormenor, porque confusão é coisa que não se vê por lá, mesmo tendo em conta o número astronómico de pessoas que por lá passeiam e se divertem. Este ano conseguimos chegar cedo, o que fez com que não apanhassemos fila para entrar e nos permitiu explorar o Parque antes do primeiro concerto da tarde/noite. Mariza. Brutal. Na sua voz, Na sua figura em palco. Na forma como pôs a "clientela" da Cidade do Rock presa à embaixatriz do Fado. [Em casa houve quem chegasse do surf e não conseguisse "descolar" da televisão ao ouvir/ver a fadista.] Escolhi para quem me pediu uma música por actuação da noite - Come as you are, Nirvana by Mariza; Poeira, by Ivete Sangalo; La Tortura, Shakira. Parabéns RiR!!!
II. Segundo, a Festa de Aniversário do Martim, no sábado. Não teve 81000 pessoas, mas teve muitas crianças e muita animação. Os cães bébés foram o centro de todas as atenções e até às nove da noite foi um non stop! O tradicional jogo da corda acabou por juntar todos os miúdos em saltos e risota. Quando finalmente me sentei no sofá, uf...caí, literalmente, para o lado!
III. Terceiro, para continuação de festa de aniversário, uma rica favada (que é das melhores coisas para quem quer perder peso!). Divinais. Favas e vinho tinto!!! Gelatina de fruta para terminar e mais sofá. A C. na Geometria Descritiva, o MM1 na poesia do sec. XX (e a dar-nos música do computador dele), eu a blogar.

Há por aí alguém que me leia que ofereça 4 bilhetinhos para o RiR de dia 27? Vá lá...please!!!! Nós queremos [R]iR!!!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Soltas, de Sexta feira


Solta, I
Ontem, quando assistia ao epísódio d' Anatomia de Grey, adivinhei a fala seguinte de uma das personagens. Será este um sinal de que possuo capacidades extra sensoriais?

Solta II
09:30-12:00, período de exposição solar para tentar queimar o que ontem não conseguiu ficar escaldado. Praia cheia de gente. De várias idades. De vários aspectos. De vários tons de bronzeado/escaldado. Conclusão, o desemprego está mesmo em Alta!

Solta III
Estou a fazer o bolo de anos do Martim (é já amanhã). É de chocolate. Apetece-me comer a massa toda à colher, como se comesse mousse de chocolate.

Solta IV
A Charlotte diz que eu estou a ficar doente. Daquele tipo que de cada vez que se olha ao espelho se acha mais e mais gorda mesmo que até esteja mais magra. Eu é que sei. E eu sei que queria mesmo perder uns kgs. :-(

Solta V
«Vais ver que te vais divertir e a C. também. Depois contas-me, e danças uma musiquinha por mim, ok? Só tens de me dizer qual foi a que escolheste.»
Hoje é dia de Rock in Rio. Está calor, mas tenho de ir de calças de ganga. E ténis. E não me apetece. Está tanto calor. Já falta pouco.

Piedosamente


- És feliz?
Disparou assim a pergunta, aos primeiros raios de sol da manhã, ainda abraçados, na cama, depois de uma noite em que talvez tivessem sido felizes.
Ela soltou-se do abraço que a enlaçava. Lá de fora, vinda não sabia bem de onde, a voz de Elvis Costello entoava o "She" que ela intimamente considerava a sua canção, a canção que alguém, um dia lhe dedicaria. Olhou-o nos olhos enquanto a mão direita lhe afastava da testa o cabelo despenteado. Enquanto o fazia sentiu que a vida dos dois, em comum, lhe passava à frente dos olhos em movimento acelerado. Nas imagens que corriam ela procurava desesperadamente encontrar a que lhe fizesse responder afirmativamente à pergunta dele. O coração parecia ter abrandado o seu movimento de bomba impulsionadora de sangue e batia agora devagarinho, quase parado. E os olhos dele não saíam dos dela. E os olhos dela perdiam brilho e entristeciam. Para dentrto de si, envoltas em raiva, uma raiva incontrolável, gritava «apareçam!!!! eu sei que em alguma parte de mim vocês existem!!!!».
- Sim, sou feliz...
Lá fora, a música terminara.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Ridiculous

Tenho uma Festa para preparar
Está calor
Não me apetece

A praia estava tão boa
A água tão magnificamente fria
O Sol tão magnificamente quente

Estou escaldada

Tenho uma Festa para preparar
E não me apetece

Sou Ridícula

Filosofia



«Construo o pensamento aos pedaços: cada
ideia que ponho em cima da mesa, é uma parte do
que penso; e ao ver como cada fragmento se
torna um todo, volto a parti-lo, para evitar
conclusões
in Poesia, Pedro Lembrando Inês,
Publicações D. Quixote,
Fevereiro 2009

Folga

Eu e a minha Máquina,
S. Pedro Estoril
Dezembro 2008

Que se lixe o pó por limpar, o chão por aspirar, a casa por arrumar,
Que se lixem as meias e cuecas por dobrar,
Que se lixem as camisas por engomar!

O Sol desafia-me desde que a semana começou. Tenho-lhe resistido, numa atitude de dona de casa responsável, de Mãe de Família trabalhadora e consciente. Hoje atiro pelo ares todos os adjectivos que transformam a Vera que sou numa outra pessoa, a Mãe. Hoje mudo-me ali para baixo. De chapéu de sol e capulana. De protector solar e garrafa de água. De livro, caderno, caneta e lápis. De fruta para permanecer até que o corpo aguente e as horas de saída da escola permitam. Hoje vou apanhar sol e tomar banho. Hoje vou ser EU.
Para variar.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Branca de Neve

Paula Rego,

A Mulher cansou-se.
Não abriu a boca, não disse a ninguém. Desarrumou tudo. Atirou coisas pela janela fora. Fechou portas e abriu janelas. Pôs música a tocar bem alto e fez-se esquecida dos vizinhos.
Vestiu-se com o primor de uma verdadeira rainha, ou princesa.
Foi para o quarto e pôs-se em frente do espelho. Analisou cada centímetro do seu corpo, encontrando centímetros a mais aqui e ali. Analisou as feições que o espelho lhe reflectiam e franziu a testa. Analisou o cabelo despenteado. Tirou a escova da carteira e escovou o cabelo. Com a cabeça virada para baixo, primeiro. Com a cabeça virada para cima, depois. Voltou a analisar o cabelo. Parecia-lhe melhor, volumoso mas melhor. Atou-o num rabo de cavalo preso com uma fita vermelha. lembrou-se de fitas vermelhas em cabelos louros de infância.
Procurou uns sapatos com salto alto. Só encontrou sandálias. Calçou-as. Sentiu-se elegante.
Abandonou o espelho e o quarto.
Mudou-se para a sala. Aumentou ainda mais o volume da estereofonia e escancarou ainda mais as janelas.
Saíu para a varanda e rodopiou. Olhou a rua lá em baixo. Movimentada. Pessoas apressadas, carros conduzidos por condutores enervados e mal dispostos, eléctricos não tão velozes quanto os outros veículos. Uma massa que se movimenta. Cada parte da massa ignorando a outra. Nenhuma parte da massa olhou para cima, procurando a origem da música, clássica, cada vez mais ensurdecedora. Era o que ela desconfiava. Ninguém tem tempo para mais nada para além da sua própria pressa.
No chão da sala espalhou livros. Espalhou caixas de filmes. Espalhou caixas de CD's. Acendeu um cigarro e fumou. Sacudiu a cinza para o chão. Espalhou-a com a ponta da sandália. Dançou mais.
Conseguiu aperceber-se do toque irritante do telemóvel. Procurou-o na balbúrdia da sala. Encontrou-o e desligou-o. Estava decidida que o Mundo iria terminar. No próprio dia em que dançava.
Escreveu um bilhete. Leu-o. Amarrotou-o. Não diria nada, não daria satisfações.
Mergulhou na macieza do sofá. Pele ruçada de tanto uso. Pedaços de forro já à mostra. Pedaços de forro já à mostra. O que queria mesmo era adormecer. Fechou os olhos. A mão direita tocou o pescoço, acariciou-o. Liso, sem adornos. Quis sentir algo mais do que o peso que lhe ia fechando os olhos e abrandando o cérebro, mas dentro de si já diminuía a intensidade da vida, já se silenciava o som do pensamento.
O som da música silenciava-se também.
A Mulher estava, por fim, em Paz.
A seu lado, aberto, o livro infantil. Branca de Neve e os Sete Anões.

Sem Sentido

Eu e a minha Máquina,
Joana Vasconcelos, Museu Berardo
Março 2010

No sentido do que não faz sentido.
Ter vontade de fazer o que se sabe não se poder fazer.
Ter vontade de ignorar completamente com quem tem de se falar.
Ter vontade de deixar para trás tudo o que se tem de carregar para a frente.
Ter vontade de começar tudo do princípio e não querer deixar de ter algo que se tem, agora.
Ter vontade de deixar de ser.
Ter vontade de ser.

Recreio


São barulhentas.
E coloridas.
Enchem o ar de gritaria.
E de gargalhadas.
Vejo-as e oiço-as, mas à distância.
Gosto de me sentar perto delas.
De aprender jogos.
De ensinar canções.
Crianças. Deito-as pelos olhos, pelos ouvidos, pelos poros!
Crianças. Que seria da minha vida sem elas?

T R E T A

Que miséria está este meu blogue...
Com o número mensal de posts a baixar...
Com o número de visitantes online e por dia a não passar do mesmo de sempre...
Com os comentários num nível completamente "zerado"...
Com a inspiração completamente adormecida por preocupações pessoais que não há meio de dispersarem...
Preciso de incentivos.
Preciso de ideias luminosas para textos arrasadores.
Preciso de sair
desta TRETA!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Contraste


O que me está mesmo a apetecer comer e beber!!!



O que realmente vou comer e beber :-)

Vontade

Eu e a minha Máquina,
Tavira
Agosto 2009

Começa a cheirar a estes dias
A estas ervas de cheiro intenso e maravilhoso

Dias
Longos
Quentes
Preguiçosos

Resisto à vontade
De fechar a porta e
ir
Espreguiçar-me, lá em baixo,
na Areia

Come Undone, Robbie Williams

O Que Ontem Ficou Por Fazer...


As minhas mãos são o meu instrumento de trabalho.
Tudo o que faço faço-o com elas que, coitadas, nem sempre andam com o melhor aspecto do Mundo.
Decidi que tenho de inverter esta tendência de descuido.
Ontem foram elas que viram adiado o seu tratamento depois de muito terem trabalhado.
Vamos ver se hoje não se repete...

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Boas Práticas, o Ponto de Partida


Acelerei o dia todo. Do plano que tinha traçado para o dia de hoje só não consegui cumprir uma alínea. Desmarquei-a, troquei-a para amanhã.
À hora marcada lá estava eu. Na biblioteca da Escola.
O painel sobre Boas Práticas na Escola está integrado numa série de outros painéis que têm vindo a ser feitos no âmbito da avaliação da escola.
Fomos nove pessoas na mesa, frente ao auditório. Professores que foram, este ano lectivo, pela primeira vez colocados na ESFLG, um representante da CMC, o Director da Escola, uma Professora que secretariou o painel e eu.
Na assistência, professores.
Após os agradecimentos e apresentações iniciais, cada um de nós falou sobre o que lhe agradava e desagradava na Escola.
Foi muito bom ouvir o que os Professores, novos na Escola, tiveram para dizer. Foi bom ouvir uma opinião generalizada segundo a qual a Escola é um espaço simpático de trabalho, com boa relação entre os Professores, com boa relação com o Conselho Executivo. Foi muito bom ouvir tudo isto, porque não era isto que eu estava habituada a ouvir até chegar a esta Escola. É claro que existem pontos a melhorar na Escola, mas também é muito claro que este espírito que se vive na ESFLG não é o espírito que se vive, actualmente, nas Escolas em geral.
Foi bom fazer parte de uma reunião/debate deste género, porque para que as coisas melhorem é necessário que as pessoas se juntem e conversem. Sobre o que está bem e deve ser mantido, sobre o que está mal e deve ser alterado, sobre o que se pode incluir de novo. O primeiro passo foi dado!
Agradeço à Escola o convite e a todos a participação.




Segunda Feira

Eu e a minha Máquina
S. Pedro do Estoril,
Outubro 2008

I. As segundas feiras são dias de limpeza e arrumação, porque o movimento que esta casa vive aos fins de semana deixa-a completamente imprópria para consumo. Já comecei a virar do avesso (pela quinquagésima vez) o quarto dos pequenos. Há que mudar, renovar, inovar e eu sou mestre em arredar e mudar móveis de sítio.
II. Ontem ao final do dia fomos a Alvalade. Apeteceu-me mudar para aquele bairro lisboeta. Continua a ser um local de Lisboa cheio de animação, de lojas, de pessoas a passear nas ruas. Os prédios estão a ser reabilitados e a Avenida da Igreja cheia de árvores é um local deveras apetecível. Sentada na esplanada da Itália pus-me a imaginar como seria regressar a Lisboa depois de 22 anos de "linha". Enchi-me de nostalgia e quis mesmo voltar, apesar de reconhecer que não iria ser fácil enfiar esta gente e esta tralha toda num apartamento em Lisboa. Voltaríamos às origens, ficaríamos perto dos Pais e de alguns dos Irmãos. Por um lado, acho que os miúdos iriam gostar de viver num sítio como Alvalade, por outro...bem, mas foi só um sonho num final de tarde.
III. Os senhores da metereologia dizem que desta é que a Primavera chega! O dia está azul e luminoso, está quentinho lá fora. Espero bem que as previsões estejam certas e que esta semana seja propícia a umas manhãs de areal e de banhos de mar. Preciso de ganhar uma corzinha para me ir mostrar no RIR e para estar com um bom look na festa de anos do Martim que também se aproxima a passos largos!
IV. A reunião/debate sobre Boas Práticas nas Escolas vai ser hoje na ESFLG.
V. Agora que já dei notícias do que por cá se faz e fará, Vou trabalhar!

sábado, 15 de maio de 2010

Sábado, Princípio, Meio e Fim

Eu e a minha Máquina,
Sevilha,
Agosto 2009

O dia chega ao fim. Ainda há sol no céu mas no nosso jardim já se faz sombra.
É sábado, mas nada difere do habitual. O que se faz e o que não se faz mantém-se igual.
Os humores também não alteram grande coisa e eu vou-me entretendo. Entre isto, aquilo e aqueloutro, lá vou andando no sábado.
Há uma panela de caracóis para o jantar. Há sobe e desce nas escadas. Brincadeiras e embirrações. Vuvuzelas que apitam e desafiam a paciência do chefe de escoteiros do outro lado da rua. Há obras no primeiro andar. Há máquinas a bater bolos na cozinha, calor de sol e de forno, cheiro a bolachas de chocolate e bolo de canela. Sai a Catarina para um jantar de beneficência. Ficam os rapazes e nós. E o Tio João Paulo que ajuda nas obras. E a Patrícia que ostenta uma invejável barriguinha de grávida.
Sento-me, por fim. Apetecem-me fotografias que me façam sair daqui. Páro nas de Sevilha. Escolho esta e anseio por uma protecção superior que me guie, me proteja. De mim. Dos meus pesamentos. Das minhas dúvidas e crises existenciais.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Saldanha Sanches

11 de março de 1944 - 14 de maio de 2010

Gostava de o ouvir falar
A partir de hoje não o ouvirei falar mais
RIP

O Futuro do Mundo é a Cegueira, Mohandas Gandhi

Emprestado pela Marta

Somos um país de Fado. Destino e canção fazem de nós pessoas tristes e melancólicas, pouco pró-activas e muito fatalistas. Temos a tendência natural para ver o lado escuro e ignorar o lado mais luminoso das coisas. Temos vivido dias complicados. Longos e complicados, em que as notícias nos bombardeiam com as dificuldades e com a necessidade de sacrifícios por parte de todos. E nós, cá vamos andando. Cabisbaixos, amarfanhados por tal triste fado. Como se não bastassem todos os cortes, todos as não-despesas, caem-nos agora em cima medidas drásticas de austeridade com aumentos de impostos sobre bens essenciais e não só, com cortes em subsídios. Objectivamente não sei em que é que poderemos "cortar" mais e o que dizer desta vida que levamos, em que os dias de trabalho são cada vez mais longos, retirando horas ao lazer e à família. Somos o país que mais medicamentos anti-depressivos consome. As pessoas tentam minorar a tristeza, a frustração, o fado que as invade, mas a realidade mantém-se. Dura. Apesar do químicos. A crise continua. Implacável. Sempre! O Mundo evoluíu rapidamente, as sociedades alteraram radicalmente, em alguns casos, a sua dinâmica, mas as pessoas pagam um preço demasiado alto por tanta evolução, por tanta mudança. E vivem como se uma bruma as envolvesse, as cegasse, impedindo-as de ver o outro lado. Se deveria ter um pensamento positivo? Provavelmente deveria, mas as perspectivas não se me afiguram muito sorridentes...

Já Só Falta Uma Semana e...


eu vou
:-)

Mania



Tenho esta mania.
De me ligar afectivamente a pessoas que se ligam a mim por motivos diferentes. Pontuais.
Quando dou por mim, perdi quem considerava ter ganho.
É uma mania como outra qualquer, mas é ESTÚPIDA!
Tenho que ver se me curo.
Vou entrar em "rehab".

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Lido ao Calhas...

Eu e a minha Máquina
Há um bocadinho...

[...]"Repetimos que a fé é, face à morte, o maior lenitivo. Mas que é a fé verdadeira senão o absoluto do Amor? O Amor é o verdadeiro rosto de Deus. Um agnóstico pode encontrar esse rosto em cada ser humano. O Amor, vi-o, cintilante, nos teus dedos, enquanto acariciavas a tua filha, no caixão, como se de novo a acariciasses no berço, enquanto dormia. Não era uma despedida; era uma promessa de cumplicidade inesgotável, o que os teus dedos desenhavam, sobre o rosto e as mãos da tua filha morta. E essa promessa iluminava a capela, o caixão, o silêncio, cada uma das pessoas que chegavam para a cerimónia da despedida. Parece-me que não há outra razão para ter filhos. Nem há que temer perdê-los, porque o Amor não se perde, nem envelhece, nem morre. Basta olhar para as estrelas. Como eu olho para ti."
Os Íntimos,
Inês Pedrosa,
D. Quixote, Abril 2010,
Pg.95
Eu e a minha Máquina,
Alentejo,
Agosto 2008

Não sei de que é feita a minha relação com os meus Filhos que a caracteriza de uma forma tão diferente de outras relações Pais/Filhos que conheço. Questiono-me sobre o factor sorte que permitiu que tivesse os filhos que tenho. Questiono-me sobre a minha capacidade de educar que me tem oferecido, como prémio, a confiança e o companheirismo que me une aos meus quatro descendentes. Se não temos momentos de tensão e de vontade de nos fazer desaparecer mutuamente? Claro que sim! Quando as birras do nº 4 se seguem umas às outras sem qualquer razão; quando os momentos de isolamento do nº 3, nas alturas menos próprias, me tiram do sério; quando o nº 2 se insurge com o estudo que lhe rouba os momentos de surf; quando a nº 1 quer que os irmãos lhe obedeçam e a respeitem como se fosse ela a Mãe de todos, claro que gostaria imenso de ter uma varinha de condão e um dom que me permitisse congelá-los a todos durante uns minutos. Passadas estas coisas que fazem parte do dia a dia, dou por mim a pensar como gosto da sensação de já ter Filhos com quem posso conversar utilizando palavras "difíceis", como gosto de saber que a mentira não faz parte da nossa relação, como me orgulho por nunca existir "o que fica por dizer", mesmo quando o que tem de ser dito não é o mais agradável de ser ouvido. Eu gosto de ser esta Mãe.

Acabei de Receber !!!

Eu e a minha Máquina
Agora Mesmo

Vi-o pela primeira vez na Bertrand. Folheei-o e cheirei-o. Registei-o na minha wish list.
Foi-me oferecido e enviado pela Patrícia Reis. Chegou agora e arrancou-me um sorriso que fez o Manel comentar "Oh Mãe, o teu ar de felicidade por causa de um livro novo...".
Já agradeci à Patrícia Reis este presente, mas volto a agradecer aqui!
Acho que o Bolaño não se vai sentir enciumado se dividir a leitura do 2666 com Os Íntimos!

Por Quem Não Esqueci

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Surfar, Apenas Surfar [1]

"O surf é uma experiência, uma expressão, uma actividade, uma performance, uma sensação, uma espiritualidade, enfim, qualquer coisa que nos agarra às vezes desde muito cedo e de uma forma permanente e inexplicável nos move, molda, muda e direcciona a nossa vida."

Chegar ao parque de estacionamento da praia. Bater a porta do carro e ficar parado, virado para o mar, fazendo dos olhos os binóculos que analisam cada metro de oceano, em busca do melhor ponto do dia. A chegada à praia, o primeiro contacto com o mar, funciona como um despejar de tudo o que nos corre cá dentro. A partir daquele momento só interessa o Mar. Despir a roupa, independentemente do calor ou do frio que se faz sentir, vestir o fato, besuntar a cara de creme, besuntar a prancha de wax e correr rumo à areia. Correr pela praia. Rodar braços, esticar pernas. Um bom aquecimento antes de entrar dentro de água pode fazer a diferença quanto à qualidade do surf e à capacidade de permanecer lá dentro. Finalmente. Atirar a prancha para a água, atirar-lhe o corpo para cima e remar. remar. remar. Nesta altura já não existe prancha, pessoa e mar. Apenas existe o todo. Em que tudo pertence ao Grande Azul. E a sensação. Respirar fundo, sentir o cheiro do mar a invadir o corpo, o silêncio a infiltrar-se por cada poro, em cada milímetro de pele. Depois a adrenalina de apanhar a primeira onda do dia. Saber respeitar as prioridades dentro de água, quem apanhou primeiro a onda tem o direito a surfá-la. A partir da primeira onda é o vaivém. As manobras, os truques, as "pauladas", os "tubos"...e quando o dia de surf termina, fica o cansaço mas também a certeza da serenidade que nos invade o corpo e o espírito. Nas marcas salgadas que nos deixa no corpo. A paz que o Mar transmite. Na sua imensidão. Na sua força. E anseamos sempre pelo próximo dia de surf!

 
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